Abstract: A coluna trata da (in)tolerância e usa como pano de fundo um tango argentino feito em 1934. Uma das frases do tango está no título. E, no fundo, a coluna é uma ironia profunda com Pindorama. Tudo o que estamos passando…
Um filósofo liberal (por favor, não vamos brigar com — e por causa — [d]esse epíteto, porque, como verão na sequencia, a coisa começa por aí) como Karl Popper disse:
"A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estamos preparados para defender uma sociedade tolerante contra os ataques dos intolerantes, então, os tolerantes serão destruídos, e a tolerância juntamente com eles. […] Devemos, portanto, em nome da tolerância, reivindicar o direito de não tolerar os intolerantes.” "
Esse enunciado de Popper serve para muitas coisas. Penso que pode ser aplicado às relações entre articulistas da ConJur e os leitores. E aos frequentadores das redes sociais. E às relações entre os poderes da República.
Vamos lá, então. Os artigos e as colunas da ConJur não devem ser o espaço para o extravasamento da intolerância dos leitores. Devemos defender os articulistas do ataque dos intolerantes. Críticas podem ser feitas de forma respeitosa. E, mais: se o articulista-colunista escreve sobre “fazendas”, não ponha comentários sobre igrejas, sexo, automóveis ou impeachment. E também não faça comentários sobre “roupas”, porque leu rapidamente e achou que o escrito era sobre outro tipo de… fazenda.
Com efeito, lendo as colunas e artigos publicados na ConJur constato uma coisa simples e prosaica: não importa o conteúdo do que se escreve. O que importa é o ódio de uma parcela de leitores que goza com a raiva contra os colunistas. Há um tipo de leitor que fica esperando algumas colunas para… gozar. Como a raposa no Pequeno Príncipe: se tu vens as quatro da tarde, desde as três sou feliz… Algo como “desde quarta à noite já sou feliz porque gozarei na quinta a partir das oito”. Li um comentário à coluna de Jacinto Coutinho do último sábado e fiquei pensando: quem é o fulano-comentador que se arvora no direito de dizer que o texto de Jacinto é falacioso ou outros adjetivos? Lendo a coluna de Ingo Sarlet dia desses, verifiquei que um leitor disse que atiraria fora os livros de Sarlet. Poxa. Por que esse ódio na internet?
Poucos suspendem os seus pré-juizos. Escrevem a partir do seu senso comum mais comum possível. Alguns se escondem atrás de acusações genéricas aos colunistas. Li na última semana um comentarista insinuando inópia ou apedeutice do colunista (ou dos colunistas da ConJur), algo como “oh, como eu sei as coisas e os colunistas da ConJur são burros; que injustiça eu não estar nesse rol”). Meu conselho ao “pedeuta” (sic) já que os colunistas são Apedeutas: Mande uma carta para o Papai Noel pedindo uma coluna de presente.
Veja-se o nível: No artigo em que escrevi com Cezar Bitencourt, um comentarista, para esculhambar com o que escrevemos, fez uma ode à China e o fato de que lá, há dias atrás, tinham executado um corrupto com um tiro na cabeça. Para o comentarista, assim é que se combate a criminalidade. Viva, não? Quem sabe adotamos isso em Pindorama?
Alguns comentaristas se especializaram em hate speeches. Por exemplo, a coluna de Jacinto deveria ser recortada e colocada nas portas dos fóruns e tribunais de Pindorama. Mas, não. É objeto de preconceitos e de um discurso de várzea que cai na dicotomia bem pindoramense: ou você é petista ou você e anti-petista. Quanto desperdício de energia. Deveriam ler livros. Sim. Ler é uma atividade interessante. Na minha página do face, um leitor escreveu acerca de meu comentário sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin (voto aberto): chamou a ambos (Fachin e a mim) de petralhas. Genial, não? Grande comentário. E se Fachin mudar o voto? Ele se torna um coxinha?
Com relação à coluna que tratou do TCC e o tal “direito dos manos” (sic), ocorreu a mesma coisa. Na verdade, a coluna foi um teste. As colunas sofisticadas sobre temas reflexivos não chegam a mil recomendações ou 3 mil acessos. Esta sobre o TCC recebeu mais de 9 mil recomendações e mais de 18 mil acessos. Que tal? O que interessa mais aos leitores, afinal? Não, não é preciso responder. A pergunta foi retórica.
Haters gonna hate
Cada semana se repete a ladainha da raiva. O leitor Alexandre (que na verdade, inspirou-me a escrever este texto) foi no âmago da coisa, ao escrever “haters gonna hate”, verbis: Acho que é esse o espírito de alguns comentaristas aqui, que acham que faz sentido um TCC feito em 4 dias cujo, segundo a própria autora, reflete posicionamento de matérias de jornais e revistas”. O leitor Victor do Nascimento disse: “Até aqui Fla-Flu?: A principio, já achei bastante assustadora a notícia sobre o TCC, denunciado pelo Profº Streck. Mas, quando tive a curiosidade de ler os comentários, o episódio do TCC deixou de parecer tão grave, na medida em que foi superado pelas substanciosas ponderações prestadas em alguns comentários. Como um artigo tratando sobre a má-qualidade do ensino jurídico — ilustrado pelo TCC que foi aprovado "com louvor" — em nossa querida pátria educadora ganhou esse viés político? Essa parece ser uma nova tendência, também no meio "jurídico". Bingo, Victor. Binguíssimo. O advogado Bruno Roso também chama a atenção para o que está ocorrendo, verbis: “O nível dos comentários ilustra com perfeição a crítica do Professor Lênio”. E, pronto. E, vejam: a minha preocupação com os haters vem acompanhada por vários comentários, como o de Thiago, que, corretamente, alerta para o fato de que estes (os haters) estão aumentando em número, gênero e grau. Exato, Bruno. De todo modo, homenageio aqui a leitora Lanaira, que finalizou bem o seu comentário respondendo a uma (gratuita) crítica de um promotor de Justiça: “que criticazinha”. Bingo, Lanaira. Matou a pau, sendo intolerante com um intolerante (Lanaira foi popperiana, por assim dizer). Portanto, vejam: os próprios leitores respondem aos haters.
