Charles Darwin, Sigmund Freud, Karl Marx e Max Weber compõem uma galeria de pensadores essenciais para a compreensão da condição humana. Corajosamente negaram o lugar-comum, desafiaram as crenças dominantes e destruíram a metafísica. São pensadores que de algum modo repudiaram Platão e a tradição formada nos destroços de uma crença em uma transcendência insuficiente, que só se justifica na agonia e no reconhecimento de nossas fraquezas. Gostemos ou não, Darwin, Freud, Marx e Weber são autores que profundamente sondaram e revolucionaram nossas condições de fé, de organização política e de arranjos econômicos. Trato hoje rapidamente do primeiro deles e de seu grandioso livro.
A Origem das Espécies, de Charles Robert Darwin (1809-1882), um dos livros mais emblemáticos e discutidos de nossa cultura, foi publicado em 1859. Suscitou intenso debate, temperado por ironias e agressividades, a exemplo do clérigo que teria perguntado a Darwin se o cientista descenderia dos símios pelo lado paterno, ou materno… Jornais publicavam caricaturas de Darwin mostrando-o como um primata. Muita maldade.
Darwin resistiu e rebateu as críticas que recebeu. Sua teoria, de alguma forma, rejeitava o criacionismo dominante. Ainda que violentamente atormentado pelo sofrimento de uma filha, Anne Elizabeth, que morreu aos 10 anos, tragédia que se atribuiu à indignação justificada de uma ira transcendente, Darwin permaneceu firme, centrado em sua inabalável convicção. Sua esposa, Emma Wedgwood, sugerem os biógrafos de Darwin, teria admitido que a morte de Anne seria o nêmese que a desafiadora concepção do cientista inglês causara. A negação do criacionismo pura e simples foi o pomo da discórdia do casal.
A parte introdutória da A Origem das Espécies é também leitura obrigatória para todos quantos nos preocupamos com questões de epistemologia. São páginas de muita sinceridade intelectual. No núcleo do livro, o problema de nossa origem, isto é, a origem das espécies, porque não passamos de mais uma espécie entre tantas espécies, no contexto do “mistério dos mistérios”, superlativo hebraico utilizado por Darwin, para quem o miolo da questão estaria na compreensão da independência (ou não) do processo criador. É um quebra-cabeças que singulariza uma dúvida permanente, e do qual depende muitas posições que tomamos em face da vida, e da morte.
Na singularidade dessa dúvida, o grande mistério que provoca quem quer que se interesse pelas explicações sobre a existência humana. Darwin mostrava-se absolutamente seguro das conclusões que sua pesquisa indicou. Essa segurança, ainda que fortemente construída por um homem atormentado, desafia e desconcerta seus detratores.
Aceite-se ou não as ideias de Darwin, acredite-se ou não na mutabilidade das espécies, rejeite-se ou não o monismo ou o criacionismo, são circunstâncias pessoais e substancialmente subjetivas absolutamente indiferentes ao respeito que se deve à pessoa e aos propósitos e métodos de pesquisa do cientista inglês, ou de qualquer outro pesquisador. Respeitemos todas as posições.
Porém, e aqui o grande legado filosófico e moral de Darwin, a força e a coragem intelectual de quem contraria o pensamento dominante, anunciando-se um mundo intelectual menos acomodado. Isso também valeria para as ciências sociais aplicáveis, embora nesse campo haja menos evolucionistas normativos, e muito mais criacionistas jurídicos, ainda que nem do criacionismo estes últimos entendam. Hoje, tanto criacionistas quanto evolucionistas jurídicos esqueceram até as regras e só entendem de princípios, que multiplicam a mancheias.
Aplicando-se o argumento de Darwin para o direito, e para suas forças criadoras, pode-se especular que a ordem jurídica é uma ordem substancialmente política, que revela a vontade dos mais fortes, ainda que disfarçada em uma hipócrita medida de proteção aos desvalidos e abandonados.
Leitura sugerida:
Darwin, Charles R., A Origem das Espécies, São Paulo: Martin-Claret, 2004. Tradução de John Green.
Na visão da Natureza como sistema a “luta pela existência” na teoria darwiniana da seleção natural em a Origem das Espécies – afastada a questão metafórica, é demonstrado como as espécies se originam uma das outras [e sobrevivem] pelo princípio da seleção natural
‘Uma acirrada luta pela existência entre os seres orgânicos deve ter ocorrido por longos séculos na região das ruínas indígena que hoje exibem a mesma diversidade e proporção de tipos de árvores que as floresta virgens suas vizinha. ’ DARWIN, CHARLES, in On the origin of Species by Means of Natural Selection or the Preservation of Favored Races in the Struggle for Life.
