Anuário da Justiça

Brasil tem 668 operadoras de plano de saúde e 53 milhões de beneficiários

* Reportagem publicada no Anuário da Justiça Saúde Suplementar 2026. A versão impressa está à venda na Livraria ConJur (clique aqui). Acesse a versão digital pelo site do Anuário da Justiça (anuario.conjur.com.br).

CAPA - ANUÁRIO DA JUSTIÇA SAÚDE SUPLEMENTAR 2026

Capa da 2ª edição do Anuário da Justiça Saúde Suplementar

No ecossistema da saúde suplementar, a operadora é o “sol” em torno do qual os outros atores orbitam. Ela não é apenas uma empresa que recebe mensalidades; seu papel é multifacetado, atuando como gestora de risco, pagadora e organizadora do cuidado. Sua missão central é a de mutualismo, ou seja, coletar recursos de muitos (os beneficiários) para pagar as despesas de poucos que adoecem.

São as empresas que comercializam e gerenciam os planos. Elas assumem o risco assistencial. Podem ser medicinas de grupo, cooperativas (como as Unimeds), seguradoras especializadas em saúde ou autogestão (empresas que cuidam do plano dos próprios funcionários).

Para desempenhar seu papel, a operadora calcula matematicamente quanto deve cobrar hoje para conseguir pagar uma cirurgia caríssima daqui a cinco anos. Por lei, ela deve manter reservas técnicas (dinheiro parado e aplicado) para garantir que, se todos os seus usuários precisarem de atendimento ao mesmo tempo, ela tenha como pagar.

Existem hoje no Brasil 668 operadoras de plano de saúde ativas e com beneficiários. A maior delas em volume de receitas é a Bradesco Saúde, seguida pela SulAmérica, Amil, Hapvida e Unimed Nacional. Já em número de segurados, a campeã é a Hapvida, seguida pelo Bradesco, SulAmérica e Amil. Somadas, as dez maiores operadoras têm 42% dos beneficiários e 50% das receitas de contraprestação, que corresponde ao total arrecadado com as mensalidades pagas pelos usuários no ano (dados da ANS, referentes ao período de março de 2025 a fevereiro de 2026).

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Um caso à parte é a Unimed, que na verdade não é uma empresa única, mas sim uma confederação de cooperativas independentes. Existem cerca de 340 cooperativas médicas que formam o sistema Unimed e que ocupam três níveis nessa estrutura. No nível 1, a maioria, estão as cooperativas médicas singulares, que operam o próprio hospital em âmbito local; no nível 2, estão as federações que reúnem várias das cooperativas singulares e têm cobertura regional ou nacional, como a Unimed Nacional, que dá assistência a seus clientes em todo o país com base na rede de unidades singulares. No nível 3, a Unimed Brasil representa institucionalmente o sistema e define a estratégia da marca.

O sistema Unimed atende a cerca de 20 milhões de beneficiários e arrecadou R$ 95 bilhões em 2025. Conta com 157 hospitais próprios e 118 mil médicos, que são, em última instância, os donos da cooperativa.

Segundo a ANS, as operadoras de planos de saúde arrecadaram, em 2025, cerca de R$ 340 bilhões. Desse total, R$ 275 bilhões foram transformados em despesas pagas aos prestadores de serviços de saúde — hospitais, clínicas, laboratórios, consultórios e profissionais médicos. O que equivale a 82% do total arrecadado. Esta porcentagem, que indica o quanto os beneficiários usaram seus planos de saúde, representa a taxa de sinistralidade, um índice que tanto vai afetar a saúde financeira das operadoras quanto o valor das mensalidades pagas pelos usuários.

Não cabe à operadora, necessariamente, prestar os serviços de assistência médico-hospitalar a seus clientes, mas, sim, selecionar quem vai fazer isso. Tendo como base critérios de qualidade, localização e custo, ela faz o credenciamento dos prestadores de tais serviços: hospitais, clínicas, laboratórios e médicos. Algumas operadoras optam por ser donas dos próprios hospitais para ter controle total sobre o custo e a qualidade, eliminando a figura do “intermediário”.

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O Brasil tem cerca de 4.200 hospitais privados. Destes, aproximadamente 2.300 têm fins lucrativos e atendem diretamente ao setor suplementar. Ao todo, são 160 mil leitos. Estima-se a existência de 12 mil a 15 mil unidades de laboratórios de análises clínicas e centros de diagnóstico por imagem.

O número de médicos já ultrapassou a marca de 570 mil profissionais. Na saúde suplementar, a maioria atua de forma híbrida, atendendo em consultório próprio e na rede credenciada dos planos de saúde. Enfermeiros, técnicos e auxiliares somam mais de 2,8 milhões, sendo o setor privado um dos maiores empregadores desta categoria, especialmente em regime hospitalar. Somam-se ao trabalho de assistência outros paramédicos, como fisioterapeutas (350 mil), psicólogos (450 mil) e nutricionistas (170 mil). Contando, ainda, o pessoal administrativo e de serviços, são por volta de cinco milhões de pessoas na iniciativa privada dedicadas a cuidar da saúde dos brasileiros.

Outro ator importante na assistência à saúde é a indústria farmacêutica. Ela não é apenas quem vende remédios, mas quem dita grande parte do custo da tecnologia hospitalar. A velocidade com que a indústria lança novas drogas é maior do que a capacidade das operadoras de absorverem esses custos, criando um gargalo que a ANS tenta regular por meio da atualização do seu rol de procedimentos. Muitos dos processos que alimentam a judicialização da saúde vêm dos pedidos de medicamentos de alta tecnologia e alto custo produzidos pela indústria farmacêutica e não incluídos no rol.

Do outro lado do balcão estão os clientes. São 53 milhões de beneficiários divididos em dois blocos: oito milhões com planos individuais ou familiares e 44 milhões com planos empresariais. No primeiro bloco, o reajuste da mensalidade é controlado pela ANS, que procura mantê-lo próximo da evolução do custo de vida geral, medido pelo IPCA. Já o preço dos planos empresariais é reajustado por livre negociação entre operadoras e empresas, sob vigilância da ANS que procura mantê-lo próximo do VCMH, o índice de variação dos custos médico-hospitalares. Esses reajustes seguem como uma poderosa fonte de judicialização.

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ANUÁRIO DA JUSTIÇA SAÚDE SUPLEMENTAR 2026
Lançamento: 10/6/2026
ISSN: 2595-8690
Número de páginas: 204
Versão impressa: R$ 50, à venda na Livraria ConJur (loja.conjur.com.br)
Versão digital: Gratuita, disponível a partir de 10/6 no site do Anuário da Justiça (anuario.conjur.com.br)

Viabilizadores desta edição
Instituto Consenso
Abramge
CNSaúde
Prevent Senior

Maurício Cardoso

é diretor de redação da revista Consultor Jurídico.

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