Henri Clay: A intolerância e o preconceito não dividem o Brasil

Estou estarrecido e surpreso com as reações virulentas de uma minoria de pessoas diante do resultado da eleição presidencial. O que já li, vi e ouvi são manifestações deprimentes e ao mesmo tempo revoltantes.  Sinceramente, não sabia que ainda existia no nosso País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, gente que apregoa a segregação e a discriminação.

A OAB nacional, historicamente vocacionada para a defesa da liberdade e da igualdade, reagiu em defesa da democracia e da dignidade humana. A advocacia e a imensa maioria da sociedade brasileira não aceitam esses ataques inconsequentes e medievais contra os nordestinos.

A raiva e o ódio espumam pelos lábios da intolerância, transfiguram suas faces e biografias, verbalizam palavras de baixíssimo calão que humilham e atentam contra a dignidade e a autoestima dos nordestinos e dos pobres. São sandices semelhantes às dos senhores de engenho praticadas no século XIX, diante da inevitável libertação da escravatura.

Os impropérios injuriosos afrontam a fraternidade cristã.

Passei a refletir sobre o porquê de tanto ódio e de descabida intolerância.

Por que essa gente prepotente se acha no direito de desferir palavras toscas e praticar atos criminosos? Será mesmo que tudo isso é movido pela indignação à corrupção e à falta ou deficiências de políticas públicas estruturantes e transformadoras nos setores da saúde, educação e segurança públicas?

Para esses feudalistas, todos aqueles que não rezaram em suas cartilhas, ou melhor, não depositaram nas urnas os seus “santinhos” ou “chapinhas” são complacentes ou coniventes com a corrupção; são pessoas inferiores que merecem limpar o chão que pisa com as sandálias da empáfia e lavar a latrina que dejeta a sua arrogância.

Respeito a todos que votaram em Dilma ou em Aécio ou até mesmo protestaram anulando o voto ou se abstendo de votar. Mas não consigo ver e ouvir todo esse absurdo infamante e aceitar calado. Sou nordestino, sou cristão, sou advogado, fui eleito conselheiro federal da OAB pelo voto dos meus colegas advogados de Sergipe e sou ativo militante no combate à corrupção e às discrepâncias sociais. E conheço muita gente com igual conduta republicana que votou democraticamente na situação, na oposição ou anulou o voto.

Será que toda essa cruzada anticorrupção visa ao rompimento com esse sistema de poder que produz corruptos e corruptores, independente do governo de plantão? Essa mobilização visceral prega a revolução social no nosso País? Não! O que essa gente raivosa quer não é mudança, é exclusão. Pois sempre conviveram passivamente com a corrupção, a impunidade e a vergonhosa desigualdade social.

Esses intolerantes menosprezam e achincalham os homens e as mulheres que se beneficiam do bolsa-família. Combatem com hipocrisia e com voracidade. Hipocrisia porque votou e defendeu com a faca nos dentes candidatos que asseveravam manter e até ampliar o bolsa-família; voracidade porque não conhece a fome e nem se compadece com aqueles que passam privações.

Considero o bolsa-família um programa social importante para resgatar milhões de pessoas da agonia da fome e da escuridão da ignorância, mas que deva servir de transição para o estágio da dignidade da inclusão social, do pleno emprego e do irrestrito acesso à cultura.    

Tenho certeza de que a nossa nação não está dividida pelo preconceito e pela intolerância. A grande maioria dos brasileiros, dos amigos meus, vários colegas advogados sergipanos e de todo o Brasil e até parentes que optaram votar em Aécio no segundo turno da eleição presidencial não concordam e, da mesma forma, estão indignados com esse comportamento degradante. 

É fundamental a união de forças para combatermos esse aviltamento criminoso, denunciando à OAB e ao Ministério Público, para o fim de aplacar, com veemência, qualquer espécie de preconceito e discriminação. Assim estaremos ativamente contribuindo para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Uma nação verdadeiramente democrática e civilizada que conviva harmonicamente com as diferenças.

Henri Clay Andrade

é advogado e conselheiro federal da OAB e Diretor-Geral da Escola Nacional da Advocacia.

