Em uma decisão inédita, em outubro de 2009, o Superior Tribunal de Justiça autorizou a mudança do nome e gênero na certidão de nascimento de um transexual sem que conste anotação no registro. O autor fez uma cirurgia de mudança de sexo. A relatora, ministra Nancy Andrighi, determinou que a alteração conste apenas nos livros cartorários. Oito meses depois, as instâncias inferiores aderiram ao entendimento da Corte Superior. A tese, porém, gera questionamentos sobre como essas pessoas responderão às regras da sociedade no futuro.
As dúvidas não são poucas: O transexual vai responder na Justiça como uma mulher? Se for condenada, vai para uma prisão feminina? Num casamento, responderá como mulher de fato? Em caso de separação, terá os mesmo direitos que uma mulher?
Para a advogada Gladys Maluf Chamma, a resposta é sim para todas as perguntas. “Deve se ter em mente que o transexual, com a averbação de seu registro de nascimento e a aposição do estado feminino para o seu nome, está, em verdade, consolidando como de direito uma situação que era de fato, através do reconhecimento judicial”, informou. De acordo com Gladys, a alteração do primeiro nome e gênero apenas legaliza uma situação preexistente: “O transexual, a partir de então, não está mulher, ele é mulher”.
A advogada explica que, num casamento, o transexual responde como mulher de fato e tem os mesmos direitos no momento da separação, como pensão alimentícia e guarda de filhos. “Se casou ou viveu em união estável na condição de mulher, porque assim se constituía a sua psique e tal condição sócio-psicológica foi devidamente avaliada e reconhecida judicialmente, ele é, em verdade, uma mulher, com os mesmos direitos e deveres”, afirma.
O mesmo vale para violência doméstica. Se agredido pelo marido, o transexual poderá recorrer a Delegacia da Mulher e aplicar a Lei Maria da Penha se quiser acusar o agressor. A Maria da Penha dispõe sobre regras para coibir a violência familiar contra a mulher. Ainda no ambiente penal, passando de vítima para acusado, caso o transexual cometa algum crime e seja condenado, será encaminhado para um presídio feminino. "É aí que a alteração sob sigilo atua como um manto protetor à privacidade do transexual, retirando de seus ombros o preconceito que o impediu de levar uma vida comum até então", comenta.
A advogada Maria Berenice Dias chama a atenção para outra situação: o sexo social, ou seja, a identidade que a pessoa assume perante a sociedade. A especialista em Direito de Família e ex-desembargadora do Tribunal de Justiça gaúcho revela que mesmo os transexuais que não fizeram cirurgia ou trocaram o nome no registro estão sendo encaminhados para presídios femininos. “Já tem até portaria determinando que as pessoas sejam identificadas pelo seu sexo social”, revela.
No ano passado, jornais estrangeiros destacaram a história de um transexual do Reino Unido, que venceu uma batalha na Justiça para ser transferido para uma prisão feminina. Ele foi condenado à pena de morte por homicídio culposo e tentativa de estupro. O juiz David Elvin derrubou a decisão do secretário de Justiça Jack Straw determinando que o preso de 27 anos permanecesse na ala masculina. Para o juiz, a recusa de transferência era uma violação aos direitos humanos. “Eu declaro que a continuidade da presa em detenção masculina é uma transgressão aos seus direitos, segundo o artigo 8º (direito à privacidade) da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.”
Segundo o juiz, os primeiros passos para que a transferência da “mulher presa no corpo de um homem” seja feita já foram dados e o processo deve ser concluído em algumas semanas. Phillippa Kaufmann, que autou como testemunha na audiência, disse que a presa nasceu homem, mas tinha comportamento feminino reconhecido pela lei. Sua certidão de nascimento já foi até alterada para o sexo feminino. Os pelos do rosto e da perna da transexual foram removidos à laser e ela ainda passou por tratamento hormonal e cirurgias. Segundo Phillippa, ela foi proibida de usar saia, blusa e maquiagem na prisão masculina.
O Departamento de Justiça e as autoridades prisionais argumentavam que provavelmente ela não seria bem aceita pelas internas da prisão feminina e teria de ser isolada, o que causaria custos extras acima de £80 mil por ano. Ainda alegaram que a transferência para a prisão feminina causaria sérios impactos na saúde mental da transexual, dificultando o processo de redução de risco à sociedade e a possibilidade de reduzir a pena.