Por favor, paremos com esse discurso de ódio. Essa várzea tem de acabar. Não queria dar razão a Umberto Eco, mas acho que ele estava certo quando disse que a internet é o lugar em que os idiotas perderam a timidez. Bingo, Umberto. Pelo menos no caso concreto, das colunas de Jacinto, Ingo e as minhas (e as do Diário de Classe). Ah: a expressiva maioria dos leitores da ConJur são militantes da área do Direito. Sofrem — e como sofrem — no dia a dia com as idiossincrasias forenses (estou sendo generoso e eufemístico). Não se dão conta — me refiro, é claro, aos epistemical haters — que, se eles fazem assim, ideologizando e flafuzando tudo, por que esperar conduta diferente de juízes e promotores nos seus processos? Claro: não quero que os leitores da ConJur ou os que escrevem nas redes sociais ajam por princípio; não há problema em fazer ações estratégicas; mas, por favor, há que colocar um mínimo de racionalidade nos dizeres. Por que ideologizar tudo?
A coluna é curtinha. Encerro com um tango composto em 1934 por Enrique Santos Discépalo, com o qual meu amigo Ernildo Stein me homenageou por ocasião de meu cumpleaños no dia 21 de novembro: “Vamos, amigo Lenio pensar juntos no teu aniversário com a musicalidade do tango Cambalache” (ouça aqui o tango):
Que el mundo fue e será / una porquería, ya lo sé. … Hoy resulta que es lo mismo / ser derecho que traidor,/ ignorante, sabio, chorro,/generoso o estafador…/ todo es igual!/Nada es mejor!/ Lo mismo un burro/ que un gran profesor./No hay aplazaos ni escalafon,/ los ignorantes nos han igualao./……Que falta de respeto,/ qué atropello a la razón! Cualquiera es un señor,/cualquiera es un ladrón…/…… Siglo vinte, cambalache/problemático y febril…El que no llora no mama/y el que no afana es um gil……..No pienses más; sentate a un lao,/que a nadie importa si nasciste honrao…/ Es el mismo el que labura/ noche y día como un buey,/ que el que vive de los otros, /que el que mata, que el que cura,/ o está fuera de la ley…1
Obrigado, querido amigo Ernildo Stein. Foi muito bom nos encontrarmos na Dacha no dia 12 último, juntamente com os meus orientandos que labutam no Dasein-Núcleo de Estudos Hermenêuticos (ver aqui a foto).
Sigamos todos na luta, sem discursos raivosos. Saludo! Vamos separar o joio do trigo. E não fiquemos com o joio. Se alguém gosta de insultar, deveria ler pelo menos um cara sofisticado sobre o assunto. Falo de um livro famoso de Henry-Louis Mencken chamado O Livro dos Insultos. Só que era um primor de crítica ao establishment e ao senso comum. Sobre a fragilidade humana e a possibilidade do erro, não dizia: o homem é um imbecil. Dizia assim: “Se a verdade é sempre mal recebida pelo homem, o erro é recebido de braços abertos”.
E para quem gosta de ficar dizendo “ah, o colunista sofistica…; ah, isso tudo é muito filosófico; ah, na prática a teoria é outra” e outras simplificações desse jaez, o mesmo Mencken tem uma frase lapidar: “Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada”. Bingo, Henry-Louis Mencken!
Post scriptum: a coluna é fechada no início da tarde de quarta; tudo o que ocorre depois não pode ser incorporado.
1 Que o mundo foi e será / porcaria, eu já sei. … Hoje dá no mesmo / ser correto e traidor, / ignorante, sábio, punguista,/ generoso ou estelionatário / tudo é igual! / Nada é melhor ! / São o mesmo um burro e um grande professor. / Não há notas ou mérito, / os ignorantes nos igualaram. /… Que falta de respeito, / que atropelou a razão! Qualquer um é um cavalheiro, / qualquer um é ladrão… /…… Século vinte, cambalacho/problemático e febril … Quem não chora não mama / e quem não engana é um trouxa…. Não penses mais; senta-te ao lado que ninguém se importa se nasceste honrado/ É o mesmo àquele que trabalha / noite e dia como um boi, / que àquele que vive às custas dos outros / é o mesmo aquele que mata e aquele que cura, / ou o que está fora da lei…

Sou um assíduo leitor da coluna "Senso Incomum" e admiro o trabalho do Professor Lênio Streck, muito embora não tenha o hábito de tecer comentários.
Hoje, porém, saio de minha zona de conforto - acredito que todos, hora ou outra, deveriam fazer o mesmo - e arrisco escrever algumas linhas, ainda que poucas, sobre o texto acima.
Primeiramente, gostaria de congratular ao Professor Lênio pelo escrito. Como é habitual, um texto de leitura agradável e sobre tema interessante.
