Espetáculo da mídia pode prejudicar réus em Júri, dizem advogados

O Júri do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que já dura três dias, levantou uma discussão sobre o espetáculo midiático montado em torno do caso e até onde a espetacularização da notícia pode prejudicar o julgamento dos réus. Segundo especialistas consultados pela revista Consultor Jurídico, essa exposição é extremamente negativa à defesa dos réus.

O advogado Carlo Frederico Muller afirma que mais uma vez na história brasileira corre-se o risco de condenar pessoas inocentes em virtude da contaminação do que chamou de “frenesi da mídia”. O advogado lembrou-se do caso da Escola Base, que ficou conhecido como símbolo de julgamento precipitado e indevido feito pela mídia. No final, nada se comprovou contra os donos da escola infantil, acusados de abuso sexual de crianças. “Não estou dizendo que o casal é inocente ou culpado. Não preciso defendê-los. Até porque, eles [Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá] já estão representados por um ótimo advogado”, registrou.

Frederico Muller afirmou que, fatalmente, o corpo de jurados já entrou na Plenária com um pré-julgamento sobre o caso, “onde nitidamente há um trabalho pericial mal feito e uma investigação irresponsável”, ressaltou ele, ao citar mais uma vez que o "circo" que se montou prejudica e muito a defesa dos réus.

O advogado registrou, ainda, que a participação da autora de novelas, Glória Perez, na plateia, em nada ajuda o Judiciário ou a Justiça. Ele disse que a presença dela pode interferir, mesmo que inconscientemente, na decisão dos jurados que poderão associar o caso de Isabella com o crime cometido contra sua filha, Daniela Perez. Em dezembro de 1992, a atriz Daniela Perez, de 22 anos, foi assassinada por seu companheiro de trabalho na TV Globo, Guilherme de Pádua, e pela mulher dele, Paula Thomaz. O casal foi julgado, condenado e já cumpriu pena pelo crime. Glória Perez, a partir da tragédia que a atingiu, não perde mais oportunidade de fazer campanha para o endurecimento da Lei Penal como arma contra a criminalidade. 

“Não estou discutindo se o casal é culpado ou não. A certeza que eu tenho é a da tragédia, mas como advogado e como cidadão, fico muito preocupado em pensar que esse casal pode ser condenado por conta do show que se montou em cima do caso que deveria estar restrito aos interesses das famílias envolvidas”, diz.

Muller lembra que a Justiça é cega e tem de ser cega exatamente para proporcionar segurança jurídica. Explica que, na França, é proibido qualquer tipo de veiculação sobre o caso antes do julgamento. De acordo com ele, para se ter um julgamento isento, os jurados são informados no dia da plenária. “Eles devem estar virgens de informações sobre o caso que vão julgar”, disse.

Na época da denúncia contra o casal, em 2008, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias chegou a debater o caso, em evento no IDDD – Instituto de Defesa do Direito de Defesa. Ele destacou que o Brasil vive atualmente o ápice do Direito Penal inimigo e que a população quer vingança, não Justiça.

A criminalista Flávia Rahal, presidente do IDDD, entende que depois do espetáculo que se armou, a sede de vingança só ficará aplacada com a condenação do casal. “Ver a Justiça como vingança não é Justiça. Para a sociedade, a reparação para o caso só vai ocorrer se eles forem condenados à pena máxima, mas o que é preciso observar é se existem provas para se chegar a esse resultado”, alertou Rahal.

O também criminalista Antonio Sérgio de Moraes Pitombo discorda dos colegas. Ele explica que ninguém deve falar em nome da sociedade e o mais importante no caso é a decisão da Justiça. Questionado sobre o espetáculo midiático, ele respondeu que só o juiz pode dizer o quanto essa movimentação irá influenciar ou não a convicção dos jurados. “Se sentir que os jurados estão sendo pressionados por qualquer tipo de situação, ele terá bom senso e ponderação para suspender o corpo de sentença”, reforçou.

O diretor da OAB de Santana, Fábio Mourão, que acompanha o caso, destacou que enquanto o espetáculo (manifestações) se limitar à parte externa do Fórum, a OAB não vai interferir. Essa intervenção só se daria, segundo ele, se o trabalho na sala do Júri for prejudicado. O advogado aproveitou para registrar que o Júri está sendo feito no fórum competente.

Gláucia Milício

é repórter da revista Consultor Jurídico.

PAULO FRANCIS disse:
24 de março de 2010 às 17:47

Ao que tudo indica serão trucidados.

Ricardo T. disse:
24 de março de 2010 às 18:34

Achei que a OAB iria se posicionar contra a exposição ridícula feita pela imprensa. Mas contra essa ninguém ousa a brigar. É tanto jornalista falando besteira. Se não bastasse isso, muitos operadores palpitando na imprensa, SEM ESTUDAR O PROCESSO. Na verdade, o casal está sendo julgado em praça pública. Somente um juiz togado julgaria o caso com isenção, como foi feito no caso do promotor Thales.