Marcos Alves Pintar disse:
30 de outubro de 2014 às 17:45

"Aviltamento criminoso"? Criminosa é na verdade esse uso indiscriminado da OAB por parte de alguns como palanque para propaganda partidária barata, servindo-se ao autointitulado "Partido dos Trabalhadores" enquanto a advocacia nacional sangra com a permanente afrontas às prerrogativas da advocacia, causada pela inércia da Ordem dos Advogados do Brasil devido aparelhamento político-partidário (que inclusive fica claríssimo no artigo sob comento). Esta Nação NÃO ESTÁ dividida pelo "pelo preconceito e pela intolerância", mas sim entre os cidadãos honestos que não mais toleram o descalabro que toma conta do Estado brasileiro e da própria Ordem dos Advogados do Brasil, e os oportunistas que estão encontrando solo fértil nas instituições republicanas para a busca de interesses nada republicanos. Ademais, o Articulista não foi eleito pelo voto livre dos advogados de Sergipe com ele diz. Os colegas advogados de Sergipe foram constrangidos a votar em uma chapa, na qual estavam incluídos em um único pacote os Conselheiros Federais, os Conselheiros Seccionais e aqueles que controlam o tribunal de ética, e o Articulista. A "a união de forças" que o Articulista conclama (que a bem da verdade é apenas um pretexto para justificar perseguições de natureza puramente ideológicas) não é nem deve ser prioridade na Ordem dos Advogados do Brasil, que tem por mandamentos (completamente esquecidos atualmente) a pluralidade de ideias, a tolerância, e a defesa das prerrogativas dos advogados em primeiro lugar.

Marcos Alves Pintar disse:
30 de outubro de 2014 às 17:59

A revolta dos cidadãos honestos em face àqueles que venderam o voto em troca do bolsa família é plenamente legítima. Não foram poucas as reportagens e estudos divulgados nos últimos meses e anos que mostraram a grandes quantidade de jovens em pleno vigor físico e mental que simplesmente não fazem nada da vida, sobrevivendo à base de benefícios sociais. Trata-se da chamada "geração nem-nem", ou seja, uma geração inteira de pessoas que não estuda nem trabalha. Os números das pesquisam mostram claramente a enorme concentração desses jovens nas cidades nordestinas, ainda que existam frentes de trabalho que possibilitam a inclusão laboral de quem esteja disposto a trabalhar, ainda que a situação não esteja restrita ao Nordeste. A revolta está sendo motivada pelo fato de que o cidadão que estuda, que trabalha, que se dedica, enfim, que "dá duro" e faz gerar riqueza para a Nação, é simplesmente ignorado por aqueles que estão vendendo o voto em troca de benefícios sociais. O cidadão que trabalha, que se esforça, precisa que os serviços essenciais do Estado funcionem. É preciso segurança pública, saúde, educação, transportes, mas tudo isso no Brasil tem sido extremamente precário. Para o "nem-nem", que fica em casa o dia todo, não faz diferença se o cidadão trabalhador gasta 4 horas todos os dias apenas para ir e voltar ao trabalho. O "nem-nem" fica deitado o dia todo no sofá assistindo televisão, e para ele não faz diferença as dificuldades do cidadão produtivo. São egoístas, e só pensam em postergar o próprio ócio. Chegado o momento do voto, não se importam com roubo na Petrobras, em Judiciário que não funciona, em estrada esburacada, nem nada do gênero. Para eles as dificuldades do cidadão trabalhador não existem, e é justamente por isso a revolta.

Willson disse:
30 de outubro de 2014 às 23:06

Um ódio desmedido, uma ojeriza ao outro, à discordância, tomou conta de grande parte dos corações brasileiros. Como consequência, a irracionalidade mais parece um cavalo doido, sem trela. Alguns comentários, até mesmo deste espaço, que deveriam ser mais equilibrados e menos irracionais, dão a ver que a febre desse ódio e desse preconceito, para muitos ainda não baixou. Toda essa empáfia não nos melhora em nada. Pelo contrário, esse embate nos fez regredir. Todo mundo se tornou dono da verdade, nesse pleito. O custo foi a nossa máscara cair, e agora todos sabem que nem sempre somos assim, tão tolerantes, tão prudentes. Alguns de nós são racistas, crueis, egoístas, segregacionistas e como cobra, têm o coração gélido. Infelizmente. Muitas amizades foram desfeitas, muito conflito se tornou permanente. Para que? Para beneficiar pessoas que sequer conhecemos, que nunca nos visitará num momento de dor? Um partido ganhou, um outro perdeu. Tenho alguma simpatia por um deles. Mas as amizades perdidas, game over! Poderão não voltar, nunca mais.

