Procurador admite conversas hackeadas e faz um mea culpa

O procurador regional Orlando Martello, ex-integrante da autointitulada "força-tarefa da lava jato", enviou um e-mail aos seus colegas de Ministério Público Federal desabafando sobre a divulgação dos diálogos hackeados apreendidos na operação "spoofing". A informação é de Aguirre Talento, do jornal O Globo

No texto, ele diz que o Telegram, local em que ocorreram as conversas, era uma "área livre, uma área de descarrego em que expressamos emoção, indignação, protesto, brincadeiras… muitas vezes infantis" e que, por isso, os procuradores podem "ter extrapolado muitas vezes". Essa é a primeira vez que um integrante da "lava jato" comenta o teor das mensagens admitindo a autenticidade dos diálogos. 

"Sinceramente, não me recordo da grande maioria das mensagens… e digo isso com sinceridade mesmo! Foram tantas mensagens, muitas em finais de semana, em dias festivos, de madrugada […] Mas não estou aqui para negar as mensagens, mas para dar satisfação", afirma o e-mail.

Segundo o procurador, os grupos de Telegram se assemelhavam a um "ambiente de botequim". "Eram (ou são) os nossos 'nudes', uma área em que os pensamentos são externados livremente e sem censura, entre amigos, alguns de mais de décadas. Expostos a terceiros, causa vergonha."

"Quanto a eventuais comentários que alguém possa se sentir ofendido ou entender inapropriado, favor relevar, pois dito em ambiente que se assemelha ao de um botequim, onde se fala em um monte de bobeiras", prossegue. 

O procurador disse, por fim, que ainda que as mensagens possam sugerir uma atuação "inapropriada" por parte do MPF, a "lava jato" sempre se pautou pela lealdade processual e tomou decisões baseadas na razão. 

"O que sempre prevaleceu, e isso deve-se ao esforço coletivo, foi a razão e não a emoção. Do ponto de vista jurídico, tudo o que era relevante foi para os processos, sem qualquer omissão, fraude, seguindo a lealdade processual”. E lá (nos autos), penso, que nossas atuações devem ser analisadas e contestadas; jamais nos pensamentos, o que são externados livremente e sem censura entre amigos em uma rede informal de comunicação."

Diálogos
Martello é figura carimbada nos diálogos revelados pelo The Intercept e, mais recentemente, levados pela defesa do ex-presidente Lula aos autos da Reclamação 43.007, que tramita no Supremo Tribunal Federal. 

Em uma das mensagens ele sugere, por exemplo, que áudios de Lula sejam vazados para a imprensa se a escalada contra a "lava jato" continuasse a ganhar força. 

"Se a escalada continuar, a solução é soltar os áudios, cf sugerido por CF [provavelmente Carlos Fernando dos Santos Lima]. Aí jogamos problema no colo deles, com algumas maldades (pq lula usa cel de terceiros!; proximidade de lula e JW [Jaques Wagner, então ministro da Casa Civil], bem como JW responsável pela nomeação do novo ministro; convocação de deputados; movimentos sociais, etc."

Martello incentivou que autoridades norte-americanos fizessem entrevistas com delatores diretamente nos Estados Unidos, driblando as restrições brasileiras que colocam o Ministério da Justiça como autoridade central de colaboração entre os dois países.

Ele também integra o grupo de oito procuradores que tentou barrar o acesso de Lula às mensagens apreendidas na "spoofing". No pedido, ao contrário do e-mail enviado aos colegas, os integrantes do MPF negaram a autenticidade dos diálogos ao mesmo tempo em que afirmaram que estão tendo suas vidas expostas. 

A solicitação dos procuradores, entre eles Deltan Dallagnol, foi negada pelo Supremo.

Lincoln Silva disse:
12 de fevereiro de 2021 às 08:11

Lula também confessou varias vezes que é ladrão. Será que vale como mea culpa?

Péricles disse:
12 de fevereiro de 2021 às 10:43

O roubo aos cofres públicos deve ser aclamado. É um direito dos corruptos!!!
A condenação deve ser expurgada, a qualquer preço, dentro do orçamento dos valores apropriados no roubo. Quem condenou deve ser condenado, cancelado, destruído...
Assim se mantém o status quo numa demanda promovida pelo establishment que se apossou no poder no Brasil há 36 anos.
Não existem valores, por isso não há que se falar em inversão.
O caminho das trevas é largo e obscuro. Welcome, STF!

C.B.Morais disse:
12 de fevereiro de 2021 às 11:45

Esse cara pode ser sincero, verdadeiro. Mas uma verdadeiro cara de pau mostrar o nível do MPF em Curitiba. A tão festejada operação lava jato em brincadeiras de botequim. Que nojeira saber desse nível. Pelo menos ele não nega as conversas, então, o próximo herói (brasileiro adora isso) é o hacker que descobriu esse lamaçal vergonhoso. Será que esse tipo de botequim existiu somente nesse caso, ou o Brasil é cheio desse tipo de botequim?

magnaldo disse:
13 de fevereiro de 2021 às 05:37

Quando deferiu-se ao órgão de acusação (parcial por natureza), o poder de investigar diretamente, possibilitou-se a prática de abusos e manipulações de toda ordem, comprometendo o resultado final. Quem acusa deve atuar unicamente em Juízo.

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