Em tempos em que o combate à corrupção é erigido por muitos como principal objetivo do nação, capaz de justificar o afastamento das garantias constitucionais do cidadão e ofuscar a necessária atenção para a escandalosa série de medidas legislativas propostas pelo governo erigido do impeachment em direção ao aumento da desigualdade social, como o congelamento dos gastos sociais, a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, a publicação do relatório da Oxfam Brasil, A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras1, nos convida à reflexão sobre as causas da histórica e persistente distância entre ricos e pobres no Brasil e da relação com a corrupção.
De acordo com o referido estudo, divulgado em setembro de 2017, apesar dos avanços dos últimos anos2, a desigualdade em nosso país permaneça extrema. Ainda somos o 10º país mais desigual do mundo3, tendo o terceiro pior índice Gini da América Latina e Caribe (só perdemos para Colômbia e Honduras), e o que o 1% mais rico concentra mais renda. Os seis maiores bilionários brasileiros possuem juntos a mesma riqueza do que a metade mais pobre do país4.
Seria a chamada “corrupção endêmica”, derivada da nossa “herança patrimonialista”, responsável por esse quadro? Pensamos que não. Como destaca Jessé Souza5, o uso político do combate da “corrupção apenas do Estado” deriva da tentativa de estabelecer uma dicotomia entre o Estado demonizado e o mercado como reino da eficiência e da virtude, a fim de escamotear a nossa desigualdade e, a partir do esvaziamento da função estatal distribuidora, justificar a manutenção da grotesca concentração de renda, em favor da elite que é a maior beneficiária da própria corrupção, por meio de financiamentos e privilégios estatais, com a conveniência e o estímulo do mercado. Nessa toada, faz todo o sentido manter livres os corruptores delatores e prender os políticos, preferencialmente os que apresentarem um viés mais distributivista.
Desse modo, ao contrário do que sugere o senso comum, o maior problema da corrupção não são os recursos que são subtraídos do erário, mas o desvio de perspectiva da atuação estatal, que, deixando de perseguir uma finalidade adequada aos anseios da maioria da população, atende aos interesses do corruptor, quase sempre situado no percentual mais elevado da pirâmide social e econômica.
Embora seja difícil mensurar o custo orçamentário da corrupção em nosso país, o economista Claudio Frischtak6, doutor em Economia pela Universidade de Stanford, apresentou, a pedido da TV Globo7, o cálculo, baseado em dados do Tribunal de Contas da União, de que em obras de infraestrutura, no período compreendido entre 1970 e 2015, houve um superfaturamento de R$ 100 bilhões a R$ 300 bilhões. Esse valor foi apresentado pelo programa de televisão como “o custo da corrupção”.
Se dividirmos o maior valor pelos 45 anos pesquisados, dá uma média de R$ 6,66 bilhões por ano. De fato, é um valor muito expressivo, cuja manutenção nos cofres públicos possibilitaria o incremento das políticas sociais em nosso país, uma vez que o montante supera, por exemplo, em seis vezes o gasto federal anual com a educação infantil, ou equivale a um terço do montante reservado à assistência ao idoso. Porém, é forçoso reconhecer que dentro dos valores globais anuais de despesa da União, cerca de R$ 3 trilhões no exercício de 2016, a cifra não traria maior equilíbrio às contas públicas, ou seria fonte relevante para novas necessidades públicas ou melhor cobertura para as demandas sociais. Assim, ao contrário do que habita o imaginário popular, não basta devolver o que foi “roubado” para atender às urgências da população mais pobre do país.
Por outro lado, de acordo com o citado estudo da Oxfam Brasil, o Estado brasileiro deixa de arrecadar, por ano, quase dez vezes mais, cerca de R$ 60 bilhões, com apenas três medidas fiscais que beneficiam exclusivamente os mais ricos, concentrando ainda mais a renda no topo: (i) isenção do Imposto de Renda sobre lucros e dividendos; (ii) isenção de Imposto de Renda sobre lucros remetidos ao exterior; (iii) e dedução dos juros sobre capital próprio8. De acordo com estudo vencedor do XX Prêmio do Tesouro Nacional – Concurso de Monografia em Finanças Públicas, apresentado por Sergio Wulff Gobetti e Rodrigo Octávio Orair, intitulado Progressividade Tributária: A Agenda Esquecida9, apenas em relação à isenção de lucros e dividendos, apurados de contribuintes brasileiros em 2015, considerando uma alíquota de 15%, seria possível arrecadar R$ 43 bilhões por ano. Alertam os referidos autores que, dentre os integrantes e parceiros da OCDE, apenas o Brasil e a Estônia preveem tal isenção.