DJU disse:
30 de outubro de 2014 às 23:46

Os votos e as ideias dos outros merecem respeito integral. Infelizmente, a internet permite e talvez favoreça toda espécie de manifestação odienta. Sou paulistano e filho de paulistanos, mas como neto de sergipano entendo a justa mágoa do autor. Contudo ainda hoje li comentário sobre questão diversa em que se afirma que São Paulo e a classe médica são a vergonha do país. Por acaso, entidades públicas tomarão providências a respeito?

J. Ribeiro disse:
31 de outubro de 2014 às 03:41

O que se percebe em todas eleições para presidente de que quem está no Poder tem em suas mãos os votos dos nordestinos, em especial os do sertão.
Mas o que se verificou deste vez foi a votação nas capitais nordestinas, na mesma ou próximo da percentagem do interior/sertão, o está a evidenciar a extensão dessa dependência econômica e controle de quem está no Poder.
Desde a eleição de Lula a oposição no nordeste vem diminuindo e hoje acredito que sua existência é irrelevante, o que não é nada bom para a região. Certamente por serem mais dependentes, pessoas em sua maioria simples e baixa escolaridade ou inadequada, pensam mais com a barriga, o que acaba sendo mais facilmente influenciadas por aqueles que estão no Poder, preparando-as para se perpetuarem no Poder. O PT nisto se mostrou expert, aprendeu rapidamente a prática rasteira dos coronéis da catinga.
Em resumo: o voto do nordestino ainda continua sendo um voto não consciente.

Samuel Mendes Gouvea disse:
31 de outubro de 2014 às 07:48

Faço das suas as minhas palavras. Seu posicionamento acerca da publicação não poderia ter melhor enredo.

O articulista pode até emitir opinião, mas desde que fale por si; pela sua pessoa, e não pela OAB!

Zé Machado disse:
31 de outubro de 2014 às 07:51

A internet se tornou não um espaço quase sem leis, mas também sem ética, sem respeito e moralidade, onde as pessoas colocam para fora seus ódios e frustrações. Por exemplo os famosos caça bruxas que jamais leram sobre o macarthismo para poder entender um pouquinho o que aconteceu no mundo pós-guerra e principalmente no Brasil. Está nos livros de história, mas não leem. Ficam perdendo tempo com essas baboseiras sem sentido.

Zé Machado disse:
31 de outubro de 2014 às 07:51

A internet se tornou não um espaço quase sem leis, mas também sem ética, sem respeito e moralidade, onde as pessoas colocam para fora seus ódios e frustrações. Por exemplo os famosos caça bruxas que jamais leram sobre o macarthismo para poder entender um pouquinho o que aconteceu no mundo pós-guerra e principalmente no Brasil. Está nos livros de história, mas não leem. Ficam perdendo tempo com essas baboseiras sem sentido.

Menslex disse:
31 de outubro de 2014 às 08:53

..manifestar-se contra a absurda propaganda petista, altamente rasteira, do primeiro turno; contra as agressões aos demais candidatos de forma suja. Não vi manifestação da OAB Nacional quanto a publicação da Veja que mostra o Sr. José Dirceu mantido como advogado e o Sr. Joaquim Barbosa como postulante a advogado sendo objetado por Conselheiro da OAB-DF.

Gusto disse:
31 de outubro de 2014 às 10:29

A indignação do articulista não me comove, eis que os votos vendidos (ou coagidos) se para eles é útil no sentido de se manter na inércia o seu estado de vivência, para os demais cidadãos é uma catástrofe. Por que os defensores desses ignorantes, incultos, desvalidos ou famintos (é o que está implícito e explícito no artigo) não se movem no sentido de expurgar de vez daqueles rincões o coronelato, a manipulação, a coação e ameaça aos cidadãos nordestinos, fazendo-os ver que o melhor benefício social chama-se TRABALHO? Por que não os fazem acordar ao menos para o futuro de suas proles, já que aceitam comodamente as esmolas governamentais para si próprios? Por que nãos os fazem enxergar que são usados, manipulados, escravizados para sustentarem projetos de perpetuação no poder de uma gama de insanos políticos? Então, meu caro articulista, seria de bom alvitre que antes de externar as palavras escritas consultasse sua consciência, eis que a questão é mais funda do que simplesmente a pura aceitação de uma gama de indivíduos que não foram privilegiados pela cultura ou pela sustança alimentar. Afinal, se estão nessas condições e a revolta contra eles se intensificou, é por culpa única e exclusiva deles próprios, que se vergam genuflexamente a qualquer estralar de dedos dos seus algozes.

