Os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram não se reunir com o presidente Jair Bolsonaro até que ele reconheça oficialmente o resultado das eleições de domingo (30/10), informa a jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo o jornal, André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados ao Supremo por Bolsonaro, já tinham confirmado que compareceriam ao encontro, mas os demais concordaram que não vão ao Planalto por enquanto.
Alguns ministros suspeitam que o presidente pode chantageá-los pedindo um compromisso de anistia em inquéritos como condição para admitir a derrota nas eleições. Dois dias depois da divulgação do resultado, o presidente ainda não se manifestou. Um pronunciamento do presidente é aguardado para qualquer momento nesta terça-feira (1º/11).
Caos e desordem
Desde o anúncio do resultado das eleições, que confirmaram a vitória de Lula com 50,9% dos votos, contra 49,1% de Bolsonaro, apoiadores do presidente começaram a fazer barricadas em estradas pelo país.
A Polícia Rodoviária Federal, que no domingo das eleições estava parando ônibus em estradas no Nordeste e Norte do país, não tomou providências contra os apoiadores golpistas do presidente.
O ministro Alexandre de Moraes, então, deu uma liminar obrigando a PRF a agir, sob pena de responsabilização pessoal do diretor-geral da corporação, Silvinei Vasques, com possibilidade de afastamento e até prisão em flagrante por crime de desobediência. Todos os ministros da corte já referendaram essa decisão, exceto Mendonça e Nunes Marques.
Depois dessa decisão, Alexandre ainda emitiu um despacho reforçando que a ordem dada à PRF não desobriga as Polícias Militares, sob o comando dos estados, de atuar na liberação das vias.
Depois disso, vários governadores enviaram tropas de choque às rodovias e conseguiram desmanchar os bloqueios imediatamente, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Os três primeiros estados são governados por aliados de Bolsonaro.
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