Opinião: Olavo de Carvalho faz leitura errada de Dworkin

1. Introdução: o que queremos (e o que não queremos)
Olavo de Carvalho é uma figura controversa. É difícil defini-lo: qualquer simples menção a seu nome enseja, de imediato, reações tão apaixonadas quanto antagônicas: para uns, referência intelectual, guia do pensamento da nova direita brasileira; para outros, uma caricatura, um autor folclórico adepto de todo tipo de teorias da conspiração.

A BBC define bem: “[P]rofessor de filosofia sem jamais ter concluído um curso universitário e adepto da teoria de que a ‘a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes’, Carvalho acumula desafetos com a mesma intensidade com que é defendido por seus admiradores”.

Ame-o ou ridicularize-o, é impossível ignorá-lo: sua influência sobre os atuais rumos da política nacional é inegável. “Fez” dois ministros e gente do segundo escalão do governo Bolsonaro.

Vejamos: Filipe Martins, assessor internacional de Bolsonaro — para quem “[o] feminismo é só um instrumento de poder de esquerda” —, é seu fã declarado.

Ernesto Araújo, novo chanceler — para quem o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein seria um precursor das teorias desconstrucionistas pós-modernas —, diz que a “providência divina” uniu as ideias de Olavo de Carvalho ao patriotismo de Jair Bolsonaro.

Ricardo Vélez Rodríguez, novo ministro da Educação — para quem os brasileiros têm sofrido, por meio do MEC, uma “doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista” —, foi indicação direta de Carvalho.

Não pretendemos, aqui, afirmar uma falsa neutralidade. Não vemos o feminismo como um instrumento de poder da esquerda, além de parecer-nos bizarro alguém dizer que Wittgenstein é um pós-moderno avant la lettre. Também não acreditamos que o MEC seja um órgão de doutrinação marxista de “índole cientificista” (?). Seja como for, não é disso que se trata.

Não queremos, aqui, provar as inconsistências, contradições e extravagâncias subjacentes ao discurso de Olavo de Carvalho; tampouco faremos jogo baixo invocando declarações de Olavo, como a de que Newton era “um burro”; que o leitor julgue por si próprio se o aquecimento global é um fenômeno verdadeiro ou falso, se há ou não uma ameaça globalista internacional, se “[a]lgo na astrologia tem algum fundamento”. Não é isso que queremos discutir.

Tratamos, aqui, da aula de número 432 do COF, “um programa de orientação de estudos filosóficos ministrado pelo filósofo Olavo de Carvalho, no intuito de formar filósofos e não apenas professores de filosofia e consumidores de cultura filosófica”. Pela “urgência do assunto”, Carvalho tornou a aula aberta ao público por meio de suas redes sociais, dispensando-nos do pagamento da mensalidade de R$ 60 de seu curso.

Pela urgência do assunto, decidimos escrever este ensaio.

2. Religion without God: o que Dworkin disse (e o que Olavo diz que Dworkin disse)
Na “aula”, com duração de 45 minutos, Olavo fala sobre aquela que identifica como a nova maneira encontrada pela esquerda para “tomar o poder”: o ativismo judicial, a ser praticado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Carvalho diz que, como a população não vai tirar do cargo “a pontapés” os ministros, que são “criminosos”, ele vai enfrentar intelectualmente aquele que seria o “guru” do STF: Ronald Dworkin.

Somos críticos ferrenhos do ativismo judicial e, por isso, tal “aula” nos diz respeito. Haveria em Olavo um aliado? Porém, ao colocar a culpa na conta de Dworkin, logo vimos que algum jurista mal informado havia informado mal a Olavo, um não jurista. Ao que parece, se Olavo estudou Dworkin, assim o fez lendo alguns autores brasileiros que cometem erros muito parecidos ao que vamos relatar.

Sigamos. Depois de 20 minutos de vídeo, ao longo dos quais passa discorrendo sobre como teria derrotado o “gramscismo” da esquerda brasileira, Olavo, enfim, começa a falar sobre Dworkin — para ele, um “coitado”, “desprezível”, que “não é de nada” e “não sabe o que está falando”. Ficamos a imaginar como Dworkin, um sujeito educado, reagiria a esses impropérios… Mas, de novo, não é disso que se trata.

O livro escolhido por Olavo para o enfrentamento é Religion without God, obra na qual, em linhas gerais, Dworkin defende as teses de que (i) há uma objetividade no valor e que o universo e a vida humana têm valor intrínseco. Nesse sentido, (ii) teístas e ateístas podem compartilhar um comprometimento fundamental que, porque anterior à crença em Deus, transcende suas diferenças; razão pela qual (iii) a liberdade religiosa é derivada do direito à independência ética, e não de uma crença em Deus tout court.

Olavo lê, traduzindo livremente, os parágrafos introdutórios do livro, nos quais Dworkin diz que o compromisso com a realidade independente do valor é anterior à crença em Deus e, portanto, disponível também a ateístas, de modo que (i) ateístas podem também ser religiosos e (ii) a religião como tal não exige, necessariamente, um Deus.

Alguns parágrafos à frente, Dworkin fala sobre os possíveis significados da palavra “religião”. Dworkin ilustra o ponto a partir de decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos, que, chamada a interpretar os significados legislativo e constitucional de “religião”, definiu tanto que (i) ateus qualificam-se a objeções de consciência para fins de dispensa de serviço militar e que (ii) até mesmo o “humanismo secular” está incluso na cláusula constitucional de liberdade religiosa.

Segundo Olavo, Dworkin diz que a Suprema Corte assim decidiu com base na ideia segundo a qual “a existência de um deus pessoal não pode, por si própria, fazer diferença à verdade de valores religiosos[1].

É assim que ele justifica a sentença da Suprema Corte”, diz Olavo, que segue dizendo que Dworkin “vira o negócio de cabeça pra baixo”.

O problema é que Dworkin jamais disse ter sido essa a razão de decidir da corte. Não é isso que ele fala no livro. Dworkin afirma, sim, que o valor é independente e anterior à existência de Deus; mas esse é um argumento dele, e ele não o atribui em nenhum momento à Suprema Corte. Os trechos estão separados por 20 páginas. O que Olavo diz é, simplesmente, falso. Quem “vira o negócio de cabeça pra baixo” não é Dworkin.

Olavo diz que, para Dworkin, “o fato de a Suprema Corte ter reconhecido o valor da religiosidade ateística tem valor cognitivo” (?) e que “ela afirma que há valores iguais ou superiores aos da religião”.

