Candidato à presidência da OAB-SP é acusado de fraudar pesquisa

Auditoria encomendada pelo advogado Martim de Almeida Sampaio revelou que enquete divulgada pela chapa concorrente à eleição da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo encabeçada por Rui Celso Reali Fragoso foi fraudada. A pesquisa feita no site de campanha do candiato pretendia aferir a opinião dos advogados de São Paulo em relação ao terceiro mandato do presidente da OAB-SP. O atual presidente Luiz Flávio Borges D’Urso é candidato à re-reeleição

A pesquisa ficou no ar por cinco meses. Os números amplamente contrários ao terceiro mandato levaram Almeida Sampaio, que é candidato a conselheiro na chapa de D’Urso, a pedir a auditoria. A tarefa foi encomendada à empresa Crowe Horwath RCS, uma das maiores do gênero no mundo, que confirmou a suspeita. Segundo teste feito pelos auditores, para cada voto dado a favor da reeleição, eram computados quatro contra a proposta (clique aqui para ler o relatório da auditoria).

A enquete perguntava Qual sua opinião sobre o terceiro mandato na OAB-SP?. A pesquisa oferecia duas opções de voto: "a favor" e "contra". De acordo com o relatório, ao votar em “a favor”, automaticamente, eram computados quatro votos “contra”. Ou seja, a cada voto favorável, quatro contrários eram acrescidos sem que ninguém houvesse escolhido a opção. Ao fazer o teste de forma contrária, votando em “contra”, o valor para “a favor” permaneceu o mesmo, sendo contabilizado um voto para cada.

O resultado da enquete “apresenta um indício de deficiência na contabilização dos votos”, apontou a averiguação. O site foi acessado por meio de computadores com diferentes IPs (Internet Protocol) para assegurar que, caso o sistema possuísse um método de bloqueio de mais de um voto por IP, não impactasse nos testes realizados.

Para garantir que o sistema não estaria, coincidentemente, recebendo votações proporcionais e simultâneas às feitas pela auditoria, foi realizada longa pausa entre as votações feitas para análise. Após uma hora, notou-se que os valores mantiveram-se inalterados, demonstrando que nenhum voto havia sido computado.

No período de votação analisado, de quase três horas, entre 13h21 e 16h12, do dia 28 de setembro, a enquete recebeu 6 votos (a favor) e 1 (contra) feitos pela auditoria, e mais 2 (contra) feitos por internautas, totalizando 9 votos. No início do teste a votação registrava 1.270 votos a favor e 5.565 contra.

De acordo com relatório de análise, ao final do período de testes o placar mostrava 1.276 a favor e 5.592 contra. Foram contabilizados no período 33 votos. Tal análise gerou a proporção de 1 x 4,5 e levando em consideração um período infinito, se aproximaria de 1 x 4, ou 20% x 80%, reforçando a distorção identificada e não refletindo a opinião dos internautas. Feita por amostragem, a análise dos resultados expressados pela enquete foi feita no dia 28 de setembro, num período de três horas.

Procurada pela Consultor Jurídico, a assessoria de imprensa de Rui Fragoso não se manifestou até a publicação da reportagem.

Clique aqui para ler o relatório.

Flávio Rodrigues

é repórter da revista Consultor Jurídico

Jubervei Nunes Bueno disse:
28 de outubro de 2009 às 19:30

De tão evidente a má fé estampada na “enquete”, nem precisava do auxilio de empresa especializada para constatar a fraude. Eu também já havia observado e constatado essa farsa. Um candidato assim, que menospreza a inteligência dos seus colegas, não merece crédito quando diz que pretende sair em defesa da Advocacia Paulista!

Felipe A. Boaventura disse:
28 de outubro de 2009 às 19:46

A acusação é assustadora; se procedente, acredito que eu como a maioria absoluta dos membros da Ordem dos Advogados não se satisfariam com menos que a expulsão do candidato de nossas fileiras.
Contudo, enquanto eu lia a matéria o banner do D'Urso não parava de correr na margem superior da tela; não voto em SP, portanto posso me considerar imparcial para o presente comentário; será que o presente sítio, apoiando/vendendo seu espaço para a chapa contrária seria um bom canal para veiculação da matéria?
Estou ansioso para a resposta da chapa denunciada, ao meu ver, um eventual engodo se prestará de confição.
Que os advogados paulistas, desta seccional expoente que tanto dá visibilidade à OAB tenham muito juízo na escolha e que sejam rigorosamente apuradas as denúncias e tomadas as providências, uma fraude eleitoral na própria OAB é extremamente vexamoso para todos que subscrevemos nosso registro.
Durante esta eleição, aqui em Minas, venho - inclusive - me questionando acerca da péssima qualidade das campanhas, embaladas como um disputa política rasa em que os investimentos vêm sendo mais despendidos nas cores, no marketing do que no debate e nas idéias.

Mauricio, Advogado e Professor de Direito em SP disse:
28 de outubro de 2009 às 20:37

O fato noticiado é gravíssimo. O problema maior é que está devidamente comprovado em razão do relatório ao qual se tem acesso através da própria notícia. Indefensável para a chapa de Fragoso. A chapa 14: 1 voto para D'Urso e 4 para Fragoso, tal como sua pesquisa indicava, "no automático"...
A questão foi além do que se admite como razoável numa disputa pela presidência da OAB. Milhares de advogados foram ludibriados através de uma pesquisa manipulada, divulgada por meses-a-fio, através de um site amplamente difundido.
A questão não pode cair no esquecimento.
O dia passou e nenhum esclarecimento foi trazido pela assessoria ou pela chapa de Fragoso. De fato, não há defesa para o indefensável.
Não apoio o Fragoso, mas respeito-o como homem e como advogado. Apenas lamento que tenha se envolvido num "imbroglio" deste porte. Jamais imaginei dizer que sua chapa tem a idoneidade e a ética comprometidas. Triste, muito triste que a advocacia bandeirante tenha que conviver com um episódio desse naipe...

