Defesa do casal Nardoni se prepara para refutar provas periciais do caso

Com a proximidade do julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte da menina Isabella, os advogados do casal preparam uma ofensiva para contestar as provas periciais que serão apresentadas pela acusação durante o Júri. O julgamento acontecerá na segunda-feira (22/3), no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo. A previsão é que o júri, formado por 24 testemunhas, dure de três a cinco dias. O que vai determinar o número de dias é o tempo que cada testemunha levará para dar o seu depoimento.

A defesa do casal, representada pelo criminalista Roberto Podval, contará também com o auxílio da especialista em perícias criminais, Roselle Adriane Soglio. Podval atuará no caso de uma maneira mais ampla, debatendo todos os pontos. Já Soglio, devido a sua bagagem técnico-cientifica, se concentrará na contestação das provas apresentadas pelo Instituto de Criminalística de São Paulo e pelo Instituto Médico legal. Ela já atuou sem seis júris. Apenas um resultado foi desfavorável ao seu cliente.

À revista Consultor Jurídico, a advogada contou que a tese da defesa ainda não está totalmente fechada e os detalhes vão ser revelados apenas durante o Júri. Ela adiantou, contudo, que estão trabalhando com base nas provas feitas pela acusação e que todas elas serão refutadas com veemência. Segundo a especialista, os fatos não aconteceram conforme apontou a perícia. “As provas produzidas tanto do IML quando do Instituto de Criminalísticas de São Paulo serão contestada faticamente ”, reforça.

Os pontos divergentes, de acordo com a especialista, está no sangue encontrado no carro e na fralda, a marca de pé deixada na cama, e o atestado e a certidão de óbito da menina. Neste último ponto, ela destaca que há informações desencontradas. Isso porque no atestado a causa da morte é registrada como asfixia mecânica e politraumatismo. Já na certidão de óbito, o médico responsável registra que a causa da morte é indeterminada. Os dois documentos foram produzidos no mesmo IML, reforça advogada ao dizer que esse é um dos pontos mais nebulosos do processo.

Ao ser questionada sobre as expectativas para o julgamento, a advogada respondeu que está muito esperançosa e que se os jurados estiverem abertos a ouvir a tese da defesa, há grandes chances de absolvição.

O crime
A menina Isabella morreu aos cinco anos, no dia 29 de março de 2008, depois de cair do sexto andar do prédio onde moravam seu pai e sua madrasta, na zona norte de São Paulo. O casal foi preso em maio daquele ano e permanece na prisão desde então, sob acusação de terem atirado a criança pela janela. O júri popular foi confirmado no início do ano passado. Passado um ano, agora o júri está marcado para esta segunda-feira.

Gláucia Milício

é repórter da revista Consultor Jurídico.

A.G. Moreira disse:
20 de março de 2010 às 10:44

Será que a criança morreu porque foi "atirada" pela janela
.
ou
.
foi "atirada" pela janela, porque JÁ ESTAVA MORTA ? ? ?

Jaderbal disse:
20 de março de 2010 às 14:52

O ponto crucial dessa história me parece ser a inominável desídia da polícia paulistana quanto ao seu dever funcional de preservar o local do crime. As provas colhidas fora do apartamento praticamente incriminam o casal ou um deles. A chance que eles teriam de provar sua tese de que haveria um estranho no apartamento foi absurdamente subtraída por não ter a polícia isolado o local. Resultado: várias pessoas circularam no apartamento após a tragédia e não foi possível colher impressões digitais, amostras de pelos humanos e provas similares. È preciso que a tese da acusação não tenha qualquer falha para que a eventual condenação não seja uma injustiça causada por lamentável falha estatal.

Flávio disse:
22 de março de 2010 às 22:39

Certo está o Dr.Podval vai ganhar um dinheiro para botar a cara a tapa e defender o indefensável. Tentar provar que um terceiro cometeu o crime é fanfarronice criminal. Não há júri no mundo que inocente este casal. Caso emblemático, tentar compreender a que ponto chega a psique humana.Caso para a psiquiatria forense estudar. Tenho receio que ambos sejam mortos na prisão, inclusive seus pais correm sério risco no caso de uma sentença absolutória.

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