Juiz suspende decreto que tira igrejas e lotéricas de quarentena

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Além de suspender decreto, juiz do RJ recomendou que governo se abstenha de adotar medidas sem seguir recomendações técnicas do Ministério da Saúde

O juiz Márcio Santoro Rocha, da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias (RJ), suspendeu a aplicação do decreto do presidente Jair Bolsonaro que incluiu igrejas e casas lotéricas como serviços essenciais que poderiam ficar abertos durante a quarentena.

"O acesso a igrejas, templos religiosos e lotéricas estimula a aglomeração e circulação de pessoas", escreveu o juiz na sentença.

Ao analisar o caso, o magistrado afirma que "é nítido que o decreto coloca em risco a eficácia das medidas de isolamento e achatamento da curva de casos da Covid-19, que são fatos notórios e amplamente noticiados pela imprensa, que vem, registre-se, desempenhando com maestria e isenção seu direito de informar".

O juiz também determinou que o Poder Executivo se abstenha de adotar medidas sem seguir recomendações técnicas da lei federal de março deste ano que dispõe sobre combate a avanço do novo coronavírus.

Na sentença, o magistrado afirma que classificar atividades de igrejas e de lotéricas como essenciais é "ferir de morte a coerência que se espera do sistema jurídico, abrindo as portas da República à exceção casuística e arbitrária, incompatível com a ideia de democracia e Estado submetido ao império do Direito".

"Rechaço, outrossim, eventual alegação de o fato de a MP 926, de 20 de março de 2020, atribuir ao presidente da República a competência de dispor, mediante decreto, sobre os serviços públicos essenciais, permitir que haja plena liberdade para o Executivo listar tais atividades a seu bel prazer, sem qualquer justificativa jurídica que embase", argumenta. A decisão foi provocada por ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal.

Clique aqui para ler a decisão
5002814-73.2020.4.02.5118

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Mário Sérgio Ferreira disse:
28 de março de 2020 às 07:34

Fico a me perguntar, por qual razão os evangélicos não aproveitam este tempo para estudar a bíblia de verdade.

Eliandro Rogério Afonso Christiano disse:
28 de março de 2020 às 13:46

Bom a justiça brasileira está dando dezenas de motivos para que o executivo interfira no poder da justiça, afinal de contas deve existir harmonia entre os poderes, coisa que os juízes não aprenderam a hora de deixar de agir, seguindo com isso a CF.

Julio Cézar Barbosa Gonçalves disse:
28 de março de 2020 às 14:06

A decisão desse juiz federal tem validade somente sobre o município de Duque de Caxias ou também sobre todo o estado do Rio de Janeiro ?

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