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Tijolo por tijolo: conheça as técnicas de como emparedar um tribunal

Poder tem preço. Os superpoderes dados aos ministros do Supremo Tribunal Federal pela Carta de 1988 custam o que lhes está sendo cobrado agora. Para entender a severa campanha movida pelos meios de comunicação, é preciso examinar o contexto e identificar os calos em que o tribunal andou pisando.

Produzido pela simulação de inteligência do Google (Gemini)

Produzido pela simulação de inteligência do Google (Gemini)

Imagem produzida pela simulação de inteligência do Google (Gemini)

Na linha de frente estão os que emprestam rosto ao pelotão de fuzilamento — como bolsonaristas e outros ressentidos, como lavajatistas, militares, parlamentares, o Palácio do Planalto e outros que perderam protagonismo com o redimensionamento do STF.

Mas quem manipula os fantoches e marionetes são forças não muito ocultas. Oligarcas que se prepararam nos últimos anos comprando as dívidas das maiores empresas de comunicação do país*. Agora se sabe por quê.

O motivo: uma soma que pode chegar à casa dos R$ 300 bilhões em tributos que, na visão dos grandes contribuintes, lhes foi surrupiada pelo governo com a “mão do gato”, também conhecida como Supremo Tribunal Federal. A linha de frente do poder econômico resolveu mostrar quem manda de fato no país.

O móvel da revanche

Em uma só tacada, essas empresas perderam R$ 115 bilhões quando o Plenário do Supremo decidiu que os bancos devem pagar PIS/Cofins sobre receitas financeiras, como os juros, por exemplo.

O Supremo Tribunal Federal decidiu em 2021 que era constitucional a majoração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras. Isso custou aos bancos um prejuízo anual de R$ 5 bilhões. Somada à mudança das regras de dedução de créditos na base do IRPJ e da CSLL, a mordida nos lucros dos banqueiros pulou para R$ 16 bilhões ao ano.

Outra decisão do STF que, pelos cálculos de consultorias e escritórios de advocacia, abocanhou dezenas de bilhões de reais dos grandes contribuintes — bancos, em primeiro lugar — foi a que declarou a constitucionalidade da CSLL. Assim como ocorre hoje com tantos factoides que buscam emparedar ministros, O Globo enganou seus leitores (clique aqui para ler).

Aulas de Direito e jornalismo

Em espécie de editorial, o especialista em assuntos jurídicos Carlos Alberto Sardenberg deu mais uma aula de Direito aos ministros do Supremo. Afirmou que o tribunal, em 2007, havia declarado a inconstitucionalidade da CSLL. Mas depois mudou de ideia e decidiu em sentido contrário — o que jamais aconteceu. Mesmo informado do erro, o jornal jamais se corrigiu.

O Supremo determinara que todo mundo deveria recolher por questão de isonomia. Mesmo o contribuinte que tinha coisa julgada em seu favor, em instâncias inferiores. Foi a tese da coisa julgada rebus sic stantibus. Ou seja, a coisa julgada não poderia continuar gerando efeitos contrários à decisão do STF.

Por trás da tese da “coisa julgada” nasceu uma marotagem. Quem adquirisse um CNPJ, uma empresa, com decisão favorável, ainda que liminar, passava a reivindicar a “isenção” ao grupo todo. No contexto, criou-se uma assimetria: empresas do mesmo setor enfrentariam uma concorrência desleal, com direitos diferentes em situações iguais.

Os poderosos chefões

“Motivos” para se vingar do STF não faltam ao Grupo Globo. Um deles é a inscrição na chamada dívida ativa da União de R$ 198 milhões. No caso, sobre os royalties de remessas ao exterior sobre obras, filmes e itens que trazem lucro às empresas de comunicação.

É esse tributo que financia os projetos de inovação tecnológica do governo. O Brasil é independente em setores como o agro graças à autossuficiência tecnológica. Mas absolutamente subordinado às big techs que, ao seu alvitre, podem apagar do mapa uma pessoa, empresa ou o país. Claro que empresas como a Globo entendem que a verba seria mais bem aplicada por eles.

O resultado prático do que a Globo pode chamar de “perseguição” é uma dívida de cerca de R$ 615 milhões em multas e juros com a Receita Federal — segundo o Portal Insight.

Veja mais 10 derrotas dos oligarcas

Não faltam motivos para o ressentimento dos grandes contribuintes para patrocinar a campanha da imprensa contra o tribunal e para a fabricação de falsos crimes em série atribuídos aos ministros:

— A decisão sobre o crédito-prêmio do IPI;
— O ⁠IRPJ/CSLL sobre lucros no exterior;
— A vedação de créditos de IPI sobre insumos isentos ou com alíquota zero;
— A ⁠criminalização do inadimplemento do ICMS próprio;
— A ⁠constitucionalidade da Lei Complementar 105 (quebra de sigilo bancário pelo Fisco);
— A ⁠validade das taxas de fiscalização das atividades minerárias;
— O ⁠PIS/Cofins sobre receitas financeiras de bancos (Tema 372);
— A validação dos fundos estatuais de equilíbrio fiscal (redução de incentivos de ICMS);
— A ⁠validação dos fundos estaduais de infraestrutura (FETHAB do MT, Fundersul do MS, entre outros) que, na prática, exigem ICMS nas exportações.

