Promotor de SP diz que desembargadora tem cara de empregada

Mesmo depois de já ter sido punido por isso, o promotor de Justiça Rogério Zagallo voltou ao Facebook para escrever insultos preconceituosos. Neste domingo (8/1), disse que uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Amazonas tem cara de empregada doméstica.

O comentário foi feito num post do advogado Caio Arantes. Ele compartilhou em sua página na rede social uma notícia sobre a desembargadora Encarnação das Graças Salgado. O texto, do jornal O Estado de S. Paulo, reproduz uma acusação de que ela é ligada a uma facção criminosa. E Zagallo comentou: “Pela carinha, quando for demitida poderá fazer faxina em casa. Pago R$ 50,00 a diária”.

Rogério Leão Zagallo é o promotor titular do 5º Tribunal do Júri de São Paulo. É o responsável, portanto, por representar a sociedade em casos de crimes contra a vida. E não é a primeira vez que ele publica comentários de cunho racista no Facebook.

Em dezembro de 2014, ele foi suspenso por 15 dias depois de ter postado uma mensagem considerada ofensiva pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Em junho de 2013, quando as ruas de São Paulo foram tomadas por protestos contra o aumento do preço das passagens de ônibus, Zagallo os chamou de bugios, uma espécie de macaco, e pediu que a Tropa de Choque da Polícia Militar os matasse.

“Estou há duas horas tentando voltar pra casa, mas tem um bando de bugios revoltados parando a Avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros”, postou em sua página. “Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial.”

“Petistas de merda”, arrematou, para concluir: “Que saudades da época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas dos merdas”.

Quando julgou um recurso de Zagallo contra a punição, o CNMP considerou a conduta do promotor “de todo inaceitável”.

Clique aqui para ler o acórdão do CNMP

Pedro Canário

é jornalista.

O IDEÓLOGO disse:
08 de janeiro de 2017 às 22:55

O promotor de Justiça Rogério Zagallo é inteligente, combativo, destemido, defensor da ordem pública, porém deve ter cautela, porque trata-se de uma Desembargadora.
O ilustre promotor pode ser recepcionado por emissário desses pouco afamados grupos criminosos.

João B. G. dos Santos disse:
09 de janeiro de 2017 às 03:20

Com tudo isto qual a razão do referido funcionário público não haver sido demitido ou exonerado das suas funções? Alguém sabe explicar?

Advocacia disse:
09 de janeiro de 2017 às 07:47

E o pior de tudo é a sociedade custear os altos salários de "profissionais" como esse. Certamente ele não representa a promotoria.

SCP disse:
09 de janeiro de 2017 às 08:18

Ja pensaram se fosse um cidadão médio falando de um juiz ou promotor?

Rejane Guimarães Amarante disse:
09 de janeiro de 2017 às 09:11

Esse Promotor de Justiça é reincidente e muito conhecido porque a manifestação dele no Facebook e o processo disciplinar foram noticiados na "Folha de São Paulo" há alguns anos. Ele não tomou nenhuma providência no sentido de assimilar a punição e mudar de comportamento. Muito pelo contrário. E ele permanece no cargo porque o Ministério Público não promoveu a sua exoneração. As autoridades devem ser julgadas por Júri Popular. Se assim não for, sempre prevalecerá o corporativismo porque "um dia pode precisar do colega".

Rafael Pedro disse:
09 de janeiro de 2017 às 09:15

Mais um (e no caso, de novo) membro da instituição que deve zelar pelo estado democrático de direito que é nitidamente contrário à existência do estado democrático de direito. Vai entender a posição dos órgão correicionais...

Alexandre Zanetti Fonseca disse:
09 de janeiro de 2017 às 09:17

O fato de dizer que tem cara de doméstica não é racismo ( no meu entender), pois doméstica é uma profissão e não vejo o por que do racismo. Melhor ela ser doméstica depois de eventual desoneração ( o que nunca vai ocorrer) do que partir para o ócio e criminalidade.
O ato ilegal do promotor pode estar no fato de oferecer pagamento e emprego para a desembargadora.