Kelson Lima disse:
31 de outubro de 2014 às 15:00

Prezado articulista,
Respeito sua indignação contra as critícas irracionais e desmedidas, no entanto, não compactuo com sua oposição acerca da "ausência de divisão do país".
A exceção dos Estados do Norte ou do Nordeste, a diferença de resultado nos votos válidos - tanto a favor de um quanto outro candidato - não ultrapassava a casa dos 10%. E o pior: em alguns estados do Nordeste a diferença entre os candidatos chegou na casa dos 60%. Tal fato não pode ser deixado de lado na análise do futuro do país.
Sou catarinense, tenho 31 anos e há mais de 20 anos já ouço discursos assistencialistas que exploram a pobreza nordestina como forma de direcionar a riqueza nacional e, de lá para cá, apesar da visível diminuição da pobreza extrema, ainda há tanto a ser feito que não parece que vivemos no mesmo país.
Além disso, continuo assistindo as mesmas lideranças políticas do Nordeste usufruindo o poder e o repassando para os seus sucessores. Nenhuma alteração significativa ocorreu neste ponto.
Será que não é hora de repensarmos o modelo "assistencialista" de "salvação da pobreza" focada na distribuição da riqueza nacional por um modelo focado na "geração de riqueza" e "auto-sustentabilidade economica"?
De toda forma, a desproporção do resultado regional nas urnas trouxe uma clara divisão de visão de país, expectativas e necessidades.
Portanto, reflita se há realmente causa para indignação quando diversos cidadãos de fora do Norte e Nordeste reflitam se a "continentalidade de nosso país" é uma "benção" ou uma "maldição".

isabel disse:
31 de outubro de 2014 às 15:28

Sábias palavras de quem procura esclarecer a realidade, que é tão diferente do que imaginam alguns sulistas, que embora tenham educação formal, são ignorantes funcionais ! sou sulista e amo a minha cidade - Curitiba - , que na minha opinião é a melhor do mundo mas não desconheço o enorme valor do Norte e do Nordeste e do seu valente e talentoso - como bem demonstram as letras e as artes de lá oriundas - povo . Envergonho-me de meus pares regionais e de classe social que infelizmente sofrem de um grande déficit civilizatório, agindo como primatas.
Quanto a OAB , na qualidade de simples inscrita, reconheço e louvo a agora e sempre inestimável missão em defesa das liberdades democráticas e entendo perfeitamente porque não se volta contra um inscrito que "se" cometeu um crime ( o que é bastante questionável dados todas as irregularidades processuais ) está pagando por ele, mas reprova outro que tenta se inscrever depois de ter pisoteado na categoria, por atos e palavras. Bravo , OAB ! continue firme e sempre terá seu papel na sociedade. Finalmente, ao fazer um Brasil para todos, o governo reeleito está sendo democrático, lúcido e civilizado, afinal com o estado de bem estar social é que os países mais bem sucedidos sobrevivem ! E para os que além de qualidade morais prezam também ser cristão , invoco as palavras do grande papa Francisco no Encontro Mundial dos Movimentos Populares , na ultima terça feira, no Vaticano e publicadas hoje : " Estar ao lado dos pobres é Evangelho, não é comunismo !"

Marcos Alves Pintar disse:
31 de outubro de 2014 às 16:25

O que a colega isabel (Advogado Assalariado) está defendendo, para quem não entendeu devido a sutileza com que as palavras foram usadas, é o aparelhamento político da OAB em favor do autointitulado Partido dos Trabalhadores, que não é possível devido ao fato da OAB ser uma Instituição por lei apartidária. Ao contrário do que diz a colega petista, que aqui veio defender seus "cumpanheros", nós advogados devemos exigir que a ordem sane essa irregularidade grave e exclua de seus quadros o advogado José Dirceu de Oliveira e Silva, portador da OAB/SP 90792, uma vez que de acordo com o que ficou decidido na ação penal originária 740 referido Advogado cometeu crime infamante, de grave repercussão na órbita social, com sentença transitada em julgado.

