Maioria do Ministério Público não é transparente em investigações

Dos 27 ministérios públicos estaduais, 16, ou seja, praticamente 60%, não são transparentes sobre suas atividades principais, como investigações criminais e civis, inquéritos, termos de ajuste de conduta, entre outros. Os dados estão em um relatório produzido pela Comissão de Controle Administrativo e Financeiro do Conselho Nacional do Ministério Público.

Os MPs que mais pecam na disponibilização de informações à sociedade estão em Amapá, Paraíba, Acre, São Paulo e Rio Grande do Norte.

Posição Unidade (%) Índice de
Transparência
1 CNMP 98,60
MP-MS 98,60
2 MP-SE 95,28
3 MP-SC 94,29
4 MPT 92,91
5 MP-ES 92,72
MPM 92,72
6 MP-PI 91,93
7 MP-AM 90,00
8 MPF 88,60
9 MP-RJ 88,39
10 MP-PR 86,61
11 MP-TO 85,00
12 MP-GO 83,86
13 MP-PA 83,66
14 MP-RR 80,50
15 MP-RS 80,30
16 MP-AL 79,90
17 MP-CE 79,70
18 MP-PE 78,94
19 MP-BA 78,54
20 MP-MG 78,15
21 MP-RO 77,00
22 MP-MA 76,77
23 MP-DF 74,61
24 MP-MT 74,00
25 MP-RN 73,82
26 MP-SP 71,65
27 MP-AC 67,72
28 MP-PB 63,19
29 MP-AP 59,06

No levantamento, são considerados 253 critérios, que vão desde a identidade visual do site da instituição até como são apresentados os dados referentes às diárias e passagens usadas pelos promotores. As classificações são divididas entre quesitos atendidos, não atendidos, parcialmente entendidos e desatualizados.

Quando é analisada a divulgação das informações referentes às atas de preços dos MPs — que envolvem compras públicas, dados das empresas fornecedoras, valores dos contratos, quantidade e descrição dos produtos adquiridos —, 10 órgãos não atendem satisfatoriamente nenhum dos itens. São eles: MT, PA, PB, PR, PE, PI, RJ, RN, RS e RO.

Já os gastos com diárias e passagens são pouco divulgados pelo Ministério Público do Trabalho, pelo MP no DF, no AC, em AL e na PB. Estas três unidades estaduais também não informam devidamente seus gastos com benefícios — o estudo não detalha quais tipos de adicionais são esses.

Quanto às remunerações dos servidores, os MPs do DF, do CE, de GO, do RS e de RR não apresentam todas as informações necessárias. O órgão mineiro também pode ser incluído nessa lista, pois os dados disponibilizados estão desatualizados.

Desatualização paulista
O MP de São Paulo se destaca no ranking apresentado pelo CNMP por ser o quarto órgão menos transparente entre os 31 analisados. Essa posição pode ser explicada, em partes, pela falta de atualização das informações apresentadas.

Dos oito itens relacionados a licitações que foram analisados, todos estão com dados defasados. A mesma situação pode ser vista quando são estudados os quesitos referentes a atas de registro de preços para compras públicas. Todos os 15 tópicos também estão desatualizados.

Situação mais delicada pode ser percebida na análise do Serviço de Informações ao Cidadão (SIC) e na publicação anual de resultados. Sobre o SIC, apenas o protocolo de documentos está dentro dos padrões exigidos pelo CNMP. Em relação aos apontamentos anuais, nenhum quesito sequer atende os parâmetros estabelecidos.

AP, PB e AC são menos transparentes
Os ministérios públicos do Amapá, da Paraíba e do Acre são, nesta ordem, os menos transparentes entre todos os existentes no Brasil. Já os que disponibilizam mais informações são o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e os MPs do Mato Grosso do Sul, de Sergipe e de Santa Catarina. O MPT e o MPF aparecem na 4ª e 8ª posições, respectivamente.

Contra o MP-AP, que tem 59% de transparência, pesa, por exemplo, a falta de especificação de valores da Lei orçamentária adicionados ou reduzidos de eventuais créditos adicionais. O MP-AC segue a mesma linha, não atingindo índice satisfatório em nenhum dos 35 itens analisados.