Thiago Com disse:
09 de janeiro de 2017 às 09:18

Hierarquicamente o Promotor ta bem abaixo da Desembargadora, entretanto, ele deve estar se sentido a vontade nas críticas, pelo fato da magistrada pertencer a outro Estado diferente do seu.
Claro q eh revoltante o fato de sérias suspeitas do conluio da Desembargadora c a facção criminosa do Amazonas. Mas o promotor, por fazer parte da Justiça, tem q ter cuidado c o tal 'telhado de vidro'. Será q os MPs fazem certinho o dever de casa?
Pq ele ainda não fez duras críticas ao ex procurador-geral do MPRJ, q durante 4 anos de gestão não viu nenhum crime no governo Cabral?
Pq ele não aponta quais são os procudores-gerais submissos aos governadores? Haja vista que tem MP Estadual q simplesmente não funciona, membros q ganham mt pelo pouco q fazem... pois como 'fiscalizadores do ordenamento jurídico' tão míopes e submissos aos interesses dos governos.

Damir Vrcibradic disse:
09 de janeiro de 2017 às 10:25

O verdadeiro culpado de mais esse vexame de membro do Ministério Público é o Conamp, em sua expressão de corporativismo reincidente. Pela reprodução feita no texto, já no episódio anterior esse cavalheiro devia ter sido excluído dos quadros da instituição. É de solar evidência que ele não tem a compostura devida por promotor. Cometeu crimes de apologia e incitação à prática do crime, em concurso, com manifesta evidência de falta de decoro e de isenção. Um promotor que se compromete a exonerar assassinos não tem condições de exercer a função. Recebeu uma suspensãozinha de 15 dias. Agora deve receber um tapinha nas costas, como aquele promotor que torturou a mulher.

Neli disse:
09 de janeiro de 2017 às 10:58

Muito triste uma pessoa que tem um altíssimo e relevante cargo tratar com menoscabo uma profissão e uma profissional do direito.
Sim, porque até agora a desembargadora não foi julgada e assim não se pode imputar os crimes. Para mim a profissão de magistrado é sagrada.
E quem, de algum modo, não a honre, que seja julgado, condenado e receba a pena de Cambises.
Não é o caso da desembargadora até aqui.
Empregada doméstica: infelizmente nunca precisei de trabalhar como doméstica.
Minhas irmãs mais velhas precisaram (para ajudar no sustento dos mais novos), e assim respeito essa profissão, porque graças a ela, há mais de 50 anos, não passei fome. Ah, e minhas irmãs, não “tinham cara de empregadas domésticas”, eram jovens e lindas.
Promotor de Justiça: uma profissão linda!
Fiscal da lei, acusador, protetor dos desvalidos etc.
E quem passa nesse difícil concurso (nunca prestei, mas, vi alguns exames orais) deveria se portar de modo a dignificar a carreira.
Aliás, o funcionário público, conforme consta no Estatuto do Funcionário Público Municipal (lei 8989/79) deve proceder público e particularmente de modo a dignificar a função pública.
E o enaltecimento da função pública ocorre quando trata a todos, sem exceção, com respeito.

incredulidade disse:
09 de janeiro de 2017 às 11:58

Referir-se a uma profissão, obviamente, não é racismo, já que profissão não tem raça.
Mas o intuito do promotor é claro.
1. Profissões braçais são exercidas por pessoas desprovidas de beleza e/ou qualidade intelectual;
2. Pessoas assim merecem ganhar mal e passar privações;
3. Profissões nobres, como a dele, devem ser destinadas apenas aos bem nascidos, belos, de traços proporcionais e harmônicos, o que, aí sim, demonstra racismo ou, na melhor das hipóteses, preconceito.
4. A Desembargadora, por ser, na opinião do promotor, desprovida de beleza ("pela cara dela"), não faz jus a tão nobre cargo.

Pouco importa se ele é "inteligente, combativo, destemido, defensor da ordem pública".
Ele deve honrar seu cargo, também, pelo caráter, decoro, urbanidade e respeito.
O que o comentarista mencionou foi mais ou menos o seguinte: "doutor, não conte pra todo mundo essas verdades, guarde para si".

