O Superior Tribunal de Justiça registrou 94.414 julgados em agosto, o maior número mensal desde sua instalação, em 1989. Com isso, os 33 ministros da corte chegaram a uma média de mais de três mil decisões por dia, considerando finais de semana e feriados.

STJ somou 94.414 julgados em agosto, com média de 3 mil decisões por dia
A média foi de 2,1 decisões por minuto, ligeiramente inferior à registrada em fevereiro, quando a corte somou 89.024 julgados, ou 2,2 por minuto — a diferença se deve ao fato de o segundo mês do ano ter apenas 28 dias.
Agosto e fevereiro são os meses em que o STJ costuma mesmo registrar aumento expressivo de julgados, devido ao represamento de processos nos meses anteriores — os recessos judiciários de janeiro e julho.
Dois fatores aumentaram ainda mais o desempenho. O primeiro é o julgamento virtual: têm sido comuns as sessões com 1,5 mil ou mais processos de uma só vez, com duração de uma semana.
Os ministros não têm economizado. A 3ª Turma do STJ, por exemplo, levou a julgamento virtual 2.108 processos na primeira semana de agosto. A 1ª e a 2ª Turmas, no mesmo período, julgaram 1.154 e 1.451 casos, respectivamente.
O segundo fator são as forças-tarefas de juízes de primeiro grau convocados para ajudar no controle do acervo. A primeira delas, em vigor desde outubro de 2024, é da 3ª Seção, dedicada a causas criminais.
Foi por meio da atuação desses magistrados, que minutam decisões e votos dos ministros, que a 5ª Turma do STJ julgou 2,3 mil processos em uma mesma sessão presencial, em 7 de agosto.
Nesse mesmo mês começou a força-tarefa dos gabinetes da 2ª Seção, de Direito Privado, convocada pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, diante do crescimento desordenado do acervo dos integrantes do colegiado.
| Julgados do STJ em agosto | |
| Ano | Número |
| 2025 | 94.414 |
| 2024 | 93.579 |
| 2023 | 75.629 |
| 2022 | 87.103 |
| 2021 | 85.449 |
| 2020 | 70.441 |
| 2019 | 82.235 |
| 2018 | 73.649 |
| 2017 | 70.260 |
| 2016 | 63.520 |
| 2015 | 66.670 |
Julgamentos em excesso
Os dados do STJ ainda registram que, entre decisões monocráticas e colegiadas, incluindo recursos internos e decisões interlocutórias, os 33 ministros somaram 115.794 no mês de agosto. Dessas, 31.965 (27,%) foram assinadas por Herman Benjamin.
Como mostrou a revista eletrônica Consultor Jurídico, cabe à Presidência do STJ fazer uma filtragem inicial dos recursos e Habeas Corpus recebidos, o que tem levado à inadmissão de cerca de 40% deles, sequer distribuídos aos gabinetes dos ministros.
Só o ministro Benjamin, portanto, assinou 1,3 decisão por cada um dos 44.640 minutos do mês de agosto, incluindo finais de semana e feriados, o que dá uma boa noção do grau de automação com que trabalha o tribunal.
Esse esforço de produtividade tem preocupado advogados ouvidos pela ConJur. Um deles relembrou uma fala da ministra Nancy Andrighi, no primeiro semestre, sobre o excessivo número de casos nas sessões virtuais.
“Não fico preocupada com as sustentações orais virtuais. O que preocupa é você se deparar com uma pauta de mais de mil processos na sessão virtual e não ter condições físicas de analisar todos eles em cinco dias”, disse a magistrada aos colegas de 2ª Seção.
Filtro da relevância
O tribunal, enquanto isso, tem pouca alternativa para dar conta do número de processos recebidos — até agosto, foram 327.072 ações. A corte ainda aguarda que o Congresso regulamente o filtro da relevância criado pela Emenda Constitucional 125/2022.
Segundo os estudos mais recentes do Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da Fundação Getulio Vargas (FGV), essa ferramenta pode reduzir o trâmite de recursos especiais no STJ em 25%.
O tribunal chegou a marcar uma reunião para votar a possibilidade de implementar o filtro pela via do Regimento Interno, mas a definição foi adiada e continua parada, apesar do amplo apoio dos ministros.
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