Desinformação fez TSE inovar para manter democracia, diz Alexandre

A quantidade absurda e criminosa de desinformação em circulação no Brasil com o intuito de corroer internamente a democracia obrigou o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal a inovarem nas estratégias de defesa do Estado Democrático de Direito.

Abdias Pinheiro/SECOM/TSE

Fala do ministro Alexandre de Moraes foi dada em evento sediado pelo TSE sobre integridade e confiança nas eleições

A afirmação foi feita nesta terça-feira (15/8) pelo ministro Alexandre de Moraes, membro do STF e presidente do TSE, no encerramento do seminário "Integridade da Informação e Confiança nas Eleições", que reuniu representantes de órgãos de gestão eleitoral de diversos países.

Moraes fez referência direta às três últimas eleições, de 2018, 2020 e 2022. Na primeira delas, a Justiça brasileira foi surpreendida pelo uso organizado e sistemático de uma máquina de desinformação. Nas duas seguintes, o embate levou a distensões democráticas pelo país.

"Tivemos, no Brasil, um ataque maciço de notícias fraudulentas, mentirosas, de crimes eleitorais travestidos de uma falsa liberdade de expressão, Isso fez com que o Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e o próprio Supremo Tribunal Federal tivessem que inovar no sentido de preservar nossa democracia, nossa Constituição e a lisura das eleições", disse.

Em sua análise, a estratégia foi gestada há décadas em um projeto de conquista de poder de extremistas de direita que se espalhou por todo o planeta. O mecanismo eleito foi o uso das redes sociais para difusão de notícias fraudulentas e para atacar três pilares da democracia moderna.

O primeiro é a liberdade de imprensa, tornando as mídias tradicionais desacreditadas e abrindo espaço para uma competente mistura de notícias verdadeiras e falsas pelas redes sociais, ampliando exponencialmente o alcance de pessoas.

O segundo pilar é a eleição livre e periódica. Como modernamente não se ataca mais a ideia de democracia, o que foi atacado foi o principal instrumento que a constrói: o voto. "E pouco importa se eleição é por voto escrito, urna eletrônica ou correspondência. O que importa é desacreditar o método usado para concretizar a democracia", explicou o ministro.

O terceiro pilar é o Poder Judiciário, que em alguns países foi cooptado, em outros foi impactado pelo aumento, redução ou substituição dos membros de suas cortes superiores, e em alguns, como o Brasil, foi atacado frontalmente.

"Essa é uma realidade mundial. A questão da desinformação como mecanismo corrosivo da democracia é uma realidade que temos que enfrentar e estamos enfrentando — nós enquanto instituições que querem preservar o Estado Democrático de Direito", afirmou o ministro Alexandre de Moraes.

Danilo Vital

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Luiz Adriano Machado Metello Junior disse:
15 de agosto de 2023 às 18:06

A visão do ministro sobre desinformação, "plano" da extrema direita e toda essa baboseira que ele falou só demonstra o quão restrito é o entendimento do ministro sobre o atual momento pelo qual o mundo passa.

Primeiro vamos tirar do caminho os pontos fora da curva. Sites, blogs e influencers PAGOS não se encaixam ao que vou me referir a seguir. A seguir vou me referir a TENDÊNCIA como um todo, independente de agentes especificos.

De 2015 para cá, a internet se popularizou enormemente na vida do cidadão global.
As pessoas passaram a ter acesso à informações de forma descentralizada e distribuída. Não há necessidade de se assistir o "jornal nacional" para saber as ultimas notícias.
Com o acesso democratizado a informação, a versão dos fatos apresentada pela mídia passou a não mais ser a versão hegemônica. Hoje temos outros pontos de vista sobre o mesmo fato, o que leva a discussão e a formação de opiniões independentes.
O ministro acha que isso é uma conspiração global, não é, isso é a mera consequência da liberdade de informação, as pessoas discutem entre si, e não mais escutam o Willian Bonner ou qualquer que seja o jornal par atirar suas conclusões.
Como a esquerda sempre dependeu do controle da narrativa para se manter no poder, a perda desse controle, por estar o público melhor informado, foi o que fez a direita retomar o protagonismo no discurso politico. Não é o Bolsonaro, não é o Trump, são AS PESSOAS MELHOR INFORMADAS.
Enquanto o ministro continuar em sua épica aventura para derrotar os moinhos de vento, as mudanças na sociedade vão continuar.
Lembram da primavera árabe? Foi a informação descentralizada, sem controle estatal ou midiático que possibilitou.
O Brasileiro é majoritariamente conservador. E agora ele tem voz. Simples.

João B. disse:
16 de agosto de 2023 às 11:51

Sim, muito bem informadas, vide a mamadeira de piroca, o kit gay e por aí vai.
Essa narrativa de que apenas há mais informações disponíveis é, na verdade, pura desinformação.

Luiz Adriano Machado Metello Junior disse:
17 de agosto de 2023 às 08:18

Dr. João, separe os pontos fora da curva, esses que querem aparecer com polemicas.
Pessoas sérias, empresários, produtores, etc que não fica postando baboseira no twitter. Essa gente, atualmente, tem melhor acesso a informação.

Infelizmente sempre vamos lidar com os extremos, que existem na esquerda tb.

Mas agora condenar todo um espectro politico por conta da ação de alguns atores é injustiça e demonstra parcialidade.

Como disse, a maior parte da população brasileira é conservadora.

João B. disse:
18 de agosto de 2023 às 14:42

o que fez a direita retomar o protagonismo no discurso politico foi o uso dos algoritmos das redes sociais e plataformas de vídeos para, usando de assuntos polêmicos e mentiras descaradas, induzirem a massa a acreditarem em mamadeira de piroca, kit gay, enfim, fazr lavagem cerebral, de modo que ainda hoje as pessoas defendem a honestidade do Bolsonaro, mesmo após tantos escândalos, como rachadinhas, milícias, amigo de milicianos envolvidos no caso Marielle, cheques do Queiroz, 51 imóveis negociados em dinheiro vivo, joias etc.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também