Seguindo, tenho por costume ler comentários. Há de tudo. Há comentários inteligentes, que realmente contribuem com o texto a que se referem. Há outros, no entanto... E esses é que são - pelo que vejo, logo não existirem estatísticas sobre - a maioria. E a "maioria da maioria" são críticas. Críticas feitas a partir de pontos de vista pré-concebidos, gestados no senso comum "comum", sem grandes reflexões. De fato, critica-se por criticar. Creio que, se muitos "críticos" procurassem descer fundo nas suas críticas em busca dos seus fundamentos e da lógica tomariam um susto: não se moveriam mais que milímetros. Parece-me que as críticas não são mais do que "discursos-contra". A verdadeira crítica, aquela que apresenta o contra-ponto, a antítese (ou anti-tese, como queiram) da tese exposta pelo autor no texto criticado, é difícil de se ver nos dias de hoje. A bem da verdade, a maioria dos comentários ataca o autor e não a ideia trazida no texto. São críticas que, a pretexto de irem contra o escrito, usam do "argumentum ad hominem" como fundamento. São mais xingamentos do que críticas. Aliás, não creio que uma boa crítica, aquela feita de forma reflexiva, com a análise dos argumentos combatidos e dos fundamentos que a (crítica) sustentam, possam reduzir-se a 150 ou 1780 caracteres.
Sensacional!
Excelente texto. O texto do professor Lenio denuncia, para além dos sintomas da crise do ensino jurídico, a face autoritária que se imiscui em certos discursos “intelectuais”. Infelizmente, ainda subjaz a ideia do intrépido intelectual, o “dono” da verdade (sem nem ao menos saber-se de suas raízes transcendentais). Discussões são precisas, luta-livre nos comentários não. As criticas vazias plastificaram os sentidos.
Prof.,
O pior de tudo são comentários que rogam que o senhor deixe de falar da magistratura, e apenas comente sobre advocacia e ministério público, como se cada carreira tivesse um ordenamento jurídico singular. Ou pior: ordenam-lhe, para que tenha legitimidade no discurso, que "passe em concurso para juiz". E isso é, naturalmente, reflexo dessa "cultura" jurídica de concursos, e seus desdobramentos estapafúrdios do tipo "em prova de defensoria diga isso, mas em prova de MP diga o contrário...". Imaginam-se, penso eu, no apogeu da inteligência humana, apenas porque conseguiram decorar muita informação. Acumularam muita informação, que imaginam esgotar o que se pode saber sobre o direito, mas têm verdadeiro horror ao conhecimento. Julgam-no alheio à realidade. Triste.
Já são 10:30 e cadê os inúmeros comentários??? Sou a favor das coisas boas, dos pensamentos interessantes, do que for melhor.
A raiva ou o ódio de nada serve, não ajuda e nos faz perder a lucidez. Posso não concordar ou não ter opinião sobre tudo que o colunista expõe, mas devo respeitá-lo. Ademais, temos de ser educados com o próximo e creio ser este, um espaço ideal para debater e expor nossas diferenças. A coluna de hoje expõe as mazelas da cultura brasileira. Mais uma vez, de forma inteligente, os agressores são expostos. Eu teria vergonha, mas o que é isso mesmo?
Caramba, e não é que o Ministro Fachin tornou-se coxinha! Como não tenho estagiário, levanto eu mesmo a placa com a inscrição “ironia”!
O Sr. só experimentará do verdadeiro ódio quando comentar a decisão de bloqueio do zap!
Na minha convicção, as críticas (se é que escritos deste tipo seriam"críticas") desqualificadoras sobre (tentando ser sobre algo - em cima de -, quando é muito abaixo - sob, mesmo -) o autor, e sua opinião, são pautadas em quê? Seriam frutos de leituras de manuais resumidos e descomplicados? Isso quando muito! Certamente, não passam estes "gênios comentadores" de seres sem inteligência emocional. Leitores de, no máximo, gibis. Esqueceram de crescer. De todo modo, viva a liberdade de expressão, mas lembre-se de vivenciar a liberdade de pensar antes de publicar. Pensar o pensamento! Será isso tão difícil?
Concordo com o que fora dito pelo colega Igor Rodrigues. Ainda que não compartilhemos dos argumentos apresentados pelo articulista, devemos tratá-lo com respeito. Não se pode usar do direito de livre opinião para promover ataques odiosos às opiniões contrárias.
O tema da coluna me lembra uma entrevista do Manuel Castells, que foi mencionada pelo professor Fauzi H. Choukr no JusBrasil: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/ 05/1630173-internet-so-evidencia-violenc ia-social-brasileira-afirma-sociologo-es panhol.shtml . Obviamente a falta de simpatia não é privilégio nosso, e quem afirma o contrário, sempre tende a colocar o "antipático" como sendo o outro(que não é "cidadão de bem"). A síntese dele sobre o tema é ótima: " Na rede, não há constrangimento e se abre a possibilidade de expressão espontânea da sociedade.
E o que ocorre? Nos damos conta de que a sociedade não é tão boa e angelical como gostaríamos que fosse.
Vemos que, na verdade, a sociedade é bastante má. No Brasil e em todos os outros países. "
Também não sou santo, tenho vontade de ser intolerante, e às vezes não só contra aqueles que parecem ser intolerantes(o "tolerômetro" também é muito subjetivo, e circunstancial também), mas contra aquilo que me desagrada também. Porém, acho bom evitar falar a primeira opinião que passa pela minha cabeça, ou aquela "verdade" que me parece firme, mas que eu sei que carece de fundamentos e reflexões mais profundas. Mas é impressionante como há alguns comentaristas que agem como "moscas no mel", sempre reagindo feroz e obsessivamente contra determinados temas, como se tivessem obsessão em "persegui - los" e"derrotá - los". Vá saber? Para eles, essas opiniões a qual dão tanto combate devem ser os seus moinhos de vento transformados em dragões.
