A Presidência da República foi ao Supremo Tribunal Federal tentar cassar a autonomia da Defensoria Pública da União. Foi ajuizada nesta sexta-feira (10/4) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Emenda Constitucional 74/2013, que deu autonomia administrativa e financeira à DPU e, consequentemente, a deu poderes para a entidade propor alterações legislativas em seu nome.
De acordo com a inicial da ADI, a Emenda 74, que se originou da Proposta de Emenda à Constituição 207/2012, padece de vício de iniciativa. Diz a ação que a Constituição Federal diz que o presidente da República tem “competência privativa” para “a proposição de leis que disponham sobre regime jurídico de servidores públicos da União”. A PEC 207 é de autoria de um parlamentar e, portanto, tem origem no Legislativo, e não no Executivo Federal.
A ADI foi ajuizada duas semanas depois de a Câmara dos Deputados ter aprovado um reajuste salarial para os defensores públicos da União. Pelo projeto aprovado, a partir de janeiro de 2016, os membros da DPU ganharão R$ 33,7 mil.
O projeto é de autoria da DPU e ainda precisa passar pelo Senado para virar lei. Mas causou enorme insatisfação entre os advogados públicos federais. Eles já reclamam há algum tempo por verem sua importância dentro da organização o Estado crescer, mas sem a contrapartida salarial. A aprovação do reajuste para os defensores seria mais um ingrediente no sentimento de insatisfação.
Entretanto, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams (foto), afirma que o principal alvo da ação não é a questão salarial. “O objetivo é que o Supremo defina qual é o nível de intervenção que se pode ter de um Poder no outro”, explica. “Claro que o valor é um problema por destoar das outras carreiras, mas a questão é definir se uma Emenda Constitucional proposta por um Poder pode afetar outros poderes.”
E se o subsídio não é o principal, a autonomia da Defensoria da União é. Adams conta, por exemplo, que a DPU tem dado aos seus quadros feriados estendidos — que as outras carreiras não tiveram. “A Semana Santa deles começou na quarta-feira, o que, em tese, não poderia. A Defensoria está usando a autonomia para se dar benefício de todo jeito”, acusa.
A concessão de benefícios é o que explica o pedido de liminar na ADI. Adams afirma que há uma série de projetos de lei e de emendas à Constituição em trâmite de autoria da DPU, tratando de verbas e de condições de atuação para a carreira. “Se a Emenda 74 for declarada inconstitucional, também pode ser declarada a incontitucionalidade dessas medidas.”
Para o presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef), Dinarte da Páscoa Freitas, a ADI “é a maior afronta que o acesso à Justiça dos mais necessitados já sofreu em toda nossa história”. “Quem realmente vai sofrer com essa atitude é a população mais carente, que depende do atendimento gratuito da defensoria para exercer os seus direitos e acessar ao Sistema de Justiça.”
Dinarte afirma ainda, em nota distribuída à imprensa, que a Presidência da República está tentando “forçar um entendimento jurídico inexistente na Constituição”. O objetivo, diz ele, é “prejudicar e diminuir o direito universal de acesso à Justiça”.
Na justificativa ao projeto de lei, a DPU afirma que “tem sido utilizada como órgão de passagem” por quem sonha com uma das carreiras concursadas do Direito. “Essa breve passagem prejudica sobremaneira seus assistidos, que, não raras vezes, têm sua demanda sobrestada ou mesmo interrompida pelas constantes vacâncias nos cargos de defensor público federal.”
ADI 5.296
Clique aqui para ler a inicial da ADI
Leia abaixo a nota da DPU:
Anadef repudia ADIN da Presidência da República contra a autonomia da Defensoria Pública
A Presidência da República protocolou nesta sexta-feira (10), junto ao Supremo Tribunal Federal, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Emenda Constitucional (EC nº74, originada pela PEC 207/12). Promulgada em agosto de 2013, a Emenda confere autonomia administrativa financeira para a Defensoria Pública da União (DPU). Considerada como uma conquista histórica da defensoria, o projeto foi aprovado por unanimidade nas duas casas do legislativo. A EC 74 estendeu à Defensoria Pública da União a autonomia já conferida às Defensorias Públicas dos Estados pela EC 45/2004 , possibilitando à instituição o encaminhamento de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e permitindo o desenvolvimento funcional das atividades ali promovidas.
“É a maior afronta que o acesso à justiça dos mais necessitados já sofreu em toda nossa história. Quem realmente vai sofrer com essa atitude é a população mais carente que depende do atendimento gratuito da defensoria para exercer os seus direitos e acessar ao Sistema de Justiça. A defensoria vem avançando no caminho de seu fortalecimento e é inadmíssivel qualquer retrocesso”, declara Dinarte da Páscoa Freitas, presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef).
Ainda para o Presidente da ANADEF: " a atitude da Presidência da República em ajuizar essa demanda é uma forma de forçar um entendimento jurídico inexistente na Constituição Federal com o claro objetivo de impedir o desenvolvimento da instituição, com o manifesto objetivo de prejudicar e diminuir o direito universal de acesso à justiça. As diversas recomendações das Cortes Interamericanas mostram a clara necessidade de defender a autonomia das Defensorias Públicas."
