Antigamente, ser progressista significava defender direitos e garantias além dos previstos no ordenamento jurídico e efetivados por decisões. Contudo, a hegemonia atual do discurso de ódio, que prega a punição a qualquer custo, faz com que aqueles que cumprem a lei sejam considerados de esquerda. Essa é a avaliação do juiz da Vara de Execução Penal de Manaus, Luís Carlos Honório de Valois Coelho.
“O discurso de ódio que tem prevalecido tornou o cumprimento da lei irrelevante. As pessoas não estão mais preocupadas com o cumprimento da lei, desde que a pessoa seja punida, fique presa. As pessoas falam com orgulho que os presos têm que morrer. Esse discurso, um discurso pró-violação da lei, faz com que as pessoas que sejam legalistas aparentem ser progressistas, de esquerda. Cumprir a lei hoje em dia é perigoso”, afirma.
Ele sabe do que está falando. Notório defensor do direito de defesa e dos direitos humanos, Valois atraiu os holofotes da opinião pública por ter negociado com presos durante a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, que se iniciou no dia 1º de janeiro e terminou com a morte de 56 presos, muitos decapitados. Logo em seguida à revolta, contudo, jornais apontaram que ele era suspeito de ter ligações com a Família do Norte (FDN), facção responsável pelo massacre. A acusação, baseada em uma operação da Polícia Federal iniciada porque detentos mencionaram seu nome em uma conversa telefônica, rendeu-lhe ameaças de morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), rival da FDN, e a pecha de “defensor de bandidos” em setores da imprensa e das redes sociais.
Experiente na resolução de motins de detentos, ele credita a calma que mantém durante as tratativas aos anos de prática de judô e jiu-jitsu, que exigem um alto nível de concentração. Porém, nem sempre as negociações acabam bem. No dia 1º, Valois passou cerca de seis horas no Compaj, e conseguiu a libertação de três dos 10 reféns, além da promessa de que outros dois seriam soltos às 7h do dia 2. O juiz então foi para casa, e voltou no horário combinado. Mas quando entrou no presídio, viu que já não havia mais nada para se mediar. As galerias estavam apinhadas dos “restos da barbárie” — braços, pernas, corpos sem cabeça e corpos carbonizados.
Esse nível de brutalidade foi inédito até para ele, que já comandou um acordo com detentos em meio a 12 corpos e poças de sangue. “Mas [naquela ocasião] não tinha nenhum corpo como os que encontrei dessa vez, sem cabeça, sem braço. Isso eu nunca tinha visto”.
A rebelião de Manaus deu início a uma onda de assassinatos em penitenciárias que já contabiliza 134 vítimas em 2017. Para remediar essa situação, o presidente Michel Temer anunciou a construção de novos presídios. No entanto, o juiz do Amazonas opina que essas medidas são paliativas. A seu ver, a crise carcerária e a criminalidade só serão efetivamente resolvidas quando o uso e o comércio de drogas forem regulamentados. Com isso, as 174.216 pessoas condenadas por vender entorpecentes deixariam os presídios (28% dos 622.202 detentos do Brasil), as facções se enfraqueceriam sem o dinheiro ilegal vindo do tráfico e a polícia poderia se concentrar em prevenir crimes mais violentos, como roubo e homicídio, destaca Valois.
O juiz também critica aqueles que declaram que a operação “lava jato” está diminuindo as garantias dos acusados no Brasil. Segundo ele, o direito de defesa já está rebaixado há muito tempo. “O Direito Penal real não é o Direito Penal da 'lava jato'. O Direito Penal real é muito mais violador do que o da 'lava jato'."
Em entrevista à ConJur, Valois ainda sustentou a ineficácia da prisão, declarou que o ensino jurídico ficou muito técnico e disse ser contra presídios administrados por entidades privadas.
Leia a entrevista:
ConJur — Como foi a sua atuação na negociação da rebelião com os presos em Manaus?
Luís Carlos Valois — Eu estava em casa no dia 1º de janeiro, domingo, e várias pessoas já tinham me telefonado pedindo para ajudar na negociação com os presos, mas eu disse que não ia, que estava com o meu filho, e que era para chamar o juiz plantonista. Só que aí o próprio secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, me ligou por volta das 22h, pedindo ajuda. Isso me deu o maior susto, porque ele nunca tinha me ligado na vida. Aí eu vi que o negócio era sério mesmo. Concordei e ele me pegou em casa, me deu um colete à prova de balas e fomos para o presídio. Lá, o coronel e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Seccional do Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil, Epitácio da Silva Almeida, estavam negociando com os presos pelo rádio, mas quando cheguei houve uma discussão com o pessoal da segurança pela possibilidade de encontrar pessoalmente o preso que estava comandando a negociação. Nessa hora, a situação ficou ainda mais tensa, porque os presos acertaram o braço de um policial com um tiro, aí começou uma correria, descobriram que havia presos em cima do muro. Depois disso, fomos encontrar dois presos que estavam comandando a negociação.