Mauricio, Advogado e Professor de Direito em SP disse:
29 de outubro de 2009 às 01:33

As campanhas pela presidência da OAB sempre foram apimentadas, mas a ética sempre esteve presente entre os candidatos.
É lamentável que um homem do quilate de Rui Fragoso, do ponto a que chegou em sua vida, tenha que carregar a pecha de aético, tendo em vista a molecagem perpetrada em seu site. E, não venham dizer que a culpa foi da empresa que criou ou mantém o site ou da empresa que cuidou da pesquisa "a" ou "b"... O site é da campanha de Rui Fragoso e ponto final.
Forjar resultados em uma pesquisa é triste. Envergonha não só o candidato e toda a sua chapa, mas toda a sua advocacia, até mesmo porque a falcatrua ultrapassou os lindes jurídicos: foi divulgada ao grande público através do jornal Folha de São Paulo, tamanha sua gravidade.
Dr. Fragoso deveria, no mínimo, vir a público desculpar-se. Não há defesa para o indefensável. Líderes de diversos países já se suicidaram por fraudes muitíssimo menos nocivas do que essa...
Milhares de advogados foram enganados por meses à fio por uma pesquisa que era "automaticamente" manipulada. Que vergonha.
Será que a comissão eleitoral da OAB fará algo?
Há algo nas regras da eleição que possa fazer punir tão desairosa conduta?
Espero que essa grave conduta do candidato Fragoso não caia no esquecimento. Só por conta disso, já decidi meu voto. Não posso confiar em um homem que em sua campanha pratica ato de tal nível. O que fará se estiver na OAB?
Mas na realidade fico triste, aborrecido, eis que o episódio serve apenas para tornar mais prejudicada a fama de nós advogados perante a sociedade, já tão desgastada.
Prezado Dr. Fragoso, muito obrigado por esse seu desserviço à advocacia!!!

WLStorer disse:
29 de outubro de 2009 às 07:12

É só fazer umas buscas na Internet e ver que tem coisas bem piores. Quem vota e acredita em pesquisa, em especial, eleitoral, assina atestado de idiota! Pesquisa eleitoral fraudelenta é regra. E todos sabem, dá resultado certo, muito certo mesmo.

Luiz Antonio Ignacio disse:
29 de outubro de 2009 às 16:43

diante da "denùncia" (que não tenho certeza de ser merecedora de fé) indago porque a fonte assim também não rotula uma "tal pesquisa" confessadamente direcionada até mesmo pelo instituto apontado como autor. O contratante fornece a lista dos consultados e por incrível coincidência o resultado lhe é bastante favorável. Já não é sem tempo de dizer a essas pessoas preocupadas com pesquisas que os Advogados não são peças de um simples tabulereiro que possam ser movidos por fantasias. Dentro de alguns dias veremos o resultado.

Fernando Joel Turella disse:
30 de outubro de 2009 às 00:19

Segundo Fredini, como postado na Comunidade OAB-SP, do Orkut, a fraude foi negada. Transcrevo o dito
pelo coleg
"A fraude foi negada
Senhores,
Vejam só o que a empresa CROWE HORWATH RCS declarou:
Essa empresa foi a contratada pela situação para realizar a auditoria referente A OPINIÃO SOBRE O TERCEIRO MANDATO.
" Com relação à enquete: QUAL A OPINIÃO SOBRE O TERCEIRO MANDATO NA OAB lançada por uma das chapas concorrentes à eleição da Ordem dos Advogados do Brasil ( OAB ) no ar e por nós analisada no dia 28 de Setembro a Crowe Horwath RCS reitera ter identificado uma parametrização imprecisa que levava a indicios de deficiência na contabilização dos votos. EM NENHUM MOMENTO CONCLUIMOS OU ATRIBUISMO EVIDÊNCIA DE FRAUDE, conforme claramente expresso no relatório divulgado por terceiros e inserido na matéria em site do Consultor Jurídico na data de hoje"
São Paulo, 28 de Outubro de 2009.
Raul Corrêa da Silva
Ou seja, a empresa contratada pelo Dr. D'Urso nega ter atestado a fraude.
A VERDADE É RESTABELECIDA.
Reafirmo novamente, a situação está "atirando " para todos os lados.......
RUI FRAGOSO - TRIÊNIO 2010 - 2012
www.fuifragosooabsp.com.br
14 É O NÚMERO.
Grande abraço em todos e boa noite.
Fredini"

leandro basso disse:
30 de outubro de 2009 às 12:26

A fraude foi negada pela própria empresa que realizou a auditoria. Como alguém teve a ousadia de divulgar tamanho absurdo e acusar alguém de fraude, ainda mais numa eleição da OAB? Qual seria o motivo? É bom pensarmos sobre essa atitude. Acusação leviana e sua divulgação não podem partir de um (a) advogado (a) compromissado (a) com a ética.
abs.

Régis C. Ares disse:
31 de outubro de 2009 às 12:37

Não aprovo o terceiro mandato.
Se antes já não via com simpatia a re-eleição do candidato da situação, agora é que eu não voto mesmo!
Podem até vencer, mas não será com o meu voto...

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