Os terceirizados devem ter os mesmos direitos dos trabalhadores contratados diretamente pelas empresas. Esse foi o foco central das manifestações que se deram na parte da tarde do primeiro dia da audiência pública promovida pelo Tribunal Superior do Trabalho, para debater a terceirização. O encontro termina nesta quarta-feira (5/10).
Diferente do que aconteceu na abertura da audiência, a maioria dos participantes apontou condições degradantes, baixos salários, falta de segurança e falta de investimento em capacitação destes trabalhadores, o que poderia ser resolvido com uma legislação que garantisse a paridade de salário, por exemplo.
“O ideal seria a extinção da terceirização, mas como isto não é possível, tendo em vista a atual formatação da economia e do mercado atual e globalizado, nós temos que garantir a esses trabalhadores condições dignas de trabalho”, disse o deputado Vicentinho do PT, autor de um dos projetos que pretende dar contornos à questão, durante a audiência.
Rosângela Silva Rassy, representante do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), afirmou que a falta de normas regulatórias sobre o setor culmina em um cenário desastroso. Segundo ela, os auditores têm presenciado fatos e circunstâncias sociais que comprovam o real prejuízo do trabalhador terceirizado: a pulverização do enquadramento sindical, a precarização da saúde dos trabalhadores, o alto índice de informalidade, a ocorrência de acidentes de trabalho fatais, entre outros. “Onde há trabalho terceirizado existe a ausência de humanidade e de segurança. O direito precisa se adequar à nova realidade do trabalho. É preciso haver lei”, disse Rosângela.
Para o presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Renato Henry Sant’Anna, a Constituição possui garantias que impedem a terceirização, como: a dignidade da pessoa, a valorização do emprego, a busca pelo bem de todos e a erradicação pobreza. Disse que a sua experiência particular como juiz mostrou claramente como a terceirização da mão de obra, vai contra estes princípios. “Em uma audiência envolvendo trabalho terceirizado sempre tem uma pessoa sem nome, aquela em que tomador e prestador de serviços se limitam a chamar de ‘terceirizado’. Isso evidência a perda de identidade provocada por este tipo de trabalho”, disse o presidente.
Mal necessário
Os participantes entenderam que embora seja uma prática que traz prejuízos ao trabalhador, a terceirização está entranhada no mercado e nas economias de tal forma que a melhor solução seria normatizar o setor. O deputado Vicentinho do PT é autor de um projeto de lei que pretende assegurar aos trabalhadores terceirizados os mesmos direitos trabalhistas dos contratados diretos (carga horária, salário, FGTS, alimentação, transportes e demais benefícios). Além disso, a aprovação do PL proibiria a terceirização na atividade-fim. “Mas, vejam, se a proposta for aprovada, acabará a terceirização, pois não haverá mais lucros exorbitantes a custo da redução de direitos trabalhistas”, afirmou o deputado.
Vicentinho ainda defendeu que a responsabilização da empresa que terceiriza o seu negócio em relação às obrigações trabalhistas, independentemente desta exercer fiscalização ou não. “A desculpa de que agiu de boa-fé, de que não sabia que a terceirizada não cumpria com as obrigações não pode ser aceita. Na prática o empregado terceirizado trabalha é para a tomadora, é ela quem lucra e muito com o trabalho realizado.”
“A terceirização é uma realidade. Não só no Brasil, mas no mundo. Quando uma mãe sai de casa para trabalhar e deixa seu filho com a empregada, o que ela está fazendo se não, terceirizando? Temos que combater as diferenças, não a terceirização”, disse o deputado Sandro Mabel (PR-GO), que também é autor de projetos no Congresso para garantir que empregados terceirizados e diretos tenham os mesmos direitos.
Para o deputado, o que não pode ocorrer é “um trabalhador terceirizado não poder utilizar o mesmo ônibus que a empresa cede ao seu contratado direto, que o terceirizado não tenha um refeitório digno para se alimentar”. Mabel defende também a regulamentação do serviço terceirizado no setor público, porém somente em atividades que não envolvam atribuições que sejam de competência de algum cargo já existente no quadro de cargos e carreiras do Estado. O PL ainda possibilita que o administrador responda por improbidade administrativa caso ocorra problemas com a terceirizada, inclusive os de ordem trabalhista.

Demorou para acontecer esse evento. Concordo com que haja terceirização todavia não podemos aceitar escravidão ou precarização da mão-de-obra. Não podemos permitir que haja tanta discriminação entre trabalhadores. A propósito já que se fala em terceirização veja essa reportagem colhida na internet e reflitam: http://www.rondoniagora.com/noticias/ass embleia-legislativa-aumenta-para-ru-36-m ilhoes-gastos-com-vigilancia-armada-2011 -10-04.htm
Eu não acredito que o Exmo. Parlamentar conseguiu ter a proeza de fazer uma equiparação desta: “[...] Quando uma mãe sai de casa para trabalhar e deixa seu filho com a empregada, o que ela está fazendo se não, terceirizando? Temos que combater as diferenças, não a terceirização”, disse o deputado Sandro Mabel (PR-GO)[...]". O que o parlamentar acharia de 'terceirizar' o seu mandato. Uma empresa 'laranja' o capacita e a União a contrata para o fornecimento de 'mão de obra' a um custo bem menor do que nós pagamos atualmente a Suas Excelências.
Esse negócio de ter os mesmos direitos é uma hipocrisia. Se é para ter realmente esta equiparação, que o 'terceirizado' seja contratado como empregado; não haverá diferença, portanto, no custo desta mão de obra.
Este fenômeno, próprio da nossa 'economia neoliberal', representa a precarização da mão de obra, a neo-escravidão do século XXI, como bem ressalta o prof. da USP Jorge Luiz Souto Maior em seus escritos.
Na minha área profissional, terceirização tornou-se sinônimo de exploração descarada. É comum as empresas pagarem muito mais para uma "atravessadoria" (empresa de consultoria que fica com a maior parte do valor), do que pagariam em salários brutos. Uma das vantagens, para os contratantes, é a dispensa do vínculo, incluíndo do respeito pela pessoa humana. Usa-se e joga fora rapidamente. Treinamento na empresa é praticamente uma piada nestes casos. O terceirizado é aviltado nos moldes da semi-escravidão Tenho escrito no blog e diversas publicações de gestão, TI, etc, sobre o que é uma verdadeira "senzala virtual". É de se rir quando numa sala tem (digamos) cem pessoas, e fazem uma reunião de motivação nalguma metodologia da moda. Participam 10 funcionários e os demais 90 recebem ordem para ficar de cabeça baixa, e de preferência "que nem respirem" (ouvi isto de um famoso executivo). As empresas sabem muito bem o que estão fazendo, mas parece que preferem acreditar no discurso das atravessadorias sem perceber, que ao mesmo tempo, estão também reclamando porque os profissionais não se atualizam... quem é que se atualiza com salários vis e condições de trabalho desprezíveis sem qualquer perspectiva se pelo menos o que se faz, terá algum futuro na semana seguinte, o que dizer pensar em pelo menos planejar um ano ou mais. Terceirização é uma boa idéia, mas os espertalhões ficam com 90%, e responsabilidade que é bom, praticamente fica só no "embromation". Perdem as empresas, perde o país. Sucateam o mercado profissional para logo atirá-lo de presente para outros países ou para os monopolizadores de grande escala. Isto vai custa muito, mas muito caro para as empresas que perdem toda sua tecnologia pelo ralo. E a credibilidade junto.
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