Quando eu cheguei para falar com o preso, eles estavam com dez reféns. Então eu disse "olha, eu estava em casa, no recesso judicial, não estava a fim de vir para cá. Então, em consideração ao fato de eu estar aqui, a única coisa que eu quero é que vocês liberem três reféns". Falei isso já orientado pelo coronel. Eles responderam que antes iam consultar os outros presos. Daí eu disse: "Então falem, porque se não liberar eu vou embora para casa, não faz nem sentido eu estar aqui se vocês não demonstrarem interesse em dialogar". Como os presos tinham feito um buraco no muro e passado para o semiaberto do complexo, eu acrescentei: "Outra coisa: não estou gostando de os presos passarem para o semiaberto; quero que todo mundo volte para o fechado, senão vocês vão prejudicar aqueles que estão terminando de cumprir suas penas". Os detentos se juntaram aos demais, voltaram e nos entregaram um papelzinho com umas reivindicações, como a polícia não bater neles, manter a rotina do presídio, não ter transferência para a penitenciária federal e a tropa de choque não entrar. Ou seja, tudo consequência da rebelião, nada relacionado a protesto, a maus tratos. Eu peguei o papel, e disse que só ia olhar as propostas se soltassem os reféns. Aí o secretário de Segurança Pública, determinou, pelo rádio, que os presos que estavam no semiaberto voltassem para o fechado. Ele disse: "Voltem para o fechado. Quem fugiu, fugiu, quem não fugiu não foge mais". Eles obedeceram e soltaram três reféns, como eu tinha pedido, e nós combinamos de nos encontrar de novo para falar das reivindicações deles. Às 4h, a gente se encontrou de novo, e eu disse que não tinha como impedir a tropa de choque de entrar, mas que era melhor que isso fosse feito logo, pois teria o acompanhamento da Comissão de Direitos Humanos da OAB e do secretário de Segurança Pública. Eu também disse que não poderia garantir que eles não seriam mandados para a penitenciária federal, pois estaria interferindo em processos que não são meus. Os presos entenderam, e disseram que iriam liberar mais dois reféns, mas só às 7h. Mas aí o secretário de Segurança Pública se irritou, e disse "olha, não vamos ficar aqui dando moral para os presos. Se eles não querem liberar agora, vamos embora. Quando eles quiserem, a gente volta".
Fui para casa, e às 7h, um carro do grupo especial da Polícia Civil me levou de volta para o presídio. Quando eu entrei lá para recepcionar os reféns, vi os restos da barbárie: vários braços, pernas, corpos sem cabeça, corpos carbonizados. E olha que vários corpos já tinham sido retirados do presídio pelos próprios presos e pelo Instituto Médico Legal. Aí os reféns saíram, a tropa de choque entrou e eu fui embora para casa.
ConJur — O senhor já participou de outras negociações de rebeliões? Se sim, como elas foram?
Luís Carlos Valois — Eu já participei de umas quatro. Antes dessa, a pior tinha sido em 2006. Morreram 12 presos, e eu fiquei negociando a rebelião em meio aos corpos e ao sangue. Mas não tinha nenhum corpo como os que encontrei dessa vez, sem cabeça, sem braço. Isso eu nunca tinha visto. Teve uma vez, em outra rebelião, que eu vi uma cabeça sendo chutada por um preso, mas foi de muito longe, não assim de perto como agora.
ConJur — O que o senhor tem a dizer das acusações da Polícia Federal de que teria ligações com a Família do Norte, pois foi citado em uma conversa entre integrantes da facção?
Luís Carlos Valois — A Polícia Federal normalmente é formada por pessoas de fora do Amazonas que passaram em um concurso e vieram para cá. Quem me conhece sabe do meu trabalho, sabe que eu sou respeitado pelos presos porque faço um bom trabalho no sistema penitenciário. Mas a polícia está na guerra, no combate do dia a dia, então ela vê um juiz sendo elogiado por um preso, é natural que ache que o cara é suspeito, e até que o investigue. Mas é claro que foi um equívoco eles acharem que eu tinha ligação com a FDN. Eu não tenho conivência com facção e nem legitimo isso. Só trato todos os presos com respeito, como eles têm que ser tratados. Por isso eu tenho a consideração deles.
ConJur — O senhor acha que há uma certa perseguição a juízes mais garantistas ou defensores dos direitos humanos?
Luís Carlos Valois — Sim, porque o discurso de ódio que tem prevalecido tornou o cumprimento da lei irrelevante. As pessoas não estão mais preocupadas com o cumprimento da lei, desde que a pessoa seja punida, fique presa. As pessoas falam com orgulho que os presos têm que morrer. Olhe as declarações depois dessa rebelião: gente comemorando mortes de seres humanos, estimulando, inclusive, a morte de mais presos. O secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, disse que “tinha era que matar mais, tinha que fazer uma chacina por semana”. Como pode um negócio desses? Esse discurso, um discurso pró-violação da lei, faz com que as pessoas que sejam legalistas aparentem ser progressistas. Antigamente, o progressista era aquele cara que queria algo a mais que a lei, garantias a mais do que a lei previa, Justiça além da lei. Hoje em dia, quem cumpre a lei é progressista, parece que é de esquerda. E esse discurso de ódio também atinge o Judiciário. Cumprir a lei hoje em dia é perigoso.
ConJur — Como o senhor avalia as medidas anunciadas pelo governo para combater a crise carcerária, como a construção de novos presídios federais, repasses para criação de novas prisões estaduais e bloqueio de sinal de celular nas cadeias?
Luís Carlos Valois — Tudo isso é paliativo. Há duas opções: construir mais presídios, e prender mais gente, ou prender menos gente. Para prender menos, vai deixar de prender quem? Os que praticaram pequenos furtos? O impacto vai ser muito pequeno, fora que o conceito do que é pequeno furto é muito subjetivo. Vai prender menos que praticaram roubo? A sociedade não vai aceitar. Então, o único caminho que eu vejo para diminuir o encarceramento em massa que há no Brasil é repensar a política de drogas. O mercado de drogas trata de relações comerciais voluntárias. A pessoa vai lá e compra a droga, não há violência. Com o uso e comércio de drogas regulamentados, sobra dinheiro para o Estado investir em saúde, educação, e na polícia, que poderia se concentrar em evitar crimes mais graves.
ConJur — E, aliás, nesse sentido, é legítimo e constitucional o Estado proibir que uma pessoa use uma substância que vai prejudicar ela mesma?