Estou aqui na CONJUR há muitos anos entre os comentaristas. O lugar é ideal para se aferir como andam as inclinações da comunidade jurídica, e a forma com que os coadjuvantes da administração da Justiça reagem quando instigados ou "liberados" a se expressarem. O cenário é tenebroso. O País foi tomado por um sentimento coletivo de que "o direito é aquilo que eu quero que seja", sem nenhuma preocupação com a cientificidade ou a racionalidade. Porém, não podemos culpar a todos. Essa irracionalidade vem sendo ditada, ou melhor, imposta, pelas próprias instituições "republicanas", na medida em que o caos impera no Estado brasileiro. No Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria, e na Administração em geral, 2 + 2 podem ser 4 ou 8 ou 25, dependendo das necessidades e do "gosto de freguês". Veja-se pela "notícia do dia", por exemplo, que uma Juíza determinou bloquear um aplicativo de telecomunicações utilizado por 50 milhões de cidadãos, tudo "na estrita legalidade". Como você vai ensinar o estudante ou o profissional da área a raciocinar e pensar cientificamente com exemplos dessa magnitude?
Se o Dr. Streck perambulasse por alguns lugares da Web, como é o meu caso, provavelmente criaria "calos cerebrais".
São tantos comentários descabidos, feitos pelo simples prazer de gerar discórdia, que não consigo mais sequer me dar ao trabalho de responder as abobrinhas que acho por aí.
Nesse sentido, sigo o entendimento de Rawls (A Theory of Justice, 2005):
"While an intolerant sect does not itself have title to complain of intolerance, its freedom should be restricted only when the tolerant sincerely and with reason believe that their own security and that of the institutions of liberty are in danger".
No tocante ao comentário de Umberto Eco, devo discordar. A internet apenas ampliou o espaço para que toda sorte de idiota propague sandices.
Idiotices sempre foram espalhas aos quatro ventos. O que temos, se me permite cunhar a expressão, é a "democratização da idiotice".
Editada a Constituição de 1988 o que se esperava era a aplicação equilibrada de direitos e obrigações. Porém, os primeiros assumiram primazia com relação às segundas, e ocorreu o enfraquecimento do Estado na proteção dos destinatários das prerrogativas jurídicas, descumpridas, ainda, por parcela considerável da "massa ensandecida".
As agressões escritas sofridas pelos articulistas, integrantes do Conjur, constituem reflexos da violência que atinge o território brasileiro, de nossa leniência com o erro alheio, com a inversão de valores, defendida por alguns quando são favorecidos, e criticada no momento em que são prejudicados. Note-se que a situação da comunidade nos três níveis, político, econômico e social se encontra em estado notável de tensão, tudo colaborando para ruptura institucional. Mais a mais, muitos estudiosos não conseguiram captar as graves imperfeições da sociedade brasileira, e se surpreendem quando os seus burilados conceitos constitucionais não encontram ressonância prática, sendo fustigados pela própria realidade.
O Professor Lênio tenta o pneumotórax ao som de um tango argentino. Sensacional!
Lênio, leio semanalmente sua coluna e sempre a aguardo como a raposa. Mas não sou um hater. E até já tive a honra de ser citado pelo senhor em outra coluna. Sobre o tema desta coluna, a abordagem foi excelente. Não pensei que os haters fosse ser objeto da fina filosofia. Esse problema é generalizado! Em tudo que é blog que leio há sempre esse flaflu tedioso e essas rotulações. Mas o hater sai às ruas e os ataques virtuais tem se tornado reais. O Leonardo Sakamoto, p. ex., tem uma patrulha que o vigia dia e noite. O caso do TCC não comentei, mas li os comentários e vejo o quão absurdo está a situação. Como você diz: vamos estocar comida e fugir para um bunker. Ao contrário do que diz nosso nobre deputado, pior que está fica sim.
Para quem foi gestado na ditadura é óbvio que seja autoritário.
Naqueles tempos a lei era a do delegado de plantão, por isso, os direitos hoje superam as obrigações, principalmente, quando se observa a horda de pessoas, que investidas de poder e/ou anonimato, cometem toda a sorte de descalabros, seja por meio do ódio, seja por meio de decisões estapafúrdias como essa do whattsapp.
A nobre juíza, que tantas outras medidas coercitivas poderia adotar, escolheu a pior, a que ofendeu milhões de brasileiros.
Andy Warhol vaticinou os 15 minutos de fama.
A má gistrada já os teve.
Os violentos, os haters, germinados na exceção, também querem, só não têm coragem.
Se não tomamos contato com discursos ignorantes diretamente, como podemos nos resguardar diante deles no cotidiano, saber identificá-los de antemão e já adotar a postura cabível?
Para cada artigo ou notícia que vejo faço questão de ler os comentários. Engraçado como discussões de pessoas com o mesmo pensamento seguem a seguinte linha de análise: 1. verificar se a linguagem escorreita foi empregada, ridicularizar erros encontrados; 2. Ver se há erros conceituais nos termos utilizados e achar disparidades para sub-repticiamente afirmar que o interlocutor tem um conhecimento superficial do assunto; 3. Adaptar a crítica ao ofício, convicção política ou posição social, fazendo a pessoa ter vergonha de quem é. Tudo derivado da falácia ad hominem.