Mas ela nunca disse isso”, diz Olavo. É verdade. Mas Dworkin também não. Dworkin nunca disse isso, muito menos atribuiu a afirmação à Suprema Corte.

Se o pensamento de Dworkin com relação à unidade do valor é correto ou não, não vem ao caso. Concorde-se com o argumento ou não, o fato é que, curiosamente, como o próprio título indica, o livro escolhido por Olavo não se trata de uma das obras jurídicas de Dworkin. E, curiosamente, Olavo diz — sem explicar a razão — que a escolha por um livro que não trata sobre o Direito foi “de propósito”.

Parece-nos estranho, uma vez que a “aula” aborda justamente a (suposta) influência do pensamento jurídico de Dworkin sobre o STF no (suposto) projeto marxista de tomada do poder por meio do ativismo judicial. Não faria mais sentido que se enfrentasse diretamente a Teoria do Direito de Dworkin?

Aos 30 minutos de vídeo, Olavo finalmente propõe-se a fazê-lo.

3. Teoria do Direito: o que Dworkin diz (e o que Dworkin não diz)
Em sua “aula” sobre a teoria jurídica de Dworkin, Olavo, paradoxalmente, reserva apenas o terço final à teoria jurídica de Dworkin.

Olavo diz que, para Dworkin, “a função fundamental do juiz não é aplicar a lei, mas interpretá-la”. Com expressão de deboche, Olavo diz que “um texto só requer interpretação se ele não tem um sentido óbvio imediato”. Para ele, quando a lei não é “ambígua” ou “obscura”, só aí o juiz teria de interpretar.

Dizer que a tarefa fundamental do juiz passa pela interpretação do Direito é, segundo Olavo, o mesmo que dizer que “não existe lei, só existe a cabeça do juiz”. E é esse, para Olavo, “o ponto central da filosofia do Dworkin”.

Olavo, nesse sentido, sustenta as mesmas teses do positivismo exegético do século XIX e as mesmas cisões ultrapassadas entre texto e norma, questão de fato e questão de direito. Interpretar é aplicar; não há uma cisão entre interpretação e aplicação. A tradição de separar/cindir os momentos interpretativos em subtilitas intelligendi, subtilitas explicandi e subtilitas applicandi (conheço, depois interpreto, e só então aplico) insiste em um grau zero de sentido que não existe.

É o que parece fazer Olavo, que diz que, “se tudo requer interpretação, nada tem sentido em si mesmo”; e, se for assim, “você pode entender o que quiser”. É por essa razão que, sobre Dworkin, Olavo diz o seguinte:

Não sei em que sentido Foucault e Derrida influenciaram esse cara, mas parece a mesma coisa”.

Como nosso chanceler vê em Wittgenstein um pós-moderno avant la lettre, Olavo vê em Dworkin um desconstrucionista. Isso já é demais. Nada poderia ser mais falso (para não dizer absurdo).

O desconstrucionismo nega a possibilidade de atribuição de um sentido último verificável em um texto, partindo da ideia de que nenhuma interpretação pode aspirar ao privilégio de ser verdadeira. Dworkin diz exatamente o contrário.

Ou seja, isso pode ser tudo, menos Dworkin. Se há algo que perpassa toda sua obra, todos seus escritos, é precisamente a ideia de objetividade e verdade na interpretação; a ideia de uma resposta correta (é possível ver aqui e aqui, e em qualquer índice sistemático de qualquer um de seus livros). Mais: autores do CLS, escola jurídica crítica norte-americana — essa, sim, influenciada por Foucault e Derrida —, foram adversários ferrenhos da teoria dworkiniana.

Olavo vai além. Para ele, a “suprema sacanagem” é a seguinte:

“Existe uma velha briga entre os adeptos do direito natural e os adeptos do positivismo jurídico. Os adeptos do direito natural acreditam que existem normas objetivas de moralidade, e que o juiz deve interpretar as leis de acordo com essa moralidade estabelecida. Ele não pode aplicar, vamos dizer, ‘mecanicamente’, uma lei que viole a consciência das pessoas. Mas, para o positivista jurídico, só existe aquilo que está na lei escrita. E o Dworkin toma o partido da lei natural. Do direito natural. E ele diz o seguinte: ‘Acima da lei existem os princípios, e tudo deve ser interpretado de acordo com os princípios!’. E que princípios são esses? Para ele, são os princípios da sociedade laica moderna. O politicamente correto, o abortismo [sic], o feminismo, etc., etc., etc.”

Vamos lá.

Primeiro: a definição de Olavo sobre o jusnaturalismo é reducionista e estranha. O que significa dizer que o juiz “não pode aplicar, vamos dizer, ‘mecanicamente’, uma lei que viole a consciência das pessoas”? Mas isso ainda está longe de ser o maior problema.

Segundo: Olavo diz que, para o positivismo, “só existe aquilo que está na lei escrita”. Falso. Derivar de “direito positivo” a ideia de que o positivismo só reconhece a “lei escrita” é ignorar (i) que, desde Austin, no século XIX, o direito judiciário era considerado legítimo; (ii) que, desde Hart, o direito consuetudinário é direito válido e não pressupõe, necessariamente, o reconhecimento judicial para que seja considerado efetivamente jurídico; (iii) que há positivistas contemporâneos que reconhecem a validade jurídica de padrões outros que ultrapassam a “lei escrita”.

Terceiro: é verdade que há quem veja jusnaturalismo em Dworkin, mas essa é uma leitura heterodoxa. A mais absoluta maioria dos intérpretes e scholars entende que sua concepção, law as integrity, não é jusnaturalista.

Quarto: ao início de sua obra, Dworkin fazia uma distinção estrutural entre regras e princípios. Contudo, (i) isso não está em Law’s Empire, mas em Taking Rights Seriously; (ii) Dworkin nunca disse que, “acima da lei, existem os princípios”; os princípios seriam padrões que, ao lado das regras, compõem um sistema jurídico. Finalmente, (iii) a distinção regras/princípios, em dois sistemas, é abandonada pelo próprio Dworkin, em uma visão já antecipada em Justice em Robes e articulada mais claramente em Justice for Hedgehogs.

Quinto: coisas como “abortismo” e “politicamente correto” ficam por conta de Olavo de Carvalho. Dworkin, é verdade, aborda a questão do aborto em Life’s Dominion, mas em nenhum momento afirma que os princípios de moralidade política de determinada comunidade pressupõem, necessariamente, essa concepção interpretativa de direitos individuais. Com relação ao “politicamente correto”, é possível dizer que Dworkin foi, em vida, um dos mais ferrenhos defensores da liberdade de expressão em seu sentido mais abrangente.

