Ministra Cármen Lúcia interrompe implantação do PJe no Supremo

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, parou a implantação do Processo Judicial Eletrônico na corte. Ela revogou uma resolução criada em abril deste ano que tornava obrigatório o uso do sistema criado pelo Conselho Nacional de Justiça. Também foi dissolvido um grupo montado há menos de cinco meses para discutir o assunto, presidido pelo ministro Edson Fachin.

A medida foi publicada em poucas linhas no Diário da Justiça Eletrônico desta sexta-feira (11/11), sem citar diretamente o PJe, e acontece depois de Cármen Lúcia reformular uma série de questões administrativas do CNJ lideradas pelo antecessor, ministro Ricardo Lewandowski, propondo o fim de comissões e a análise de todas as resoluções do conselho. Os plenários virtuais do conselho também foram suspensos.

Fellipe Sampaio/SCO/STF

Cármen Lúcia revogou norma assinada pelo antecessor, Ricardo Lewandowski.

Em maio, Lewandowski disse que “não faria senso” manter a ferramenta atual do Supremo (eSTF Processamento Eletrônico, formado por um conjunto de sistemas) enquanto todo o Judiciário tem usado o PJe. Tribunais podem hoje adotar sistemas próprios, mas devem integrá-los com o do CNJ.

Segundo a assessoria de imprensa do STF, a norma foi revogada “porque não havia, no momento, condições técnicas da sua implementação”, e o próprio texto gerava problemas ao proibir mudanças tecnológicas nas ferramentas atuais do tribunal. A Resolução 578/2016, no entanto, abria exceção nas “hipóteses de manutenção corretivas e evolutivas necessárias ao funcionamento dos sistemas já implantados”.

Ainda de acordo com a assessoria, o Comitê Gestor do PJe não estava em funcionamento porque, com exceção do ministro Fachin, os outros quatro integrantes foram dispensados ou exonerados em setembro, quando Lewandowski passou o comando à atual presidente. 

Desenvolvimento constante
O PJe começou a ser desenvolvido em 2009 com o objetivo de uniformizar a consulta de processos em todo o Judiciário brasileiro sem depender de empresas terceirizadas, pois é desenvolvido por servidores internamente.

Carlos Humberto/SCO/STF

Para Lewandowski, STF não deveria ficar de fora do PJe, na contramão do Judiciário.

Foi lançado dois anos depois pelo ministro Cezar Peluso, então presidente do CNJ. Em 2013, quando o ministro Joaquim Barbosa assumiu o conselho, uma resolução obrigou que o sistema fosse adotado em todo o país, ainda que com falhas recorrentes, criticadas por advogados, e mesmo nos tribunais que preferiam outros serviços.

A gestão Lewandowski trocou o discurso de ferramenta padrão e obrigatória pela tentativa de “seduzir” instituições e profissionais do Direito, como noticiou em setembro a revista eletrônica Consultor Jurídico. Uma nova plataforma, intitulada PJe 2.0, buscava corrigir erros.

Clique aqui para ler relatório do CNJ sobre o PJe.

* Texto atualizado às 19h do dia 11/11/2016 para acréscimo de informações.

Felipe Luchete

é editor da revista Consultor Jurídico.

andreluizg disse:
11 de novembro de 2016 às 18:09

Sistema bom é E-proc, que está em uma fase muito mais adiantada de implantação e com excelentes resultados.

Escárnio & Desfaçatez disse:
11 de novembro de 2016 às 19:53

O melhor sistema de processo eletrônico do país é o E-PROC, desenvolvido por magistrados e servidores do próprio TRF4. Ou seja: o código fonte é público!
As intimações e citações ocorrem no próprio sistema, ele permite o envio de arquivos de mídia, audiências virtuais, controle de prazos e, de quebra, é extremamente estável. Todos os atores processuais rasgam elogios...

WLStorer disse:
11 de novembro de 2016 às 22:46

O e-Proc é excelente (simples e funcional) e deveria ser adotado por todo Judiciário.

Millaa disse:
11 de novembro de 2016 às 22:59

E a ideia da Justiça ter um só sistema é cada vez mais distante...

Ana Elisa Pretto Pereira disse:
11 de novembro de 2016 às 23:21

Não entendo por que insistem nesse desastre do pje. O e-proc é o melhor de todos os sistemas disponíveis no país. Por que não uniformizar com o que há de melhor? Agora querem transformar o projudi em pje. Não durmo só ao pensar nisso. O que devemos fazer para nós ouvirem? Duvido que exista alguém que não vote pela uniformização com o e-proc!

SMJ disse:
12 de novembro de 2016 às 21:33

Não consigo entender por que todo o Judiciário não adota logo o e-proc do TRF4... sistema excelente e que já funciona há cerca de 15 anos. É muito estranha essa postura... cada tribunal fica perdendo tempo e dinheiro, além de dificultar a vida dos operadores do Direito (que têm que aprender a trabalhar com um sem-número de sistemas diferentes), para inventar a roda... Dá a impressão que isso ocorre por vaidade, ou para gastar dinheiro indevidamente mesmo. Ou então para aplicar aquele princípio da administração brasileira: Pra que facilitar se se pode complicar?

Novi disse:
13 de novembro de 2016 às 00:01

Mais uma vez os comunas infiltrados no judiciário complicando... o E-proc (Programa da Justiça Federal) é o primeiro e o melhor programa para o processo eletrônico.
Sempre funcionou bem, sem complicações. Essa variedade de programas certamente tem interesses escusos...
Esse PJE é o pior de todos que eu já vi.

augusto1 disse:
14 de novembro de 2016 às 08:39

1-Os ministros terão que dar maior velocidade na prestação jurisdicional, 2- Vai sobrar muita gente nos quadros do STF, quase não vão ter mais nada o que fazer? 3 - Vai reduzir drasticamente as despesas, até pode fechar o prédio STF, os funcionários podem trabalhar em casa?

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