O neurologista e pesquisador químico na Companhia Sleepthinker, Cornelius Grouppe, já em 2013 fazia um interessante anúncio, que se antecipa à crescente simplificação TikTok e quejandices (aqui a lista é longa). Cornelius é, assim, um visionário de tiro curto. Mas certeiro.
Dizia, já então[1] (leiam a NR):
— Você já percebeu o quanto é cercado de idiotas?
— Se não percebeu, você pode ser uma delas. Neste caso você pode parar por aqui e seguir com a sua vida. E não se fala mais nisso.
— Ah, percebeu? Muito bem. Então sigamos.
— Não é segredo que burros e néscios são a maioria na população mundial. Eles certamente não vão ficar mais inteligentes, ou começar a agir racionalmente. Não há chance de melhora.
— Por isso, se você quiser entrar para a maioria, é você quem tem de mudar. Para isso, desenvolvemos uma pílula que, dependendo da concentração do princípio ativo, pode reduzir o QI de uma pessoa permanentemente. Nós temos pílulas de -10, -30 e a mais forte -50. Mas porque você pensaria em diminuir o seu QI?
— Simples. Porque a vida é mais fácil e o mundo é um lugar muito mais feliz quando você é burro. Se você for da área jurídica, então…
— Se você quer ser maioria, recomendamos diminuir o seu QI para aproximadamente 70. Mas não se preocupe. Tudo vai ficar bem. Com um QI de 70, você ainda consegue amarrar os sapatos e escrever uma letra de rap comum ou ser compositor de música de sofrência sertanejo-universitária. E se dar bem fazendo comentários em sites, esculhambando com quem lê livros. E postar piadas sobre políticas de distribuição de absorventes. Além de fazer discurso nas redes dizendo que urnas eletrônicas são uma fraude. Pode escrever "testos" (com "s") em favor da intervenção militar. E poderá facilmente, é claro, ser influencer. Afinal, você conhece algum influencer com QI acima de 70? Sim? Que bom. Para você. Falando claramente: a pílula alivia a sua mente. Mas é preciso reprogramar.
— Então depois de tomar a pílula, você passa o resto do dia ouvindo músicas do Amado Batista, do Gustavo Lima e do DJ Pitbull, enquanto lê e repassa fake news nos seus grupos de WhatsApp e, de quebra, dá uma boa espiada no mais recente reality show tipo "surviver". E passa achar o "veio da Van" o maior patriota. E zapeia em alguns programas que falam sobre "fofocas de ex-integrantes-de-reality". Será o máximo! Depois você toma um banho quente, lê o J.R. Guzzo, posta suas xingações ao STF, vai dormir e no dia seguinte acorda mais burro do que era antes. É o nirvana.
— Autoconsciência, decência, falta de confidência e até medo deixarão de existir. Vida nova! Pule do teto, dirija bêbado (afinal, você é livre!), pregue o AI-5, elogie Ustra e diga, com orgulho "sou negacionista". E diga que o camarão mais barato e mais gostoso (embora atulhado de molhos e custando uma fortuna) é do Coco Bambu. Claro, se você for rico. Se for pobre, bom, aí a coisa aperta… Nem saberá do que se está falando. De todo modo, todas essas atividades sem sentido e perigosas — que você nunca tentou até agora — vão se tornar muito agradáveis e divertidas.
— Infelizmente, há um efeito colateral que eu devo mencionar. Todas as pessoas que você desconhece vão começar a provocar-lhe irritação. Pessoa de outras raças, outras orientações sexuais, pessoas que escrevem frases longas. Pessoas que leem livros… serão odiadas por você. Basicamente qualquer um diferente de você.
— Mas o lado bom é que você não terá que odiá-las sozinho. Você fará muitos amigos que pensam igual. Muitos. E dirá: "você me representa"! E pode correr para a academia ficar bombadão. E poderá se eleger a um cargo. E aumentará os seus grupos de redes sociais. Poderá competir com Zambeli. Porque você estará na maioria. Pense nisso. O mundo é muito melhor quando você não é muito esperto para ele.
Pronto. Fim do tutorial.[2] Deixe seu laique!
E assista ao vídeo original (em inglês):
[1] Faço pequenas adaptações. Em homenagem a imensa legião das gentes do direito macdonaldizado.
[2] Por via das dúvidas, aviso que o anúncio do cientista é uma broma. Vai que as pessoas pensem que as pílulas existem, mesmo… De todo modo, dado o nível da jusmacdonaldização, as pílulas são despiciendas. Existe a nesciedade adquirida sem exigir esforços.



A pílula também fará com que acredite em heróis e, nas próximas eleições, vote em Sérgio Fernando, Deltan Martinazzo e Janot Monteiro, pois eles farão do Brasil um país melhor, talvez de primeiro mundo.