Rossi Vieira disse:
24 de março de 2010 às 18:41

Num paralelo não muito longe daqui, e superadas as diferenças judiciais, OJ SIMPSON, jogador de futebol americano, teve seu julgamento filmado durante semanas nos USA, tratadondo-se de um dos mais espetaculares julgamentos do Júri no mundo. Ele foi absolvido. O que faz do ser humano um agente ávido pela vingança é sua própria insegurança interna e seu Ego. Creio, no mundo moderno, em pleno século XXI, impossível que a mídia ficasse afastada do que parece ser interesse público, gerando aí, o clamor público- existente desde o nascimento do primeiro homem na terra ( especialmente quando comeu a tal maça...). O que precisa ser separado é a maldade midiática, daquele bom jornalismo, o sério. A maldade midiática, infelizmente, corrompe os ignorantes. Creio, também, que o corpo de Jurados, na responsabilidade que tem, de alma principalmente, não se prostituem em favor de um ou outro resultado, à favor de um ou outro canal de comunicação. O que vale agora, é a consciência de cada um dos sete jurados, tal qual a de um juiz togado quando julga uma causa criminal, mesmo que midiática. Esse é o Valor. Culpar a mídia, ao espetáculo prejudicial aos acusados não me convence, sugerindo, daí, a irracionalidade dos julgadores- sozinhos em suas consciências. Ao contrário, a publicidade dos atos jurídicos, através da mídia é uma porta aberta a culturalização da sociedade, pois Jornais Sérios, tem abordado o tema com absoluta precisão no aspecto formal do Julgamento pelo Tribunal do Júri. O que assusta, entretanto é o puro Sensacionalismo. E isso, quem pode melhorar é a própria formação profissional de cada jornalista, comentarista etc. No mais...século XXI, portas abertas. Que atirem a primeira pedra...
Otávio Augusto Rossi Vieira, 43
Advogado Criminal em São Paulo.

Mauricio_ disse:
24 de março de 2010 às 19:38

Afirmar que a divulgação do caso pela imprensa irá influenciar no resultado do julgamento é menosprezar a inteligência dos jurados, que foram cientificados de suas responsabilidades e de seus papéis.
Por outro lado, a imprensa noticiou tanto fatos que poderiam, em tese, beneficiar a tese acustória como outros que poderiam auxiliar a defesa.
Agora, se existem mais evidências a incriminar os réus do que a inocentá-los, isso não é culpa dos repórteres e cedo ou tarde iriam cair no conhecimento do conselho de sentença.

Contestador disse:
24 de março de 2010 às 19:46

Triste Brasil onde sinonimo de justiça é condenaçao; onde magistrados preocupam-se mais com o que diz os jornais e menos com os autos; onde promotores estao sempre de plantao para atender a midia com sua verborragia acusatoria e onde a populacao gosta de ver reus jogados aos leoes.

RBS disse:
24 de março de 2010 às 20:50

Conheço pessoas que foram assistir ao Juri e disseram que realmente as provas encontradas foram muito bem elaboradas e que as testemunhas de acusação estão muito bem fundamentadas.
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Vejam o que diz o Psiquiatra Forense Guido Palomba
http://www.aracatinet.com/?p=15191
O psiquiatra forense Guido Palomba afirmou nesta segunda-feira em entrevista ao Terra TV que o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá assinou sua culpa na morte da menina Isabella Nardoni ao não comparecer à reconstituição do crime.
No ramo da psiquiatria forense há mais de 30 anos, especialidade que avalia a sanidade mental de pessoas envolvidas em processos judiciais, Palomba não tem dúvidas de que o pai e madrasta de Isabella cometeram o crime com a menina de 5 anos, em março de 2008.
“Se ele era inocente deveria ter ido na reconstituição para mostrar isso. Mostrar onde ele pôs o pé, a mão…Mostrar para todos que ele não é culpado. Ao não comparecer a reconstituição foi a primeira assinatura do crime”, afirmou o psiquiatra.
“Me impressiona como as pessoas ainda acham que o casal é inocente. Por que eles fogem? Falta a garra dos inocentes. Nunca vi um inocente fugir ao invés de defender sua verdade, sua inocência. Nem os doentes mentais fogem se forem inocentes”, disse Palomba.
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Não acredito em teses sobre a produção de prova contra sí mesmo, pois ao mostrar a verdade não há como a perícia mudar os fatos relatados. E sim os dados serão confrontados.
Agora deixar de fazer, você está automaticamente aceitando a perícia. Não adianta dizer que a perícia é mal feita se o casal sequer quis participar da reconstituição.

Armando do Prado disse:
24 de março de 2010 às 21:31

Não bastasse desocupados e vadios na frente do Fórum, ainda tem a mídia predadora assoprando as brasas da vingança. E pio de tudo, pseudo-juristas ditando regras a torto e a direito.
.
Entendo que se forem condenados, os advogados de defesa devem de imediato pedir a anulação do juri, porquanto a "festa" passou dos limites, inclusive com jurado chorando desbragadamente. Se, na idade média, queimariam o casal.

Armando do Prado disse:
24 de março de 2010 às 21:32

corrigindo: bastassem e pior

Sergio Mantovani disse:
25 de março de 2010 às 00:16

Agora, continuemos.
Só gostaria que me explicassem porque a imprensa não faz o mesmo estardalhaço quando seus pares estão envolvidos.
Por outro lado, a imprensa está fazendo a sua obrigação, dando pão e circo para um monte de gente que não tem o que fazer. Esses que ficam na porta do Forum, dou uma sugestâo: há vários asilos, creches, hospitais, precisando de gente desocupada para ir prestar auxílio. Seria um bom caminho.
Para não falar muito, pouca gente sabe e acredito que alguns advogados se lembram, termino citando Raimundo Paschoal Barbosa, grande criminalista que teve sua mulher morta em um crime de latrocínio, e mesmo assim continuou cumprindo sua Nobre missão defendendo réus em ações penais. Detalhe, conseguia absolvê-los.