Á luz dessa concepção, a questão da produção de novas formas, de como espécies surgem na natureza, não pode ser suficientemente entendida sem que também o sejam as seguintes versões dessa questão:
“Como todas as delicadas adaptações de uma parte da organização a outra parte e às condições de vida, e de um ser orgânico a outro foram aperfeiçoadas; como variedades, que chamei de espécies incipientes, tornaram-se ultimamente convertidas em boas e distintas espécies, as quais, na maioria dos casos, diferem uma das outras muito mais do que diferem entre si variedades da mesma espécie? Como surgem aqueles grupos de espécies que constituem o que é chamado de gêneros distintos e que diferem entre si mais do que o fazem as espécies de um mesmo gênero? (Darwin 1875)
Por fim e com Darwin: "Conseguimos realizar nossos propósitos, economizando os minutos."
Pero, há MEMÓRIA [IN] EVOLUTIVA: com.br/zero
CHARLES DARWIN, esteve no Brasil em 1832 e deixou registrado em seu diário: “No Brasil, se um crime, não importa quão grave seja, é cometido por um rico, ele logo estará livre. Todo mundo pode ser subornado”.
http://zerohora.clicrbs.
A Ciência, a Filosofia e outros ramos do conhecimento buscam compreender a realidade e influenciar de alguma forma o pensamento dos "leigos", essa é que é a verdade, conquanto estejam prontos a "demonstrar a verdade da realidade". A verdade imutável é que a mudança é a única verdade permanente. Verifica-se na Natureza que espécies consideradas "hostis" em referência a uma pressuposta "cadeia alimentar" podem relacionar-se muito bem e mesmo amarem-se reciprocamente. Há vídeos na internet mostrando o "namoro" entre animais de espécies diferentes, mostrando o carinho de animais selvagens por humanos que os criaram e a solidariedade de animais de espécies diferentes por um suposto "agressor" doente ou em perigo. São vídeos notáveis que a Tecnologia do século XXI tornou fácil capturar e compartilhar. No percurso da dita "Ciência" para explicar e demonstrar os fenômenos naturais, admitiram-se as "experiências" para testar a validade de determinadas proposições. Acontece que as experiências são conduzidas de forma irracional, invasiva e atentando contra os direitos humanos, criando uma nova realidade sem explicar a realidade existente que a "Ciência" propôs-se a explicar. A chamada "hiperciência" está muito próxima de acabar com a dignidade humana (que não é lá essas coisas) e, pior, a dignidade honrada dos animais. Em algum momento, a seleção natural vai dar conta desses "cientistas". E as espécies viverão em harmonia.
Darwin estudou a evolução biológica que, pode, interferir, também, no desenvolvimento de seres em comunidades sociais.
Em sociedades humanas a biologia interfere nas relações sociais, assumindo, também, importância jurídica.
Os portadores de necessidades especiais possuem algum déficit biológico, que em conjuntos populacionais, merecem tratamento jurídico diferenciado.
Darwin estudou a evolução biológica que, pode, interferir, também, no desenvolvimento de seres em comunidades sociais.
Em sociedades humanas a biologia interfere nas relações sociais, assumindo, também, importância jurídica.
Os portadores de necessidades especiais possuem algum déficit biológico, que em conjuntos populacionais, merecem tratamento jurídico diferenciado.
É inegável a contribuição para o pensamento humano que estes cientistas trouxeram, mas não houve uma "destruição da metafísica". Houve um enriquecimento nos questionamentos existências do que respostas concretas. Os métodos científicos empregados também são incontroversos.
Em relação aos metafísicos, além de Platão, que influenciou o pensamento de forma marcante o pensamento ocidental, existiram grandes correntos de pensamento no oriente que trouxeram explicações filosóficas complexas no campo dos metafísicos, principalmente no oriente. Eles também abordam métodos científicos para entrar em contato com a realidade metafísica (meditação, exercícios respiratórios e etc), mas são poucos os interessados em fazer a comprovação (A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos, Matheus 9:37). Existi uma dicotomia entre oriente e ocidente, como se vivêssemos em mundos diferentes e todo o conhecimento ensinado a tempos imemoriais são sumariamente relegados a uma categoria não científica e mística, apesar de existirem técnicas, exercícios práticos extensos. Para existir a variação, estamos sujeitos a dualidade (bom, ruim, dia, noite e etc), e a dualidade no pensamento humano entre oriente e ocidente é entre racional e espiritual, sendo que os dois se complementam e devem trabalhar juntos, sem preconceitos .
Obrigado pela reflexão. Acompanho sempre a coluna.
Quem é Darwin?
O "deus" dos ateus falava que a girafa só tem pescoção porque ficava no exercício diário de esticar o pescoço a fim de pegar fruta! Mas que teoria b...!!
Patéticos são ele e seus discípulos!
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