4. Considerações finais
A “aula” de Olavo de Carvalho parte de dois truísmos: (i) a esquerda quer tomar o poder por meio do ativismo judicial no STF e (ii) Ronald Dworkin é o teórico que dá sustentação aos ministros do Supremo. Olavo, contudo, não esclarece os fundamentos de sua alegação principal, ignora que o ativismo judicial não é necessariamente de esquerda, nem diz de onde tirou a ideia de que Dworkin é o “guru do STF”.

Para além disso, é possível dividir a aula em três terços.

Carvalho passa o primeiro terço de sua aula falando sobre como derrotou o “gramscismo” da esquerda brasileira. No segundo, fala sobre Religion without God, um livro no qual Dworkin não aborda diretamente seu pensamento jurídico; em meio a isso, recorta parágrafos da obra de forma a atribuir ao autor argumentos que não estão lá.

No terceiro e último terço, o único a tocar no assunto principal da aula — curiosamente, o trecho mais curto (e mais recheado de problemas) —, Olavo de Carvalho comete uma série de equívocos. Apresenta uma visão bastante atrasada acerca da interpretação; demonstra não compreender bem os conceitos de jusnaturalismo e positivismo jurídico; parece não ter lido as considerações de Dworkin sobre os princípios jurídicos e o devido ajuste institucional que sua aplicação exige; e, last but not least, atribui a Dworkin o rótulo de desconstrucionista, uma ideia tão equivocada que chega a ser difícil decidir por onde começar a articular quão absurda ela é.

Subscrever à concepção de Dworkin é tão legítimo quanto rejeitá-la, desde que seja pelo que ela realmente é, e pelas características que tanto ela quanto seu contexto realmente apresentam.

Olavo de Carvalho errou em todas. Se quisesse acertar, deveria ter criticado o realismo jurídico — esse, sim, uma praga para o Direito. Mas Olavo — que, aliás, está no berço do realismo — atirou no padre e errou também a igreja.

E, pior, esqueceram de avisar a Olavo que Dworkin é um inimigo do realismo jurídico. Bingo!


[1] DWORKIN, Ronald. Religion without God. Boston: Harvard University Press, 2013, p. 25.

Gilberto Morbach

é doutorando e mestre em Direito, summa cum laude, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos como bolsista do CNPq, editor do Estado da Arte (Estadão) e membro do Dasein — Núcleo de Estudos Hermenêuticos e da Iris Murdoch Society.

O IDEÓLOGO disse:
13 de janeiro de 2019 às 09:01

Na Democracia cada um tem a sua concepção sobre os mais diversos assuntos. Olavo de Carvalho não é exceção.
Mas, o artigo efetua a "desconstrução" do pensamento do "filósofo de algibeira", campineiro convicto e branco por ausência de opção.

John Paul Stevens disse:
13 de janeiro de 2019 às 09:09

"Na Democracia cada um tem a sua concepção sobre os mais diversos assuntos", diz O Ideólogo (nickname apropriado num texto sobbre Olavo...).

Correto, mas há limites: limites que a realidade impõe. Olavo está, simplesmente, errado, com os articulistas mostraram frase por frase.

Marcos Kruse disse:
13 de janeiro de 2019 às 10:38

Realmente, não consigo entender como Olavo de Carvalho se tornou guru de muitos. Além dos comentários que fazem Streck e Morbach, penso que pretender qualificar o STF como grupamento de esquerda é um absoluto descalabro. Na contramão do que advoga Carvalho, reiteradas vezes o STF manifesta seu posicionamento claramente singrando à estibordo. Independente ainda de tal consideração, o que tem de ser criticado na esquerda é, justamente, a ingenuidade de não ter "aparelhado" o STF com juristas que não se curvem à lógica da direita política. Enfim, leite derramado, resta agora conviver com Carvalho e sua troupe, inclusive na chancelaria que, entre outras pérolas, esnoba Wittgenstein. Vou aguardar a resposta de Carvalho ao que os dignos articulistas escreveram (se é que Carvalho vai dar-se ao trabalho de tanto). E aí, exatamente é o problema. Carvalho não precisa responder, exceto se sentir incomodado. Contribuo com o barulho e incômodo compartilhando o artigo.

Carlos R. disse:
13 de janeiro de 2019 às 13:00

Acho curioso que apenas agora o Sr. Lenio Streck tenha resolvido dar nome aos bois, visto que, em uma das últimas colunas neste mesmo site, omitiu-se de fazê-lo e optou por denominar Olavo de Carvalho como "Guru político tresloucado que fugiu da escola" em 9 de agosto de 2018. Lembremos ao Sr. Streck que este mesmo "Guru tresloucado" foi classificado por Ernildo Stein, um dos maiores nomes da filosofia brasileira, como "entre nós uma daquelas figuras respeitáveis que realmente pensam e aliam com sua lucidez uma capacidade de não recuar diante do erro é do embuste". Em qual opinião devemos dar mais credibilidade, naquela do Sr. Stein -- um dos nossos maiores filósofos -- ou no que diz o Sr. Streck, isto é, num Filósofo de verdade ou num Professor de direito? Será que faria alguma diferença se Olavo de Carvalho galgasse um diploma de filosofia em alguma dessas faculdades que brotam nas esquinas tal qual a gloriosa Universidade de Santa Cruz do Sul?

Gabriel A M Alves disse:
13 de janeiro de 2019 às 15:11

Os autores não entenderam a aula do professor Olavo, pois esperavam que ele fosse tratar dos assuntos com que eles próprios estão interessados e, como Olavo não fez isso, respondem a pontos mencionados en passant e, quanto ao foco da aula propriamente, deixam de lado - "não vem ao caso". O professor Olavo na aula mencionada trata de assuntos sociológicos e filosóficos. O foco da obra do Olavo não é o direito, nem a aula trata de ativismo judicial, mas de um possível golpe de estado em determinado momento específico, além da posição pública dos ministros.
Só essa incompreensão do assunto da aula do professor já afasta a validade deste artigo, mas além disso os autores repetem chavões genéricos contra o professor e, bem no momento em que há ataques generalizados à figura do Olavo, se juntam ao coro das hienas: "chamou Newton de burro, astrólogo...".
Se há erros no conhecimento do professor Olavo sobre a evolução do direito, é isto que não vem ao caso, já que não é o assunto de preocupação da aula nem do professor.
Nem adianta colocar banca de scholars contra o sem diploma pois os autores com tantos títulos e posições importante não compreenderam algo básico da aula, qual seja, o assunto fundamental. Ou seja, tanto estudo acadêmico não lhes forneceu esta habilidade de entendimento básica.
Por fim, apesar do professor Olavo às vezes ser bastante grosseiro, esse é o estilo que lhe é próprio, uma mistura do brega brasileiro com alto refinamento filosófico e analítico, o qual lhe rendeu sucesso estrondoso no Brasil como todos sabem.
Péssimo artigo e péssimo momento.