Directus disse:
25 de março de 2010 às 01:17

A História é incomparável como mestra.
Democracia é respeito por todos e para todos. Respeito a valores fundamentais, extraídos da ética e da moral e protegidos pelo Direito.
Democracia não é vaiar o advogado só porque defende o direito do réu a um processo justo. Democracia não é discursar com o fígado, estimulando a ira do populacho contra a aplicação do Direito em lugar da vingança, valendo até vociferar contra as pessoas encarregadas de fazer cumprir a Lei se elas não demonstrarem a mesma sede de sangue.
Quem atua no júri, presidindo-o (como no meu caso),já ouviu diversas reclamações dos próprios jurados quanto a não se sentirem em condições de julgar, ou porque não leram o processo, ou não entenderam nada do que nele consta.
De fato, se eu fosse réu, prefereria um julgamento por alguém juridicamente preparado, obrigatoriamente isento e capaz de usar a razão em vez da emoção. Deus me livre de minha liberdade depender dos dons teatrais e oratórios de um advogado ou um promotor.
Não custa lembrar que a ciência do Direito evoluiu muito, e os ideais democráticos pós-guerra reduziram bastante a influência governamental e aristocrática na decisão dos juízes togados. Nada justifica, em nosso sistema codificado, julgamentos leigos que se arrastam por dias e semanas, desperdiçando dinheiro público, confinando testemunhas, atraindo multidões ignorantes, desocupadas e vingativas, além de ocupar servidores e magistrados que poderiam trabalhar não em um, mas em vários feitos do gênero no mesmo período.
Ah, e sobre a História??? Jesus Cristo que o diga. O POVO (muito sábio) escolheu libertar Barrabás e crucificar o melhor homem que já pisou na Terra. Mil e novecentos anos depois, levou o Anticristo ao poder e fechou os olhos ao extermínio de judeus.

Directus disse:
25 de março de 2010 às 01:19

preferiria, e não "prefereria"...digitar não é meu forte.

Júnior Brasil disse:
25 de março de 2010 às 08:45

Se a perícia da defesa fosse melhor que a da acusação, não ter-se-ia dispensado tantas testemunhas de defesa que participaram dela. Ou seja, foi feita de qualquer jeito e a defesa ficou com medo do crivo de perguntas do MP e do Juiz.
.
ESSE TIPO DE MATÉRIA É TÍPICA DE QUEM LEVA A VIDA DEFENDENDO CRIMINOSOS.
.
A DEFESA NÃO FOI PREJUDICADA EM NADA. APENAS NÃO TEM O QUE DIZER, POIS AMBOS SÃO CULPADOS.

João disse:
25 de março de 2010 às 08:57

O ponto de vista explanado pelos causídicos é bem interessante. No entanto, trazendo para a realidade, sabemos que não é bem assim. Não existe nenhum Tribunal neste País que inocentaria o casal. É notório que no direito penal só se condena na certeza, mas, na prática, estamos cansados de presenciar decisões em que a certeza não é tão exigida. No caso em tela a defesa tenta implantar uma dúvida nos jurados, até aí tudo bem, mas se não foram eles, quem foi? Pelo certo seria caso de absolvição, mas, a tese de dúvida é, sempre foi e sempre será fraca. Soma-se tudo ao espetáculo da mídia, daí só um resultado é possível. CONDENAÇÃO. Pode ter certeza. Se é certo ou errado, justo ou injusto só DEUS saberá. Mas também, o que é certo neste País??

João disse:
25 de março de 2010 às 09:40

O ponto de vista explanado pelos causídicos é bem interessante. No entanto, trazendo para a realidade, sabemos que não é bem assim. Não existe nenhum Tribunal neste País que inocentaria o casal. É notório que no direito penal só se condena na certeza, mas, na prática, estamos cansados de presenciar decisões em que a certeza não é tão exigida. No caso em tela a defesa tenta implantar uma dúvida nos jurados, até aí tudo bem, mas se não foram eles, quem foi? Pelo certo seria caso de absolvição, mas, a tese de dúvida é, sempre foi e sempre será fraca. Soma-se tudo ao espetáculo da mídia, daí só um resultado é possível. CONDENAÇÃO. Pode ter certeza. Se é certo ou errado, justo ou injusto só DEUS saberá. Mas também, o que é certo neste País??