O texto expressa o sentimento da minoria: seria muito mais fácil viver hoje no Brasil sendo um néscio.
Coincidência ou não, os textos do Lenio, e suas referências, foram o ponto de partida para a minha mais profunda infelicidade, se é que entendem. É um caminho sem volta.
Se os indivíduos não forem inteligentes, hão de contentar-se em acreditar naquilo que lhes disseram e possivelmente praticarão o mal (ou irão ouvir Gustavo Lima), apesar da mais genuína benevolência.
Panaceias jurídicas no plano teórico subsistem no Direito desde há muito. Fosse a pílula aludida por Streck uma realidade, o senso comum teórico enfim reinaria soberano.
Mas o pior mesmo é ler este artigo...
Aí é demais!!!
Melhor texto que já li. Mas professor, não se usa mais o QI. Agora é o TAR. Uma pessoa normal tem 11 TARS. Um gênio tem 20 TARS. Mas há casos de inteligências menores. São os Centi-TARS e os mili-TARS. Kkkkkkk
Essas são as pílulas certas para viver no Brasil, neste momento. Não está fácil...
Você é uma pessoa "feliz", parabéns!
Sou fã do Lenio, de carteirinha. Mas aqui ele exagerou: o texto exala um elitismo desagradável. A cultura popular, e mesmo a cultura de massa, forma mais manipulada, são esculhambadas de maneira agressiva e ignorante pelo nosso querido. Só no mundinho literato e clássico existiria vida inteligente, está nas entrelinhas. Que senhora simplificação !
Ganhar 40 mil por mês de aposentadoria após uma vida curta de privilégios largos num país de estúpidos desempregados e desalentados é bom demais.
O texto é ótimo. Já o comentário deixa a desejar.
E cansa mesmo!
A inteligência de cognição foi substituída pela inteligência de adesão.
A maçã que está no alto se rende ao capricho da massa, dando a impressão que a gravidade é para baixo.
Que texto ruim, infantil! Mas, claro, aplaudido pelos acólitos.
Que texto ruim, infantil! Mas, claro, aplaudido pelos acólitos.
Nenhuma pílula faria alguém acreditar em você, soldadinho.
Nenhuma pílula faria alguém acreditar em você, soldadinho.
Faltou apenas dizer que o Lula é inocente, pois essa é a maior das "Fakes news" dos últimos tempos, propagadas e até agora o stf nada disse.... enfim é a demo cracia funcionando, quem discordar é néscio, segundo o democrata autor deste texto... perda total de tempo nesta leitura, de um autoproclamado superior, mas embora seja mais um néscio...
O texto, embora divertida a leitura, ataca e menospreza os outros que entendem diversamente do articulista e propõe aos opositores justamente tudo aquilo que ele, o próprio texto, prega combater...
Quem não entendeu a quem é direcionado pertence à grande família.
Desde o "coitadinho que rouba um celular até o literato degustador de uvas nobres", agradecem o empenho do erudito em dizer: "seus bocós, sou a melhor e a única salvação".
Triste? Não! Vislumbrado? Não! Bom ver que a maioria, lógico, composta de néscios e beócios (segundo o autor e uma gama de especialistas), acordou para uma realidade que era objeto de debate apenas entre o "séquito", e.g: "quem irá ocupar tal cargo/função, quanto é a remuneração/quem são os amigos/quanto posso auferir/posso aditar/inflar/nãofazer...e por ai vai.
O Lênio vai mostrando cada vez mais as garrinhas a quem não compartilha da cartilha 'anti-Direito-MacDonalds' (neoconstitucionalismo de buteco integrativo que vem solapando a tradição judicial brasileira (notadamente Republicana) e elegendo os Juízes da Suprema Corte como déspotas esclarecidos. Afinal, as escolhas valorativas contra legem são, todas, definições políticas de princípios legais. Hoje, com este 'novo direito' do Lênio, integrativo, pós-positivista e mais bonito, estamos todos protegidos em nossos sentimentos, ainda que fundamentado na destruição de todas as decisões racionais das instâncias inferiores. Precisamos cada vez mais de homens como Lênio, Barroso, Lúcia, Moraes, Fachin para nos indicar, como a luz às mariposas, o caminho correto da virtude democrática. O resto são os burros.
Só faltou dizer que o Luiz È Inocente.
Concordo com você “ataca menospreza os outros”…
Depois de tanto tempo de monopólio das narrativas (jornalísticas, políticas, ACADÊMICAS, etc.) finalmente a "massa" tornou-se "massa crítica" e isso incomoda e irrita os "líderes intelectuais". Quem lê os livros de Streck e compara com sua atividade tanto profisional quanto em sites e nas redes sociais pensa tratar-se de pessoas diferentes ou de um caso público de dupla personalidade. Ou a máscara está caindo, não há mais como disfarçar ?
