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Filtragem de recursos na presidência do STJ tem taxa de conformidade de 97%

Entre janeiro e junho de 2026, a presidência do Superior Tribunal de Justiça proferiu 104.258 decisões terminativas de inadmissão de recursos, sendo que apenas 2.405 foram objeto de reforma no julgamento dos respectivos agravos.

Gustavo Lima/STJ

Antonio Herman Benjamin ministro Superior Tribunal de Justiça STJ

Presidente Herman Benjamin apontou que filtragem em processos feita pela ARP tem taxa de conformidade de 97%

Os dados foram apresentados pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, no encerramento do semestre judicial, em 1º de julho.

Os dados importam em uma taxa de conformidade de 97,6% para as decisões tomadas por meio da Assessoria de Admissibilidade e Recursos Repetitivos e Relevância (ARP), criada na estrutura da presidência para essa primeira filtragem.

Ela derruba recursos especiais (REsp) e agravos em REsp (AREsp) que não têm condições formais de serem processados ou nem deveriam ter sido enviados ao STJ.

Como mostrou a revista eletrônica Consultor Jurídico, ainda no primeiro semestre de 2025 o montante inadmitido pela ARP era suficiente para impedir que quatro em cada dez REsps ou AREsps fossem distribuídos aos gabinetes.

O trabalho é importante para desafogar os 30 ministros que atuam nas turmas de julgamento, evitando a distribuição de processos fadados ao não conhecimento.

Segundo os dados do primeiro semestre de 2026, sem essa filtragem a distribuição seria 48% maior na 1ª Seção (Direito Público), 71% maior na 2ª Seção (Direito Privado) e 24% maior na 3ª Seção (Direito Criminal).

Recurso contra filtragem

O trâmite desses processos nos casos em que as partes discordam da decisão assinada pela presidência do STJ foi alterado por uma emenda regimental publicada em junho pelo STJ.

o agravo interno contra a decisão da presidência que inadmite recurso especial será julgado pela respectiva seção especializada, sob relatoria do presidente do STJ, em sistema virtual.

A nova redação do artigo 21-E do Regimento Interno agora admite que os integrantes desses colegiados manifestem oposição ao voto do presidente, caso em que ele perderá a relatoria o processo será redistribuído.

Danilo Vital

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

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