O Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve sentença de primeiro grau e rejeitou, nesta segunda-feira (13/2), denúncia do Ministério Público Federal de São Paulo contra os jornalistas Fernando Porfírio e Márcio Chaer, da revista eletrônica Consultor Jurídico. O MPF denunciou os jornalistas por calúnia contra a procuradora regional da República Ana Lúcia Amaral, na reportagem Medo da verdade mobiliza parceiros de Protógenes, publicada no dia 6 de fevereiro de 2009.
Por unanimidade, a 5ª Turma do tribunal entendeu que a reportagem não teve a intenção de imputar crime à procuradora, mas apenas de narrar fatos de relevância pública, o chamado animus narrandi. O voto do relator, desembargador Luiz Stefanini, foi seguido pelos desembargadores Antônio Cedenho e Ramza Tartuce. Para eles, mesmo que a linguagem seja forte e cause desconforto aos envolvidos, isso não caracteriza o animus calundiandi, a intenção de atingir a moral. A advogada Camila Torres, do escritório Oliveira Lima, Hungria, Dall’Acqua e Furrier Advogados, fez a sustentação oral em defesa dos jornalistas. O acórdão ainda não foi publicado.
A reportagem contestada na ação trata de pressões feitas pelo MPF, pela cúpula do TRF-3 e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República contra as investigações sobre os desvios cometidos pelo então delegado Protógenes Queiroz — hoje deputado federal — no curso da operação satiagraha que, por sua vez, investigou o banqueiro Daniel Dantas. As apuração das irregularidades na operação ficaram a cargo do delegado da Polícia Federal Amaro Vieira Ferreira e foram conduzidas pelo juiz Ali Mazloum da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
Ao discorrer sobre as pressões exercidas sobre o juiz que conduzia a investigação contra os abusos da satiagraha, a reportagem afirma que "depois que Mazloum negou a devolução de arquivos apreendidos na Abin, a procuradora Ana Lúcia Amaral ingressou com representação contra o juiz. Ela se disse ofendida por algo que Mazloum teria dito dois anos atrás". Inconformada, a procuradora entrou com representação criminal contra os dois jornalistas, alegando que ambos a acusaram de prevaricar. A representação deu origem primeiro a uma proposta de transação penal, em seguida substituída pela Ação Penal.
Em 2009, o juiz Leonardo Safi, da 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo, já havia rejeitado a denúncia. Na sentença, ele afirmou que, "em se tratando de matéria veiculada através de meio de comunicação de massa, o animus caluniandi sucumbe diante do animus narrandi, que é da própria essência da atividade jornalística e, não raro, causa sentimento de exasperação aos citados no artigo ou reportagem". Para o juiz, decidir de forma diferente seria "aquiescer com o retorno da censura atingindo tanto a liberdade de imprensa como o direito à informação".
Ao fazer considerações sobre a falta de justa causa da denúncia, Safi disse ainda que a reportagem em nenhum momento faz menção a qualquer atitude da procuradora que possa ser interpretada como criminosa. "Tanto é verdade que a própria denúncia afirma que ‘os jornalistas insinuaram que a representante teria representado contra o juiz Ali Mazloum em razão de sua recusa em restituir o material apreendido à Abin’". E o juiz concluiu dizendo que insinuar é totalmente diferente de imputar.
Boa, Juca!
Quanta política... quanta armação.... No final será que o bem vai vencer o mal? No entanto, na dúvida, vamos denunciar... investigar....acusar, afinal, é desmoralizando a pessoa que esvaziamos sua eloquencia. Métodos antigos ao velhos humanos.
Tudo bem. Esta conceituada Revista e seus jornalistas possuem condições amplas de se defender de uma acusação falsa, o que é ótimo. Mas em se tratando do cidadão comum, com dificuldade para pagar as contas do mês, ou de pequenas empresas jornalísticas, como vão narrar fatos envolvendo membros do Ministério Público Federal ou promover denúncias?
Parabéns aos jornalistas - e ao juiz Ali Mazloum - por mais uma merecida derrota impingida à procuradora Ana Amaral.
Causa justa na mão de advogados brilhantes, não dá outra!
Parabéns a todos os envolvidos nessa luta épica em prol da liberdade de imprensa e de trabalho!
Alberto Zacharias Toron, advogados e admirador de todos (jornalistas e advogados).
ALIÁS, VOU MAIS LONGE :
PARA QUE EXISTE A JUSTIÇA FEDERAL ???
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