Jovem Marx disse:
13 de janeiro de 2019 às 15:25

Escrevem os colunistas:
"Subscrever à (sic) concepção de Dworkin é tão legítimo quanto rejeitá-la, desde que seja pelo que ela realmente é, e pelas características que tanto ela quanto seu contexto realmente apresentam."
Antes de ir à questão material, urge, para manter o debate nos padrões gramaticais mais elevados, apontar que o verbo subscrever é transitivo direito, ou seja, não exige preposição, sendo equivocada o uso da crase na frase destacada (vide sobre isso a gramática luso-brasileiro de Celso Cunha).

Na parte do conteúdo, será que o colunista leva Dworkin pelo que ele é?
O colunista Streck tem um bordão, um estereótipo, ou segundo ele mesmo, uma lei (sic) conforme a qual quem separa o direito da moral é o direito. E Dworkin o que pensava sobre a relação direito e moral?

Ao definir princípio, assinala Dworkin: "Denomino ‘princípio’ um padrão que deve ser obedecido, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou equidade ou alguma outra dimensão da moralidade”
Marcelo Neves afirma que: " no contexto da teoria de Dworkin, não cabe falar de fronteira clara entre direito e moral, pois a noção de princípios serve, a rigor, para enfraquecer ou mesmo diluir essa fronteira" (Entre Hidra e Hercules, 2014, p. 55).

A afirmação que Dworkin abandonou a distinção entre regras e princípios é simples absurda. Se Dworkin abdicasse do conceito de princípio, todo sistema que concebeu ruiria por si só, e, convenhamos, Dworkin não iria contra si, destruindo o pilar de sua teoria (o debate com Hart, envolve a disputa sobre a existência de princípios).
E princípio seria exigência DE MORALIDADE.

Ou seja, Olavo não ficou só. Eles tem seus aliados em suas leituras.

John Paul Stevens disse:
13 de janeiro de 2019 às 16:16

Streck não faz uma separação conceitual entre Direito e moral como faz o positivismo; sua afirmação comum se dá justamente dentro desse contexto.

Quanto à distinção estrutural regra/princípio, você fala tanta besteira quanto seu mestre Olavo. Dworkin abandonou a distinção sim. Leia Justice for Hedgehogs. Se ler o livro for demais, leia Jurisprudence for Hedgehogs, artigo de Waldron.

Sua citação é do Model of Rules. Está desatualizado. Precisa ler mais Dworkin. Como Olavo.

André Pinheiro disse:
13 de janeiro de 2019 às 17:53

O oliva, verde, o leviatã despótico, as teorias do Olavo e os lovers do Olavo, todos embarcaram na ruminante e arruinante tese do El ovo da serpente. Talvez, esse de fato seja a era imagóloga de aquário, não importa o que se diz, mas como se diz, tudose resume anum vidro diante se nossos olhos. Argumentos racionais são enfadonhos, é necessário ligar as baterias, provocar paixões, ódios, óbvios, ócios e ópios mentais.
Não, eu não conhecia esse senhor, quando me disseram que era o maior intelectual da Terra, e eu ainda perguntava sobre Chomsky e Bobbio, em vão, ao meu interlocutor.
Eu Levo, suspeito, a ideia que o povo brasileiro cínico por fora e ignorante por dentro, pensa que o Oliva, o Olavo e o Leviatã, são apenas a lava quente sobre as questões de esquerda punitivistas e desvairadas. Nesse caso, como Poncio, eu lavo minhas mãos.

Cassiano Cosmelli disse:
13 de janeiro de 2019 às 18:14

O que esperar de um astrólogo da terceira idade sem formação alguma, que vive de teorias da conspiração no youtube, senão leituras erradas?!

Estranho seria se ele lesse corretamente qualquer obra de relevância.

Jovem Marx disse:
13 de janeiro de 2019 às 18:55

Escrevo aqui da cidade de Quebrangulo, Alagoas, e, como economizei 60 reais, devido às cervejas, cometi dois lapsos de português, retificado ( não ratificado) a tempo:
1) " sendo equivocada"; sendo equivocado;
2) ''é simples absurda''; é simplesmente absurda;

Ramiro. disse:
14 de janeiro de 2019 às 02:37

Olavo de Carvalho, o que deveria assustar é gente que o leva a sério. Outro dia tive a pachorra, depois de ouvir dizerem que ele tenta desconstruir Newton e Einstein, de ler as asneiras que escreveria sobre Newton. Vai buscar na antiga filosofia grega elementos para tentar uma aporia na Primeira Lei de Newton, e derrapa feio, esquece que existe uma força chamada atrito...

Enfim, na Democracia os idiotas descobriram algumas coisas, primeiro, são maioria numérica, vide últimas eleições, dando materialidade ao aforismo de Nelson Rodrigues, segunda, tem o direito de serem tão idiotas quanto queiram...

"Mi mi mi de perdedor...". Os idiotas tendem a se fascinar pelo fascismo de modo fácil, Umberto Eco em seu livro Cinco Escritos Morais, ao escrever O Fascismo Eterno, disseca essa questão.

Uma coisa é perder a eleição para forças conservadoras cultas, consistentes, como os Conservadores do Reino Unido, outra coisa é essa comédia bufa que temos aqui.

Professor Lenio, tem magistrada de Minas Gerais, aquela que disse que quando o STF decide "os magistrados de verdade morrem de vergonha", que aderiu como discípula a Olavo de Carvalho. Não sei se é para estocar comida num bunker, não combina com minha natureza, se é para ir com cabo Daciolo orar no monte, ou se é para preparar para uma longa guerra intelectual de resistência.

As "olavetes" se referem a Dworkin como alguém que não admite estar errado... enfim. Não li tudo de Dworkin, mas Império do Direito, Levando os Direitos a Sério, tenho na estante Justiça para Ouriços, e sempre vi no jurisfilósofo estadunidense uma disposição para debater, para rebater as críticas que lhe faziam de maneira elegante e racional.