No quesito licitações, contratos e convênios, apesar de não ter nenhuma classificação de “não atendido”, o MP-AP não cumpre satisfatoriamente nenhum ponto específico, sendo que todos os itens analisados são parcialmente satisfatórios. Outro MP que está na mesma situação nessa área analisada é o do Distrito Federal, que está 23ª colocação, com 74% de transparência.

Já o MP-PB é deficiente em relação ao conteúdo e formato dos relatórios — essa categoria abrange licitações, contratos, convênios e ata de registro de preços — e no detalhamento sobre o quadro de servidores cedidos ao órgão paraibano.

Confira a situação de cada Ministério Público:

Brenno Grillo

é jornalista.

Sersilva disse:
12 de março de 2016 às 11:40

Lição de casa: o exemplo vale mais do que mil discursos.

analucia disse:
12 de março de 2016 às 14:10

o mais grave é que CNMP não avalia publicidade da atividade fim.
Não se sabe o que cada promotor produziu, os resultados obtidos.... os arquivamentos.... têm medo de quê ?

Rivadávia Rosa disse:
12 de março de 2016 às 15:12

Admite-se até a hipótese de que não se pode perceber as coisas pelos sentidos, porém a questão chegou a tal nível que denota indícios patológicos, passando a causar inquietação e temor nos segmentos da sociedade brasileira comprometidos com a coisa pública.

Mas o que se verifica é a síndrome totalitária que, diante da epidemia da violência assume um surto de autoritarismo, cujas evidências saltam aos olhos. A Constituição de l988 ampliou as atribuições do MP que historicamente circunscreviam-se ao oferecimento da denúncia, passando então a abranger a quase totalidade da vida social e jurídica. Senão vejamos: monopólio da ação penal; poder de fiscalização e controle sobre as instituições e a sociedade; tentativa de açambarcar também a investigação policial sob os mais variados argumentos, destituídos de base jurídica, depois obtida via Justiça, mas com as [in] consequências inevitáveis, instituindo na sociedade um verdadeiro ranço pela violência jurídica e moral contra as pessoas, infundindo-lhes insegurança e sobressalto pelo exercício desmesurado do poder de denunciar, trazendo à memória o brocardo romano: quis custodes custodiet? [quem nos protegerá dos encarregados de nos proteger].

Pedro MPE disse:
12 de março de 2016 às 15:48

O Conjur tem uma verdadeira "tara" pelo ministério público, tentando distorcer informações contra a instituição. Nos últimos dias o Conjur intensificou a sua batalha contra o MP, "coincidentemente" quando a instituição como um todo tem realizado investigações e denúncias em face de figurões (defendidos por advogados ligados ao site). Verdade seja dita: existem equívocos (em qualquer poder ou instituição), mas o estudo do CNMP mostra justamente a transparência que permeia os ministérios públicos, tanto é verdade que nosso conselho divulgou amplamente os dados citados na reportagem. Como escreveu recentemente o Dr. Janot em um artigo no Estado de São Paulo, a missão que a CRFB/88 nos confiou (combate à corrupção em especial) será cumprida e estamos preparados para isso. Não somos heróis, mas esse é nosso trabalho. Não vamos mudar o Brasil sozinhos, mas faremos a nossa parte, doa a quem doer. O resto o Brasil fará, por si só.

Ricardo disse:
12 de março de 2016 às 22:56

Deveriam cobrar transparência da OAB, a autarquia "sui generis" que se peculiariza por seu hermetismo ... O nível de transparência da entidade é zero!