Lenio poderia utilizar da paralaxe cognitiva para uma autoanalise, se estiver em busca da verdade. Adoraria ler sobre isso!
a partir de agora, ninguém pode criticar nenhum comentarista do conjur. esse será o senso comum!
opa, a coluna não deveria ser incomum?
Gosto muito dos seus escritos.Sinceramente.Mesmo quando discordo, do alto (ou será lá de baixo) da minha ignorância nas Ciências do Direito, considero suas colunas a pausa necessária para reflexões importantes. Assim como colunistas de Jornais e Revistas que escrevem no sentido de forçar a reflexão e não dar tudo mastigado para ninguém ter o que pensar, apenas o que torcer(no sentido de torcida, mesmo).
Só me incomoda, devo ser sincero, este clima que acaba por deslustrar - um pouco - o que escrevi acima.
Me parece que alguns tecem loas ao colunista para "ficar bem na foto", por assim dizer.Pois alguns comentários nada acrescentam (com as devidas vênias). Parece aquele torcedor que grita da arquibancada "É isto aí Neymar", como se quisesse, com este estímulo, se sentir partícipe da jogada do atual mestre da bola...
Enfim.
Sucesso sempre e bom final de ano para todos nós.
Sabe que é até charmoso ser censurado. Mostra que a coluna não aceita aquele que pensa diferente.
Crítica, sendo ela bem formulada e construtiva, sempre é bem vinda e leva a novas reflexões (superação ou concordância a ela). O que não pode é pretender criticar sem fundamento, racionalidade e o mínimo de elegância (educação). É buscar atingir a pessoa e não o trabalho intelectual (artigo). É, na verdade, pura dor de cotovelo. Mas, também, o que esperar de uma sociedade que se presta a discutir (ou transmitir) video de traição e suas demais facetas e montagens ao invés de, efetivamente, debater o problema que o país está enfrentando. Na verdade hoje impera o lema ou você está a meu favor e adota meu posicionamento ou contra e aí você é meu inimigo. Ó mundo cruel....
Causa-me estranheza ver um hater (em especial da Defensoria e dos concursos públicos) criticando outros haters.
Sugiro que os próximos artigos críticos venham acompanhados da proposta de solução do problema (algo até então não visto). Talvez, assim, os "ataques" diminuam consideravelmente.
Popper, ao criticar o critério de demarcação aventado pelo positivistas, propôs o da falseabilidade. Ou seja, todo enunciado permance válido e universal até que seja infirmado. Bela lição. Porque tanto medo dos discursos que objetam, seria e maduramente, os enunciados dos autointulados hermeneutas? Quantos melindres e suscetibilidades um tabareu autodidato produz simplesmente porque questiona com base em autores mundialmente reconhecidos (lacan, zizek, badiou, hegel e outros dialéticos) as assertivas do colunista, as quais estão e devem estar sujeitas ao uso público da razão como diria Kant?
Zizek mostra como a tolerância é uma categoria de desorientação e que os problemas socias não devem ser vistos o prisma dela (a tolerância).Badiou revela como o vitimismo assumiu a figura do bem e toda postura ativa é obliterada. Como é edificante falar desde o lugar da vítima!!! Como produziremos uma catarse, mas que tudo ficou no mesmo lugar. Aliás, muitos são os que querem que tudo fique no mesmo lugar, na mesma serialidade (para usar um termo do dialético Sartre), mas de quando em vez emitem um lamento, um breve, efêmero lamento que o mundo não ouve, mas onde algo de verdadeiro reboa, responde com um trovada de jovens reunidos sonhando com coisas realmente grandes, tais como a poesia, o amor e a Igualdade. Quem tem estes sonhos não colima holofotes; sabe, serenamente, com Rimbaud, que é melhor reinar no autêntico silêncio do que no arruído, no bulício que se esfuma com o passar dos anos.
Por que vejo crescer entre os jovens o interesse por Marx, Hegel, Sartre, e, no caso do direito, por Roberto Lyra?
É um sintoma de que alguns discursos estão, para citar Carlos Gardel, cuesta abajo e que chegou a hora de reiventar a vida sem lamúrias.
Com todo o respeito, esse foi um dos piores artigos do prof. Streck aqui no Conjur. Uma bobajada de quem não sabe conviver com críticas. E não digo isso por ser "hater", mas por identificar no artigo do professor um claro descontentamento com a discrepância ideológica entre ele e alguns comentaristas, e não um libelo contra a intolerância.
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Ora, o professor Jacinto foi alvo de críticas, algumas delas bem duras, porque comparou a Lava-Jato com o NAZISMO e, pasmem, com a Jihad islâmica! Todos tem direito de discordar do hiper-garantismo, máxime quando permeado por comparações esdrúxulas e por maniqueísmo da pior cepa.
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Valho-me de uma máxima popular, oriunda do senso comum (apenas mais uma leve provocação ao douto professor): quem fala o que quer, ouve o que não quer. Quer dizer aos quatro ventos que o Moro e o MPF agem como nazistas? Pois diga, mas depois não me venha reclamar da carga crítica dos comentários daqueles que discordam. Quer comparar a Lava-Jato com a Guerra Santa dos fundamentalistas islâmicos? Faça-o, mas o exagero retórico provavelmente estará presente também nas críticas à comparação.
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A verdade é que, fora um ou outro feudo hiper-garantista no Judiciário e, principalmente, na Academia, o articulista e alguns de seus associados estão isolados na sociedade. Ao menos no que toca a alguns temas mais sensíveis aos brasileiros neste momento (rigor penal, combate à corrupção, efetividade da persecução criminal, etc). Ao meu ver o artigo desta semana nada mais reflete do que o desgosto do articulista em razão de seu isolamento, e não uma justa crítica à "intolerância" dos que criticam em demasia.