Sob uma perspectiva mais geral, o gargalo é bem maior. De acordo com o Demonstrativo de Gasto Tributário 2016, elaborado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os valores dos incentivos fiscais, apenas relativos a tributos federais, somam anuais R$ 271 bilhões10. A esse montante, devem ser acrescidos os recursos que são objeto de evasão fiscal, que totalizam, de acordo com estudo do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz)11, a cifra de R$ 275 bilhões anuais. Logo, somando-se as parcelas relativas à renúncia de receita com aquelas referentes à evasão fiscal, chega-se à soma total de cerca de R$ 546 bilhões anuais que deixam de ser arrecadados. Ou seja, quase cem vezes o custo da corrupção acima estimado.
Não subestimamos as dificuldades práticas e políticas de combater a sonegação fiscal e de extinguir os benefícios fiscais. Aliás, à luz da justiça fiscal, vale considerar que nem todos deveriam ser extintos, pois muitos deles são justificados. Mas, por outro lado, é forçoso reconhecer que também não é simples o combate efetivo à corrupção, que seja capaz de ir além da perseguição seletiva a adversários políticos. Também não se ignora que a corrupção não se esgota no superfaturamento de obras públicas. Muitas vezes está associada até mesmo à obtenção legislativa de benefícios fiscais e à efetivação das práticas evasivas. O que se pretende com a comparação desses dados é tão somente mensurar os prejuízos ao orçamento pelos fenômenos da corrupção, da concessão de benefícios fiscais e da evasão fiscal, a fim de chamar a atenção para a pouca importância que vem sendo dada às últimas, em comparação com a primeira, o que se traduz em grave desvio de perspectiva que causa sérios prejuízos às finanças públicas nacionais.
De todo modo, se não é possível, por uma simples decisão política, acabar com a corrupção, sonegação e pôr fim a todos os benefícios fiscais, está exclusivamente na esfera de decisão do legislador estabelecer um sistema tributário menos regressivo, o que traria muito mais resultado para o equilíbrio do orçamento do que o combate politicamente seletivo da corrupção apenas do Estado. Como se viu, com a adoção de medidas como o fim da isenção dos lucros e dividendos, sejam os distribuídos para domiciliados no Brasil ou no exterior, e o da dedução dos juros sobre capital próprio, o ganho em arrecadação superaria em quase 10 vezes o “custo da corrupção”. Assim, a corrupção não é o principal ralo do dinheiro público no Brasil. É o sistema tributário regressivo que alivia os mais ricos, servindo como elemento propulsor ao aumento da desigualdade, principal problema nacional, que emperra o nosso desenvolvimento econômico e social.
No cenário brasileiro, há crises sistêmicas graves na tributação da renda sob a perspectiva da justiça fiscal, o que se revela principalmente pela timidez da progressividade, que não atinge as grandes rendas, uma vez que a alíquota mais alta já onera a classe média, que paga a mesma alíquota do que as altas rendas12. Como destaca, Misabel de Abreu Machado Derzi13, apesar do movimento neoliberal que reduziu a tributação dos ricos nos EUA, no Canadá e na Europa, esses países ainda apresentam um regime de progressividade muito maior do que em nosso país.
Por outro lado, se o tamanho da carga tributária em nosso país é comparável às economias de mesmo porte, sua distribuição entre as materialidades econômicas deixa claro que, no Brasil, tributamos muito mais do que nos outros sistemas o consumo e muito menos a renda. Não é difícil perceber que a tributação sobre o consumo, embora dirigida à população por inteiro, atinge mais pesadamente os mais pobres que gastam todos os seus rendimentos na aquisição de bens e serviços essenciais à sua própria sobrevivência.
Como o nosso sistema é marcado pela hipotributação do patrimônio e da renda dos ricos e pela hipertributação dos salários e do consumo dos pobres, estes acabam pagando proporcionalmente muito mais do que os aqueles. De acordo com o citado estudo da Oxfam Brasil14, os 10% mais pobres no Brasil gastam 32% de sua renda em tributos, sendo que 28% dos quais na tributação indireta. Enquanto isso, os 10% mais ricos gastam somente 21% de sua renda em tributos, sendo 10% em indiretos.