Luís Carlos Valois — Eu concordo com a [juíza aposentada] Maria Lúcia Karam: é inconstitucional proibir o uso de drogas. Em um Estado democrático, onde as liberdades pessoais estão acima de qualquer coisa, não deve ser considerada legítima essa proibição. Mas eu não digo só do uso. Se a gente só descriminalizar o uso, o que o usuário vai consumir? Droga suja? Droga misturada? As overdoses sempre ocorrem porque a pessoa não sabe o que está consumindo – seja porque a droga é misturada com outras substâncias e a pessoa não sabe, seja porque ela é pura, mas a pessoa acha que é misturada e usa mais. Nós vivemos em uma sociedade de livre mercado, onde a livre concorrência é estimulada, onde o lucro é estimulado, e aí criminalizamos uma relação comercial como a das drogas? Isso é um contrassenso.
ConJur — Aqueles que são contrários à regulamentação das drogas alegam que haveria uma explosão no uso de entorpecentes, aumentando consideravelmente os gastos com saúde pública. O senhor concorda com esse argumento?
Luís Carlos Valois — Eu não sei quem são essas pessoas que estão doidas para fumar maconha, mas estão esperando ela ser legalizada para fazer isso. Eu não conheço ninguém assim. Não sei quem são os ingênuos.
ConJur — Que outras medidas poderiam ser tomadas para melhorar o sistema prisional a curto e a longo prazo?
Luís Carlos Valois — É o que eu falei: ou constrói mais penitenciárias ou desencarcera. A curto prazo, o caminho é construir várias penitenciárias, não é? A longo prazo é repensar a política de drogas. E a longo, longo, longo prazo é, inclusive, extinguir a pena de prisão. Não acredito que daqui a 200, 300 anos, a gente ainda esteja punindo o ser humano com esse tipo de punição.
ConJur — A pena de prisão não funciona?
Luís Carlos Valois — Não, não funciona. Você não vai ensinar uma pessoa a viver em liberdade enquanto ela está encarcerada. Ninguém aprende a nadar fora da piscina. Imagine uma aula audiovisual de natação – por mais que você assista a vídeos e palestras, na hora que entrar na água, vai morrer afogado.
ConJur — E que outras penas poderiam ser aplicadas em vez da prisão?
Luís Carlos Valois — Temos um grande leque de penas alternativas, que inclui prestação de serviços à comunidade, limitação de fins de semana, monitoramento eletrônico… Se o monitoramento eletrônico evoluir tecnicamente, a pessoa poderá ficar presa em casa, sem a gente ficar pagando para reunir presos. Nas prisões, a gente paga para os criminosos se reunirem. Isso é muito irracional. Quanto menos pessoas presas, melhor para a sociedade. A prisão é criminógena.
ConJur — Que medidas poderiam ser tomadas para desarticular facções criminosas? Os presídios federais falharam nessa missão?
Luís Carlos Valois — Tenho certeza disso — os presídios federais até estimularam o crescimento das facções. Aqui em Manaus, por exemplo, não existiam facções até criarem o presídio federal. O primeiro preso que foi para a penitenciária federal voltou com status elevado no meio carcerário, dizendo que ele era líder e tal, e aí esses grupos começaram a se organizar. Agora, acabar com isso é impossível, porque líder de pavilhão, líder de uma penitenciária específica, sempre existiu. Só que agora a gente permitiu que eles tivessem nome, passou a legitimá-los — só falta a gente registrar o Primeiro Comando da Capital no cartório. Se a imprensa está legitimando, se o Estado está legitimando a facção criminosa, está negociando com a facção, está chamando preso de líder, aí, sinceramente, pode começar a escrever sobre Direito Penal tudo de novo. E isso também passa pela regulamentação das drogas, porque as drogas que financiam essas organizações.
ConJur — O que o senhor pensa de presídios administrados por entidades privadas?
Luís Carlos Valois — Por princípio, eu sou contra. O Estado não faz isso para o bem do preso, ele faz isso para o bem dele, para diminuir custos. E no Brasil, até viaduto é superfaturado e, por isso, muitas vezes acaba caindo. Mas se isso acontece com uma prisão, morrem 56 pessoas.
ConJur — É constitucional transferir a guarda de presos e a segurança de um presídio para a iniciativa privada?
Luís Carlos Valois — Se o Supremo Tribunal Federal está permitindo isso, então deve ser… Eu acho que a parte médica, a parte social, a parte educacional poderiam ser terceirizadas. Mas não acho que seja constitucional transferir a parte de segurança.
ConJur — O sistema penal brasileiro é muito rígido? Há crimes punidos com prisão que poderiam ter penas alternativas?
Luís Carlos Valois — Com certeza há. Crimes de menor potencial ofensivo, como injúria, calúnia, difamação e porte de arma e delitos de trânsito poderiam ser resolvidos na delegacia. Mas o Judiciário ainda é muito preso a uma visão que considera a prisão como única forma de punição. O ensino jurídico é um ensino altamente técnico, fraco de Filosofia, Ciência Política, Psicologia… Ou seja, você forma um profissional em "Direito Técnico". E por ser técnico, qualquer discurso ideológico encaixa nele. O técnico do Direito não consegue discernir que o discurso geral, o discurso de ódio, está tendo um efeito na sua conduta, no seu trabalho, então ele acaba sendo um técnico com ódio. Nós formamos profissionais sem capacidade de fazer reflexão sobre princípios do Direito, sobre a Filosofia do Direito, até sobre como aquele ódio está influenciando a sua prática jurídica. E muitos desses técnicos acabam ingressando na magistratura, e só veem a prisão como um mecanismo. Muitos juízes não conseguem perceber, por exemplo, que os seus réus são só negros e pobres; para eles, se é réu, se cometeu o crime, merece a prisão. Eles não conseguem perceber a desigualdade social nos próprios trabalhos deles, eles acham que estão fazendo uma atividade técnico-científica, e continuam prendendo gente. Então, o Judiciário é um obstáculo às penas alternativas.