Nanda disse:
25 de março de 2010 às 09:57

Parece até brincadeira esse texto.
De início, não se podia esperar da imprensa uma outra reação que não fosse essa. Muita ingenuidade acreditar que seria diferente. Então, conviver com o "show case" é mais um desafio da justiça, não adianta espernear.
Comparar todo e qualquer caso àquele da Escola de Base é, no mínimo, falta de argumento melhor, pois as referências de impunidade no nosso país são exemplarmente muito maiores.
Outra questão é que juízes, promotores, advogados também estão no picadeiro da imprensa, como pode-se observar em centenas de entrevistas ao longo do dia, o que torna tudo uma questão de interesses.
Querer que a sociedade, depois desse espetáculo, assista a tudo impassivelmente é demais, ainda mais numa sociedade latina! Então seria bom que os críticos simplistas se lembrassem de onde estão.
E a Sra Glória Perez, como vítima de experiência traumática ou simples cidadã, tem também o direito de estar onde bem quiser.
A justiça não ocorre em ambientes herméticos e controlados, mas convive com os conflitos de interesses e sentimentos que envolvem uma sociedade, permeada pela cultura do espétaculo mesmo. Então, não adianta chorar, mas procurar formas de driblar essa realidade para dar justiça a quem precisa dela.

rodolpho disse:
25 de março de 2010 às 10:00

A prova testemunhal do promotor é imoral e absurda, pois trata-se de Ana Carolina, a esposa passada para trás, trocada por outra, e que, por isso, está mergulhada no caldeirão do ódio, e que, por isso, o testemunho dela não vale absolutamente nada.
O promotor, satanicamente, derrama rios de lágrimas de piedade por Ana Carolina estar confinada a dois dias, para testemunhar, enquanto que os Nardoni estão confinados a dois anos, por obra e graça desse promotor, que já deveria ter sido afastado da promotoria, pelo espetáculo circense que criou. Pois o casal Nardoni está preso, confinado, a dois anos, sem culpa formada.
O Brasil é uma tirania, pois, numa democracia, além de os jurados serem obrigados a se reunir para trocar idéias e informações sobre o caso (no Brasil são impedidos de fazer isso), além dessa reunião obrigatória, numa democracia os jurados têm que ser unânimes. Tem que haver sete votos no mesmo sentido.
Assim, se seis jurados considerarem os Nardoni culpados, e um, apenas um, considerá-los inocentes, estará instaurada a dúvida, a incerteza, e os Nardoni terão que ser absolvidos. O Brasil é uma tirania, portanto.
7 costas, é o que essa tirania produz; 7 costas isoladas; 7 costas desesperadas, pois a tirania brasileira não permite nenhuma tábua de salvação; cada jurado responderá sozinho pelo martírio dos Nardoni.
Só resta a cada jurado, dentro dessa solidão, que, no escuro, se apegue, se agarre àquilo que só resta, a sua própria consciência.
E que repita mil vezes: é preferível, na dúvida, deixar livres mil culpados, do que condenar um único inocente.

rodolpho disse:
25 de março de 2010 às 10:01

A perita disse que tem certeza. Perguntem a ela o que comeu no dia 10 do mês passado, e vejam se ela se lembra. Pergunte a ela que roupa vestiu no dia 5 do mês passado, e os senhores verão que ela não se lembra do que comeu e do que vestiu a dias atrás. De onde foi que ela tirou essa certeza? A única certeza que há é que ela dá entrevistas à televisão, como se fosse uma atriz de novela, e posa como a genial solucionadora do crime, só que ela não solucionou nada.
O Brasil é uma tirania porque é o único país onde o promotor acusa sem provas e não vai para a cadeia e nem perde o cargo. Em qualquer democracia, o promotor que faz isso pode pegar 15 anos de cadeia e a perda imediata do cargo.
No presente caso, o promotor já apareceu um milhão de vezes em frente às câmeras de televisão, vomitando certeza como se fosse Deus, e o pior: criticando com desprezo e escárnio os advogados de defesa.
O promotor gastou o dinheiro público com a ridícula e estúpida maquete do edifício, como se essa maquete fosse prova do crime. Na realidade, o promotor está apavorado de medo dos jurados, pois sabe que está lidando com pessoas responsáveis, pessoas conscientes, pessoas atentas, pessoas preocupadas com a verdadeira justiça.
E esse promotor sabe que não dispõe de prova alguma contra os Nardoni, e sabe que toda essa palhaçada ridícula, que ele intitula de “prova pericial”, só prova o caos jurídico, a negação da defesa e o martírio a que foram submetidos os Nardoni.

rodolpho disse:
25 de março de 2010 às 10:02

Senhores jurados
Os senhores são 7 e, nas suas 7 costas está o imenso peso da responsabilidade de tirar, para toda uma vida, a liberdade do casal Nardoni.
Só a certeza, absoluta certeza, a certeza inabalável, isenta de qualquer dúvida, é que livrará os senhores do inferno do remorso, se condenarem dois inocentes.
Um dia, os senhores estarão velhos, moribundos, no leito de morte, e, nesse instante, perpassará por suas memórias esse terrível e tremendo evento, que é o destino dos Nardoni.
Uma absolvição, ainda que fundada na dúvida, será a absolvição dos senhores, e os livrará do mergulho no inferno.
Uma condenação, fundada na incerteza, resultará na própria condenação dos senhores.
O Brasil não é uma democracia. O Brasil é uma tirania medonha, asquerosa.
E essa tirania se manifesta no fato de os senhores estarem fiscalizados por oficiais de justiça e impedidos de tentar sanar as suas dúvidas, dialogando entre si, trocando idéias, aumentando e sintetizando conhecimentos sobre os fatos.
Os senhores estão, tiranicamente, impedidos de fazer isso, enquanto que, numa democracia, esse diálogo, essa troca de informações, essa troca de impressões, entre os jurados, sobre o caso que vão julgar, é imprescindível, é vital, é essencial, para decidir se os Nardoni são inocentes ou se são culpados.
Nessa troca de idéias, os senhores perguntarão: não houve confissão, não houve testemunhas do crime, não há provas confessionais e nem testemunhais da autoria; só há conjeturas periciais.
A perita é policial, e isso não quer dizer nada, pois o perito Badan Palhares foi processado criminalmente, acusado de perícias falsas no caso PC Farias.

