Faculdade de Direito do Mackenzie demite 15% de seus professores

Até a sexta-feira (21/6), a Faculdade de Direito do Mackenzie pretende demitir 15% de seu quadro de professores. Não foram divulgados nomes nem números, mas os já ex-integrantes do corpo docente afirmam que serão desligadas 35 pessoas do quadro total de professores do curso e as demissões serão diárias até o dia 21, último dia letivo do semestre.

Embora confirme os cortes, a universidade afirmou que eles fazem parte de uma “realocação normal”.  De acordo com a assessoria de imprensa da universidade, a intenção é reorganizar as matérias e concentrá-las nas mãos de menos professores. A faculdade de Direito informa que há disciplinas sob responsabilidade de três ou quatro docentes.

O diretor da faculdade de Direito, José Francisco Siqueira Neto, disse à revista Consultor Jurídico que os cortes fazem parte de uma “reestruturação normal de fim de semestre”. Siqueira não quis dar mais detalhes para evitar que os demitidos fossem informados pela imprensa, já que o processo de demissões ainda não acabou. Comenta-se na faculdade que alguns professores, principalmente os juízes e membros do Ministério Público, só conseguem tempo para dar uma ou duas aulas por semana. A intenção dos cortes, então, seria aproveitar mais o corpo docente e abrir mão daqueles que não têm condições de assumir cargas horárias maiores.

Mas essa versão não é unânime. Alguns professores afirmam que os cortes fazem parte de uma “limpeza ideológica” do curso de Direito. Alegam que, depois de dois anos no cargo, o reitor da universidade, Benedito Guimarães Aguiar Neto, indicou às diretorias apenas professores alinhados com sua ideologia política.

“A versão oficial é que estão fazendo cortes administrativos em função de excessos, mas o direcionamento ideológico é evidente. Estão indo embora magistrados, promotores, procuradores, procuradores do Estado, pessoas que não se sujeitam a esse tipo de viés, que é bem petista, com vinculações claras”, afirmou à ConJur um professor, que preferiu não ser identificado.

Os cortes tornaram-se públicos por causa da demissão do promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo, que dava aulas de Processo Penal no Mackenzie. Ele mesmo contou a seus alunos que a faculdade não renovou o contrato. A notícia da demissão veio na mesma semana em que, em sua página no Facebook, chamou pessoas que protestavam contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo de bugios, causou polêmica.

Por causa do episódio, Zagallo se viu obrigado a pedir desculpas e apagar o que falou antes. Todos os ouvidos pela reportagem negaram a existência de qualquer relação entre a demissão e o episódio no Facebook.

Pedro Canário

é jornalista.

analucia disse:
13 de junho de 2013 às 21:30

é o patrulhamento ideológico no Direito, não se pode pensar, o que se busca é apenas decoreba para concurso e exame da OAB, os quais também seguem uma ideologia dominante...

Pvasouza disse:
14 de junho de 2013 às 00:17

Sou aluno da Faculdade de Direito do Mackenzie e as demissões não tem nada haver com posicionamento ideológico, mas sim de péssima qualidade dos docentes demitidos. As maioiria dos afastados são de longe os docentes com maiores reclamações há tempos de péssima qualidade na sala de aula. Pode ser juiz, promotor, advogado etc o importante é saber lecionar e ter conteúdo. A nova diretoria que assumiu neste ano apenas está fazendo uma limpeza necessária que o antigo diretor como péssimo gestor que foi não teve coragem de fazer. Para melhorar a qualidade da nossa faculdade eram necessárias estás demissões.

Fábio Coelho disse:
14 de junho de 2013 às 00:19

No Mackenzie é sempre assim: quem perde se vitimiza dizendo que é patrulhamento. E sabe o que é pior? Isso vem de uma instituição que sempre patrulhou seu alunado. Ou será que ninguém se lembra da Batalha da Maria Antônia?
A título de exemplo, cito que certa vez meu coletivo organizou uma manifestação pedindo o retorno do concurso de professores, com o adendo de uma maior participação do corpo discente na escolha, mas fomos recebidos pelo antigo direito com ameaça de sindicância. Se isso não era patrulhamento, era o que?
O que acontece agora na Faculdade de Direito é uma reestruturação mais do que necessária. Afinal, a cadeira de Direito Constitucional sempre foi desrespeitada e tratada como uma matéria de segunda mão, o que não é caso. E pra quem insistir na ideia de agora ocorre uma patrulhamento ideológico, vale lembrar que quando da promulgação da Constituição Federal de 1988, muitos professores da casa diziam que a mesma era " muito pródiga em direitos". Isso também não é patrulhamento?
Posso afirmar, por ter me construído academicamente nesta instituição, que uma parte expressiva do corpo docente é despreparado, vivendo, unicamente, do nome construído pelos antigos professores e discentes. Sem falar no púlpito político de direita que as salas de aula viraram. Alguns professores claramente pediam a morte dos mais pobres e em debilidade social. O Zagallo é um exemplo disso.
Alguns professores não têm domínio das disciplinas que lecionam...é risível.
Bom, desejo boa sorte ao Siqueira Neto.