ConJur — Então o Judiciário também é responsável pela superlotação do sistema penitenciário?
Luís Carlos Valois — Com certeza absoluta. O Judiciário tem uma reserva de poder muito grande, e nunca está disposto a abrir mão dele. Por exemplo, não há necessidade de a execução penal ficar concentrada no Judiciário. Para um preso progredir para o regime semiaberto, ele precisa cumprir uma parcela da pena e ter bom comportamento. Quem atesta o bom comportamento é o diretor do presídio, e a progressão da pena qualquer um pode calcular. Então por que a própria administração penitenciária já não pode mandar esse preso para o semiaberto? Nesse cenário, seria possível até pensar na extinção das varas de execuções penais.
ConJur — A recente decisão do STF de permitir a execução da pena após condenação em segunda instância agrava o quadro carcerário?
Luís Carlos Valois — Agrava, com certeza. Qualquer pessoa a mais agrava o sistema carcerário. Em uma cela onde cabem oito pessoas e há 30, se você colocar uma a mais, a situação vai piorar. Aquela pessoa extra pode fazer com que o pessoal daquela cela resolva matar outra dentro para ter espaço. Isso acontece no Brasil. É a ciranda da morte.
ConJur — Aumentar penas reduz a criminalidade?
Luís Carlos Valois — Está mais do que comprovado que aumentar penas não reduz a criminalidade. Todos os livros de criminologia dizem isso. O criminoso não sai para cometer crime com uma calculadora: "Isso eu vou cometer porque dá, no máximo, dois anos; isso eu não vou cometer porque aumentou a pena na semana passada”. Quando a pessoa comete um crime, ela o faz achando que não vai ser pega, que não vai ser presa. O que estimula a criminalidade é a impunidade, não é o tamanho da pena. Se você acha que vai ser preso, se você tem certeza de que vai ser preso, a pena pode ser de 30 dias que você não comete o crime. Só que a criminalidade aumenta porque as pessoas começam a desacreditar no Estado. E nisso o aumento de penas, na verdade, é um estímulo à criminalidade, porque quanto mais você cria crimes e aumenta a pena, mais as pessoas que estão cometendo crimes têm a sensação de impunidade.
ConJur — E como diminuir essa impunidade?
Luís Carlos Valois — Para diminuir a impunidade, precisa aumentar os investimentos na polícia, em investigação. Mas aí é o que eu disse: a guerra às drogas atrapalha, porque a polícia vai para a esquina, pega cinco, seis, com duas, três trouxinhas de droga, volta para a delegacia e não investiga roubo, não investiga homicídio.
ConJur — O senhor é favorável à redução da maioridade penal?
Luís Carlos Valois — Claro que eu sou contra. Primeiro que o menor já é punido tão ou mais gravemente que o maior. Por exemplo, o Champinha [que assassinou o casal de adolescentes Felipe Caffé e Liana Friedenbach em 2003, na Grande São Paulo], se tivesse sido preso como adulto, já estava solto. Eu não sei que pena é essa que ele está cumprindo, porque na legislação de menores o princípio da legalidade parece que não é respeitado. Em segundo lugar, no Brasil não tem nenhuma separação entre os presos por idade. Ou seja, um jovem de 18 anos fica na cela com um de 30. E um jovem de 16, isso qualquer pessoa sabe, não tem a força física de um homem de 25, 30 anos. Assim, um jovem de 16 anos ou vai morrer, ou vai ter que servir de soldado ou vai ser violentado. Fora que aumentaria a população carcerária em 31% de um dia para o outro.
ConJur — Muitos profissionais do Direito avaliam que a operação “lava jato” vem ajudando a rebaixar o direito de defesa no Brasil, por usar métodos como prender preventivamente para forçar delações e abusar de conduções coercitivas. O que o senhor pensa dessa análise?
Luís Carlos Valois — Tem muitas pessoas que ingressaram no Direito Penal com a “lava jato” e não conhecem a realidade dessa área. Por exemplo, a interceptação telefônica. Sabe como é a interceptação telefônica de pobre? O PM toma o telefone do pobre na rua, vasculha o celular dele, vê as mensagens dele. Se achar que tem alguma coisa, leva o suspeito para a delegacia e pronto, já era. Cansei de ver prisão em flagrante de pobre em que o policial inclusive narra na justificativa que olhou o celular da pessoa. Mas imagina olhar o celular de um empresário da “lava jato” — não vai, tem que ter mandado. Tem muita gente que ingressou no Direito Penal de ontem para hoje que não sabe o que é incomunicabilidade do preso — colocam um monte de pobres na cela da delegacia sem avisar as famílias. E quantos presos não são transferidos para um local em que a família não tem acesso, que não tem dinheiro para ir? O Direito Penal real não é o Direito Penal da “lava jato”. O Direito Penal real é muito mais violador do que o da “lava jato”.
Eu não quero dizer que há violações legais na “lava jato” porque é um caso em andamento e eu não posso me manifestar, mas se há violações na “lava jato”, elas podem servir de modelo para alguns juízes. Isso porque muitos juízes no Brasil admiram o Sergio Moro, admiram a sua atitude, a sua posição social como combatente da corrupção que foi colocada pela sociedade. Então, os juízes querem repetir esse modelo, querem ser iguais — "somos todos Moro", não é? Esse padrão de juiz combatente é muito perigoso, porque o juiz não pode ser combatente de nada, — ou é juiz ou é Batman, não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo. O juiz tem que ser imparcial. Se você pesquisar na internet, vai ver que há estados em que foi criada a Vara de Combate ao Crime Organizado. Ora, uma vara não pode ser de combate a nada — vara é vara, é de Justiça. É uma deturpação da própria palavra Justiça. Então, o direito de defesa já está rebaixado há muito tempo.
