GRANDES TEMAS, GRANDES NOMES

Brasil precisa de reforma estrutural no ensino, afirma André Mendonça

O sistema educacional brasileiro precisa passar por uma reforma estrutural que institua as seguintes medidas: uma grande avaliação de ensino e aprendizagem, um método de seleção de professores orientado pela vocação e remunerações com base em performance.

ConJur

Para Mendonça, reforma na educação pode ser potencializada com o uso de IA

Essa ideia foi apresentada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em entrevista à série Grandes Temas, Grandes Nomes do Direito, em que a revista eletrônica Consultor Jurídico ouve alguns dos nomes mais importantes do Direito sobre as questões mais relevantes da atualidade.

“A educação no Brasil, hoje, está muito aquém daquilo que ela deve ser. Nós temos um déficit educacional muito grande. Não de alunos em sala de aula — alunos nós temos, e podemos ter mais e avançar. O ponto em que nós precisamos de uma reforma estrutural é o processo de ensino e aprendizagem”, disse o ministro.

A conversa se deu durante o XIII Fórum de Lisboa, promovido em julho na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL). No evento, ele foi um dos participantes do painel “Educação e Inovação na Era Inteligente”.

Segundo Mendonça, a reforma na educação pode ser potencializada com o uso da inteligência artificial, que viabilizaria a aplicação das avaliações a um grande número de indivíduos, por exemplo.

“A inteligência artificial permite que isso seja feito de forma mais acelerada e individualizada, por vezes com a criação de mecanismos para que o próprio aluno utilize, a partir da instrução do professor, a IA para fazer essa avaliação”, explicou o ministro.

Vocação e recompensa para os professores

Mendonça disse que, ao analisar reformas promovidas nos sistemas de diversos países, duas medidas se destacaram. A primeira delas foi o processo de seleção que leva em conta a vocação da pessoa.

“Ou seja, quem quer ser advogado, vai ser advogado. Quem quer ser juiz, vai ser juiz. E a pessoa que tem vocação para ser professor é que precisa estar em sala de aula. Então, é preciso aprimorar o processo de seleção”, afirmou o magistrado.

Outro ponto necessário, segundo ele, é instituir remunerações que considerem a qualidade do trabalho apresentado em sala de aula.

“É preciso medir professores. Mas mais do que isso: é preciso medir o conhecimento dos alunos. Pois, assim, teremos uma melhor expressão do que está sendo ensinado em sala a partir do resultado que os alunos estão apresentando. E, se há bom desempenho, recompensa-se os melhores resultados com remuneração.”

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