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Juiz suspende turismo na Lagoa Azul, em Alagoas, por risco ao equilíbrio ecológico da região

O juiz federal André Granja, da 3ª Vara Federal em Alagoas, concedeu uma liminar que suspende os efeitos do decreto municipal que permitia o turismo de massa na Lagoa Azul, em Maragogi (AL). A decisão atendeu ao pedido feito pelo Ministério Público Federal em ação civil pública ajuizada dois dias antes.

Prefeitura de Maragogi

Lagoa Azul em Maragogi

Juiz concedeu liminar ao MPF que pedia a interrupção de turismo na área da Lagoa Azul, em Maragogi

O procurador da República Lucas Horta, autor da ação, argumentou que o decreto municipal violava normas ambientais federais ao autorizar atividades turísticas em área sobreposta à Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil. A exploração da Lagoa Azul, localizada na Praia de Antunes, não estava prevista no plano de manejo da APA e representava risco à biodiversidade, especialmente aos recifes de corais.

Na decisão, o juiz destacou que, embora municípios possam criar unidades de conservação sobrepostas a áreas federais, essas medidas devem observar o princípio da maior proteção ambiental. No caso da Lagoa Azul, o decreto municipal autorizava atividades incompatíveis com as normas gerais da APA Costa dos Corais, como a visitação de até três catamarãs e 40 lanchas diariamente, além de serviços comerciais de mergulho e fotografia.

O julgador ressaltou que a continuidade do uso indevido da área representaria um risco significativo ao equilíbrio ecológico e à saúde das populações do entorno, reforçando que a proteção ambiental deve prevalecer em casos de conflito de normas.

A liminar determinou a suspensão dos efeitos do Decreto 046/2022 e de todas as atividades previstas incompatíveis com o plano de manejo da APA Costa dos Corais, especialmente a visitação turística à Lagoa Azul; a suspensão de todos os alvarás emitidos que autorizem visitação turística na área; a intensificação da fiscalização na Lagoa Azul durante os próximos três meses, para impedir atividades não autorizadas; e a produção de campanhas publicitárias oficiais, via rádio, televisão e redes sociais, para informar a suspensão das atividades turísticas no local, sob pena de multa diária pelo descumprimento.

Criada em 1997, a APA Costa dos Corais protege mais de 120 quilômetros de costa entre Tamandaré (PE) e Maceió (AL). A região abriga rica biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas como o peixe-boi marinho e tartarugas marinhas, além de ser lar da maior barreira de corais do Brasil. Com informações da assessoria de imprensa do MPF.

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Processo 0800244-96.2025.4.05.8000

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