R. D. Silva disse:
14 de junho de 2013 às 12:35

Considerando o que o Prof. Siqueira Neto fez no programa "STRICTO SENSU" da Faculdade de Direito, a informação de que ele exigirá mais horas de dedicação do corpo docente é pertinente, a justificar a demissão daquelas que não possam atender esse requisito.
Não creio em patrulhamento ideológico. No Mackenzie há pluralidade de opiniões: tem de marxista a liberal; de moderado a radical; de judeu a muçulmano; de Higienópolis a Heliópolis.
Nem a fé reformada da instituição é objeto de doutrinação entre alunos, professores e funcionários; as posições da universidade são bem claras, mas há respeito em relação a quem se posiciona de forma diferente.
Porém, a estrutura hierárquica da instituição não é muito aberta ao diálogo (ao menos não na expectativa que os alunos desejam). Mas não creio que haja opressão do comando da universidade sobre o alunos e professores.

Daniel1981 disse:
14 de junho de 2013 às 14:51

Fico impressionado com a ingenuidade de alguns comentaristas por aqui... Como se a disputa ali dentro girasse em torno de direita ou esquerda...está cheio de professores esquerdistas lá, inclusive dois dos demitidos são vermelhos assumidos. Há questões profissionais, mas é óbvio que também há questões políticas e rixas pessoais por trás disso. O Mackenzie tem conseguido ficar nos primeiros lugares no ranking de faculdades de Direito em SP, e à primeira vista soa estranha essa 'necessidade de reforma'. E coincidentemente, todos os que estão sendo demitidos faziam oposição ao recém empossado líder. Desembargadores, juízes e promotores também estão na lista. A faculdade não está sendo transparente com essas medidas, e à primeira vista o que está ficando notório é que trata-se de uma eliminação de oposição - o primeiro passo para uma ditadura.

MSRibeiro disse:
14 de junho de 2013 às 16:14

O que há de tão relevante nisso? Eles são o centro do universo? Só porque cobram uma mensalidade cara e são voltados para ensinar os mais abastados são tão importantes assim ? Me formei lá e acho que é uma instituição igual as outras - tinha professor bêbado, tinha professor louco que xingava o aluno, tinha professor que falava pra dentro, tinha professor que colocava estagiária para dar aula, porém o nome é lindo e o título é mais lindo ainda (aliás, meu cachorro quase comeu meu diploma de pele de carneiro com o M estampado !!!).

João knox disse:
14 de junho de 2013 às 18:06

A matéria jornalística é objetiva.
As figuras citadas e seus proto defensores preocupam-se em desviar a atenção para o fato principal, qual seja, a demissão de 15% dos professores da Faculdade de Direito entre o seleto grupo de Magistrados, Membros do MP e de Advogados que estranhamente, além de opositores aos atuais mandatários universitários, não se sujeitam ao direcionamento ideológico petista do reitor e diretor, ambos com filiação partidária. Muita coincidência petralha, não acha!
Falam de um programa de pós-graduação que nasceu antes do advento das criaturas citadas. Basta pesquisar.
Chega da milonga que “antes na história deste ......” ouvimos durante 8 anos.
Leia o post sobre a condenação da justiça para a devolução de desconto patronal em contribuições sociais sobre o manto da filantropia (ou “pilantropia”) “http://www.conjur.com.br/2013-mai-15/justica-obriga-oito-universidades-hospital-devolver-bi-uniao, e a promessa, nos corredores da universidade sobre certo advogado petista ligado ao sindicato dos metalúrgicos e ao Marinho que garante obter benesses administrativas das hostes brasilianas.
Não, o Mackenzie não é isso não!

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