Excesso de partidos prejudica democracia, avaliam juízes eleitorais

Atualmente, o Brasil possui 35 partidos reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral. A Câmara dos Deputados é formada por membros de 27 siglas e um congressista sem partido. Uma composição tão diversa em um momento de fraqueza do Palácio do Planalto faz com que qualquer medida seja alvo de intensa luta, debate e desgaste. Esse grande número de agremiações políticas é visto de forma quase unânime como um fator negativo para a democracia brasileira por juízes, desembargadores e ministros.

“Mais de 30 partidos políticos é, na verdade, brincar de democracia”, define o ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral. Ele critica a tendência de se medir a democracia pela curva crescente de partidos políticos e não pela densidade ideológica deles. “O que temos hoje é um sistema em que cada microliderança pode ter um partido político para chamar de seu. É um partido associado a pessoas e não a ideias. Isso evidentemente é não apenas um desvirtuamento da atividade partidária, mas um exercício kamikaze que ataca o coração da democracia, que é o choque de ideias e não o oportunismo e o clientelismo”, complementa.

Para o juiz Silmar Fernandes, membro do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, a necessidade de se reduzir o número de partidos já é um fato. “Algumas agremiações vendem a legenda, são partidos de aluguel. Acho que tem que ficar apenas os mais fortes. O critério seria não só de tamanho, mas também de ideologia”, afirma Fernandes.

A limitação de partidos também é defendida pela juíza Marli Ferreira, do TRE-SP, que com a experiência de sua atuação na corte afirma que a atuação de algumas siglas não contribui para a democracia. “Falando como cidadã, acho que deveria ter uma limitação. Não adianta vir com aquela história de quanto mais concorrentes melhor para o sistema. Isso não é verdade. Porque você pulveriza em partidos ineficientes, sendo que poderia tudo ser juntado em cinco ou seis partidos”, pondera Marli.

Parte do processo
A voz divergente sobre o tema foi a do vice-presidente do TRE-SP, Carlos Eduardo Cauduro Padin. Ele lembra que outros países têm muitos partidos e que não vê isso como uma questão a ser combatida. “Não vejo isso como um problema e creio que faz parte do processo democrático ter essa liberdade para criação de partidos”, disse Padin.

Marcos de Vasconcellos

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Fernando Martines

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Advogado pensante disse:
20 de fevereiro de 2016 às 11:30

Ok, onde está o número mágico, então ? Francamente determinar a um limite ao número de partidos é arbitrário e é o mesmo que pressupor o fim da história. A quase totalidade dos partidos brasileiros compartilha de um consenso social democrata, aliás as duas maiores forças só divergem em grau e não em gênero. Este fato não tem nada a ver com respaldo popular a esses ideais, visto que a população sequer conhece o processo político em termos ideológicos. Vamos impedir a ascensão de novas forças porque sim? Já pararam pra pensar pq caciques querem um partido para si ao invés de estabelecer correntes? Fundo partidário! Acabem com isso e verão os partidos minguarem até uma composição estritamente ideológica. Isso me parece conversa de quem tem medo que a disputa saia do clubinho. A propósito, a maior democracia do mundo não limita a criação de partidos.

Caio disse:
20 de fevereiro de 2016 às 13:17

O Judiciário pode ter contribuído para isso quando julgou inconstitucional a cláusula de barreira nas ADIs 1351 e 1354.

Igor M. disse:
20 de fevereiro de 2016 às 13:51

Dentre estas dezenas de partidos, poucos possuem ideologia definida e realmente praticada. E estes estão justamente entre os pequenos, praticamente todos marxistas. Os grandes embarcaram na onda do fisiologismo. Dai a pergunta: reduzir o número de partidos vai beneficiar quem? Os grandes fisiológicos ou os poucos ideológicos pequenos?
.
O grande problema não está no número de partidos, mas na essência dos políticos que só querem defender seus interesses privados (empresariais, religiosos, financeiros, etc.), ao invés do interesse público. E estamos cada vez mais afastado de verdadeiras ideologias...

Ricardo Cubas disse:
20 de fevereiro de 2016 às 23:56

A existência de muitos partidos, ao contrário, ajuda à democracia.
.
O problema é que os partidos no Brasil não tem identidade temática. Vou dar um exemplo.
.
Temos a bancada evangélica, mas não temos, o partido evangélico. Temos a bancada ruralista, mas não o partido rural.
.
Essas bancadas ultrapartidárias tinham que se transformar em partidos. Os restantes tinham que se agrupar em ideologias ou se aglutinar em outros temas, que não são poucos.
.
O que não pode é o Brasil ficar refém de 6 ou 7 partidos, cada um pior que o outro.

Florencio disse:
22 de fevereiro de 2016 às 15:08

Apenas para citar um exemplo, os EEUU tem em torno de 300 partidos... E a Democracia funciona! O problema não é limitar o número de partidos, mas acabar com o voto obrigatório...

Você precisa estar logado para enviar um comentário.