O que se esperar de alguém que tenta reduzir à imbecis Newton e Einstein?

Itagiba de Albuquerque disse:
14 de janeiro de 2019 às 03:42

Lenio teve paciência para assistir a uma "aula" de Olavo? Meus parabéns!

qualquer coisa disse:
14 de janeiro de 2019 às 09:32

"Lula Livre".

Giovanna. disse:
14 de janeiro de 2019 às 10:10

Excelente artigo!

Rogério Azeredo Renó disse:
14 de janeiro de 2019 às 10:58

Hegemonia esquerdista devidamente demolida por um único homem, um genius visa residente nos EUA! Aceita que dói menos! kkkkk

Rogério Azeredo Renó disse:
14 de janeiro de 2019 às 10:58

Hegemonia esquerdista devidamente demolida por um único homem, um genius visa residente nos EUA! Aceita que dói menos! kkkkk

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 11:13

Que escovada o professor Streck e o mestrando Morbach deram no astrologo. Pela primeira vez Olavo piscou. Ficou irritadinho no facebook. Ofendeu os dois articulistas, como ele sempre faz com quem o critica. Bem diz o professor Streck: o anti-intelectualismo propagado por Olavo criou uma legião de pessoas com inópia mental. Inclusive aqui no Conjur. Valeu a sova que deram no astrologo. Aliás, Olavo deveria terminar o estudo secundário e depois cursar uma faculdade. E teria que fazer um bom TCC para se formar. Bom, ainda faltaria um mestrado. E um doutorado que seja. Falta muito a esse olavo. Parabens a Streck e Morbach. Honram a academia!

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 12:15

Carlos R diz que o professor Streck chamou o astrologo Olavo de guru tresloucado que fugiu da escola, em artigo em agosto no Conjur. Quem chamou o astrologo com esse epiteto foi Paulo Ghuiraldelo. É só ver o artigo de Streck na integra. Só para registrar. Embora Streck, no texto, parece concordar com Paulo G.

Artur S. disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:11

O Dr. Lenio poderia ter optado por escrever seu ensaio, com seu mestrando, sem ironias, sarcasmos e sem os brados de 'bingo', rotineiros em seu estilo.
Mas preferiu caçoar do Olavo, que proferiu uma aula em seu curso particular.
Por esses excessos, pecam e perdem a razão, agindo com paixão e ganas de 'lacrar', de menoscabar Olavo e seus pretensos
leitores.
Fico me perguntando: imagine a vergonha que os alunos de Lenio passam em aula ao contraditar ou divergir de seu "mestre"?
Pois bem, estou ansioso pela gentileza do Dr. Lenio e seu pulilo em franquear acesso gratuito a suas aulas para que possamos analisar e minuciar seus preciosos argumentos e retórica.
Seria justo, pois, já que se sentem confortáveis redigindo "ensaios" sobre aulas de terceiros.
Vamos lá, Dr. Lenio, "ilumine" os meros mortais tupiniquins além-pampas.

Artur S. disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:12

O Dr. Lenio poderia ter optado por escrever seu ensaio, com seu mestrando, sem ironias, sarcasmos e sem os brados de 'bingo', rotineiros em seu estilo.
Mas preferiu caçoar do Olavo, que proferiu uma aula em seu curso particular.
Por esses excessos, pecam e perdem a razão, agindo com paixão e ganas de 'lacrar', de menoscabar Olavo e seus pretensos
leitores.
Fico me perguntando: imagine a vergonha que os alunos de Lenio passam em aula ao contraditar ou divergir de seu "mestre"?
Pois bem, estou ansioso pela gentileza do Dr. Lenio e seu pulilo em franquear acesso gratuito a suas aulas para que possamos analisar e minuciar seus preciosos argumentos e retórica.
Seria justo, pois, já que se sentem confortáveis redigindo "ensaios" sobre aulas de terceiros.
Vamos lá, Dr. Lenio, "ilumine" os meros mortais tupiniquins além-pampas.

Jovem Marx disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:28

O Johannes deveria silenciar. Na verdade, se formos invocar o livro Justice for hedgehogs, a situação piora. O que não silenciou, o Johannes, se tivesse lido, saberia que Dworkin separa, no livro assinalado, princípios políticos de princípios éticos. Fica feio conversar assim publicamente que não leu. Ademais, nesse livro, Dworkin defende que princípios são valores. Eita: mas o Johannes não zomba da afirmação de que princípio são valores!!!

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:35

O comentarista Kurtz é a prova de que ser discipulo do astrologo faz mal à cabeça! Como pode ser tão burro? Pior: Burro ativo. Pior dos asnos. Pronto. Burros tem de ser tratados desse modo.

Jovem Marx disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:45

Oracis não argumenta. Derrama bílis e muita acrimônia. Escute Nação Zumbi para esfriar a cabeça: "Uma cerveja antes do almoço é muito bom para ficar pensando melhor"
A violência vem da impossibilidade de controlar os fatos. Oracis que manter a todo custo suas ilusões: como é triste. Mas da próxima argumente, oiracis, oráculo da mediocridade.

John Paul Stevens disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:50

Não seja burro. Você está envergonhando a si próprio. Veja o que diz um sujeito chamado, bem... Ronald Dworkin:

"When, more than forty years ago, I first tried to defend interpretivism, I defended it within this orthodox two-systems picture. I assumed that law and morals are different systems of norms and that the crucial question is how they interact. So I said … that the law includes not just enacted rules, or rules with pedigree, but justifying principles as well.

[...]

I very soon came to think, however, that the two-systems picture of the problem was itself flawed, though he adds that he ‘did not appreciate the nature of [the new one-system] picture, however, or how different it was from the orthodox model, until much later when I began to consider the larger issues of this book"

Você está, objetivamente, errado. Desista.

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 13:56

O estudante Johanes lacrou. Com nação Zumbi e tudo. E com cerveja. Com bilis.

André S. disse:
14 de janeiro de 2019 às 14:09

Há leviandades pouco educadas no artigo, como pegar declarações sobre o Olavo das fofocas de redes sociais e reunir frases soltas. Mas mais importante é que o artigo é claramente simplista sobre essa opinião contra Dworkin, vejam por exemplo a exposição de Roger Scruton, Pensadores da Nova Esquerda, sobre o jurista americano. Aí caberia saber se os autores desconhecem essa opinião --- e, por consequência, se conhecem mesmo a opinião mais geral de Dworkin ---, ou se deram-se ao trabalho de não conhecer --- nesse momento?

