A Justiça paulista negou, na terça-feira (28/4), o pedido de anulação do processo contra o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Eles são acusados de matar a menina Isabella em março do ano passado. Por três votos a zero, foi negado o recurso do novo advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval. O defensor pediu a anulação do processo por considerar que não há provas que incriminem Anna Carolina. A reportagem é do jornal O Globo.
Contudo, o desembargador Luis Soares de Mello, relator do processo, considerou em seu voto que não havia qualquer razão para o recurso, já que o processo tem material suficiente para manter os acusados presos.
A madrasta e o pai de Isabella estão presos há um ano, em Tremembé, no interior paulista, onde aguardam júri popular pela morte da menina. A intenção do novo advogado de defesa é tentar adiar ao máximo o Júri, enquanto tenta novos recursos para liberar o casal. Podval informou que até o fim desta semana vai pedir o afastamento do juiz Maurício Fossen do caso.
Na próxima semana, ele afirma que vai entrar com dois recursos em Brasília, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, pedindo a anulação do processo. Perdendo um recurso, o advogado entra com outro imediatamente. Podval afirmou, em entrevista ao Fantástico, no último domingo, que os autos não chegam à conclusão sobre o que se passou no apartamento do casal, de onde Isabella Nardoni, 5 anos, foi atirada pela janela. Apesar de manter a mesma mesma tese defendida por seu antecessor, Marco Polo Levorin, Podval espera conseguir "uma reviravolta" no caso.
Ainda de acordo com a reportagem, Podval foi contratado há duas semanas. Levorin negou ter abandonado o caso por algum tipo de divergência com o casal ou com o também advogado Antonio Nardoni, pai de Alexandre.
“Não estou dizendo: São inocentes. Estou dizendo: Não tem prova que eles tenham feito, não tem”, disse Podval ao Fantástico.
“E aí me perguntam: Mas e a pobre da garotinha que morreu? Ninguém está preocupado com os pobres dos garotos que estão vivos”, dispara o advogado.
Podval diz, ainda, que está descartando a perícia particular, contratada pela defesa anterior, para contestar os laudos oficiais. Segundo ele, a perícia chega a uma conclusão que pode ser equivocada. “Não tem prova de esganadura. A asfixia mecânica deu-se pela queda”, afirma.
Podval também critica a versão da Polícia de que Anna Carolina Jatobá começou a agredir a enteada no carro da família com um anel ou uma chave. “Essa chave não foi para perícia. Essa perícia não foi feita. Eu pergunto: por quê? questiona
A delegada Renata Pontes, responsável pela investigação, se diz tranquila em relação ao resultado do inquérito. Ela diz que a chave não levaria nenhum tipo de prova na investigação e que a conclusão de que houve esganadura foi com base na afirmação dos legistas e dos peritos do Instituto de Criminalística. A Polícia também descartou a tese defendida pelo casal de que uma terceira pessoa entrou no apartamento e cometeu o crime.
Segundo a perícia, o suposto invasor teria apenas 1 minuto e 55 segundos para guardar a faca e a tesoura usadas para cortar a tela, limpar as manchas de sangue, apagar as luzes, trancar a porta e fugir, sem deixar vestígios.

Essa presunção só vale para réus confessos que sejam / foram diretores de jornais e banqueiros bandidos?
Acompanho esse caso desde o início, e confesso que acreditava na inocência do casal. Mas a presença de um cachorriho na minha vida e da minha mulher mudou a maneira de como eu enxergo o casal e analiso os fatos agora. Sou pai, mas meu filho já tem vinte e um anos, trabalha, faz faculdade e eu quase não o vejo mais. Havia esquecido como é a companhia de uma criança, de um ser inocente, indefeso junto a nós. Um dia chegando do trabalho, como sempre fazia , empurrei o portão para entrar, e acidentalmente machuquei a perna do meu cachorro, e apenas vendo ele com a patinha levantada e gemendo, me fez pegá-lo no colo e correr para pedir ajuda a alguém. Foi um ato de desespero. Ninguém ia ajudar um cãozinho manhoso.
Volto à cena daquele, e me vem à mente a titude fria do pai de criança no dia da sua morte: seus gestos sem nenhuma emoção, se limitavam apenas a apontar para a janela, como se de lá, havia caido um jarro, ou um objeto qualquer. Não, uma criança, sua filha.
Somente o "advogado do diabo" os livra da cadeia.
Acho uma pena que os direitos constitucionais sejam tão facilmente esquecidos quando se trata do clamor público provocado unicamente por uma imprensa que não tem mais o que fazer...
Não seriam os primeiros pais a matar os filhos que responderam ao processo em liberdade, não fosse o medo dos magistrados em serem repudiados publicamente.
Gostaria de saber por quais razões o novo nobre defensor vai pedir o afastamento do juiz Maurício Frossen. Só espero que o Judiciário mantenha sua autonomia e independência em face desse pedido.
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