acdinamarco disse:
25 de março de 2010 às 10:12

O QUE MAIS ME PREOCUPA É QUE TODAS AS INVESTIGAÇÕES, INCLUINDO AS PERÍCIAS, FORAM FEITAS PARA DEMONSTRAR QUE OS ACUSADOS ERAM OS CRIMINOSOS. O CORRETO SERIA PARTIR DOS FATOS PARA SE CHEGAR A UMA AUTORIA. NÃO O INVERSO, COMO FOI FEITO, COM O AVAL DA IMPRENSA. É COMO DIZIA EVANDRO LINS E SILVA : "INOCÊNCIA NÃO É NOTÍCIA". POBRE PAÍS !!!
acdinamarco@aasp.org.br

Marcos disse:
25 de março de 2010 às 10:24

Até que enfim alguém colocou esse assunto sob esta ótica.
Sinto ser um verdadeiro absurdo o que a mídia vem fazendo ao redor deste caso. Quando acordo pela manhã, vejo um helicóptero da Globo cobrindo o presídio onde está o Nardoni. Depois, passam a cobrir a cadeia onde está a Jatobá...A Folha Online tem um espaço de cobertura do julgamento minuto a minuto, como se fosse uma partida de futebol!
Os detalhes do processo são desconhecidos por todos, visto que a informação vem mastigada, picada e, portanto, manipulada por jornalistas. Ontem, maior absurdo de todos, vi uma notícia em que se dizia que o Dr. Podval foi agredido com um chute enquanto saía de um restaurante, no intervalo para o almoço!
Me parece, sinceramente, que o casal Nardoni já entrou condenado neste julgamento...o povo, movido pelo espetáculo da mídia, vai derrubar o fórum se o casal for absolvido...É capaz de reagirem até mesmo se não levarem a pena máxima.
Não quero parecer favorável à absolvição, mas não me sinto preparado e informado o suficiente para julgá-los, o que me parece uma postura muito diferente daquela que tenho visto nas ruas.

João disse:
25 de março de 2010 às 10:26

O ponto de vista explanado pelos causídicos é bem interessante. No entanto, trazendo para a realidade, sabemos que não é bem assim. Não existe nenhum Tribunal neste País que inocentaria o casal. É notório que no direito penal só se condena na certeza, mas, na prática, estamos cansados de presenciar decisões em que a certeza não é tão exigida. No caso em tela a defesa tenta implantar uma dúvida nos jurados, até aí tudo bem, mas se não foram eles, quem foi? Pelo certo seria caso de absolvição, mas, a tese de dúvida é, sempre foi e sempre será fraca. Soma-se tudo ao espetáculo da mídia, daí só um resultado é possível. CONDENAÇÃO. Pode ter certeza. Se é certo ou errado, justo ou injusto só DEUS saberá. Mas também, o que é certo neste País??

Manente disse:
25 de março de 2010 às 10:29

Ora, ora, ora, já temos até PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA neste sítio.
Com relação ao comentários, afirmo e de forma convicta, de que a IMPRENSA GOSTA DE SANGUE, TRAGÉDIAS, ETC. Ou estou errado nas minhas convicções?
Como é que podem, nem mesmo eles, jornalistas, se respeitam, digladiam, empurram-se, desrespeitam entre si, para conseguirem um melhor posicionamento para conseguirem captar a fala daqueles que "adoram se aparecer".
Aliás, neste e em outros casos, tem pessoas que pousam para as fotos, imaginando ser a "última azeitona do vidro".
Fico imaginando, qual seria a reação delas ao abrirem a geladeira ou o microondas!
Devem imaginar-se diante de "luz, câmeras, ação" e certamente devem iniciarem alguma fala, imaginando os holofotes.
Quanta arrogância? Quanta prepotência? Quanta besteira, falada por pessoas do meio de comunicação que se quer tem conhecimento jurídico necessário para opinarem?
E quando opinam, confundem, o cidadão de bem que assiste a um programa de televisão ou adquire um exemplar de jornal para leitura diária!!!
É lamentável, quando deparamos com pessoas "que nada têm o que fazer, vagando, vadiando, anarquisando, bagunçando, comentendo INJUSTAS AGRESSÕES OU OFENDENDO, como aconteceram na data de ontem com o Dr. Podval, por um COVARDE, que se quer foi identificado e preso pela Polícia Militar que têm o dever do policiamento ostensivo e preventivo.
É importante registrar, que PROTESTAR DE FORMA PACÍFICA E DIGNA é legítimo, agora BAGUNÇAS, devem ser intoleradas pelos meios necessários e adequados.

Manente disse:
25 de março de 2010 às 10:32

"têm pessoas que pousam para as fotos..."

Paulo Bicego disse:
25 de março de 2010 às 11:34

Independente de qualquer resultado proferidos pelos Juizes Leigos o casal Nardoni sai do Plenário condenado pela sociedade.
Será muito difícil qualquer tipo de reintegração à sociedade.
Lamentável o sensacionalismo feito em torno do caso que compromete o julgamento imparcial dos Jurados...