isabel disse:
31 de outubro de 2014 às 17:50

Doutor Marcos Pintar
salvo engano, certa vez, neste mesmo CONJUR, li um comentário de sua lavra, sobre as prerrogativas da advocacia, que me deixou entusiasmada a ponto de pensar que se eu precisasse de um advogado iria contratá-lo ( não lembro se cheguei a registrar este comentário) . Mas lembro bem de seu nome porque em razão do meu interesse por um profissional com esta visão, cheguei a procurar sua localização no google. Caso eu esteja certa e o colega seja mesmo um defensor das prerrogativas profissionais, peço que reveja seu opinamento sobre o meu ( externado em meu comentário anterior ) , e o receba em seus próprios termos, como de uma profissional que antes de se incomodar com a conduta da vida particular dos colegas ( pelas quais cada um deve responder em foro próprio ) , leva em conta o comportamento deles em sua relação com a categoria, sobretudo no que se refere às prerrogativas e no apreço à nossa categoria. Destaco ainda, que meu respeito pelo Direito, me leva a repudiar aqueles que o distorcem como foi o caso do uso da teoria de Claus Roxin, como afirmado pelo próprio estudioso.
Claro que eventual partidarismo meu não viria ao caso ( já que vida partidária não desqualifica ninguém ) , mas em sede de esclarecimento, informo que não possuo e jamais possuí filiação partidária, e nem mesmo jamais pisei em um ambiente partidário ou participei de reuniões desta natureza. Assim sendo, meu respeito à OAB reside na valorização das prerrogativas profissionais e o respeito ao Direito.

Marcos Alves Pintar disse:
31 de outubro de 2014 às 19:49

Obviamente que eu iria receber vossas considerações com a maior alegria, prezada isabel (Advogado Assalariado), refletir sobre tudo o que disse e oferecer uma resposta sobre vosso inconformismo. É fato que a condenação dos mensaleiros não foi das melhores. Eu mesmo registrei aqui neste espaço o inconformismo em muitas oportunidades, sendo absolutamente ridícula a utilização da "teoria do domínio do fato", distorcida pelo Supremo. Também já disse aqui que se for para considerar o que está nos autos o resultado da ação do mensalão seria outro, e que a pressão da mídia e da sociedade foi o que pesou nas condenações. Também disse que se abriu um precedente perigoso pela Corte que deveria ser a cultora máxima da aplicação da lei. No entanto, as condenações estão aí e sinceramente eu acredito que o governo petista naquela época incorreu no pagamento de mensalidades a congressistas em troca de apoio político, ainda que a realidade seja diferente da exposta nos autos. Também acredito que ficou muita gente de fora na ação (só agora se abriu procedimento visando investigar Lula). A questão é que nós temos um advogado condenado por sentença transitada em julgado, por crime grave, infamante, que ainda se encontra inscrito nos quadros da Ordem e nem exercia a advocacia na época dos fatos na qual restou condenado. Dizer o que? Que Zé Dirceu foi condenado porque era advogado e foi perseguido pelos juízes? Não acredito nessa tese, e sinceramente eu não vejo motivos para que o Estatuto deixe de ser cumprido. Os crimes nas quais Zé Dirceu foi condenado não estão relacionados ao exercício da advocacia. A regularidade da inscrição dele está disponível na internet, e já perdi a conta de quantas vezes alguém questionou "o Zé Dirceu ainda é advogado"?

Marcos Alves Pintar disse:
31 de outubro de 2014 às 20:01

Por outro lado, prezada isabel (Advogado Assalariado), não podemos dizer que a condenação de José Dirceu é uma questão pessoal ou particular, que não seria do interesse da classe dos advogados. Os crimes, reconhecido por sentença transitada em julgado, foram cometidos no exercício de uma função pública, que recebeu ampla publicidade. Não há cidadão nesta República que desconheça o caso. Não há como afastar o Estatuto:
.
"Art. 34. Constitui infração disciplinar:
........
XXVIII - praticar crime infamante;"
.
"Art. 35. As sanções disciplinares consistem em:
...
III - exclusão;"
.
"Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de:
...
II - infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34."
.
Um erro não justifica outro. Se a OAB deixa de reconhecer a sentença transitada em julgado porque acha que está "incorreta" vai incidir também em erro. Finalmente, se a colega de alguma forma se ofendeu pelo comentário, manifesto já minhas sinceras escusas, pois não tive nenhuma intenção de prejudicá-la.

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