E se o assunto for credibilidade, ter espalhado "fake news" a favor do PT antes da eleição e ter recebido medalha de um governador do mesmo partido (seita?) não dá para dizer que garante as melhores recomendações.

No Facebook o problema é outro.

Na resposta de Olavo de Carvalho, o que Olavo disse foi que a sua manifestação sobre as ideias de Dworkin não recebeu dos autores do artigo o tratamento que exigiram dele ("Tudo que dele vem é improviso"). Problemas de leitura?

Aí eu fico pensando se isso é um problema de leitura sobre o que escreveu Olavo ou se esse problema é mais geral e abrange entender também a teoria de Dworkin.

Jovem Marx disse:
14 de janeiro de 2019 às 14:09

O estudante johannes está precisando melhorar o inglês: nesse caso nem o mangue beat ajudará.

John Paul Stevens disse:
14 de janeiro de 2019 às 14:23

Agora ficou até feio para você, meu caro. É LITERALMENTE o que Dworkin diz. Sua visão, articulada em Justice in Robes e, depois, em Justice for Hedgehogs, acerca do Direito como um ramo da moralidade política, pressupõe o abandono de dois sistemas do ponto de vista estrutural (regras/princípios).

Aponte onde minha leitura está errada e onde meu inglês falhou. Fico no aguardo.

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 14:41

O inglês de Johanes é o inglês do livro original, sua besta. Não sabe ler?

Jovem Marx disse:
14 de janeiro de 2019 às 14:52

Leu em ingles e entendeu em outra lingua kkkkkkkk. Oiracis fracassou totalmente kkkkkk

John Paul Stevens disse:
14 de janeiro de 2019 às 14:59

Estou esperando.

Eududu disse:
14 de janeiro de 2019 às 15:07

Os comentaristas Carlos R. (Outros), Gabriel A M Alves (Assessor Técnico), Kurtz (Outros), Rogério Azeredo Renó (Procurador do Município) e André S. (Administrador) já disseram o bastante.

Mas, para os comentaristas que criticam sem conhecer a obra de Olavo de Carvalho, sugiro que acessem seu canal no youtube (https://www.youtube.com/user/olavodeca/videos). Vejam as entrevistas concedidas por ele recentemente. À Giovanna. (Outros), sugiro a entrevista Os Pingos nos Is Entrevista especial com Olavo de Carvalho 25 12 18 (https://www.youtube.com/watch?v=xuVoZ5tKDz0). Acessem o site http://www.olavodecarvalho.org/. Conheçam seus cursos de filosofia (https://www.seminariodefilosofia.org/) . Assistam o filme sobre sua vida e obra, “O Jardim das Aflições”, lançado em 2017.

E, principalmente, leiam seus livros (18 publicados, salvo engano) entre os quais o best seller “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” (2013), que já vendeu mais de 500 mil exemplares. O livro é uma coletânea de artigos de Olavo de Carvalho publicados na imprensa entre 1997 e 2013.

Recentemente, foi reeditado agora o livro "O imbecil coletivo" (1996), que encerra uma trilogia magnífica, iniciada com “A Nova Era e a Revolução Cultural (1994)” e seguida de “O Jardim das Aflições” (1995). O livro também está entre os mais vendidos no país há algumas semanas.

Enfim, conhecer o pensamento e a vasta obra de Olavo de Carvalho é simplesmente libertador.

Só não passem vergonha tentando denegrir um gênio, reconhecido internacionalmente, com rótulos, mentiras e considerações ad hominen. Enganando a si próprios.

John Paul Stevens disse:
14 de janeiro de 2019 às 15:14

Por favor, aponte onde o texto errou.

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 15:16

Quem usa a palavra DENEGRIR já diz tudo sobre o seu pensamento. De-ne-grir. Horrivel. Muito.

Artur S. disse:
14 de janeiro de 2019 às 15:28

O Dr. Lenio poderia ter optado por escrever seu ensaio, com seu mestrando, sem ironias, sarcasmos e sem os brados de 'bingo', rotineiros em seu estilo.
Mas preferiu caçoar do Olavo, que proferiu uma aula em seu curso particular.
Por esses excessos, pecam e perdem a razão, agindo com paixão e ganas de 'lacrar', de menoscabar Olavo e seus pretensos
leitores.
Fico me perguntando: imagine a vergonha que os alunos de Lenio passam em aula ao contraditar ou divergir dele em aula??
Pois bem, estou ansioso pela gentileza do Dr. Lenio e seu pulilo em franquear acesso gratuito a suas aulas para que possamos analisar e minuciar seus preciosos argumentos e retórica.
Seria justo, pois, já que se sentem confortáveis redigindo "ensaios" sobre aulas de terceiros.
Vamos lá, Dr. Lenio!!
"Ilumine" os meros mortais tupiniquins além-pampas.

Ulysses disse:
14 de janeiro de 2019 às 15:31

Parte do artigo de hoje na Folha do filosofo Henry Bugalho. Diz bem sobre Olavo, o Carvalho:

"Em grande medida, as falas revisionistas de Bolsonaro, negando fatos sobre a ditadura militar ou alardeando uma "ameaça comunista", têm origem em Olavo de Carvalho, um dos responsáveis por importar e reembalar teorias conspiratórias norte-americanas.

Originalmente vinculado a seitas esotéricas e tariqas islâmicas, ele foi consolidando, em círculos marginais sem nenhum reconhecimento acadêmico, uma reputação de filósofo conservador, negando o legado do Iluminismo, da ciência moderna e dos valores democráticos decorrentes da Revolução Francesa." Olavo é o cara!

John Paul Stevens disse:
14 de janeiro de 2019 às 15:36

Peço que aponte onde o texto errou.

John Paul Stevens disse:
14 de janeiro de 2019 às 16:05

Incrível como o Professor Kurtis (embora coloque "Outros" na ocupação), um homem de esquerda — ou não? — apoie Olavo de Carvalho, por birra, quando poderia usar seu talento para auxiliar na causa democrática, desmistificando o astrólogo.

Uma pena.

(Ainda aguardo o equívoco em meu comentário, tanto no inglês quanto com relação a Dworkin.)

