Conúbio espúrio

A morte de um filantropo, crucificado pelo esquema “lava jato”

No cair da noite desta quarta-feira (27/8) aconteceu a missa de sétimo dia de Salim Taufic Schahin, na Catedral Ortodoxa Antioquina. Empreendedor, altruísta, filantropo, acolheu milhares de sírios que se refugiaram no Brasil, fugindo da guerra civil que devastou seu país de origem.

Reprodução

Empresário Salim Schahin foi vítima de extorsão de lavajatistas

Mas não foi por seu trabalho humanitário que Salim Schahin ficou conhecido. Ele foi vítima do fogo cruzado da “força tarefa” do Ministério Público de Curitiba e de chantagistas que viram nas tramoias da autoapelidada “lava jato” uma oportunidade para extorquir o Grupo Schahin.

Nos seus 50 anos de existência, a Schahin construiu hospitais e centros médicos pelo Brasil afora. Construiu moradias populares, grandes obras de saneamento, redes de água e esgoto e projetos viários. Especializou-se na área de energia, petróleo e gás. Mas trombou com uma parede instransponível.

Esquema de Cunha

O então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e seu assecla, Lúcio Funaro juntaram-se para extorquir 1 bilhão de reais do grupo. O pivô da chantagem foi uma usina hidrelétrica que a dupla comprou dos Schahin mas, na execução baratearam a obra, dispensando normas de segurança e a óbvia cautela de contratar o seguro da obra.

Decorrência óbvia: a usina foi por água abaixo. Esboroou. Os imprudentes fizeram o que todo vigarista faz: culparam outros. No caso, o Grupo Schahin. Essa saga foi narrada, do “ponto de vista” de Cunha e Funaro, pelas jornalistas Malu Gaspar e Josette Goulart. Suas reportagens crucificaram os Schahin e os expôs à perseguição da Receita Federal e, depois, do esquema “lava jato”.

Ousado e atrevido, Lúcio Funaro ameaçou de morte todos os advogados da Schahin. A advogada Beatriz Catta Preta, estrela do mercado de delações, caiu fora da profissão quando chegou em casa e encontrou Funaro, ameaçador, com seus filhos. A ameaça de sempre: eliminar quem se interpusesse em seu caminho. No caso da Schahin, a ameaça se concretizou. A empresa faliu por não concordar com a extorsão.

Funaro está de volta hoje, interagindo com deputados e senadores, em busca de novos negócios e e se valendo de jornalistas incautos, sempre ávidos por notícias. Verdadeiras ou não. Mas com poder de matar pessoas e empresas.

No comando da Câmara, Eduardo Cunha inventou CPIs e fez com que diversas comissões convocassem os engenheiros para produzir notícias sobre seus inexistentes “atos de corrupção”. Foi um massacre. Por trás das vestais: 1 bilhão de reais que cobravam da Schahin, por seus próprios erros.

A devastação da empresa atendeu os intentos dos procuradores da República que usaram a empresa para chegar a Lula. José Carlos Bumlai tomou um empréstimo de 12 milhões de reais do banco Schahin. Na hora de pagar, alegou que o dinheiro se destinava ao PT, para que a Schahin conseguisse um contrato com a Petrobras. Isso nunca ficou provado. Mas serviu de mote para a vingança de Cunha e Funaro.

Empreendedor idealista

“Atendo a família Schahin há 25 anos e tive o privilégio de conviver com Salim por todos esses anos. Ele sempre foi uma pessoa correta e que acreditou até o fim na justiça. Foi um empreendedor idealista que acreditava no Brasil. Mas capitulou diante de forças poderosas que se fizeram invencíveis. Uma perda para o Brasil”, declarou o advogado Guilherme San Juan Araújo.

“Salim foi um grande empreendedor brasileiro, empresário idealista e filantropo notável que sempre acreditou no país e na Justiça, e que, por isso mesmo, sofreu profundamente com as injustiças a que submetido na década passada, e com o fato de que a anulação do processo a que respondeu por crime jamais cometido não seria, como não foi, o bastante para recuperar a reputação e a honra de seu nome, de sua família e do grupo empresarial ao qual dedicou uma vida inteira”, disse Rogério Taffarello, advogado de Salim Schahin nos casos da “lava jato”.

“Tive a honra de acompanhar de perto Salim Schahin em suas batalhas jurídicas pela manutenção do Grupo Schahin, e guardo dele a lembrança de uma inteligência rara, sempre exercida com cordialidade e uma educação exemplar. Seu legado transcende o tempo, marcado pela integridade e pelas relações que construiu ao longo da vida, e sua memória permanece viva não apenas entre aqueles que com ele conviveram, mas também pelo gesto corajoso de quem, com dignidade, neste artigo, trouxe à luz fatos relevantes de sua história, reafirmando a importância da verdade”, escreveu Armando de S. Mesquita Neto, general counsel do Grupo Schahin à época dos fatos.

“Tive a honra de representar o grande senhor Salim na fase mais dura da sua vida. Suas virtudes e suas obras são tantas que precisaria de um livro para descrevê-las. Seu espírito empreendedor, altivez, inteligência, cordialidade e generosidade impressionava e marcaram todos os anos em que estivemos juntos unidos na busca de um mínimo de justiça que, infelizmente, não chegou a tempo de reparar o mal que sobre ele foi lançado. Temos orgulho de ter lutado com e por esse honrado empresário por tantos anos, mitigado e protegido o pouco que lhe sobrou. A ele, Justiça não se fez a tempo”, disse Adelmo da Silva Emerenciano, advogado de Salim Schahin.

Márcio Chaer

é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.

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