O Estado remunerar (e muito bem) um indivíduo para defesa de direitos difusos, coletivos, individuais homogêneos, promoção da integração social, igualdade, e ter de admitir uma pessoa que considera que a cara define o tipo de profissão que deve ser exercida, é um absurdo.

A demissão é o mínimo que se espera (quer dizer, aposentadoria com proventos proporcionais).

Mig77 disse:
09 de janeiro de 2017 às 12:05

Na iniciativa privada teria que mostrar que realmente é bom.No serviço público esse quesito, de ser bom, é dispensável.Sempre lembrando que o dono do Brasil, por direito, o que paga a conta, não é o servidor público.Ele é empregado, portanto deveria poder ser demitido, como outros mortais.Agora que o moço gosta de tomar sabão, isso gosta.Só toma porrada.Não devemos perder tempo com esse cara.Gosta de holofotes, mas acho que não foi ele quem compôs Insensatez, Garota de Ipanema ou This Masquerade etc então, vamos virar os holofotes para algo mais importante.

Eduardo. Adv. disse:
09 de janeiro de 2017 às 12:59

Li em comentário que "autoridades devem ser julgadas por Júri Popular.".
Imagine ele sendo julgado por um filho de empregada doméstica. Imagine ele sendo julgado por empregada doméstica que tenha filho morto impunemente por omissão do MP.
Sei não, mas os "Júris" dos quais ele venha a participar podem ter os resultados questionados. Seria ele "responsável" por segregar da sociedade as empregadas domésticas e confinar as suas "crias" em presídios?

Rogemon disse:
09 de janeiro de 2017 às 15:02

Qual o problema em dizer que ela tem cara de empregada?
Onde está a ofensa? De onde surge o direito de punir. A punição deveria ser invertida contra aquele que diz injuriado, por não há crime algum em ser empregada doméstica. Muito pelo contrário. É uma profissão digna e honesta e que merece muito respeito. O preconceito esTá somente na cabeça daquele que se diz ofendido.

Pedro MPE disse:
09 de janeiro de 2017 às 16:00

É evidente que o comentário do colega Promotor na rede social foi infeliz e imbecil. No entanto, é surreal que o site CONJUR confira ao fato o tratamento de uma manchete jornalística. Comentários imbecis e preconceituosos nas redes sociais são feitos diariamente por advogados, delegados de polícia e toda a sorte de agentes públicos e privados, mas nem por isso o CONJUR publica como reportagem de capa. Agora quando o envolvido é algum membro do Ministério Público o CONJUR faz questão de publicar como se uma asneira dessas fosse uma reportagem muito relevante. Haja parcialidade.
Obs. No fundo a gente sabe que o CONJUR é apenas um cachorrinho raivoso da OAB.

Pedro MPE disse:
09 de janeiro de 2017 às 16:00

É evidente que o comentário do colega Promotor na rede social foi infeliz e imbecil. No entanto, é surreal que o site CONJUR confira ao fato o tratamento de uma manchete jornalística. Comentários imbecis e preconceituosos nas redes sociais são feitos diariamente por advogados, delegados de polícia e toda a sorte de agentes públicos e privados, mas nem por isso o CONJUR publica como reportagem de capa. Agora quando o envolvido é algum membro do Ministério Público o CONJUR faz questão de publicar como se uma asneira dessas fosse uma reportagem muito relevante. Haja parcialidade.
Obs. No fundo a gente sabe que o CONJUR é apenas um cachorrinho raivoso da OAB.

Luiz.Fernando disse:
09 de janeiro de 2017 às 16:08

Engraçado como o Brasil, um país hipoteticamente democrático, trata de forma tão distinta as pessoas.
Se fosse um cidadão comum xingando os manifestantes, o MPSP iria processar por racismo sem piedade.
No caso da Desembargadora, o cidadão mortal seria denunciado por crime contra a honra, no mínimo.

Mas, como as palavras defenestradas foram de um Promotor de Justiça, os pares amortizam a repercussão e no final a "pena" é de mera suspensão ou advertência, por mais grave que seja.

