A Ordem dos Advogados do Brasil quer participar das discussões orçamentárias e administrativas dos tribunais do país. A seccional paulista da OAB e o Conselho Federal enviaram ofícios ao presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Ricardo Lewandowski, pedindo que seja editada uma resolução para garantir à OAB um assento com direito a voz nos órgãos administrativos das cortes brasileiras.

Eugênio Novaes/OAB
O ofício do Conselho Federal é do dia 25 de julho. Nele, o presidente da autarquia, Claudio Lamachia, pede para ter voz nas discussões administrativas, “notadamente naquelas relacionadas à análise, definição e aprovação orçamentária e financeira das cortes brasileiras”.
Em maio, a seccional paulista enviou documento parecido a Lewandowski, mas não especifica querer participar dos debates orçamentários. Afirma que o pedido se baseia nos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, descritos no artigo 37 da Constituição Federal.
O pedido de assento foi feito, segundo os signatários, pelo presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, e pelo vice-presidente Fabio Canton, “considerando a importância do princípio da transparência administrativa”. Seria uma forma, de acordo com eles, de representar a advocacia brasileira nos órgãos administrativos de tribunais.
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) não gostou do pedido. Para a entidade, a edição de uma resolução para atender à demanda “implicaria em mitigar os poderes discricionários dos administradores dos tribunais”.
Em nota enviada à ConJur sobre o assunto, a associação afirma que os advogados já têm uma função definida na administração da Justiça, já que a própria atuação processual, diz o comunicado, é uma forma de fiscalização e controle. “Quem tem o papel bem definido na cena judiciária não pode e nem deve atuar dos dois lados.”
Pedido semelhante já foi feto pela OAB-SP ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas negado.
É uma demanda que incomoda magistrados. Os órgãos administrativos são colegiados de cúpula. O Conselho de Administração do Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, é composto dos 11 ministros mais antigos e presidido pelo presidente do tribunal. No Supremo Tribunal Federal, as questões administrativas são discutidas pelos 11 ministros em discussões colegiadas.
Clique aqui para ler o ofício da OAB-SP.
Clique aqui para ler o ofício do Conselho Federal da OAB.
Leia a nota da AMB:
A solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que a instituição possa ter assento, com direito a voz, nos órgãos administrativos dos tribunais do País causou estranheza à Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A AMB respeita a importância da OAB na construção da sociedade democrática brasileira, todavia, alerta que o referido requerimento não possui respaldo constitucional. Tal condição implicaria em mitigar os poderes discricionários dos administradores dos tribunais.
Os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, assim como o da transparência, não se aplicam como fundamento do pedido da OAB, uma vez que a função da advocacia na atuação processual já implica em uma forma de controle e fiscalização. Quem tem o papel bem definido na cena judiciária não pode e nem deve atuar dos dois lados.
Sendo assim, a AMB considera incompatível a OAB participar de atos deliberativos nos tribunais, especialmente por não ser uma entidade submetida a controle da sociedade e, portanto, ser carente de legitimidade para atuar como agente interno nas políticas do Judiciário.
Os magistrados não vão aceitar uma proposta dessas nunca, porque quando se trata de dinheiro eles são tão capitalistas quanto qualquer empresário.
A OAB uma instituição decadente quer se ombrear aos Tribunais. Excesso de democracia ou a prevalência de interesses criticáveis.
De que adiantaria? A OAB não representa nem os cidadãos brasileiros nem a própria advocacia. Eventual participação só serviria para barganhas visando favorecer apenas e tão somente quem exerce cargos e funções na Ordem.
A OAB não resolve nem os próprios problemas ...
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