Identificado o sistema tributário regressivo como elemento de exacerbação da desigualdade social, é imperioso mudá-lo, tornando-o mais progressivo. Se nada for feito pelos governos, a concentração de riqueza tende a aumentar, o que coloca em risco da democracia e o atendimento às necessidades mais basilares da população mais pobre. E o instrumento que os Estados possuem que maior efeito revela para a redistribuição de rendas é a tributação igualitária, que, ao mesmo tempo em que financia a justiça social, preserva a livre iniciativa e a livre concorrência, sendo a progressividade fruto da ponderação entre os
No entanto, aqui e alhures, não são subestimadas as dificuldades práticas de implementação dessas medidas em um sistema político dominado pelos mais ricos a partir do financiamento de campanhas eleitorais pelos extratos mais poderosos da pirâmide social15. Segundo Noam Chomsky16, a razão fundamental do atraso da América Latina e, portanto, do Brasil foi o fracasso de sua sociedade em controlar a concentração da riqueza e do capital pela elite e lidar com o radical problema da desigualdade: "A América Latina nunca controlou suas elites. Os setores mais ricos nunca tiveram responsabilidade para com seus países, eles fazem o que bem entendem". Todavia, o agravamento da situação social não confere outra alternativa democrática senão o enfrentamento das injustiças sociais, cuja viabilidade financeira depende de uma profunda reforma tributária igualitária.
Por isso, é preciso que o Brasil passe por um processo pelo qual todas as nações hoje desenvolvidas vivenciaram no passado e controle as suas elites, de modo a dirigir o desenvolvimento a todos. É chegada a hora de superar a cortina de fumaça que a cruzada espetaculosa do combate à corrupção do “outro” para vencer a austeridade seletiva e enfrentar o principal problema do Brasil, que é a desigualdade social. Afinal, o que nós temos hoje não é um problema de pobreza. O mundo e o Brasil nunca foram tão ricos.
1 OXFAM BRASIL. A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, publicado em 25 de setembro de 2017. In: https://www.oxfam.org.br/a-distancia-que-nos-une. Acesso em 13/10/2017.
2 OXFAM BRASIL. A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, p. 18: “Entre 1976 e 2015, o índice de Gini da renda variou de 0,623 a 0,51527”.
3 PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO – PNUD. 2017. “Relatório de Desenvolvimento Humano 2016”.
4 OXFAM BRASIL. A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, p. 21.
5 SOUZA, Jessé. A tolice da inteligência brasileira – ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo: Leya, 2015, p. 9-11.
6 Corrupção custou R$ 300 bilhões em obras. Institutos dos Arquitetos do Brasil. Publicado em 5/6/17. In: http://www.iab.org.br/noticias/corrupcao-custou-r-300-bilhoes-em-obras. Acesso em 13/10/2017.
7 Reportagem exibida no programa Fantástico, da TV Globo, em 6/4/2017, onde é explicitada a metodologia da pesquisa: In: https://www.youtube.com/watch?v=AqbiuYp7L7k. Acesso em 13/10/2017.
8 OXFAM BRASIL. A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, p. 53. O estudo considerou que os lucros e dividendos, sejam destinados a contribuintes domiciliados no Brasil, sejam remetidos ao exterior, seriam submetidos a uma alíquota de 15%, e não de 27,5% como o trabalho assalariado, o que se justifica pela existência de tributação do lucro na pessoa jurídica antes da sua distribuição.
9 GOBERTTI, Sérgio Wulffe ORAIR, Rodrigo Octávio. Progressividade Tributária: A Agenda Esquecida, 2015. In> http://www.esaf.fazenda.gov.br/backup/premios/premios-1/premios-2015/xx-premio-tesouro-nacional-2015-pagina-principal/monografias-premiadas-xx-premio-tesouro-nacional-2015/tema-3-sergio-gobetti-e-rodrigo-orair. Acesso em 13/10/2017.
10 Secretaria da Receita Federal do Brasil. Demonstrativo de Gasto Tributário 2016. In: http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/receitadata/renuncia-fiscal/previsoes-ploa/arquivos-e-imagens/DGTPLOA2016FINAL.pdf. Acesso em 13/10/2017: deste total de R$ 271 bilhões já estão incluídos a isenção de lucros e dividendos e a dedução de juros sobre capital próprio.
11 SINPROFAZ. Sonegação no Brasil – Uma Estimativa do Desvio de Arrecadação do Exercício de 2016. 2017. In: http://www.quantocustaobrasil.com.br/artigos/sonegacao-no-brasil%E2%80%93uma-estimativa-do-desvio-da-arrecadacao-do-exercicio-de-2016. Acesso em 13/10/2017.
12 O limite da progressividade atualmente vigente é a renda mensal de R$ 4.664,68, acima do qual a tributação é proporcional.
13 DERZI, Misabel Abreu Machado. Notas de Atualização de BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 13. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015, p. 408. Vide a comparação trazida pela autora da tabela do Imposto de Renda brasileiro com as vigentes nos EUA, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Itália e Bélgica.