Comentários de igual magnitude (senão piores) nas redes sociais ocorrem igualmente nos EUA, com uma diferença: lá a liberdade de expressão não admite processar alguém à esmo (vide Trump); aqui, a choldra sofre as consequências da Lei e os agraciados com foro privilegiado, além de sugarem os cofres públicos de todas as formas possíveis, têm a seu favor o escudo invisível da impunidade e irresponsabilidade absoluta (sim, ela existe no Brasil).

Ultimamente nosso país está de parabéns...

juarez_silva disse:
09 de janeiro de 2017 às 18:55

O cara é preconceituoso/discriminador reincidente... OK, mas racismo não é o enquadramento para as situações aventadas...

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
09 de janeiro de 2017 às 20:08

Passarinho que come pedra sabe que vai ficar pesado e não alçará voo. Fez gracinha, achando que seria prestigiado e se deu mal, pois em plenário do Júri, ou onde estiver, será lembrado como o representante do Ministério Público paulista que odeia pobres e não reconhece a importância das empregadas domésticas (que costumo chamar de auxiliares do lar). Crescer por sobre desafortunados não enobrece quem assim se posta. Se queria aparecer, deu certo, todavia, em sentido contrário.

Observador.. disse:
09 de janeiro de 2017 às 20:18

Dá nisso.
Nos EUA, estaria no olho da rua .
Em Bruzundanga, qual pior cenário (na vida real, não na teoria)??
Isto gerou uma geração de empregados estatais que parecem "poder tudo".
Espero que surja algo que mude isso.
Uma fórmula que já se esgotou.
O mesmo serve para Desembargadora, caso se comprove que está envolvida com algo que não seja o cumprimento da lei,
Até quando seremos assim? Tolerar o intolerável?
O Estado é do povo. Devia servi-lo melhor .
Não o contrário .

magnaldo disse:
09 de janeiro de 2017 às 23:43

Ao passar a investigar diretamente, o MP obteve um poder absoluto, tanto é que Procurador Geral já foi taxado na imprensa de engavetador de processos e nada acontece. Esse promotor já disse que arquivava processo de homicídio quem matasse cidadão que estava prejudicando o trânsito que lhe prejudicava. Precisa mais?

Rogério Aro. disse:
10 de janeiro de 2017 às 07:40

Foi só uma brincadeira.
Esse politicamente correto as vezes cansa. O grave é a desembargadora realmente estar envolvida com a familia do norte. Talvez se fosse da familia do sul,...agradasse mais o promotor! Rsrs

zatara disse:
10 de janeiro de 2017 às 09:12

O "ilustre" Promotor já é "useiro e vezeiro" usando o linguajar amazonense, em tecer comentários depreciativos propositadamente, em detrimento de seu "apurado" senso de sapiência.
- Nobre Pretor, se não respeita nem seus pares, imaginem o que pensa da Plebe.

incredulidade disse:
10 de janeiro de 2017 às 11:52

É que para combater um mal, muitas vezes criamos outro.
Cresce no Brasil um movimento chamado de "libertário", que divulga teses de "liberdade plena" baseada na informação, mas não prevê ou fala sobre como e quem terá acesso a essa informação.
Esse "movimento" é a outra face do comunismo. Enquanto esse conquista os incautos com a cantiga da igualdade, o outro invoca a liberdade. Só falta criarem um para enaltecer a fraternidade, e assim completamos a tríade da Revolução Francesa.
Voltando ao tema, esse movimento busca descriminalizar atos de preconceito, de ofensa, de agressão e humilhação, com a desculpa de que não se pode criminalizar a opinião, em prol do pretenso Deus Liberdade, que deve ser tudo e o mais amplo possível.
Não vou me alongar sobre isso, dado o espaço limitado, mas advirto aos novatos nessa discussão que tomem cuidado, para não substituírem um grupo radical por outro.

João B. G. dos Santos disse:
10 de janeiro de 2017 às 21:43

E para utilizar uma expressão sua qual é o cachorrinho raivoso do MPE?

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