ConJur — Nessa mesma linha, há muitos profissionais do Direito que afirmam que as 10 medidas para a corrupção propostas pelo Ministério Público Federal são um sintoma do aumento do punitivismo no país, pois fortalecem os poderes da acusação e diminuem os da defesa. O que o senhor pensa disso?
Luís Carlos Valois — Eu concordo plenamente. A começar pela legitimação da prova obtida por meios ilícitos. Olha que absurdo: claro que isso é para punir mais gente, para prender mais gente. Só que ninguém pode punir uma outra pessoa de forma injusta, de forma ilegal.
ConJur — As 10 medidas acabariam por punir os mais pobres em vez dos acusados de corrupção?
Luís Carlos Valois — Com certeza poderia prejudicá-los, mas os pobres estão já tão prejudicados que não precisa de mais nada para puni-los. Na verdade, o que parece dessas medidas é que o Direito Penal está precário com relação aos pobres, e o MP procura precarizar com relação aos crimes que não consegue punir, porque não são de pobre.
*Texto atualizado às 11h08 do dia 16/01/2017 para correção de informações.
Extinguir a pena de prisão somente se deixar a sociedade fazer sua própria justiça (linchamento), é isso? Vamos combinar assim?
Então em um país onde se vc entra na rua errada é fuzilado é melhor não prender? Melhor para a sociedade? Reparem que em todo lugar onde juízes como esse (conivente com o crime) atuam as facções ganham mais poder e poder, porque será?
Tem que encarar a realidade como o juiz Valois faz todos os dias. Concordo com quase tudo o que o magistrado falou, exceto que para quem comete crime com violência, eu acho que deve ser encarcerado, em cela individual, não ter contato pessoal com os agentes penitenciários nem com as visitas (deveria ser por videoconferência) e acompanhamento psicológico; quanto à parte da ressocialização, pode ser feita em contatos pessoais e regulares com defensores dos direitos humanos, religiosos e demais cidadãos abnegados. Também acho que o "poder" das facções acabaria se as drogas fossem legalizadas. Também acho que não tem ninguém querendo usar e "se segurando" para aguardar a legalização. Quem quer usar, usa, é o que a gente vê em todo lugar. E saúde para o juiz Valois!
A conjur vive criticando o judiciário, mas basta aparecer um juiz garantista conivente com o crime, mesmo que tenha ligação com facções, que ganha destaque nesse portal absolutamente parcial, aqui a conjur pergunta, na pergunta coloca sua opinião e induz o entrevistado à concordar com a conjur, triste não ter nesse país um portal de notícias jurídicas realmente imparcial, até o esquizofrênico Aragão esquerdista ganhou uma cativa nesse portal depois que criticou a lava jato, muito triste isso.
O Juiz conhece uma das faces perversas da sociedade. Nas periferias das grandes cidades é pobre matando pobre. A Democracia sem normas efetivas e dotadas de suficiente coerção, permite a ampliação do Direito Penal.
O Estado é o lixo inútil que o cérebro mediano acha que é necessário. Se o presídio fosse privado nunca teria ocorrido essa rebelião, porque o empresário sabe cuidar de seu patrimônio, já o Estado... vivemos numa crise insuportável de aumento da violência, por criminosos habituais, mas as pessoas ouvidas ainda são as que não sabem pensar além, insistem em falas como "o problema é prender demais". Errado! O problema é o sistema adotado. Gunther Jacobs já explicara que certas pessoas não podem ser tratadas dentro do sistema destinado aos criminosos eventuais. Tem que ser muito descarado pra dizer que um membro do pcc vai se regenerar nesse sistema de penas fictícias, cheio de regras pré colocadas e destinadas a gente que eventualmente cometeu um delito. Tem que ter um sistema que retire direitos para reincidentes. Hoje ninguém anda com celular à vista, por medo! Policiais se escondem, por medo! O sistema inteiro de punição tem que mudar sim, para piorar a vida do reincidente. As pessoas precisam ter horror ao sistema prisional, só assim se vai reduzir a violência. Quem furta uma vez, tem que ter uma pena gigantesca, para nunca mais pensar em fazer de novo. E o presídio tem que ser privatizado, porque só assim não se terá rebeliões ou destruição desses prédios.
Privatizar é VENDER o prédio para o particular, nada diferente disso é privatização!
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id= 2601
Não sei se o entrevistado e dá ajd. O discurso sem dúvida. E um risco usar judiciário p fazer proselitismo marxista. Deveria apontar algum preso pelos crimes q menciona. Será q conhece algum preso por crime contra a honra. Veja o q deu. E como gostam de usar varas criminais. Em SP um juiz dá ajd parece q foi até a onu ao ser afastado dá jurisdição criminal. Judiciário deveria estar menos comprometido c ideologia. Ainda mais em um país onde 60 mil são assassinadas por ano. Será q conseguem negar a correlação entre número de presos e segurança mostrada por SP q tem aenor taxa de homicídios e o maior número de presos.
Entao ser progressista é cumprir a lei destes comunistas em que bandido é vitima da sociedade
Entao ser progressista é cumprir a lei destes comunistas em que bandido é vitima da sociedade
Excelente a entrevista concedida pelo juiz Valois. Trata com lucidez e experiência desse tema que vem assombrando a todos.
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Logo hoje a Folha de São Paulo publica editorial defendendo a legalização das drogas. É hora do país encarar o tema sem paixões.
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Essa "guerra às drogas" é estúpida e contraproducente.
