Membros da comunidade jurídica vivem altos e baixos nas urnas

Tradicionalmente a carreira profissional com mais representantes no Legislativo — afinal, sua matéria prima é a lei — advogados famosos, conhecidos por sua atuação, não conseguiram emplacar mandato na eleição do fim de semana.

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Mais de dois mil operadores do Direito se candidataram nas eleições deste ano
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A começar por dois ex-presidentes da OAB paulista, Caio Augusto Silva dos Santos e Marcos da Costa; e o ex-presidente da seccional fluminense da OAB, Wadih Damous. O mesmo se deu com nomes lustrosos e respeitados como Augusto de Arruda Botelho, Frederick Wassef (advogado da família Bolsonaro) e Fernando Capez (oriundo do MP, mas um best seller da literatura jurídica). Mais sorte teve o ex-presidente da OAB-DF, Ibaneis Rocha, eleito governador no primeiro turno.

Ainda do universo jurídico, tiveram suas candidaturas frustradas Miro Teixeira (PDT-RJ), advogado e jornalista que buscava seu 12º mandato na Câmara; Orlando Zaccone (PDT-RJ), delegado de Polícia Civil; Sérgio Santos Rodrigues (Podemos-MG), advogado e presidente do Cruzeiro Esporte Clube; e Janaina Paschoal (PRTB-SP), professora de Direito Penal da Universidade de São Paulo, candidata ao Senado. 

Por outro lado, o ex-juiz federal Flávio Dino, que já governou o Maranhão, foi eleito para o Senado pelo PSB. Integrantes do mesmo partido, o professor de Direito Alessandro Molon e o advogado Márcio França buscaram ser senadores por Rio e São Paulo, respectivamente, mas não se elegeram. 

Outro ex-magistrado que postulou uma vaga no Senado foi Odilon de Oliveira (PSD-MS), cuja trajetória inspirou o filme "Em nome da lei". Apesar do apelo cinematográfico, porém, ele não foi eleito. 

Em São Paulo, o ex-presidente do Tribunal de Justiça Ivan Sartori (Avante) tentou uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas não obteve sucesso. A ex-promotora Gabriela Manssur (MDB) também ficou pelo caminho. O promotor licenciado Carlos Sampaio (PSDB), por sua vez, foi eleito. 

Lavajatistas
Ex-integrantes da autodenominada força-tarefa da "lava jato", por sua vez, tiveram sucesso nas urnas. O ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo de Bolsonaro Sergio Moro (União Brasil-PR) foi eleito senador pelo Paraná. E ele conseguiu impulsionar a candidatura de sua mulher, Rosângela Moro, que foi eleita deputada federal por São Paulo. 

Um dos personagens mais histriônicos do lavajatismo, o ex-procurador Deltan Dallagnol, foi o deputado federal mais votado pelo Paraná. Embevecido pelo triunfo eleitoral, Deltan bradou que a "lava jato" tinha "ressurgido das cinzas" em vídeo compartilhado com seus seguidores. 

Executivo
Na disputa da Presidência da República, os operadores do Direito não se deram bem. Ciro Gomes (PDT), José Maria Eymael (Democracia Cristã), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil) são advogados de formação e ficaram pelo caminho. 

Melhor sorte tiveram Cláudio Castro (PL), reeleito governador do Rio de Janeiro em primeiro turno, e Ibaneis Rocha (MDB), ex-presidente da seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que também foi reeleito no DF.

Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) vai disputar o segundo turno da eleição para governador, assim como os bacharéis em Direito Eduardo Leite (PSDB), no Rio Grande do Sul, Marília Arraes (Solidariedade) e Raquel Lyra (PSDB), ambas em Pernambuco. 

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

olhovivo disse:
04 de outubro de 2022 às 16:20

Agora o ex-ministro Serginho Moro, depois de trair e tentar derrubar Bolsonaro, virou seu baba-ovo. Não dá pra entender o caráter (ou a falta dele) desse tipo de gente.

O ESCUDEIRO JURÍDICO disse:
04 de outubro de 2022 às 17:42

Muitos profissionais da advocacia (ou seriam artistas, porque alguns defendem que exercem uma arte) foram escorraçados pelo povo nas urnas.
Não é nenhum demérito, considerando que os autocratas jurídicos, Sérgio Moro (que finalmente conseguiu uma fonte de sobrevivência, pois estava, intensamente preocupado com a sua existência física após ter saído do Governo Bolsonaro) e Deltan Dallagnoll, o técnico do "power point", estarão respondendo por seus atos perante o Poder Judiciário.

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
05 de outubro de 2022 às 10:57

Entendo que é possível algum tipo de classificação quanto aos deputados e senadores eleitos. Temos os artistas, que nunca leram a constituição, e que dependerá de acessores para lhes explicar o minimo para tomar decisões. Estes serão peões no jogo entre as forças no congresso. É aquele que acha que assunto de direito penal é pra juristas. Um dia destes, um desses eleitos, âncora em programa de TV que fala de reportagens de crimes, comentou um caso de um empresário que matou duas pessoas, fugiu, escapou do flagrante, semanas depois se apresentou na delegacia, depôs e foi pra casa. O comentário desse apresentador em tom de lamentaçao, foi: "é a justiça que permite isso. " o problema é que ele não percebe que ele pode tomar como deputado federal, iniciativa para mudar isso. Quanto a ter muitos advogados no congresso, não se conseguirá acabar com o corporativismo da classe. Acabar com privilégios como direito a prisão especial em sala de estado maior (que não é uma prerrogativa para desempenho da atividade). Desvincular a atividade de conselho de classe, com as atribuições previstas na constituição federal, criando 2 novas entidades. Acabar com o caça níqueis dos exames da OAB. O próprio estatuto da advocacia não foi votado pelo Plenário da Câmara. Foi da comissão para o senado.

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
05 de outubro de 2022 às 11:17

Essa entidade que fosse criada para atender o que seria as atribuições constitucionais da OAB, seria formada por todos os conselhos profissionais e que escolheriam no quinto constitucional, ministros do STF. Lembramos que para ser ministro do STF não é necessário ser bacharel em direito, mas ter notórios conhecinentos juridicos. Na história do STF, houve um médico. Igualdade e isonomia entre os conselhos profissionais.

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