STF não deve anular condenações por ordem de delatores, diz Fux

O Supremo Tribunal Federal tem muita preocupação com a segurança jurídica. Por isso, tende a não anular todos os atos e decisões já tomados sobre um determinado assunto. Isso é o que afirmou nesta segunda-feira (16/9) o ministro Luiz Fux, ao comentar se a anulação da condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, poderia tornar nulas diversas as sentenças já proferidas.

Nelson Jr. / SCO / STF / Divulgação

Ministro Luiz Fux disse que STF dá muito importância à segurança jurídica.
Nelson Jr. / SCO / STF / Divulgação

“O Supremo Tribunal Federal tem muita preocupação com a segurança jurídica. A segurança jurídica, por vezes, leva o Supremo a modular suas decisões. Quer dizer, as decisões passam a valer de um determinado momento para frente, para não nulificar tudo o que já foi praticado”, disse o ministro a jornalistas no Rio de Janeiro. Ele participou do 1º Congresso Internacional de Direito Processual Civil da Escola Superior de Advocacia Pública, na Procuradoria-Geral do Estado do Rio.

No fim de agosto, a 2ª Turma do STF anulou a condenação de Bendine por entender que os réus delatados devem ser ouvidos depois dos delatores. No caso, a defesa do ex-presidente da Petrobras foi obrigada a apresentar seus memoriais ao mesmo tempo que os delatores. Ele havia sido condenado em 2018 pelo então juiz Sergio Moro.

Transparência eleitoral
Luiz Fux também declarou que, se o Projeto de Lei 11.021/2019 (no Senado, PLS 5.029/2019) for aprovado, deverá ter sua constitucionalidade questionada. A proposta reduz a transparência em campanhas eleitorais ao prorrogar prazos para prestação de contas e para a correção de dados e permite o uso qualquer sistema de contabilidade.

“A era hoje é da transparência. Com dinheiro público, o segredo não pode ser a alma do negocio. De sorte que a transparência é uma exigência da sociedade em relação a tantos quantos lidam com o dinheiro público. Se essa lei representar um grave retrocesso, ela vai passar por um crivo bem rigoroso de constitucionalidade. Eu não tenho a menor dúvida que será judicializada, inclusive pelas críticas que vêm surgindo quanto a ela de retrocesso quanto ao que conquistamos, especialmente de moralidade, nas eleições”, avaliou Fux.

Sérgio Rodas

é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Adilson G. Mocinho disse:
17 de setembro de 2019 às 09:05

Segurança Jurídica é respeitar a ordem processual. É saber que o devido processo legal será respeitado, caso contrário, será anulado.

ANDREOLA, Joao disse:
17 de setembro de 2019 às 10:12

A segurança jurídica deve proteger tão somente as decisões acertadas, dentro dos limites do ordenamento jurídico, porém jamais poderá ser invocada para tentar acobertar eventuais decisões ilegais.

Radgiv Consultoria Previdenciária disse:
17 de setembro de 2019 às 10:27

O caro Ministro deveria ser mais comedido nos comentários sobre a lava jato. Afinal, o Ministro é autor de inúmeras obras jurídicas. Também, já foi citado nas conversas vazadas. Ou devemos riscar os pontos da sua obra ministro, onde V.Exa., cita o
Comando da Lei Maior ?

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