É difícil que a Justiça do Trabalho concorde com uma dispensa por justa causa. De acordo com levantamento do escritório Rocha, Ferracini, Schaurich Advogados, entre 70% e 80% das demissões por justa causa são revertidas pelo Judiciário, que acaba condenando as empresas a readmitir os funcionários ou a pagar as indenizações próprias de dispensas sem justa causa.
A pesquisa, feita a pedido da revista eletrônica Consultor Jurídico, levou em conta duas bases de dados: decisões de 2014 dos tribunais regionais do trabalho de Campinas (15ª Região) e de São Paulo (2ª Região); e decisões tomadas entre 15 de julho de 2015 e 15 de julho deste ano no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, com sede no Rio Grande do Sul.
Nos tribunais paulistas, 78% das demissões por justa causa analisadas foram revertidas. Na corte gaúcha, a taxa de reversão foi de 71%.
De acordo com o levantamento, a maior causa de reversão foi “ausência de prova de justa causa”. Em segundo lugar, ficou a desproporcionalidade da demissão como punição pelo comportamento do trabalhador.
Os motivos mais alegados pelas empresas são desídia, faltas e atrasos, indisciplina e abandono do emprego, nessa ordem, afirma o escritório. E os casos com maior índice de reversão seguem a mesma ordem.
Questão de prova
Segundo o advogado Eduardo Ferracini, sócio da banca que fez a pesquisa, o maior problema das demissões por justa causa é a prova. É difícil provar que um funcionário age com desídia, ou que suas faltas e atrasos são imotivados.
O senso comum, diz ele, é afirmar que a Justiça do Trabalho é pró-trabalhador, mas a questão é um tanto mais complexa. “A Justiça do Trabalho de fato não é imparcial. Infelizmente, ainda existe essa cultura. Mas também vemos que as empresas não estão preparadas para enfrentar um processo judicial. A maioria delas é pequena, e não se preocupa em registrar o comportamento do funcionário por meio de relatórios, por exemplo”, analisa.
Ferracini, especialista em Direito Empresarial, afirma que a grande maioria das empresas brasileiras não tem orientação jurídica nessa área. Isso faz com que elas não observem as exigências legais para uma demissão por justa causa.
Por exemplo, demitem sem antes aplicar qualquer tipo de sanção. Isso costuma ser interpretado como uma punição desproporcional, aponta o advogado. “Muitos empresários acreditam que basta alegar um dos motivos do artigo 482 da CLT para que esteja configurada a justa causa, mas não é bem assim. A prova é sempre fundamental.”
É aí que entra a porção pró-trabalhador da Justiça do Trabalho. Segundo Ferracini, além de elencar um dos incisos do artigo 482 da CLT, a empresa tem de comprovar que a demissão foi motivada única e exclusivamente pelo funcionário, e que não lhe restou outra escolha a não ser mandá-lo embora.
Crise
Melhor, então, nunca demitir por justa causa? “Abrir mão antes de começar a discutir nunca é a melhor solução para um problema”, comenta Ferracini. O melhor remédio para isso, diz, é uma boa orientação jurídica.
O advogado conta que, com a crise econômica, tem conseguido costurar “bons acordos”. “Sei bem as dificuldades de uma empresa pequena e entendo que elas são maioria no Brasil. Mas é fundamental que se desenvolva uma política de recursos humanos na empresa já com essa preocupação do acompanhamento das atividades dos empregados.”
A Especializada prejudica as empresas e a sociedade.
Todos os empresários com quem converso dizer apenas uma única coisa: demitir e encerrar as atividades da empresa enquanto ainda dá tempo de salvar algum patrimônio.
Justiça parcial não é justiça. Essa aí como se apresenta, aparenta uma indústria de condenações a favor de um lado só.
Se os poderosos que deitaram e rolaram o tempo todo principalmente na ditadura militar onde houve a festa de arromba, não conseguiram extinguir a Justiça do Trabalho, resta-nos o que mais?Bem...este país não deu certo, certo? Mas ainda é bom para se ganhar algum dinheiro.Sem empregar, claro.Nem precisaria dizer !!!
Enquanto tivermos uma "justiça" paternalista, nunca teremos JUSTIÇA. No texto apresentado, ainda acrescento que o empregado sai rindo da cara do patrão por ele não ter conseguido concluir a justa causa que ele próprio sabe que foi merecedor.
Enquanto tivermos uma "justiça" paternalista, nunca teremos JUSTIÇA. No texto apresentado, ainda acrescento que o empregado sai rindo da cara do patrão por ele não ter conseguido concluir a justa causa que ele próprio sabe que foi merecedor.
A Justiça do Trabalho está mais para uma justiça eclesiástica. O juiz deveria chamar-se vigário. Se extingui-la, certamente irão criar uma nova igreja - A Igreja do Trabalho (ou do Trabalhador).
Muitos comentários tenho visto de "advogados", concurseiros de oab, que passaram a atuar sem sequer aprender nos bancos escolares um único princípio sequer. Tal proncípio chama-se PRINCÍPIO PROTETOR. Segundo o qual é utilizado normas e condições sempre favorável a parte mais fraca da relação. Isso não significa que a parte mais fraca fique isenta de apresentar provas na hora do julgamento. Desta forma a questão chave é a prova. Se o obreiro alega o empregador tem que provar que o alegado não subsiste. Se não provar o pau come. Tenho dito.
Com certeza se não mudar este paternalismo por parte da lei e dos juízes, nunca teremos um justiça plena no Tribunais Trabalhistas. Pois os empregados sabendo disso abusam dos maus feitos nas empresas. E o empregador tem que arcar com essas indenizações muitas vezes vergonhosas e injustas.
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