ACUSO disse:
25 de março de 2010 às 11:41

Todas as vezes que ocorrem eventos criminosos em nosso país de grande repercussão, sugem " juristas ", professores de Direito " ; comentaristas ; especialistas e outros istas, atacando o trabalho da Promotoria ! No caso presente , da Isabella ( vitima de psicopatas ), não é diferente: há um monte de criminalistas de plantão dando opiniões como se fossem os unicos donos da razão e quando o povo ( que já não mais suporta o estado de impunidade que tomou conta do Brasil) se manifesta, esses filosofos (as) gritam contra o povo; principalmente porque a vitima não foi , em vida, filha , ou neta deles(as) ! Até o perito Molina ( que se considera o melhor do país), ocupa espaço na midia para atacar, de forma aética, do trabalho impecavel dos peritos oficiais, demonstrando, que não possui uma qualificação tão aprimorada como se tem a impressão popular. Nota zero para esses " juristas " censores de plantão !

Giovani Ferri disse:
25 de março de 2010 às 12:14

Fui Promotor do Júri por 10 anos e posso dizer com absoluta certeza que os jurados, por mais simples que sejam e sem conhecimentos jurídicos, não acatam teses absurdas, desprovidas de provas contundentes, seja da defesa, seja da acusação. Vejo como reprovável a postura do Dr. Frederico Muller ao afirmar que o processo envolve “nitidamente um trabalho pericial mal feito e uma investigação irresponsável” e que o caso transformou-se num "circo" em prejuizo da defesa dos réus. Em primeiro lugar, jamais me atreveria a dizer que o caso envolve uma investigação, perícias e acusação mal feitas, pois não tive acesso aos autos. Portanto, quem está autorizado a criticar as provas dos autos são as partes e não terceiros, meros espectadores. Em segundo plano, casos de repercussão social como este são fomentados pela imprensa, num processo natural de espectativa pública. Evitar que os órgãos de imprensa façam a cobertura do caso é retroagir à censura, e portanto, nada impede que a população seja informada sobre os desdobramentos do episódio. Por fim, o que decide o futuro dos acusados não é a boa oratória do Promotor ou do Advogado, mas sim todo o conjunto probatório, analisado de forma global, que certamente levará os Srs. Jurados e formar um convencimento sólido, sem pressões populares, da inocencia ou culpa dos réus.

Armando do Prado disse:
25 de março de 2010 às 12:41

E quem não tem o que fazer na vida vira arquiteto. E por não saber o que falar, procura palpitar nos textos dos demais.

Último Papa disse:
25 de março de 2010 às 13:16

Com exceção do advogado do Pimenta Neves, o Dr. Muller, que só fez um júri na vida, quem são e quantos júris fizeram na vida para dar palpites????????
É muita gente sem conhecimento de causa querendo aparecer.
E o advogado dos Nardonis, fez um júri na vida, e esse éo segundo!!!!!!!!!!!!!

Sunda Hufufuur disse:
25 de março de 2010 às 13:29

1. Arguemnto ad ignorantian: "se vc. não sba eme explicar ewntão quer dizer q

Valima disse:
25 de março de 2010 às 13:30

A “espetacularização” da mídia somente retrata o que realmente está acontecendo!
Um povo sedento por Justiça...... coisa esta em desuso, quase em extinção!
Totalmente normal e compreensível que o povo queira ver, ouvir e saber........e ainda bem ! Isso é humano!
Estranho seria se ninguém mais se interessasse por isso! Se não fizesse mais diferença alguma!
Se os acusados não são criminosos, cabe a quem de direito provar, no caso, seu advogado.....que certamente está sim fazendo seu papel, não se preocupem!!
E o que a mídia faz, também, é exatamente seu papel. Neste mundo, cada um tem seu papel.
A única coisa que o povo quer, assim como e principalmente a mãe da Isabela é somente Justiça que, neste momento, está na dependência tão somente dos votos dos Srs jurados. Essa é a lei!

Valima disse:
25 de março de 2010 às 13:41

Ô pessoal, não complica vai!
Estamos em um país livre, lembram-se?????????
Se acham que a imprensa atrapalha, acho que estão retrocedendo a uma mentalidade, com perdão da palavra, hipócrita!
Aliás, graças à tão penosa conquista desta liberdade, estamos aqui, todos nós......dando nossa opinião em um meio de comunicação........a impresa!

Valima disse:
25 de março de 2010 às 13:43

A “espetacularização” da mídia somente retrata o que realmente está acontecendo!
Um povo sedento por Justiça...... coisa esta em desuso, quase em extinção!
Totalmente normal e compreensível que o povo queira ver, ouvir e saber........e ainda bem ! Isso é humano!
Estranho seria se ninguém mais se interessasse por isso! Se não fizesse mais diferença alguma!
Se os acusados não são criminosos, cabe a quem de direito provar, no caso, seu advogado.....que certamente está sim fazendo seu papel, não se preocupem!!
E o que a mídia faz, também, é exatamente seu papel. Neste mundo, cada um tem seu papel.
A única coisa que o povo quer, assim como e principalmente a mãe da Isabela é somente Justiça que, neste momento, está na dependência tão somente dos votos dos Srs jurados. Essa é a lei!