"desgosto do articulista em razão de seu isolamento"? Ainda não vi a doutrina e as ideias de Lenio Streck escritas em muros ou em letreiro de ônibus, mas creio que é questão de tempo. Agora, falar em "isolamento"?
Em parte, tem razão o professor.
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Críticas baseadas em ataques pessoais não deve(ria)m ser admitidas ou levadas em consideração. As ideias é que devem "brigar".
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Comentários dissociados do conteúdo do(s) texto(s), também se mostram descabidos. Cada coisa tem seu lugar.
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Todavia, críticas contundentes, "pesadas", fazem parte do debate. Os argumentos contrários, por mais que sejam ásperos, provocam o debate, que é justamente o que se supõe pretendido por colunas como as do professor Lenio Streck. Isso deve ser rebatido com réplica, com contra-argumentos. Refutar um argumento contrário com ataques personalizados, do tipo "você não leu", pelos mesmos motivos não parece ser postura válida.
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Em síntese, na linha do que o próprio professor costuma defender, com base em Habermas e outros estudiosos, deve prevalecer a lógica discursiva. Argumentos contra argumentos.
Incomoda, de fato, o extremismo daqueles que se valem do capuz da tela do computador para desferir ataques pessoais e comentários desconexos. Entendendo, contudo, que pela envergadura filosófica e de conhecimento do articulista, deveria (may e não must) verter a coluna a temas mais relevantes. Quem lida e usa redes sociais sabe que Haters sempre existiram independentemente de qualquer represália, saibamos lidar com eles da melhor forma: ignorando. Pela admiração que guardo pelo articulista espero mais substância na próxima semana
Incomoda, de fato, o extremismo daqueles que se valem do capuz da tela do computador para desferir ataques pessoais e comentários desconexos. Entendendo, contudo, que pela envergadura filosófica e de conhecimento do articulista, deveria (may e não must) verter a coluna a temas mais relevantes. Quem lida e usa redes sociais sabe que Haters sempre existiram independentemente de qualquer represália, saibamos lidar com eles da melhor forma: ignorando. Pela admiração que guardo pelo articulista espero mais substância na próxima semana
Debalde, a tentativa de, com arrimo em Popper, marcar os comentários dissidentes de "intolerantes". Que mal há em apontar os equívocos de quem se propõe à escrita? Alguém disse: à primeira vista, todo texto é suspeito. Por que o articulista não se retratou, quando, infantilmente, fez de Althusser um funcionalista? Não ouviste Bachelard, a propósito do "senso do fracasso"? Provincianos que somos, teimamos em confundir "validade" com "autorização". Isto é, não há se pensar que, por serem autorizadas, certas vozes são válidas. Ademais, excelente discurso de autoridade. Ora, quem discorda, só pode ser invejoso, não? Reivindicar coluna? O que é isso, rapaz? Mais uma vez, lanço mão de Drummond. O que temos - ora essa! - é o discurso vivo, legitimado pela visibilidade de quem fala. Outro ponto: a quantidade de compartilhamentos dos tais textos. Tem graça, velho Graciliano? Podemos levar a sério os supostos intelectuais brasileiros? Será que Atienza, quando da crítica do patrício que nos fala, fez menção à quantidade de curtida? Em falta de conteúdo, necessita demonstrações de poder? Acaso ser colunista é atestado de capacidade? Enquanto estudante, digo-lhe: os muitos que te seguem o fazem por medo. Fácil manter-se atrelado a um pensamento que não possui força para romper, ao discurso que diz ao dono da poltrona que esta é-lhe um direito adquirido, não há quem tome. Recorramos à história do pensamento. Só em raríssimas vezes, qualidade e difusão de uma obra coincidiram. Um intelectual, dentro da concepção que deu, ao termo, Milton Santos, quando começa a agradar muito, sabe que tem de parar e refletir. O discurso contundente fere e ninguém quer carregar, como diz Caetano, uma ferida acesa.(Belchior já não prefere o tango. Retratou-se, quer blues novamente.)
O Direito não pode fugir da realidade e a realidade não pode fugir do Direito. Vivemos período de exposição maciça da pior faceta da política brasileira. Isso provoca reações fervorosas de pessoas que não suportam mais ser enganadas e as instituições demoram responder os anseios de libertação. Somada a deficiência educacional (desde a educação moral e cívica) com o fervor da ocasião e a liberdade irrestrita de expressão que a internet permite, fácil observar atitudes extremadas. Esse é o verdadeiro problema, a cultura moral e cívica deficitária deste país, que permite a exacerbação tanto em posições de expressão e até intolerância na dialética, como também permite o abuso do fisiologismo político causador de tantas indignações.
Quanta (in)tolerância usada como pano de fundo para desfilar justamente o oposto direito da superioridade de quem se engabela de ler livros e de desfilar um silopsismo intelectual movido a vaidades herméticas.
O enunciado de Popper serve para muitas coisas, inclusive para contestar quem ousa desafiar a crítica, chamando-a de imbecil. Ao dizer que "...Na verdade, a coluna foi um teste (...) " e que "Essa várzea tem de acabar", o hater é que salta como a cobaia-alvo de um discurso de ódio.
Matérias e abordagens cultistas deste quilate, sofisticamente, acabam-se voltando contra os leitores da ConJur, todos rebaixados a um grau cultural inferior.
Ora, idiossincrasias não são cometidas somente nos meios forenses, mas também entre os doutos e na internet.