Instalado o júri popular que forçou a saída de Toffoli da relatoria do caso Master, o próximo passo pode ser a instalação de um palmômetro diante do prédio do STF para que os ministros, antes de decidir, consultem pessoas, bancos, jornais, indústrias. Alternativamente, a votação pode ser pelo Instagram ou pelo Tik Tok.

Pode ser que o fuzilamento do Supremo não se explique como uma desforra dos novos donos da mídia. Mas é muita coincidência que os portais, jornais, revistas e emissoras dos oligarcas produzam tantas notícias sobre suas perdas e tão poucas sobre suas vitórias. Na fantasia de que a crise do STF se deve ao Banco Master, acredite quem quiser.

Bom exemplo é a decisão do Supremo que excluiu o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins — apelidada de “tese do século”. Em um só julgamento, os grandes contribuintes tiraram do governo R$ 258 bilhões. Disso, a revista piauí, o banco de quem constrói e o banco feito para você não reclamam.

*A Folha de S. Paulo informou que não tem dívidas.

Márcio Chaer

é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
12 de fevereiro de 2026 às 20:47

Excelente artigo.

WLStorer disse:
13 de fevereiro de 2026 às 02:04

Sr. Márcio Chaer: A palavra é de prata, o silêncio é de ouro. Diante dos fatos, é uma péssima escolha tentar defender o STF., em especial, Toffoli.

Domingos Francisco Dias disse:
13 de fevereiro de 2026 às 09:15

O Brasil sempre fora corroído por exploradores. Não

Antonio Carlos disse:
13 de fevereiro de 2026 às 10:14

Mais uma vez lamentável o texto de pura bajulação. Totalmente alheio

Luiz Otavio Rosário disse:
13 de fevereiro de 2026 às 10:36

Na mosca. Parabéns por descortinar de forma sintética aquilo que chamo para mim mesmo a Lava-Jato 2.0. Na primeira versão, estes mesmos atores compraram um juiz para torná-lo subserviente no futuro. Não deu certo. Agora, vamos acabar com o Judiciário pelo STF.

Antonio Carlos disse:
13 de fevereiro de 2026 às 11:40

Excelente artigo. Os homens e as instituições não são perfeitas. mas sem o STF hoje não estaríamos aqui, expressando nossas opiniões, especialmente, porque o legislativo representa esse grupo, que não aceita igualdade e exige privilégios.

Mateus disse:
13 de fevereiro de 2026 às 12:20

A imprensa brasileira é cheia de princípios, cada um devidamente pago pelos seus patrocinadores. É do jogo democrático aceitar perder um litígio ou uma eleição. Depois do terceiro turno eleitoral - agora uma figura rotineira após cada eleição presidencial desfavorável-, O Globo e cia criaram a a fase de meganhagem do litígio, onde os veículos passam a bombardear o tribunal e derreter ou sangrar a reputação de seus membros.

Mateus disse:
13 de fevereiro de 2026 às 12:27

O problema do caso Tofofli não é o Ministro, de fato indefensável, mas os antecedentes.

Vorcaro presumidamente tinha uma política institucional de garantia e buscou se aproximar das Cortes Superiores através da escolha de quem contratar como advogado ou consultor. Antes do Toffoli ser identificado pela PF como potencialmente comprometido, a imprensa ficou bombardeando Lewandowski e o Alexandre de Moraes a partir de ilações, especulações e meias berdadds, vindo a desistir do primeiro por falta de materialidade e do segundo por medo da retaliação que ele é capaz de dar.

Alias, Malu Gaspar acaba de se aproveitar do caso Toffoli para voltar a tentar derreter a reputação do Alexandre de Moraes após ter visivelmente recuado.

Observador disse:
13 de fevereiro de 2026 às 13:57

É tudo invenção da PF. Toffoli não tem ligação com Vorcaro nem como o cunhado desse e não há 129 milhões de motivos para se desconfiar do contrato celebrado pela mulher do Moraes. Pode até ser verdade o que foi exposto no artigo, mas o articulista deveria defender a necessidade de investigação, posto que fortes indícios de irregularidades não faltam.

JEAN disse:
13 de fevereiro de 2026 às 13:57

Apareceu ele de novo, o DGSTF. Defensor geral do stf. Cada coluna, uma besteira maior que a outra, um defensoria impecavel dos supremos reis federais intocaveis. Existe uma terceira ideologia criada no brasil: O "judiciarismo", e eis aqui no conjur, nessa coluna: Encontra-se um dos inventores dela. Chega a ser patético pra não escrever outra "coisa".

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