Marido desinformado
O ditado popular diz que o marido é sempre o último a saber sobre a traição da mulher. Não é difícil imaginar a sabedoria popular atualizada com a decisão do STJ e o sigilo da mudança de sexo e nome. Ou seja, o casamento com um transexual pode acontecer sem que o marido saiba da mudança. A saída para aquele que se sentiu lesado é pedir a anulação do casamento, revela Maria Berenice. “Basta declarar erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge”, diz.
Gladys defende que, apesar do sigilo ser sobre a alteração de seu registro civil em razão da troca cirúrgica de sexo, é feita uma “averbação à margem do registro no sentido de que a alteração foi feita por decisão judicial, não constando referência à alteração sexual, de tal modo a preservar o direito de terceiros”. Na prática, apesar de não conter a mudança de nome e gênero, é possível saber que houve alteração de registro.

A única coisa que não pode acontecer é o futuro marido não ter como conhecer esta condição de transexual operado da mulher com quem pretende casar. No mais não vejo necessidade da sociedade em geral ter direito a essa informação.
vai se aposentar mais cedo também ?
E se tiver filhos ? Passa a ser mãe ?
E se já estiver casado e resolver mudar de sexo ? Vai ter casamento de duas mulheres ou anula o casamento ?
E quem beijar sem saber o Transexual pode pedir indenização ?
No direito penal impossível que alguém com genôma masculino se passe por genoma feminino. A prova científica é sempre a mais garantida e segura. Ora, pois....quer dizer que um transexual masculino responde como vítima num caso da Lei Maria da Penha,cujos benefícios ao acusado são todos retirados por causa da espécie feminina? Tenho certeza que não quando se trata de prova científica, tal qual as competições desportivas. Não basta ser mulher, há de se provar ser mulher através do estudo dos genomas. Simples assim. Nada contra a mutação, homossexualidade etc. e tal, mas no direito penal não se admite a analogia. Por falar nisso, essa Lei Maria da Penha é um absurdo de inconstitucional.Pois protege apenas a mulher. O homem, o homossexual não. Muito mais que isso, tal lei não protege a mulher fora da intimidade familiar ou afetiva. Ou seja a prostituta pode ser esmurrada na rua pelo seu cliente. Pelo marido não.... dá pra entender ? Coisas do Brasil....
Otavio Augusto Rossi Vieira, 43
Advogado Criminal em São Paulo.
A idéia simplista de que o transexual deve ser tratado em todas as circunstâncias como mulher de fato não me parece correta. Por exemplo, é sabido que os testes físicos aplicados em concursos públicos são mais fáceis para as mulheres. A razão é que a natureza dotou a mulher com menor capacidade físico-muscular que os homens. Aplicando o raciocínio acima exposto dar-se-ia uma vantagem inconcebível ao transexual que possui fisiologicamente na verdade um corpo de homem.
A idéia simplista de que o transexual deve ser tratado em todas as circunstâncias como mulher de fato não me parece correta. Por exemplo, é sabido que os testes físicos aplicados em concursos públicos são mais fáceis para as mulheres. A razão é que a natureza dotou a mulher com menor capacidade físico-muscular que os homens. Aplicando o raciocínio acima exposto dar-se-ia uma vantagem inconcebível ao transexual que possui fisiologicamente na verdade um corpo de homem.
"...mesmo os transexuais que não fizeram cirurgia ou trocaram o nome no registro estão sendo encaminhados para presídios femininos. 'Já tem até portaria determinando que as pessoas sejam identificadas pelo seu sexo social'”
Consoante a interpretação acima, numa situação oposta, de mulher que se assume como do sexo masculino, será encaminhada ao presídio masculino, da mesma forma que responderá no civil e no penal como homem... é isto mesmo?
"...mesmo os transexuais que não fizeram cirurgia ou trocaram o nome no registro estão sendo encaminhados para presídios femininos. 'Já tem até portaria determinando que as pessoas sejam identificadas pelo seu sexo social'”
Consoante a interpretação acima, numa situação oposta, de mulher que se assume como do sexo masculino, será encaminhada ao presídio masculino, da mesma forma que responderá no civil e no penal como homem... é isto mesmo?
SERÁ QUE NÃO SERIA CÍVEL ? CIVIL OPÕE-SE A MILITAR.
CÍVEL, A PENAL.
ERROS DESSE TIPO É QUE ENVERGONHAM A PROFISSÃO, TAL E QUAL A CONFUSÃO DO NOSSO VICE-PRESIDENTE COM FORO E FÓRUM ! LEMBRAM-SE ???
acdinamarco@aasp.org.br
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