Sunda Hufufuur disse:
25 de março de 2010 às 13:58

1) argumento ad ignorantian: "se vc. não sabe me explicar o que foi, então está certa a minha epxlicação" - "se vc. não sabe me explicar quem é a terceira pessoa que poderia estar no apto. então só podem ser os Nardoni os assassinos". Esta burrice é dita e repetida entre jornalistas e juristas como se o fato de não se identificar uma pessoa fosse prova da inexistência da possibilidade dela existir.
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2) Por parte da perita: "a única forma de haver marcas na camisa é segurando um peso de 25 kg com os braços para fora do buraco". Ora,o peso somente faria exercer pressão e bastaria para isso, que Alexandre houvesse forçado a malha na tentativa de enxergar mais, como aliás, qualquer um faria neste caso.
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3) Por parte da perita: "há sangue na entrada". Ora, de onde se conclui que o sangue não pode ter pingado das mãos de terceira pessoa após ter realizado o assassinato ao sair ou então de tocaia quando entrou lá a vítima ou quando esta tentou dele desvencilhar-se correndo para a porta?
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4) A mãe havia abdicado da guarda da filha; ela o fez para um pai que não amava nem cuidava da filha? E o fez, já mostrou que não é boa mãe; comque rpitnar agora a imagem de um monstro daquele a quem entregou sua filha? E uma mãe que abdica da guarda da filha é boa mãe?
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5) A acusação só esqueceu de um detalhe: o motivo do crime. Por que o casal, que sempre tratou bem da criança, passeando inclusive com ela no dia do crime num supermercado onde se a vê muito bem, teria transformado-se numa dupla de psicopatas.
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6) Caso o casal houvesse cometido o crime, por que escolheria um modo tão estúpido (cortar uma tela) para parecer acidente? Bastaria forjar um acidente muito mais convincente numa estrada, etc.
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7) e o vizinho que ouviu a menina clamar pelo pai?

Maurício Silva Pereira disse:
25 de março de 2010 às 15:41

Sou advogado criminalista com atuação no Tribunal do Júri, já tendo atuado em 178 sessões de julgamento.
Nesta experiência profissional tenho verificado que a repercussão de um caso na mídia é mais um dos serviços à disposição da acusação. Os veículos de comunicação, hávidos por pontos no IBOP, trazem informações precipitadas e, não raras vezes, equivocadas sobre o fato em julgamento.
As pessoas comuns do povo, ai incluídos os sete membros do Conselho de Sentença, são influenciados pela mídia e já formaram uma convicção pessoal sobre o caso, com tendência à condenação.
Nos debates cabe a acusação tão somente ratificar a convicção precipitada dos senhores jurados. Ao passo que a defesa precisa desconstituir essa convicção.
Neste contexto, a acusação, que já tem a seu serviço todo o aparato do Estado para condenar os acusados, conta com mais um aliado poderoso que é o espetáculo midiático, via-de-regra, sensacionalista e preconceituoso.
(MAURÍCIO SILVA PEREIRA, ADVOGADO CRIMINALISTA, MACAPÁ-AP)

Diego. S. O. disse:
25 de março de 2010 às 16:04

Outro dua eu estava assistindo o Jornal da Globo, onde o jornalista “Bournier”, que se acha “O Jurista”, inspirado nos filmes americanos afirmou que “a acusação tem uma prova surpresa nas mangas”. É um total absurdo esses jornalistas que não têm a mínima noção de direito comentar o caso, e ainda por cima passar a informação errada para o povão.
Absurdo maior foi o “povo” vaiando e agredindo o Advogado. Por que aquela gente que tanto quer a “justiça” não sobe o morro e tira as crianças do tráfico e/ou desarma os traficantes?

Guilherme G. Pícolo disse:
25 de março de 2010 às 17:00

Era só o que faltava, agora o bode expiatório da vez é a imprensa! Certamente, foi "a imprensa" a responsável pelo hediondo crime e se acaso tivesse permanecido calada, ele deixaria de existir...
A população tem interesse no deslinde do caso, pois trata-se de um crime que despertou sua repulsa e indignação. E como cidadãos, essas pessoas têm todo direito a tal informação, mormente porque ela é pública. Se fazem um juízo precipitado dos réus, é problema de foro íntimo de cada um.
Concordo que há muitos colegas completamente leigos em Direito metendo os pés pelas mãos e até acho que um estudo melhor das ciências jurídicas deveria ser obrigatório no curso de jornalismo. Mas ninguém vai nos calar. E muito menos ditar as nossas pautas.

TARABORI disse:
25 de março de 2010 às 18:24

Acendem-se os holofotes. A TV vai mostrar as últimas, ao vivo e em cores. A turba se agita. Clama por Justiça. Ameaça bater, esganar, matar. O burburinho é intenso. A indignação pinta em todos esses rostos desconhecidos, com os olhos nas câmeras. As luzes se apagam. Passaram-se apenas alguns segundos. Tudo volta ao normal. Cada qual procura o seu canto. Na próxima edição, recomeça o teatro. A palhaçada

Cris disse:
25 de março de 2010 às 18:41

Assim como o caso do Pimenta Neves e do Farah Jorge Farah, veremos muita falação porém, tudo caira no esquecimento.
Em pouquissimo tempo estarão livres, gozando a vida, assim como estão o Pimenta e Farah (cujo advogado foio Podval).