MDC Ius disse:
14 de janeiro de 2019 às 16:34

Olavo de Carvalho
7 h ·

Dois bobocas falam mal de mim no “Consultor Jurídico” por haver criticado o Ronald Dworkin com base em citações de um único de seus livros, sem conferi-las com as idéias que esse autor apresenta em várias outras obras.
Os dois patetas, em comparação, julgam-se no direito de me criticar com base NUMA SIMPLES DECLARAÇÃO ORAL DE IMPROVISO, sem conferi-la com mais nenhuma outra coisa que eu possa ter dito ou escrito.
Dispensam-se, despudoradamente, de ter no julgamento da minha pessoa uma fração mínima do rigor que me exigem quando falo do Dworkin.
Não são estudiosos sérios nem dignos de respeito.

Olavo de Carvalho
Ontem às 09:45 ·

O profissional especializado que me vê emitir uma opinião de passagem sobre matéria da sua área e se põe a contestá-la com ares de sapiência acadêmica é evidentemente um vigarista, em primeiro lugar por colocar no centro do retrato que pinta de mim os seus interesses em vez dos meus, deformando toda a perspectiva, em segundo lugar porque, em vez de esperar passar a onda de ataques coletivos contra mim para depois entrar numa discussão honesta um-a-um, se acha muito lindo por juntar a sua voz ao coro dos imbecis enfurecidos.
E nem de longe percebe o quanto sua conduta é imoral.

MDC Ius disse:
14 de janeiro de 2019 às 16:41

Você em sua fala dá um bom exemplo do porquê de o Olavo ter se tornado o "guru" de tanta gente. Sua fala exemplifica duas coisas que ele sempre diz, a saber, quando não o entendem, acham que o burro é ele; apelam para a ignorância de um assunto como fonte de autoridade intelectual.

Marcos Alves Pintar disse:
14 de janeiro de 2019 às 16:55

Nunca tinha ouvido falar, até então, de Olavo de Carvalho. Uma pesquisa rápida na internet, no entanto, mostra bem a forma como ele e seus adeptos se expressam publicamente, notadamente quando lidam com críticas ou ideias contrárias às deles próprios, dispensando maiores aprofundamentos. Quanto a suas ideias, acreditar que o Supremo brasileiro inclina-se a "tomar o poder" através do ativismo procurando privilegiar a esquerda (tal como mencionado no artigo) mostra a completa insignificância intelectual do referido cidadão, nitidamente apegado aos clichês e simplificações tão ao gosto da atual geração. Isso parece explicar sua legião de seguidores. Lastimável que o Governo atual esteja recebendo sua influência direta.

Estudante Dir. disse:
14 de janeiro de 2019 às 17:04

Os articulistas foram muito precisos nas críticas à leitura (equivocada) que Olavo faz de Dworkin. Esse tipo de artigo é um serviço de utilidade pública.

Ivo Lima disse:
14 de janeiro de 2019 às 17:44

Mais um texto medíocre do portal. Dessa vez citando o professor Olavo para caçar movimento. Lenio se perdeu (ou sempre foi?).

MDC Ius disse:
15 de janeiro de 2019 às 09:12

Há quem na mesma mensagem confesse que nunca tinha ouvido falar de uma das pessoas mais importantes e poderosas do país, quase um segundo governo, como diria Alexander Soljenítsin de um grande escritor em um país, com dezenas de obras escritas, centenas de aulas gravadas, palestras, títulos honoríficos, portador de um "genius visa", reconhecido nacional e internacionalmente por pessoas do mais alto gabarito intelectual e visceralmente contra o mundo acadêmico e midiático atual (vide “O imbecil coletivo”), mas acha que por meio de “uma pesquisa rápida na internet”, isto é, no próprio meio midiático e acadêmico cujas ideias e métodos ele denuncia há décadas, já o habilita para fazer um julgamento global negativo dessa pessoa e de seus "adeptos", dispensando-se do duro trabalho de conhecer e ler sua vasta obra antes de fazer qualquer juízo sério. Ora, é inumerável a quantidade de ataques que ele recebe da mídia e da academia, conforme esses próprios comentaristas constatam em suas “pesquisas rápidas na internet”, mas quando o Olavo de Carvalho devolve só um pouquinho das agressões que sofre, tais sabichões dizem que é o Olavo e seus alunos que não suportam as ideias e críticas contrárias. Que papel tosco essa gente está desempenhando, sem sequer perceber! E ainda se acham a última coca-cola do deserto...

MachucaSJP disse:
15 de janeiro de 2019 às 09:49

A produção do conhecimento humano é tão vasta que seriam necessárias muitas vidas dedicadas a estudos para compreender apenas uma pequena fração dele, o qual, por sua vez, certamente ficaria defasado em pouco tempo.

Acredito que a maioria aqui possua formação jurídica e podem me confirmar que ao tempo em que nos aprofundamos cada vez mais nos estudos de um diminuto braço do conhecimento jurídico, seria impossível fazer estudos avançados em física de partículas no CERN.

Dito isso, não consigo entender como Olavo de Carvalho possa receber tantos créditos pelas coisas que diz. O dito filosofo deve saber algo sobre algo, afinal, ninguém precisa de um doutorado para aprender qualquer coisa (muito pelo contrário, o doutorado é o produto de um aprendizado), mas então o que seria esse algo? Certamente não pode ser chamado de autoridade sobre física newtoniana, ou sobre teoria da relatividade, ou ainda sobre cultura de células humanas utilizadas em pesquisa, ou sobre Ronald Dworkin, ou ainda tantas outras coisas e pessoas que ele diz refutar em tantas áreas do conhecimento. O que dá o peso de suas palavras ao ponto de equivaler as de uma entidade dita onisciente?

Thiago B. disse:
15 de janeiro de 2019 às 11:03

Quer dizer que o "gênio" pode pinçar duas ou três frases e condenar a obra de alguém, enveredando pela área do Direito tecendo um comentário mais rídiculo que o outro, mas ninguém pode criticar as besteiras que ele fala?
Por exemplo, "não ter posição formada" sobre a ideia de a terra ser plana" (?) e questionar "se a terra realmente orbita em torno do sol, a física inteira precisar ser mudada". Seguem os links:
https://www.boletimdaliberdade.com.br/2019/01/14/olavo-de-carvalho-diz-que-nao-emite-opinioes-sobre-teoria-da-terra-plana/
https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2019/01/09/o-que-a-ciencia-diz-sobre-a-terra-ser-o-centro-do-universo.htm
Mas com alguma coisa dele dá pra concordar.
Quando ele fala no vídeo referido neste artigo, comenta que há "...um poder psicológico que o intelectual tem sobre pessoas que não seriam nem capazes de ler o que ele está escrevendo".
Assim "Eu percebi que era só você derrubar esses ídolos [intelectuais] e acontecia que as pessoas perdiam sua autoconfiança. Ficavam com medo. Assim, como uma criança que se perde do pai no meio da rua".
Pelo jeito, tem muita gente que tá com medo de ficar órfã.