A fachada do senso incomum não tem trazido sequer "uma solução simples, elegante e completamente errada” sobre qualquer tema que não seja o que atenda ao silopsismo eucêntrico incorporado por algus articulistas que visam ao afago... pobres do resto, reles mortais !!!
De modo simples: há indignação com o que os leitores escrevem em seus comentários, porque o articulista gosta do debate. Direito é linguagem, mas não ofenda o direito de opinião com a sua linguagem afiada, caro leitor.
Certa está D. Florinda sempre que convida o Kiko! "Não se misture com essa gentalha". Brincadeiras a parte, realmente os mal-amados (as) e mal formados (as) sempre aparecem em todos os cantinhos da Internet lançando aos quatro cantos, as suas frustrações, aborrecimentos, mal humor etc...
Queria desde já pedir desculpas aos colegas fãs da gramática pelo uso indevido do "cujo" e pedir que eles não apareçam com tochas e ancinhos na porta da minha casa.
Fazia um tempo que não comentava por aqui, pois estava cansado de ler comentários ofensivos, ao Colunista, ou a pessoas referidas na coluna. Mesmo quando o Autor deixa implícito um pedido para serem feitos comentários e críticas construtivas, limitadas ao debate proposto, as ofensas continuam. Se é para ofender, para que perder tempo lendo a coluna?
E o pior é que não é só aqui. Basta fazer comentário no facebook e já aparecem comentários raivosos. Um pouco mais de empatia com o autor e com a proposta do texto fariam muito bem.
A coluna é um desabafo muito bem vindo. Parabéns Prof. Lenio.
Cumprimentos ao professor.
Acredito que a coluna caiu como uma luva considerando a fase que passamos agora. Como bem colocado, os haters estão por toda a parte e confesso que adoro ler os comentários (tanto em redes sociais, como em sites de notícias e aqui no Conjur). O que mais chama atenção realmente é o fato de muitos não demonstrarem conhecimento algum sobre o assunto, mas mesmo assim proferirem seu discurso de ódio. Parece que hoje em dia o importante é ter opinião, pouco importando a coerência. Interessante observar que não importa o assunto da matéria sempre tem alguém que vai usar frases prontas que estão em alta - como por exemplo, bandido bom é bandido morto, direitos humanos para humanos direitos, esquerdista, coxinha, fora Dilma, e por aí vai - com comentários vazios que não tem nada a dizer, existindo apenas uma necessidade em colocar a cara a tapa.
Pois bem, alguns amigos sempre falam que é perda de tempo discutir com os haters, entretanto, como o texto referiu, acredito que a intolerância deve ser combatida (e como existe intolerância) pelo fato de ao ter seu comentário odioso respondido com outro com algum conteúdo, creio que o hater, da próxima vez, talvez pense duas vezes, ou pelo menos pesquise e conheça o assunto.
Continuo observando os comentários e continuo esperançosa pelo dia em que todos irão pelo menos fazer uma breve pesquisa antes de opinar sobre algo.
Parabéns ao professor por sempre fazer uma análise clara e inteligente do cotidiano.
Foucault, na aula inaugura no colégio de França, desvela como a aleatoriedade e os perigos dos discursos são conjurados por meio de dispositivos que, sobreterminando-os, lamina-os para uma ordem em que os mecanismos de poder se ocultam e se exercem mais sutil e sub-repticiamente.
Desde a figura do autor aos protolocos de admissão de enunciados, o filósofo Foucault revela como a ordem do discurso é um discurso da ordem. No rol, faltou incluir os discursos quem vem da academia sob o pálio dos títulos. Brasil dos títulos. De Barão a Pós-Doutor não há diferença. Quanto medo de romper com a ordem do discurso de forma que até um matuto leitor provoca crise a ponto de ser reputado, como percebeu, o Emil, de invejoso? Há uma porção de coisas grandes ( que são silenciosas)para conquistar.
O discurso do colunista, digamos sem data venia, é uma discurso da ordem. Mostra como a academia precisa da hierarqui para sobreviver . Que diferença há entre a assertiva ''quem é fulano-cometarista para...'' da velha prática: sabe com quem você está falando?
Com tais argumentos, peço ao papai noel que consagre o colunista como o novo ministro da hierarquia acadêmica e, com seus filtros, só passa o que não abala o locus do poder.
Como diria o doce bárbaro Caetano Veloso:" Será que apenas os hermetismos pascoais e os tons e os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais? Viva Hermeto. Viva o doce bárbaro.
O país está mergulhado em uma cultura única, determinada de cima para baixo, alardeada 24h por meios de comunicação dominados pela ideologia reinante. Ainda assim, muitos, não aceitando o discurso único apresentado em redes de TV, rádio e jornais, buscam na internet as informações despedidas do oficialismo. Tratemos do direito, portanto, comentando o julgamento transmitido ontem pela TV Justiça e outras redes de TV: o que dizer dos "fundamentos" utilizados pelos Ministros nomeados pelo Poder Executivo e aprovados por um Senado submisso? É legítima essa forma de escolha de Ministros para a Corte Constitucional? Ou deixará de existir legitimidade somente se algum dia um governo verdadeiramente diferente do atual conseguir emplacar 9 integrantes naquelas cadeiras? Se a Constituição Federal não vem sendo cumprida sequer pelos integrantes do STF, é coerente cobrar sua aplicação "pura" dos demais operadores do direito? Ou será sempre mais fácil adjetivar de "hater" aqueles que possuem vozes discordantes da cultura reinante?
