Das 143.368 investigações por homicídio doloso que deveriam ser resolvidas até abril de 2012, 115.561 (cerca de 80%) ainda estão sem solução. A chamada Meta 2 da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp) pretendia concluir até o próximo mês todos os inquéritos pelo crime instaurados até dezembro de 2007 e ainda pendentes, em todos os estados brasileiros. Uma pesquisa feita pelo órgão, porém, mostra a falta de policiais, equipamentos e comunicação entre Polícia e Ministério Público como empecilhos para o cumprimento da missão.
Paraíba, Amazonas e Alagoas não solucionaram (nem arquivaram) nenhum dos casos do programa. Santa Catarina foi o único a cumprir 100% da meta. Não por acaso, enquanto nos três últimos estados da lista de elucidação de casos dizem não haver periodicidade nas reuniões entre a Polícia Civil e o Ministério Público, os três primeiros colocados confirmam encontros periódicos entre as duas corporações.
Não é só a falta de integração, porém, que pode ser culpada. A escassez de policiais nas delegacias especializadas em homicídios atinge 19 dos 27 estados brasileiros (incluindo Distrito Federal). Em 11 estados não houve aumento do quadro da Polícia Civil há, pelo menos, dez anos, não acompanhando o crescimento da população local. O estado com menor proporção de policiais por habitante é o Maranhão, com 29,9 policiais a cada 100 mil habitantes, enquanto o que possui maior média de policiais por habitante é o Amapá, com 191,5 policiais por 100 mil habitantes.
A falta de equipamentos também foi alvo de reclamações de policiais. Segundo a pesquisa, os equipamentos de proteção pessoal, essenciais para a atuação de policiais, são a principal carência da corporação. O segundo intem apontado foi "armamento não letal e capacitação”. Os cursos específicos para área de homicídio, por exemplo, são oferecidos em apenas sete estados. Além disso, os policiais reclamam da falta de itens básicos, como computadores, acesso à internet, viaturas e telefones.
A carência de concursos na Polícia Científica também preocupa. Apenas 16 estados fizeram concurso para contratação nos últimos dez anos e, desses, cinco não proveram cargos após a realização do certame.
As carências da Polícia Civil estão explícitas no Diagnóstico das Investigações em Homicídios, elaborado pelo o Grupo de Persecução Penal da Enasp, parceria entre os Conselhos Nacionais do Ministério Público (CNMP) e de Justiça (CNJ) e o Ministério da Justiça.

Parabéns ao meu estado (SC) por essa eficiência, mas em contrapartida, é onde mais se praticam assaltos a caixas eletrônicas bancárias, explodindo-os na calada da noite sem qualquer plano operacional de prevenção ou de combate. Esta semana, já foram sete ataques.
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A questão é histórica e emblemática, e só não vê quem não quer - leia-se: o ausente e inepto Estado. Quem, em sã consciência, se angajaria nas forças de segurança em troca de salários tão indignos, cursos sofríveis de preparo, falta de equipamento adequado, plano de carreira desmotivador? Só aqueles que, ou não possuem preparo para outras profissões, ou são desvirtuados por uma insana e íntima intenção de ostentar o poder de uma arma e de um distintivo. Eis a questão central.
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O policial (seja civil ou militar), salvo raríssimas exceções, é deseducado, não possui estrutura psicológica para lidar com seu labor diário, é inseguro e, mais que tudo, altamente sugestionável a ser aliciado, via de regra, em troca de migalhas. E quando um policial está nesse patamar, dificilmente se terá um desempenho condizente com a relevância maior da sua função, que é a segurança social.
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De outro ângulo, ele apenas se espelha nos exemplos que vêm de cima - leia-se: da política profissional corrupta que infesta desde o maior posto de comando (Poder Executivo Nacional) até o mais descaracterizado vereador de um município insignificante. Então, querem o que? Desempenho, comprometimento, denodo, dedicação, excelência profissional? Só os ingênuos acreditariam nisso.
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O ilícito é parte inerente ao ser humano, só que em alguns mais que em outros. Portanto, dita problemática requer análises bem mais profundas do que simples estatísticas frias que em nada colaboram para a solução da questão maior.
Sou catarinense, mas não há nada para comemorar. Provavelmente o cumprimento da meta só se deu devido ao arquivamento dos inquéritos, ou seja, sujeira para debaixo do tapete. Apesar de em SC ter um dos menores índices de homicídio do Brasil, as maiores cidades já estão um pouco acima da média nacional - Florianópolis já tem proporcionalmente quase (ou mais de) 3 vezes mais assassinatos que a capital do Estado de São Paulo.
O que eu creio mais grave nisso tudo é a apatia da sociedade quanto à situação. Ora, o crime mais grave entre todos os graves é o homicídio. Todo assassinato deve ser minuciosamente investigado, à exaustão, a fim de que o verdadeiro responsável responda criminalmente pela maior agressão que um ser humano pode causar a outro. O Brasileiro adora fazer "carnaval" sobre bobagens inúmeras, pedindo aumento de penas (como se isso fosse a solução mágica para todos os problemas), supressão das garantias dos acusados (como se também isso fizesse diminuir a impunidade), ou ainda jogar a culpa nos advogados, dizendo que a classe "defende bandidos". São centenas de milhares de assassinatos SEQUER investigados, enquanto a esmagadora maioria se cala. O brasileiro precisa, literalmente, criar vergonha na cara, e exigir que as polícias e o Ministério Público comecem, vale frisar, comecem, a trabalhar.
A par disso tudo vemos fervorosas manifestações em rede sociais a respeito de supostos "assassinatos" de gatinhos, cachorrinhos, inclusive se caluniando os supostos "ofensores". Não se vê essas manifestações a respeito dos milhares de assassinatos não investigados. Na sociedade brasileira atual um gato ou cachorro vale mais do que um ser humano.
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