A Anadef destaca ainda que a ADIN vai na direção oposta a diversas recomendações expressas em tratados interamericanos que ressaltam a importância de uma defensoria pública autônoma e fortalecida. O ato é uma verdadeira afronta contra a principal órgão de democratização do acesso ao Sistema de Justiça.
A Presidente da República afrontou ainda todo o processo de construção e decisão do Parlamento Federal que de forma unânime aprovou e reconheceu a necessidade de fortalecer a Defensoria Pública da União por meio da sua autonomia.
como sempre acordando tarde o Governo Petista.....
AFinal, quando o Congresso votou teve o aval da área econômica do Governo Federal, mas este pessoal do PT é muito incompetente e não sabe fazer conta mesmo.
Deveriam ter barrado a votação, no ano passado era fácil, isto, apenas foi votado porque a equipe econômica da Dilma era muito incompetente.
Governo mais corrupto do planeta move a máquina judiciária contra uma das poucas instituições publicas que atuam em favor da população pobre!!! Lamentável!!! O STF não será respeitado nem por gente de porta de cadeia se decidir a favor do governo!!!!
E P.E.C é lei pra ter vício de iniciativa como proposto pela AGU?
Entendo ser óbvio que a emenda constitucional não trata sobre regime jurídico dos servidores públicos, hipótese em que, aí sim, haveria inconstitucionalidade por vício formal de iniciativa. A E.C. tratou apenas da autonomia da DPU.
Se se for positivista, é verdade, nos termos da CF de fato há vicio na iniciativa do projeto, improprio à DPU.
Mas a importância que sobreleva é que quer está aumentar os vencimentos da carreira, a fim de não haver êxodo par outras searas jurídicas. Essa medida parece bem corporativista, ao se utilizar dessa argumentação para obter reajuste. Ora, se for dessa forma, delegados, escrivães, agentes, advogados da união, procuradores, peritos logo solicitaram autonomia para obterem reajuste salarial também. É o jeitinho brasileiro de sempre..
Ladrão que rouba ladrão , tem cem anos de perdão .
E mais uma vez a presidenta Dilma e o PT demonstram como estão tratando o povo pobre desse país! Atacando a instituição que os defende! Quanto ao AGU, suas atitudes anti-republicanas não são novidade, pois há um bom tempo os nobres membros concursados das carreiras da AGU vêm denunciando as tentativas deste capacho do governo, de desestruturar esta tão relevante instituição, que tem a importante missão de defender o Estado brasileiro, e não o político de plantão! Abram o olho, pois eles não vão parar por aí! Acorda Brasil"
Essa ADIn pretende, em síntese: firmar a tese de iniciativa privativa pra EC, o que seria novidade em nosso ordenamento jurídico; e/ou inaugurar a tese de que somente o Constituinte Originário poderia conceder autonomia às instituições.
No fundo, o que pretende o AGU é diminuir os privilégios que a DPU vem se autoconcedendo em razão de sua autonomia, o que seria até louvável, se o Poder Judiciário e o Ministério Público também não estivessem se concendendo privilégios abusivos a pretexto a autonomia institucional que possuem, vide: auxílio-moradia; gratificação por acúmulo de trabalho; auxílio-formação para dependentes em valores absurdos; auxílio-alimentação em valores excessivos e uma série de benesses injustificáveis.
Assim, ou moraliza pra todos (PJ, MP, DP e Adv. Publ,) e o Executivo abre diálogo com o Judiciário e o MP pra cortar esses benefícios, ou abre logo as torneiras pra todos, porque uma coisa é certa: AS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA SÃO IGUAIS ENTRE SI, devendo haver identidade de tratamento institucional, dada a relevância de todas para a prestação jurisdicional.
Essa ADIn pretende, em síntese: firmar a tese de iniciativa privativa pra EC, o que seria novidade em nosso ordenamento jurídico; e/ou inaugurar a tese de que somente o Constituinte Originário poderia conceder autonomia às instituições.
No fundo, o que pretende o AGU é diminuir os privilégios que a DPU vem se autoconcedendo em razão de sua autonomia, o que seria até louvável, se o Poder Judiciário e o Ministério Público também não estivessem se concendendo privilégios abusivos a pretexto a autonomia institucional que possuem, vide: auxílio-moradia; gratificação por acúmulo de trabalho; auxílio-formação para dependentes em valores absurdos; auxílio-alimentação em valores excessivos e uma série de benesses injustificáveis.
Assim, ou moraliza pra todos (PJ, MP, DP e Adv. Publ,) e o Executivo abre diálogo com o Judiciário e o MP pra cortar esses benefícios, ou abre logo as torneiras pra todos, porque uma coisa é certa: AS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA SÃO IGUAIS ENTRE SI, devendo haver identidade de tratamento institucional, dada a relevância de todas para a prestação jurisdicional.
Cuidado com o modelo de Estado que queremos, agora autonomia DPU, daqui a pouco da própria AGU, depois da PF, por fim, exército também vai querer autonomia...
Cuidado com o modelo de Estado que queremos, agora autonomia DPU, daqui a pouco da própria AGU, depois da PF, por fim, exército também vai querer autonomia...
Autonomia somente para quem é autônomo.
Se depende do sustento alheio...
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