Médico exonerado do STF diz que superiores sabiam do pedido

Nelson Jr./SCO/STF

O presidente do STF, ministro Luiz Fux
Nelson Jr./STF

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o médico Marco Polo Dias Freitas, exonerado pelo presidente do STF, ministro Luiz Fux, disse que "nunca realizou ato administrativo sem a ciência" de seus superiores.

O profissional ocupava o cargo de secretário de Serviços Integrados de Saúde da Corte havia seis anos e acabou perdendo a função após um pedido de reserva à Fiocruz de 7.000 doses de vacina contra à Covid-19, para imunização de ministros e servidores do Supremo Tribunal Federal.

diretor-geral do tribunal, Edmundo Veras dos Santos Filho, foi quem assinou o ofício. Segundo o documento, a secretaria de Freitas seria responsável por coletar e distribuir as vacinas.

Clique aqui para ler o documento

Ao comentar o pedido, o ministro Luiz Fux afirmou que não tinha conhecimento da solicitação e que "estava em choque". O médico, por sua vez, revelou que, "nestes 11 anos no STF, nunca realizei nenhum ato administrativo sem a ciência e a anuência dos meus superiores hierárquicos". "Continuarei, como médico, de corpo e alma, na luta diária pela saúde e bem-estar das pessoas."

"Em relação às notícias veiculadas na imprensa que envolvem meu nome, informo: tenho 33 anos de serviços públicos prestados à comunidade. Sou médico concursado do STF desde setembro de 2009. Fui secretário da Secretaria de Serviços Integrados de Saúde do STF nas gestões do excelentíssimo senhor ministro Ricardo Lewandowiski, da excelentíssima senhora ministra Cármen Lúcia e do excelentíssimo senhor ministro Dias Tofolli, com reconhecimento pelos serviços prestados", sustentou.

Antes de decidir exonerar o médico, Fux defendeu a solicitação em entrevista à TV Justiça. A iniciativa, segundo ele, foi apenas para amenizar o caso. "Foi muito ruim o que fizeram. A administração do tribunal estava tão bem avaliada. A repercussão foi muito negativa", disse.

Outro pedido
Além do pedido de reserva de vacina enviado à Fiocruz, a Folha informou que obteve documento semelhante enviado ao Instituto Butantan, ao diretor da entidade, Dimas Covas, na mesma data do ofício enviado à Fiocruz, com argumentos semelhantes.

Um deles é de que a realização da campanha pelo tribunal iria "contribuir com o país nesse momento tão crítico da nossa história, pois ajudará a acelerar o processo de imunização da população e permitirá a destinação de equipamentos públicos de saúde para outras pessoas, colaborando assim com a Política Nacional de Imunização".

O STF ainda não se manifestou sobre o pedido de vacina enviado ao Butantan.

Eduardo. Adv. disse:
29 de dezembro de 2020 às 18:19

Fique tranquilo!
Sabemos, os brasileiros sensatos, que não foi atitude impensada nem clandestina por parte de Vossa Senhoria.
P.S: agora na Rádio Eldorado, informe de que houve recomendação de solicitar 400 doses, mas o STF pediu 700...

Joro disse:
29 de dezembro de 2020 às 18:39

Oh yes, fore sure,
we trust!

Marly Pigaiani Leite disse:
30 de dezembro de 2020 às 07:56

Foi muito ruim mesmo senhor ministro Fux e vexatório, indecente; de causar ira. Triste!

Humberto d Avila Rufino disse:
30 de dezembro de 2020 às 11:35

Está mais do que evidente que o funcionário não vai admitir que errou. Como sempre ninguém neste País faz 'mea culpa' de seus atos. Como ninguém é infalível, ele errou. Melhor teria sido admitir e não lançar pedras sobre os superiores. Faz parte do cargo, o risco.

José Dionízio da Rocha disse:
30 de dezembro de 2020 às 13:28

Por que me ufano do meu país.

DireitonãoéJustiça disse:
30 de dezembro de 2020 às 15:48

Como que os superiores não sabiam? Tanto é que o ofício foi assinado por um "superior".

Incrível ver um monte de gente querendo ser simpático e agradável com o ministro Fux.

Monteiro_ disse:
30 de dezembro de 2020 às 17:45

Por acaso, numa instituição que deveria dar exemplo de retidão, faz parte do "risco da função", servir de bode expiatório?

Lcsattamini disse:
30 de dezembro de 2020 às 18:23

Quem conhece um mínimo de serviço público e/ou estatal sabe que: a) nada se faz sem consultar o superior; b) não se manda carta sem acertar de boca antes. Portanto, acredito no médico. Fux fez caca.

Dr. Arno Jerke disse:
30 de dezembro de 2020 às 18:32

Poderia me dizer quem assinou o ofício requisitório??? Pelo que li, não foi o médico exonerado. Logo, esse médico pagou o pato por outro, infelizmente. Senhor Fux, que trapalhada heim?

César Sandri disse:
31 de dezembro de 2020 às 02:35

In Fux we trust! Tu fazia parte da farsa jato ?

Marcos Vinicius Pereira Vasconcelos disse:
01 de janeiro de 2021 às 09:21

Não vamos ser hipócritas e acreditar que o funcionário foi o responsável por isso, é óbvio que houve determinação superior, pois, um pedido de 7.000 doses de vacina tem que ter o crivo da presidência do STF.

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