*** Conjur, publique pelo menos este.
Streck fala o que quer, ofende quem quer, temos o direito de responder.
Direitistas e esquerdistas..vermes da mesma latrina.
O lixo hospitalar reapareceu.
Jorge Backes, Economia UFRGS, anos 80? Prazer te encontrar por aqui. Concordo, achei um tanto exagerado, mas o sentido está nas entrelinhas. Abraço!
É engraçado como aparecem comentários dizendo que estão perdendo tempo lendo o texto de Lênio.
Não é a primeira vez que vejo comentário desse tipo na coluna de Lênio.
Gente, a receita é muito simples, é só não ler. E isso é muito lógico. Não preciso parecer que estou defendendo Lênio. É contradição na veia dizer que está perdendo tempo lendo o texto! A regra é muito simples, se ler o texto pode-se tanto concordar ou não. Se não concordar e entender oportuno, no mínimo deve apresentar argumentos contrários que possam fortalecer o debate, e não para desrespeitar o autor do texto. E isso vale para qualquer texto de outro colunista ou em outra plataforma de periódicos. Raiva, ilações levianas e piadinhas de mau gosto não eleva o debate em lugar algum. Talvez, daqui a pouco, alguém dirá que este singelo comentário é de mais um seguidor alucinado por Lênio. Sobre o texto, não precisamos ir muito longe para evidenciar que a história brasileira revela já há muito tempo a intenção do sistema político e econômico de manter os brasileiros desprovidos de educação e de dignidade. É muito mais fácil manobrar as massas em contextos de elevada desigualdade social. Infelizmente, inúmeras ferramentas tecnológicas que são bem vindas para a ampliar o acesso ao conhecimento, são utilizadas para explorar conteúdos que não agregam conhecimento e não contribuem para formação do discernimento político, econômico, social, jurídico e cultural.
E aí temos o que temos, infelizmente, bizarrices da ignorância. Hoje em dia um post mastigado sem fonte vale mais que um texto fundamentado. Quem quer o brasileiro alfabetizado e graduado? Saudações!
Sim, você reapareceu, Macaco. E suas hemorroidas devem estar te incomodando bastante, pelo visto.
Sim, você reapareceu, Macaco. E suas hemorroidas devem estar te incomodando bastante, pelo visto.
O que não falta por aí é "alfabetizado" e "graduado" que não tem "discernimento político, econômico, social, jurídico e cultural" e só sabe repetir clichês de sociologia barata.
O que não falta por aí é "alfabetizado" e "graduado" que não tem "discernimento político, econômico, social, jurídico e cultural" e só sabe repetir clichês de sociologia barata.
kkkkkk, acho que o Lenio está pirando com a possibilidade cada vez mais próxima de o capitão se reeleger.
Comentário irretocável. É só não ler: pura lógica; pura analítica. Por falar nisso, lembro de um sujeito que, todas as semanas, durante meses a fio, era um dos primeiros a comentar na Coluna e repetia o mesmo mantra: "Essa coluna respira com a ajuda de aparelhos". Confesso que ficava perplexo. "Com a ajuda de aparelhos... E a sua, cara-pálida!". Difícil entender. Talvez se achasse um grande "lacrador". Hum, hum...
Há bons anos atrás li (infelizmente) um texto de Merval Pereira. Foi o primeiro e o último. E não abracei um estado de gozo psicanalítico permanente encanzinando-me a ler todas as publicações do autor e comprometendo-me à mais pura e irresoluta implicância através de provocações vazias. Não há mais nada mais inestimável do que o tempo. Leio o que considero o melhor a ser lido, e o professor está entre as minhas preferências de leitura.
Ah, e provocações vazias no melhor dos cenários, já que há alguns (bem poucos, minoria de) comentaristas cuja divergência é cá manifestada até respeitosamente, mas de muito difícil ou impossível ajuste, por razões várias, às vezes incompatibilidades previamente declaradas frente ao que consideram o posicionamento de Streck. Continuam voltando, porém. O pior dos cenários, e tristemente o mais comum, é o da implicância, da firme disposição de alguns e algumas em destilar ódio, ataques pessoais e doses generosas de nesciedade nestas páginas.
E ainda há comentaristas que dizem sentir-se ofendidos em textos em que o professor combate - ou pelo menos tentar combater - o fenômeno intrinsecamente humano e deletério da estupidez. Vestiram a carapuça?
Li o texto do Professor Streck. Gosto bastante da maioria do que ele escreve, mas acho que essa auto elevação a categoria de super ser e o afastamento do "mundo dos néscios" seja algo totalmente desrespeitoso e, francamente, bem babaca da parte dele.