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Parabéns ao magistrado por cumprir suas funções com consciência do exato papel que a sociedade lhe atribui.
Mas e a prática?
Há mais de década que certas teorias estão à frente, ditando as regras de comportamento da nação, e a tudo influenciando.Inclusive o Direito.
Mas o país faz água por todos os lados.Estamos claramente afundando.
Agora que, por causa do naufrágio, surgem discursos tentando mostrar outros caminhos, outras visões, vemos os mesmos que nos levaram ao naufrágio apontando estes novos discursos, e seus agentes, como causadores do afundamento do S.S Bruzundanga....
É um país realmente surreal.
Do alto dos nossos 60.000 homicídos/ano, falam em "discursos de ódio". No fundo, qualquer um sabe que não são, em sua maioria, discursos de ódio.Sim, tentativas desesperadas da sociedade de ser ouvida em seu medo de morrer ou de ver um ente querido ter a vida ceifada por muito pouco. Pois é assim que a vida é em nossas cidades.
Há muitos marginais que tratam o cidadão comum (já nem o chamarei de cidadão de bem pois isto também é visto como um rótulo inexistente e fruto de uma ideologia de Direita), como um "nada". A sociedade está cansada de ser morta nas ruas. A reação, que apelidaram de ódio, no fundo, é um grito de desespero e de medo.
Muitos não querem compreender ou não se importam.
Não acredito que a descriminalização das drogas possa representar algum avanço no Brasil, tampoco que possa ser o fio condutor principal à redução da população carcerária. O que é preciso, longe de qualquer demagogia, é investimento em educação, reduzir a taxa de desemprego, elevar o valor do salário mínimo, erradicar a pobreza e a corrupção, efetivar a segurança e a saùde pública, tornando, dentre outros, a sociedade consciente de que é preciso exercitar a solidariedade, a compaixão e o respeito mútuo, independente de classe social. Esses ingredientes elementares, na minha visão, são os únicos que podem resolver todo e qualquer antinomia social e elidir ou reduzir substancialmente as mazelas endêmicas como a vultosidade da população carcerária.
Por acaso agora querer ver esses bandidos serem punidos por terem agredido pessoas inocentes é discurso de ódio? Realmente certas pessoas são mais dissimuladas e descoladas da realidade do que eu imaginava.
Péssimas observações! Emplacar a visão esquerdista mecionada só iria agravar ainda mais o problema.
O que é pregado nunca foi utilizado com sucesso em qualquer lugar do mundo!
O que o Brasil precisa é:
1) acabar com impunidade;
2) penas proporcionais à gravidade dos crimes;
3) tratamento diferenciado entre criminosos eventuais e bandidos de carreira!
O plano é simples! Complicado é colocar em prática!
No Brasil, o problema é que todo mundo tem sua opinião e ninguém respeita a lei. Juiz progressista está longe de ser legalista. Na verdade são contra a prisão, e agem como sabotadores dentro do sistema, contribuindo diretamente para o fracasso dele, para depois criticá-lo.
Juízes como o de Manaus, não parecem ser maioria, mas onde atuam, causam grande estrago, contribuindo diretamente para o aumento da criminalidade!
O magistrado entrevistado pelo CONJUR é Juiz da Vara de Execução Penal em Manaus. Na entrevista alega merecer a "consideração" dos presos e diz ser "elogiado" porque, a seu juízo, executa um bom trabalho no sistema penitenciário. Contudo, termina defendendo, a longo prazo, a extinção da pena de prisão! Acredita que a prisão "é muito irracional"! Que "menos pessoas presas, melhor para a sociedade" (sic). Para ele, "os presídios federais até estimularam o crescimento das facções" e não acredita que essas deixem de existir, pois seus líderes nunca se acabarão.
O magistrado defende a regulamentação das drogas por entender ser inconstitucional sua proibição. É contra a redução da maioridade penal.
Esse mesmo magistrado está sendo investigado pelo STJ, a pedido do MPF, que ingressou com pedido de busca e apreensão contra o juiz, acusado de ligações com a facção Família do Norte (FDN). Há "fortes indícios de participação do magistrado no ajuste criminoso destinado à liberação de presos integrantes do grupo FDN" .
O ministro Raul Araújo, do STJ, autorizando diligências contra o juiz, apontou como relevante "a informação de que em momento de crise institucional no sistema prisional do Estado do Amazonas, o mencionado magistrado teria solicitado apoio dos presos para permanecer na função".
De frisar, além do mais, que considero decepcionante a posição do magistrado em defesa da legalização das drogas. Nosso país não tem estrutura e organização suficientes (caso da Holanda) para fiscalizar o consumo e uso de drogas. Tampouco é aceitável liberar drogas na suposição de que só fará mal ao próprio usuário. Droga é problema de saúde pública, causa seríssima dependência. Seus malefícios deixam muitas sequelas, além de fomentarem ações criminosas.
Discurso inocente. Basta ver como a cracolândia evoluiu depois da lei 11343/06. Outro ponto desde 1990 as leis só afrouxam as regras, cada vez se solta mais, mas, então por que há tantos presos? Simples: porque existe uma massa avessa a trabalho. Porque o brasileiro é violento. Porque a impunidade é certa. A polícia tem culpa? A polícia não, mas o governo que não investe nela sim. O legislativo que cria investigação de escada, como a lei da interceptação sim.
Droga: nome dado aos narcóticos ou entorpecentes (morfina, cocaína etc).
Entorpecente: Substância tóxica, droga ou medicamento que, agindo sobre o sistema nervoso, provoca uma sensação de entorpecimento e de embriaguez, podendo causar dependência física ou psicológica.
Ou seja, mais gastos públicos com segurança e saúde.