OBS: Lembremos sempre que a figura do "hater" surgiu com expressões como "FORA FHC" etc, ou essa frase demonstra expressão de tolerância?
informações despidas
Não me espanta o que vejo aqui. E o que vejo aqui? Vejo os textos dos colunistas sendo interpretados muito além dos seus limites. O colunista diz X, e logo aparece um ou outro comentarista dizendo que ele falou Y, e que o certo é ficar tudo como está.
Os haters incomodam? Sim, mas isso acontece todos os dias nos Tribunais, só que com a lei, sentenças, acórdãos, etc... Extrai-se do texto o que se quer, para aplicar o que se entende por correto, oportuno e conveniente. A desonestidade intelectual parece ser o grande mal assola não só país, mas a humanidade.
Para mais informações acesse: Direito e Literatura ( Tolerância) e divirtam-se
sobre a coluna já comentei no Facebook....
quanto aos comentários me resumo ao título ....
se vc preferir usar aquela figura que já considerei " hipérbole", em outros textos seus, vou incentivá-lo : armazene alimentos, Lenio !
"Se a verdade é sempre mal recebida pelo homem, o erro é recebido de braços abertos".
Há uma frase que tem permeado meus pensamentos : 'Quem nos salvará da maldade dos bons?'
De mim, que não sou necessariamente uma pessoa religiosa, tenho pedido. Pedido por ajuda até para onde e em que não podemos ser ajudados...
Boa sorte !
Baseando-me única e exclusivamente na coluna do dia 17/12/2015 de Lenio Streck, pretendo escrever um comentário nada sofisticado sobre a questão da (in)tolerância. Segundo Popper, conclui que existem dois tipos de intolerância, a serem ilustrados a partir da seguinte casuística: Ramon (odiador de americanos) conversa com um americano sobre futebol americano.
1) Ramon conhece as regras de futebol americano, mas, por odiar americanos, discorda de tudo o que o americano disse, mesmo estando este correto em alguns aspectos. Ramon é um pessoa intolerante, algo certamente indesejável, mas possibilitou o contraditório ao americano.
2) Ramon não conhece nada sobre futebol americano, não possuindo contra-argumentos. Ele, então, passa a insultar o americano pela participação de seu país na guerra do Iraque. Ramon demonstrou uma intolerância ilimitada, baseada somente no ódio e na vontade de ofender o outro.
Entendi que podemos separar a intolerância da intolerância ilimitada, da qual os "haters" são dotados. Não se confundem, pois, as críticas ácidas, ironias e demais recursos argumentativos com a atitude "hater". O cidadão pode até ser pertinentemente intolerante, o que não o confunde com um "hater". Dito isso, diante da postura crítica e antipática (comportamento reconhecido expressamente pelo próprio) do colunista, muitos confundem o Lenio com um "hater". Todavia, s.m.j, Lênio sempre fundamenta seus posicionamentos, o que o torna, no máximo, intolerante em relação a algo. Se assim o (qualquer) colunista agiu, basta aos leitores apontarem fatos e fundamentos divergindo (algo que o Sr. Estrupício não fez). Isso é ser tolerante e permite que (até mesmo) o colunista exerça a autocrítica.
Lenio Streck, compreendi minimante a coluna do dia 17/12/2015?
#PAZ
Ante tamanha empáfia, relembremos o surgimento dos títulos em nosso país. Contam os livros de história que, quando da bancarrota da corte portuguesa, exsurgira a necessidade de vender títulos. Daí em diante, quem não quer ser barão ou visconde? A universidade, influenciada pelo afã bacharelesco-aristocrático de além-mar, construiu seus espaços, de sorte a delimitar e criar hierarquias. Tristes trópicos! Somos perseguidos pelos fantasmas catedráticos, que, espertos que são, permitem a legitimação, via diploma, de toda sorte de mediocridade. Lima, acertadamente, chamara-nos de "pátria criança", ainda por crescer, tornar-se grande. Lá isso em 1911... Até os dias de hoje. Não se sabe ao certo o que significa ter doutorado, tampouco possuir coluna em site jurídico. Tudo muito impreciso. Atestado de leitura? Custa acreditar! A mim, que não observo a vida como algo que existe para possibilitar recompensas, parece-me que toda essa sofreguidão, por parte do colunista, em querer autoproclamar-se voz autorizada demonstra certo sintoma de frustração ante a vida, nua, tal qual é. Pergunto-me: diante de nossa situação, frente a um país tão miserável como o nosso, o que significam os títulos, as honrarias? Fôssemos cônscios, honestos, deitaríamos, sobre palavras de tão mesquinha vaidade, o necessário desprezo. O intelectual, consulte Milton Santos, tem de estar na rua, saber, através de Belchior, que é necessário "cantar" como quem usa a mão para fazer o pão, colher alguma espiga. Reclamar títulos, fazer a luz refratar para a direção da própria face... Para quê? Dizer-se: "Sou grande"? Deixe de tolice, rapaz! Comece por confessar as não-leituras!
Jemand, der sagt, die Werten des Staatsrechts müsse gewährleistet werden, hätte kein Recht, die Meinung der Anderen zu zensieren. Veröffentlichen Sie bitte meinen Kommentar.
E chegou a quinta de manhã ... E desde madrugada já sou feliz esperando ser censurado por eventuais comentários que não sejam do gosto do articulista.
Se você pode ser intolerante contra os intolerantes, todos podem ser intolerantes indefinidamente. Eu prefiro a reflexão de Millôr: "Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim...." Além disso, temos que enfrentar o grande problema que é quem define o que é intolerância. No dias de hoje, quem define o que é intolerância é a mídia e não o direito/moral, etc.
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