Quer dizer que os pobres apreciadores das artes menores, dos incultos e de todos que não se enquadrem na "visão de mundo" são todos burros, aliás, SOMOS, porque infelizmente tenho que me colocar aqui na posição inferior da escala Streckiana. Fazer o quê, também?
Infelizmente há quem tenha inteligência e educação mas que utilize dessas ferramentas para fins pouco democráticos, pouco elevados quando se fala de valores humanos, e, então fica a pergunta: Pra que é que serve essa inteligência toda? Melhor é ser burrinho então, mesmo que infeliz, o mundo está bem complicado pra todos, não só pros inteligentinhos. Agora, sinceramente, Lênio é excelente, mas a patada gratuita no J.R. Guzzo, além de desmerecida, é sem efeito, porque o Guzzo, goste Lênio ou não, tem mais bagagem que nosso jurista da mão pesada.
Todas essas referências elitistas, maniqueístas e infantis poderiam ser feitas com Lula e os lulistas (há "gado" de vários tipos). Mas, claro, o articulista-equilibrista jamais faria isso.
Todas essas referências elitistas, maniqueístas e infantis poderiam ser feitas com Lula e os lulistas (há "gado" de vários tipos). Mas, claro, o articulista-equilibrista jamais faria isso.
Fazer o contraditório aos textos de Streck não é implicância, é uma necessidade para elucidar certos aspectos demagógicos ou sofismáticos dos textos de Streck. Neste artigo sobre a estupidez, na verdade, Streck não está combatendo a estupidez, como, aliás, nunca combateu, sempre usou a estupidez como uma entidade para dividir as pessoas em dois grupos : aqueles que concordam com Streck e aqueles que discordam, sendo atacados e menosprezados pelos seguidores de Streck, que são só seguidores, não raciocinam nem criticam o que Streck diz.
Perfeito o comentário. É interessante que os textos de Lênio Streck são sempre muito comentados, e geralmente, pelos mesmos que o detestam. Noto que, é muito comum, que os que não gostam de seus textos, fazem comentários referindo-se ao Lula ou PT, mas quase sempre sem tratar do texto em si. Parece ser uma amostra que o próprio texto tenta demonstrar. O tema não é novo, pois há décadas, um americano escreveu um livro que o título era "todo mundo é incompetente, inclusive você, no qual demonstra que todos podem chegar ao limite de incompetência. Não importa se há formação jurídica ou não, a incompetência é demonstrada ao se reclamar do autor, sem comentar o texto em si.
O texto que estamos comentando é mais uma repetição de texto oco que o autor reproduz com pequenas alterações em várias colunas há anos. Chamar as pessoas que discordam dos pontos de vista de Streck de "néscios", "estúpidos", "negacionistas" genericamente não é expor ideias num texto articulado. As referências de alguns comentarista ao PT e Lula, em muitos casos, são pertinentes. Seja pelo mesmo "modus operandi" de suposta argumentação dos petistas (nós/eles), seja pela flagrante contradição de Streck na defesa da prisão após o trânsito em julgado, que beneficiou Lula imediatamente, seja pela "presunção de culpa" que advogou no caso do deputado Daniel Silveira.
Como bem observou Rejane G. Amarante em seus comentários, o Lênio é brilhante nos livros que escreveu mas intolerante em seus textos, não admite que se pense de maneira diferente, a não ser, claro, que você não seja tão inteligente como ele e um pequeno séquito de admiradores.
Excelente a ideia de alguns de simplesmente não ler. Vamos ler apenas e tão somente os que concordamos e admiramos e vamos excluir o debate de ideias de nossa geração. Triste.
Concordo 100%
Sim, existe gado de todo lado e a carapuça serve para todos, mas isso não torna inválidos os argumentos, bestializaçao existe em qualquer lado do espectro, é um fato fácil de comprovar, basta ter olhos para ver (e não tomar o diminuidor de QI) e nem por isso ela é desejável.
O fato é que pensar dá muito trabalho, mais fácil deixar para alguém decidir por nós e ser feliz com qualquer coisa que o "chefe" mande fazer.
"Não tenhas medo das palavras grandes, pois se
referem a pequenas coisas.
Para o que é grande os nomes são pequenos:
assim a vida e a morte, a paz e a guerra, a noite, o dia, a fé, o amor e o lar.
Aprende a usar, com grandeza, as palavras
pequenas.
Verás como é difícil fazê-lo, mas conseguirás dizer o que queres dizer.
Entretanto, quando não souberes o que queres dizer, usa palavras grandes, que geralmente servem para enganar os pequenos".
Arthur Kudner
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login