Quando o Estado é incompetente para combater o problema, descriminaliza o problema, gerando outros ainda maiores.
A intenção disso: dar lucro a empresas de políticos que terceirizam seus serviços à Administração Pública.
Esse juiz mora em qual país? Dizer que describe nalizar as drogas vai liberar mão-de-obra para combater outros crimes como roubo e assassinato é estar alheio à realidade ou atender interesses sabe-se lá....
Ele não sabe que além da briga entre gangues, boa parte dos crimes de homicídio e roubo são praticados por vagabundos que não trabalham e não têm dinheiro prá manter o vício?
Será que ele sabe que a maioria não é como ele que tem carro, quiçá blindado, que trafega de garagem a garagem e pouco se submete ao risco dos 60000 assassinatos por ano?
Muito bom o artigo que o senhor postou.
Me parece que a busca de resultados, de práticas que realmente funcionem, não é o que se busca - de fato - neste país.
As disputas ideológicas, o bom mocismo retórico, e outras práticas que nada acrescentam ao desenvolvimento da nação, são as que provocam mais debates e nos mantém patinando, em uma eterna busca pelo desenvolvimento que não chega.
TRF-4 considera alcoolismo como tipo de deficiência e concede benefício (http://www.conjur.com.br/2017-jan-14/tr f-considera-alcoolismo-deficiencia-conce de-beneficio).
Se estão pagando benefícios para alcoolicos, imaginem para esses outros drogados.
Agora vamos bancar mais essa leva de "deficientes".
Tá difícil ser decente nesse país de tanta imoralidade.
A facção comete um crime bárbaro desses e ao invés do Estado criar uma força tarefa, em especial nas fronteiras, fala-se em soltá-los.
Enquanto houver essa divisão "cidadão de bem" e os demais - ou seja, não se considerar no mesmo patamar todos como "cidadãos" (sem complemento e adjetivação) e tratamentos diferenciados tipo "lava a jato" (por mais rebaixada que esteja) e o direito penal do dia a dia descrito pelo juiz Valois, não haverá plena justiça. Creio que a justiça só será mais imparcial (=mais democrática), quando houver menos desigualdade social, vide o verdadeiro apartheid da matança de jovens negros nas periferias, tão denunciada pelos Direitos Humanos daqui e internacionais, matança de jovens que não são considerados "de bem" e para os quais as "pessoas de bem" viram as costas, como se não fossem cidadãos no mesmo patamar que elas, sujeitos ao mesmo respeito, cidadania e regras penais. Há uma linha divisória no Brasil, abaixo da qual há invisibilidade - negação do indivíduo com direitos, que permite a violência do Estado, avalizada pelas "pessoas de bem". Me chama a atenção, por ex.: quando há queda fatal de avião ou um acidente como aquele que ocorreu no Rio há alguns anos em que um barco afundou com pessoas de classe média alta, apressam-se para divulgar a lista de nomes dos mortos. Na matança de Manaus, alguém viu a lista de nomes dos assassinados?
Curioso... Um juiz que tem por ídolos Stalin, Che Guevara, Fidel Castro, Mao e etc. tem a audácia de falar em discurso de ódio. Verdadeiramente um piada. Inadmissível alguém assim avesso à democracia integrar o Judiciário.
http://radiovox.org /2017/01/04/o-juiz-comunista-pro-drogas- e-acusado-de-conexoes-com-familia-do-nor te-das-farc/
Gente perigosa deve estar presa. (Embora eu concorde que pequenos traficantes e usuários não devam ser encarcerados.) E a função fundamental da prisão é preservar a sociedade de pessoas perigosas. A ressocialização é desejável, claro, mas não é sua função mais importante.
O tal "ódio" começou a ser usado como arma ideológica pelos ditos ou autoproclamados "progressistas". Teoria Crítica, Escola de Frankfurt.
A entrevista só demonstra que tal magistrado aplica seu viés ideológico em sua função, assim como p. ex. um professor esquerdista tenta doutrinar alunos, segundo seus princípios.
No caso, tem uma visão deturpada de mundo em que o mote é a vitimização da marginalidade contra a sociedade opressora.
O papel principal das penas é tirar do convívio com os demais, pessoas que agridem e ofendem direitos de outros. Em segundo lugar, a ressocialização.
A vítima é quem foi roubado, lesionado, estuprado ou assassinado, e não o agente desses crimes. De modo que a pena ao criminoso evita que este continue a cometer mais delitos.
Tenta deturpar fatos, mas na realidade é que as cadeias superlotadas e disfuncionais não são causas mas sim efeitos de políticas públicas impróprias ou inaplicadas, advindas do mal uso de verbas ou sua escassez, principalmente pela notória corrupção na política.
Então, o debate tem que ser iniciado a partir de seus problemas iniciais, e não como bandeira ideológica.
O indivíduo é condenado e vai para a cadeia por transgredir as regras de convivência social, numa demonstração clara e óbvia de que não sabe viver em liberdade.
Mas para o magistrado, ele preso também não vai aprender a conviver em liberdade. Então, o que fazer? Pena de morte, apelar para cada pessoa que ama bandido adote um com o compromisso de que vai controla-lo ou deixa-lo solto matando, estuprando, roubando e praticando toda sorte de maldade contra seus semelhantes?
Eis a questão!
Na parte da entrevista que li (não pude continuar porque o ASCO que me gerou foi insuportável) o magistrado deixa muito claro que não está a serviço do povo em geral. É, amigos, estamos à mercê de pessoas que estão preocupados com o bandido, sua liberdade, seu futuro, seu bem estar, sua recuperação, etc. etc. A sociedade dane-se.
Primeiro, muito triste essa pergunta ao entrevistado, como se todo pobre fosse criminoso.
Antes fosse!
