Greve de caminhoneiros deve ser resolvida por “ato de força”, diz Fux

O fato de o Supremo Tribunal Federal ter sido chamado, pela Advocacia-Geral da União, para desbloquear as rodovias paralisadas por caminhoneiros é um exemplo típico de ativismo judicial, afirmou nesta sexta-feira (25/5) o ministro da corte Luiz Fux. Essa “greve de empregadores”, segundo ele, não deve ser resolvida pelo tribunal, e sim por um “ato de força”.

Carlos Moura/SCO/STF

Para Fux, Judiciário é cobrado a resolver questões sociais por descrédito da população nos políticos.
Carlos Moura/SCO/STF

O ministro referiu-se à arguição de descumprimento de preceito fundamental movida pela AGU no STF. Na ação, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, pede liminar para desbloqueio imediato de todas as rodovias federais e estaduais, inclusive acostamentos, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora às entidades responsáveis.

Além disso, a AGU requer que sejam suspensas decisões judiciais contrárias aos pleitos movidos pela União para garantir a livre circulação nas rodovias e a adoção de “todas as providências cabíveis e necessárias”, inclusive com o uso da Polícia Rodoviária Federal, das polícias militares e da Força Nacional.

O Judiciário está sendo cada vez mais acionado para resolver assuntos políticos porque o Executivo e, especialmente, o Legislativo perderam representatividade e não atendem aos anseios sociais, apontou Fux em palestra no II Congresso de Processo Civil, promovido pelo Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem no Rio de Janeiro.

De acordo com o ministro, o Parlamento age de forma “estratégica” ao não resolver questões que geram um custo popular muito alto — como a legalização da união homoafetiva, que teve de ser autorizada pelo Supremo. Mas o ativismo judicial também se dá no âmbito processual, ressaltou, e pode ser praticado por juízes de primeira instância.

“Em um quadro de disfunção política, se o Judiciário não der uma resposta, a sociedade não ficará satisfeita. A esperança da sociedade hoje é sempre no Judiciário. O Supremo hoje é uma instituição absolutamente exposta. Se perguntar ao auditório quem são os 11 titulares da seleção brasileira, ninguém sabe — e olha que estamos a menos de um mês do início da Copa do Mundo. Mas todos sabem quem são os 11 ministros”, analisou o ministro.

O problema é que o Judiciário acaba tendo que resolver assuntos que os magistrados não dominam, os quais poderiam ser solucionados de forma mais eficiente por técnicos, declarou Fux. Como exemplo, ele citou o julgamento desta quinta (24/5) do STF sobre a faixa etária em que as crianças devem entrar na escola.

“Qual é a nossa expertise para superarmos estudos feitos pelo Executivo sobre a capacidade de uma criança absorver ensinamentos em cada idade?”, questionou.

Sérgio Rodas

é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Marcos Alves Pintar disse:
25 de maio de 2018 às 14:54

O ministro Fux demonstra estar muito bem informado ao concluir que o movimento em curso se trata de uma “greve de empregadores”, sem que nenhum processo sob a relatoria dele tenha sido instruído para se chegar a essa conclusão. Uma pena que, em decisões do mesmo Ministro, não se veja tamanha acuidade na análise dos fatos.

Thiago Com disse:
25 de maio de 2018 às 15:53

Esse eminente ministro Fux, realmente, tem grande sensibilidade aos pleitos dos mais necessitados, especialmente, quando o assunto é 'moradia' dos coitados dos magistrados por um teto. Já combustível, isso é coisa de gente que não tem o que fazer, né? É necessário nesse caso A FORÇA, pois tá mexendo com a economia, né?
Já o famigerado 'auxílio-moradia' concedido através de 'liminar' de sua própria autoria, para sua própria classe não causou e nem causa dano nenhum ao erário, né??
É pra tomar no Fux msm!

Luciano Jr disse:
25 de maio de 2018 às 16:52

o Dr Ministro está certo em suas observações, o legislativo e executivo, muitas vezes são covardes, jogam a bola pro judiciario, mas na verdade todos eles viivem numa extrema mordomia se comparados com nós que pagamos tudo isso a eles, a administração desse país , com raras excessões, são um bando de parasitas, que querem levar vantagem, ter dinheiro e poder, não aguento mais isso não, 57 anos pagando impostos pra essa gente viver no luxo, aumentando a desigualdade social

Almanakut Brasil disse:
25 de maio de 2018 às 17:04

Esse é o nome que aparece acima, ao fazer o login!

Geraldo Gomes disse:
25 de maio de 2018 às 17:25

O governo temer já não tinha apoio dos trabalhadores e agora ficou claro que os empresários também não, visto que a greve esta sendo declarada de iniciativa dos patrões.

ju2 disse:
25 de maio de 2018 às 17:26

Eele fez uma força danada para se tornar ministro do SFT! Bateu uma bolinha com Zé Dirceu, "matou no peito" e tudo! Mas força mesmo ele fez para nomear a filha desembargadora do TJRJ. Entrou pelo quinto a dentro, com a ajuda de Sérgio Cabral e esposa, forçando a entrada. Arrombou a porta e entrou.

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