MDC Ius disse:
15 de janeiro de 2019 às 11:32

O fato de a pessoa invocar a própria ignorância como fonte de autoridade intelectual, isto é, como argumento para vencer uma discussão, é um procedimento tão terrível e espantoso quanto comum nos comentários aqui presentes. "Não li, não assisti, não refleti e não pretendo fazê-lo; ninguém deveria fazê-lo. Não vale a pena. Se não conheço e nunca ouvi falar, então não é verdade. Se eu faço uma pesquisa na internet e a maioria está dizendo que é ruim, então é ruim". E ainda se gabam de terem pensamento crítico...

MDC Ius disse:
15 de janeiro de 2019 às 11:43

Ao menos em uma coisa o Bertrand Russel estava certo:

" O mal dos tempos de hoje é que os estúpidos vivem cheios de si e os inteligentes cheios de dúvidas."

O inteligente vive em meio a uma tempestade de dúvidas, questionando até mesmo o "inquestionável", porém lidando conscientemente com toda a cadeia conhecida de fundamentos. Os estúpidos não tem tempo a perder com essas preocupações desnecessárias, são capazes de resolver as questões mais complexas com uma sentença, chamando a isso pensamento crítico.

Marcos Alves Pintar disse:
15 de janeiro de 2019 às 14:33

O comentarista MDC Ius (Outros), a meu ver, foi preciso ao analisar o universo de esterilidade que se produz quando alguém se dispõe a falar ou escrever exaustivamente sobre algum assunto esperando que o acerto ou desacerto do conteúdo, ante a impossibilidade de se contradizer exaustivamente cada afirmação devido ao volume, seja aferido pela "grandeza", grandiosidade" ou "importância" do debatedor. Ao se seguir por essa linha, creio que qualquer um de nós conseguiria facilmente escrever um livro até o final de semana, ou uma pequena biblioteca até o carnaval. No entanto, quase tudo seria inaproveitável e para se demostrar o universo de bobagens constante nos escritos, nessa linha de raciocínio, ninguém faria mais nada na vida senão contradizer argumentos. A construção do conhecimento não se dá dessa forma. Para um pequeno e insignificante progresso, em qualquer área, faz-se necessário uma soma extraordinária de esforços, considerando o conhecimento já acumulado e a experiência prática. Não raro, observa-se que as conclusões mesmo quando sinceras e exaustivamente refletidas, estão equivocadas. Exatamente por esse motivo que os reconhecidos universalmente como gênios da Humanidade só o foram não raro após a morte, uma vez que só o tempo acaba atestando o acerto de uma ideia nova.

Marcos Alves Pintar disse:
15 de janeiro de 2019 às 14:48

Olavo de Carvalho ou qualquer outra pessoa que, sem a devida base científica e vivência prática, meta-se a lançar conclusões sobre o Poder Judiciário brasileiro (tema do artigo sob comento), vai incorrer em erro. Isso porque, trata-se de uma realidade muito complexa, repleta de nuances diversas e interesses de toda espécie. Nessa linha, parece-me que o texto de Streck e Morbach, em uma primeira análise pode parecer grosseiro por criticar abertamente uma outra pessoa. No entanto, possui um sentido muito mais profundo do que denota inicialmente. O Brasil de hoje, infelizmente, está repleto de mentes que se lançam a opinar sobre qualquer coisa, sem a devida vivência ou base científica necessária a opinar. O próprio Bolsonaro, hoje Presidente da República, ajusta-se bem a esse modelo, e como seu perfil encontrou eco junto a boa parte da população, foi alçado ao cargo que atualmente ocupa. Naturalmente, como seria de se esperar (não quero aqui suscitar uma discussão político-partidária), as respostas concretas para os inúmeros problemas atuais não chegam, como podemos verificar pelo vazio completo quando se trata de enfrentar uma dois maiores problemas do Brasil atual: a ineficiência do sistema de Justiça. Nessa linha, muito embora Streck e Morbach não sejam os donos da verdade e também estão sujeitos a falhas em seus raciocínios, como qualquer ser humano, eles estão cuidando de assunto na qual possuem sólida base científica, de início, a incontestável vivência prática.

Ulysses disse:
15 de janeiro de 2019 às 15:04

MDC necessita de um V.A.R. Para acertar as suas bobagens . Colocar as ofensas de OC do face aqui no conjur é o suprassumo do babaoivismo. So. Ostra que Streck e Morbach têm razão na crítica a quem só diz palavrão. O V.A.R é um bom instrumento para tirar dúvidas de árbitro mal intencionado , se é que é possível que o comentarista entenda esse sarcasmo de letras!

John Paul Stevens disse:
16 de janeiro de 2019 às 09:54

Tá faltando árbitro de vídeo, meu caro!

rcanella disse:
16 de janeiro de 2019 às 12:38

Lenio Luiz Streck é uma figura controversa. É difícil defini-lo: qualquer simples menção a seu nome enseja, de imediato, reações tão apaixonadas quanto antagônicas: para uns, referência intelectual, guia do pensamento da velha esquerda brasileira; para outros, uma caricatura, um autor folclórico adepto de todo tipo de teorias jurídico-esquerdizantes.

John Paul Stevens disse:
16 de janeiro de 2019 às 13:13

rcanella é uma figura desconhecida. É difícil defini-lo: qualquer simples menção a seu nome enseja, de imediato, nada: para uns, um ninguém; para outros, zero à esquerda.

atlas disse:
16 de janeiro de 2019 às 14:17

agora ficou chato pro Olavão e suas olavetes, hehehe

Thiago Bandeira disse:
16 de janeiro de 2019 às 15:18

do Lenin, ops, Lênio, e de seu doutrinando, ops, doutorando, está causando reações apaixonadas. "Pois não? Bingo!"

John Paul Stevens disse:
16 de janeiro de 2019 às 15:36

Estou até agora esperando você apontar onde o artigo de Lenin e seu doutrinando está errado.

Paulo Moreira disse:
16 de janeiro de 2019 às 22:35

Ah, o Olavo, o filósofo do século XII que está perdido no século XXI...

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