José de Carvalho disse:
25 de março de 2010 às 18:47

A Espetacularização da mídia pode ser fatal para o casal Nardoni, pelo poder que tem de plantar (fabricar)a opinião pública, tirando do cidadão o poder de discernimento. Não sou eu quem o digo, leiam "Ciências Políticas, de Paulo Bonavides". A mídia a serviço do Poder. O que muitos não perceberam é que a ira contra o casal Nardoni explodiu a partir do instante em que a Delegada exclamou nos holofotes da imprensa: "CASAL ASSASSINO!", e se intensificou ainda mais com a postura do PROMOTOR, que não só passou a ter a mesma convicção da Delegada, como também passou a instigar a opinião pública, chegando, inclusive, a pedir para que o povo não deixasse de se manifestar.
O CASAL foi condenado desde então e está "comendo o pão que o diabo amassou..." Se culpado mesmo, pena antecipada, mas se forem inocentes?... Danos irreparáveis, com certeza.
E o espetáculo foi reeditado agora, o povo está irado, conclamando pela condenação, xingando, ofendendo e até mesmo agredindo os advogados de defesa, comentaristas de televisão, igualmente sensacionalistas, criticando com veemência o trabalho dos advogados de defesa... O que querem afinal? Tribunal de exceção? Condenação sem o sagrado direito constitucional de defesa? Que sociedade democrática é essa que conclama o Estado de Direito, a liberdade de imprensa e de manifestação, mas quer trucidar um casal sobre o qual há sérias dúvidas sobre a culpabilidade?
Será muito difícil, mas torcemos para que os jurados não se deixem influenciar por este instrumento poderoso de condenação, explorado ao extremo pelo Promotor justamente por não ter conseguido comprovar a autoria do crime. In dubio pro reo. Não foi assim que aprendemos?!

Directus disse:
26 de março de 2010 às 13:27

Apenas como esclarecimento ao Dr. promotor de Justiça, com todo respeito: É EVIDENTE QUE OS JUÍZES DE CÉSAR SERVIAM A CÉSAR E OS DE HITLER SERVIAM A HITLER. Pretender compará-los aos magistrados de hoje é impressionante. Já a superficialidade da opinião pública não mudou quase nada.
E não existe nada mais antidemocrático do que afirmar que juiz não é povo, não é "igual" ao acusado nem aos jurados. Ainda se trata o juiz brasileiro como um aristocrata quando 70% da classe, atualmente, provém da classe média assalariada.
Sou contra o Júri, basicamente, porque EMOÇÃO e JUSTIÇA raramente combinam. A emoção só tem lugar na constatação da da injustiça evidente de certa determinação ou interpretação, como na criminalização do adultério ou na anulação de casamento por prévia defloração (até há pouco ainda em vigor).E mesmo aí a razão está presente. Jamais, porém, se pode apreciar provas e julgar alguém com base na emoção, se o objetivo é fazer justiça.
Outra coisa: não conheço nenhum magistrado que só condene ou só absolva. E conheço centenas deles. Isso é absurdo que só existe na cabeça de quem não conhece a função. O que existe são juízes mais ou menos rigorosos na aplicação das penas e no reconhecimento da tipicidade, quando em confronto com o princípio da insignificância, por exemplo.
De qualquer forma, o senhor nunca verá um juiz togado vaiar ou esmurrar o advogado de defesa apenas pelo fato de ele defender os direitos do acusado, como fez a multidão em frente ao fórum de Santana.

Directus disse:
26 de março de 2010 às 13:58

Sr. Carone:
Nada tenho contra a imprensa livre. Tudo a favor. O que me incomoda é a imprensa irresponsável, ou seja, aquela que vende sensacionalismo em lugar de transmitir informação. Foi o que a imprensa fez no caso do promotor Thales, que agiu em legítima defesa, lembra? Foi o que fez no caso da Isabella, ainda que, nesse último exemplo, os réus provavelmente sejam culpados.
O problema é que a imprensa não esclarece ao público, em grande parte ignorante e ávido por vingança, que os réus têm direito à defesa técnica e ao benefício da dúvida. Não esclarece que ninguém pode fazer justiça pelas próprias mãos, salvo em perigo atual ou iminente. Não diz nada sobre o funcionamento da Justiça, retratando-a sempre como um paquiderme lento, ineficiente e interesseiro, quando os juízes brasileiros sofrem para manter seus intermináveis processos em dia (e alguns ainda precisam ficar uma semana inteira cuidando de organizar e presidir um júri como esse, com prejuízo para o restante do trabalho). Não explica a OBRIGATORIEDADE de ser o réu defendido da imputação. Trata o assunto como ESPETÁCULO TEATRAL em vez de conscientizar a população de que justiça não é novela. Vi vários comentaristas da Globo News e de outros canais IRONIZAREM as alegações da defesa, passando aos telespectadores que o advogado é mentiroso e o promotor está certo. Aí pergunto: mesmo que algum jurado consciente e educado pense de forma independente, V. Sa. não acha que a "opinião pública" pressionará por condenação e taxará eventual decisão absolutória de escândalo, contribuindo ainda mais para o descrédito da Justiça, sem falar que algum louco poderá atentar contra o juiz, o advogado ou os jurados? É esse o papel da imprensa?

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