Em petição na noite de segunda-feira (23/5), o delegado da Polícia Federal Renato Castanheira Fanton apresentou à 13ª Vara Federal de Curitiba notícia-crime apontando ilegalidades cometidas pelos procuradores da "lava jato" por meio de escuta ambiental ilegal na cela de presos na carceragem na capital paranaense.
O documento, que foi protocolado pela advogada Elioena Asckar Fanton, mulher do delegado, cita os 13 procuradores que integravam o grupo lavajatista em 2014 como autores e pede apuração e as medidas legais pertinentes e urgentes, "pois se tratam de 8 anos de ilegalidades ocultas em procedimentos sigilosos".

A petição foi apresentada nos autos de processo que investiga lavagem de dinheiro e ocultação de bens derivado de investigações lavajatistas e que se encontra suspenso por envolver o advogado Rodrigo Tacla Duran.
A notícia crime foi motivada pela "notoriedade dos fatos veiculados na imprensa, relativos ao crime de escuta ambiental ilegal encontrada na cela dos presos da operação lava jato no ano de 2014" e cita que os fatos foram descobertos por Renato Castanheira Fantom e pelo agente Dalmey Fernando Werlang.
A referência é a decisão do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Eduardo Appio, de permitir à Polícia Federal investigar o grampo ilegal usado pelos lavajatistas para monitorar a cela em que o doleiro Alberto Youssef foi preso. Appio foi afastado do cargo por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região no mesmo dia e por motivos não relacionados ao caso.
Segundo a revista Veja, Youssef encontrou provas do grampo ilegal e agora planeja pedir a anulação de seu acordo de delação e de suas condenações. Em depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Federal em 2019, ele relatou que foi avisado do equipamento escondido por outros presos.
Renato Castanheira Fanton sabia do grampo ilegal e de diversas outras irregularidades praticadas pelo grupo da "lava jato". Entrou em contato com a direção-geral da PF e, em 2015, viajou a Brasília para relatar o que havia apurado e fornecer provas.
A partir daí, passou a ser perseguido, investigado e denunciado em procedimentos administrativos e ações criminais. Em 2020, ele processou a União pela perseguição que sofreu e, em 2022, obteve sentença favorável para receber R$ 66 mil a títulos de danos morais.
Processo 5035144-88.2016.4..4.7000
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