Hoje o Brasil não teria assistido o Mensalão, Petrolão e Lava jato.
Aí o dinheiro que não seria surrupiado do erário, poderia ter sido aplicado em políticas públicas sociais sérias, duradoras e não visando as próximas eleições.
Infelizmente, os políticos usam os pobres para angariar votos.
Nenhum deles fez, ao longo dos 30 anos de democracia, uma política séria para educar o povo.
Os políticos preferiram torrar o dinheiro público em Copa do Mundo, fazer estádios, dar indenização (e salários- pagos pela falida Previdência Social) a jogadores campeões das copas de 58.62 e 70, Olimpíadas invés de trabalhar seriamente em prol do povo.
Tudo isso sob o silêncio subserviente de todos os intelectuais, que, muitas vezes, pensam ideologicamente.
Por outras palavras: ser pobre não é sinônimo de ser criminoso!
Descriminalização das drogas: se hoje há inúmeros “noiados” por aí, o que dirá quando a droga for “livre”?
Em um Estado de Direito as Liberdades pessoais não estão acima do descumprimento das normas penais.
E usar drogas não é liberdade pessoal, mas, um incentivo à prática de crime ou seja...
Depois que a Constituição Nacional deu cidadania para bandidos comuns, o crime passou a compensar.
E isso é um dos motivos, talvez até o principal, da superlotação carcerária: a polícia,MP e Judiciário fazem um excelente trabalho em prol do Direito.
No mais, externo meus sinceros cumprimentos ao digno Juiz pelo hercúleo e relevante trabalho efetuado.
Enquanto nos Estados Unidos a legalização da maconha gera bilhões, diminuem os encarceramentos e causam a falência dos carteis mexicanos, no Brasil (primeiro mundo) entopem as prisões de usuários e pequenos traficantes. Esse é o Brasil, país do futuro e sem futuro.
http://www1.folha.uol.c om.br/mundo/2017/01/1846581-industria-da -maconha-na-california-espera-boom-pos-l egalizacao.shtml l.com.br/ultimas-noticias/efe/2016/02/01 /maconha-legalizada-no-colorado-afeta-tr aficantes-mexicanos-aponta-relatorio.htm .
https://noticias.uo
Dr. Coelho adv autônomo: Vc pegou na veia. essa notícia deixa doente os operadores enrustidos desse mercado negro. A a livre concorrência é como o sol q purifica todos os males.
Dr. Coelho adv autônomo: Vc pegou na veia. essa notícia deixa doente os operadores enrustidos desse mercado negro. A a livre concorrência é como o sol q purifica todos os males.
É apavorante como a maioria dos comentaristas não conhecem as periferias das grandes cidades, nas quais os "rebeldes primitivos" lançam-se à prática de crimes, cientes da impunidade.
Em tais locais o Direito do Trabalho, que protege aqueles que saem das empresas após exaustiva jornada de trabalho, são vilipendiados pelos "rebeldes", certos de que o Direito Penal não os alcança.
Com a Constituição de 1988 foram enaltecidos os direitos em detrimento das obrigações.
Os "rebeldes primitivos", expressão emprestada do historiador marxista Erick Hobsbawm e adaptada ao contexto brasileiro, sufragados por intelectuais que abraçaram o pensamento do italiano "Luigi Ferrajoli, expresso na obra "Direito e Razão", passaram a atuar em "terrae brasilis" em agressão à ordem estabelecida, ofendendo os membros da comunidade.
Aqueles despossuídos de prata, ouro, títulos e educação especial, agredidos pelos rebeldes, passaram a preconizar a aplicação draconiana das normas penais, com sustentação no pensamento do germânico Gunther Jabobs, resumido no livro "Direito Penal do Inimigo". Acrescente-se, ainda, a aplicação das Teorias Econômicas Neoliberais no Brasil, sem qualquer meditação crítica, formando uma massa instável e violenta de perdedores, fato previsto pelo economista norte-americano, Edward Luttwak no livro denominado "Turbocapitalismo".
Diante desse "inferno social" o Estado punitivo se enfraqueceu. A situação atingiu nível tão elevado de instabilidade, que obrigou o STF em sua missão de interpretação da Constituição e de pacificação social, lançar às masmorras, de forma mais expedita, os criminosos.
Em decorrência do atrito entre o pensamento do intelectual, preocupado com questões abstratas, e a dura realidade enfrentada pelo povo, a Democracia soçobra.
Contrariando algumas teses...
https://www.epochtimes .com.br/legalizacao-maconha-traz-serios- problemas-sociais-segundo-estudos/#.WH-y PFMrLIU
http://blogjp.jovempan. uol.com.br/campanha/falando-de-drogas/le galizacao-da-maconha-duplica-o-trafico-d e-drogas-no-uruguai/
É sempre útil ter consciência, e nem só "bom mocismo", das escolhas que se quer fazer.
Faça-as, sabendo o que pode resultar.
Uma entrevista interessante:
http://glamurama. uol.com.br/um-papo-com-casagrande-sobre- drogas-a-gente-so-se-vicia-em-coisas-boa s/
Visão de um juiz sábio e estudado. Afinal, o que querem os críticos do trabalho dele? Juízes estagnados e simples fazedores de sentença? Não, o Poder Judiciário brasileiro merece mais.
Não é porque sua visão seja a a mais certa, mais sua postura aberta ao debate e seu olhar crítico, com certeza, é!
Precisamos de mais juízes como vc e como João Marcos Buch.
Parabéns pela coragem, Dr. Valois. Saiba que vc não está sozinho nessa luta.
É uma questão no todo complexa.
Mas a afirmativa de que no futuro, daqui a 200/300 anos não mais existirá pena de prisão, é de difícil compreensão.
Desde que o homem é homem sempre existiu.
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