Flávio Souza disse:
13 de março de 2016 às 10:29

O artigo é bastante esclarecedor e ajuda a compreender como se locomove a máquina chamada Brasil. Aqui revisitando o brocardo inscrito no comentário do Dr Rivadávia "quem nos protegerá dos encarregados de nos proteger" fica uma reflexão a cada brasileiro\a sobre o papel das instituições e quem os fiscaliza e quais as sanções a serem aplicadas. A sanção no caso de um empregado celetista, regra geral é a rua (demissão), mas para agentes públicos, políticos, empregados\servidores públicos quase sempre a punição é ir pra casa responder o processo mas recebendo salário\subsídio, o que na minha visão é um prêmio, em especial no caso da aposentadoria compulsória, que é uma aberração intragável, ou pelo menos deveria ser tb pra aqueles que vão as ruas gritar com maior expressividade e visibilidade o FORA DILMA, FORA PT, como se esses fossem o causador total de todas as mazelas que se perpetuam em nosso glorioso país. A lei tem que ser temida por todos, e que praticar desvio de conduta deve receber tamanho rigor para servir, inclusive, de exemplo aos outros. Não tem lógica nesse país continuarmos com o instituto do foro privilegiado, auxílio moradia (que é justo, mas somente quando houver transferência provisória do servidor\empregado para localidade diversa da que esteja lotado e no caso de políticos que residiam a época da eleição em cidade diferente daquela onde é fincada a Sede do Poder Legislativo). A LAI é uma conquista da sociedade e não pode ser desprezada por nenhum órgão deste país, seja ele qual for. Nesse momento, diante deste artigo e tantas outros que tenho lido, me vejo impossibilitado de apoiar, recomendar e até assinar o manifesto "10 Medidas Contra a Corrupção", uma vez que o alvo, em tese, é mais a classe política.

CAPITU33 disse:
14 de março de 2016 às 11:07

Lamento a notícia sobre a falta de transparência,pois o que tenho visto é uma mobilização imensa em torno de conseguir assinaturas para o projeto contra a corrupção por parte do MP,aqui no RJ.O que devemos pensar em termos de cidadania?Um órgão que solicita o apoio da população para questões que lhe darão maior autonomia,entretanto,suas ações rotineiras parecem ser "contra" o cidadão.A contradição passa como oportunismo e não como a seriedade que clamamos enquanto cidadãos.

CAPITU33 disse:
14 de março de 2016 às 11:07

Lamento a notícia sobre a falta de transparência,pois o que tenho visto é uma mobilização imensa em torno de conseguir assinaturas para o projeto contra a corrupção por parte do MP,aqui no RJ.O que devemos pensar em termos de cidadania?Um órgão que solicita o apoio da população para questões que lhe darão maior autonomia,entretanto,suas ações rotineiras parecem ser "contra" o cidadão.A contradição passa como oportunismo e não como a seriedade que clamamos enquanto cidadãos.

Ferraciolli disse:
14 de março de 2016 às 22:39

Aproveitando o gancho dos comentarios anteriores, o controle externo da polica devia ser confiado a um colegiado plural e nao ao MP. Isso evitaria manobras tendentes a sujeitar a investigacao aos interesses estritamente acusatorios.

lmiranda disse:
15 de março de 2016 às 12:24

Engraçado é que o conjur simplesmente COPIOU a matéria que foi postada no próprio site do CNMP.
Muitos aqui falaram que o MP não é transparente, mas é o próprio Conselho Nacional do MP quem divulga os dados de sua transparência e cobra dos MP's a divulgação de seus dados.
Eu quero ver onde está o transparentômetro da Polícia, do Judiciário, da Defensoria, da OAB, etc ..... simplesmente não tem.

Além disso antes de criticarem deveriam estudar um pouco, pois o todos os MP's tem que preencher 253 itens, previstos na LAI e nas Resoluções 86; 89 e 115 do CNMP.

Sendo assim, enquanto a Lei de Acesso à Informação não cobra nem 100 itens, todos os MP's são obrigados a cumprir 253 itens, os quais foram impostos pelo próprio CNMP para dar uma transparência maior.

Sendo assim, mesmo o MP com o pior índice no ranking, provavelmente é uma das instituições mais transparentes em relação aos outros Poderes.

Geziel Almança disse:
16 de março de 2016 às 19:01

Entendo as críticas e comentários dos membros do MP. Entretanto, trata-se de um órgão, que pela sua própria natureza e prerrogativas, deve ser exemplo. Assim sendo, não é possível justificar a falta de transparência apontando a mesma falha em outros órgãos.

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