14 OXFAM BRASIL. A Distância Que Nos Une – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras, p. 49.
15 Sobre o tema do financiamento privado de campanhas como obstáculo à implementação de propostas favoráveis à sociedade, vide: DWORKIN, Ronald. A virtude soberana – A teoria e a prática da igualdade. Trad. Jussara Simões. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 493; RAWLS, John. O Direito dos Povos. Trad. Luís Carlos Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2004, p. 31-32; MURPHY, Liam e NAGEL, Thomas. O mito da propriedade – os impostos e a justiça, p. 257; PIKETTY, Thomas. O Capital no Século XX, p. 500.
16 CHOMSKY, Noam. Entrevista concedida ao Mario Sérgio Conti, em 20 de agosto de 2017, na Globo News. In: https://www.youtube.com/watch?v=xuHgKy0S1ew&feature=youtu.be. Acesso em 12/10/2017.

Dilma foi cassada. O motivo? Incompetência. Lula está sendo açoitado. O motivo? Corrupção escancarada na cara da população. Temer está imune? O motivo? Estancar a sangria.
Ora, do que o Congresso tem medo?
São os nossos representantes, os ideiais escolhidos pela população de forma quase que consensual. Então por que não deixam o STF instaurar o processo contra Michel Temer…
Esta nação, que vive sob um regime de quase oligarquia, não nos representa. Até parece que estamos condenados à ignorancia e ao subdesenvolvimento. Retroceder? Jamais! Desenvolver? Talvez.
Não temos ordem, não planejamos o progresso. Somos quase todos reféns de uma minoria, que deveriam mandar obedecendo, mas tomam conta do poder e de seu rebanho.
Que sangria é essa? Não é nossa sangria, a do povo, que eles querem que pare de sangrar. Eles querem que a sangria deles, dos corruptos, pare.
Quando começou a falar em elites, já saquei. Mais um esquerda-caviar. Já reparou como esse povo nunca põe o combate à corrupção como prioridade? O problema do Brasil é que não taxamos os mais ricos? Talvez. Mas quando estiveram no poder, de 1998 a 2015, fizeram o quê? Aumentaram a injustiça fiscal. As elites por ele citadas são os famosos "campeões nacionais" de Lula e Dilma. De Eike, Odebrecht, irmãos Batista e tantos outros, que viram seus lucros quintuplicarem na era PT, com o compromisso de perpetuar a ORCRIM no poder, financiando campanhas e comprando todo o sistema eleitoral, inclusive institutos de pesquisa e urnas. Veja o lucro dos bancos no período citado. Hipocrisia total! Fabianismo, a gente vê por aqui.
Quando começou a falar em elites, já saquei. Mais um esquerda-caviar. Já reparou como esse povo nunca põe o combate à corrupção como prioridade? O problema do Brasil é que não taxamos os mais ricos? Talvez. Mas quando estiveram no poder, de 1998 a 2015, fizeram o quê? Aumentaram a injustiça fiscal. As elites por ele citadas são os famosos "campeões nacionais" de Lula e Dilma. De Eike, Odebrecht, irmãos Batista e tantos outros, que viram seus lucros quintuplicarem na era PT, com o compromisso de perpetuar a ORCRIM no poder, financiando campanhas e comprando todo o sistema eleitoral, inclusive institutos de pesquisa e urnas. Veja o lucro dos bancos no período citado. Hipocrisia total! Fabianismo, a gente vê por aqui.
Texto muito sóbrio e reflexivo do professor Ricardo Lodi. Desmistifica algumas crenças que são implantadas pela mídia na maior parte da população.
Realmente é uma ideia brilhante a do articulista, vamos acabar com a desigualdade social pilhando os ricos e fazendo com que eles se tornem igualmente pobres.
A única coisa que esses ideais socialistas conseguiram fazer foi gerar pobreza, miséria, mortes e destruição das riquezas de uma nação.
As pessoas tem que começar a parar com esse fetiche socialista de "igualdade da distribuição de renda" e se preocupar mais com o padrão de vida dos mais pobres, e nesse sentido o "capitalismo malvadão" tem se mostrado imbatível.
Parabéns pelo excelente texto. De fato, a desigualdade social é fruto dessa elite escrota brasileira, que sempre se beneficiou da corrupção. Aliás, é o seu modus operandi de manter privilégios.
É incrível como existem colegas que, sob um pretenso dogma de estado mínimo, são contrários à tributação de lucros e dividendos. Parece que a desigualdade social para eles não existe e não passa de um pretexto para os "esquerdistas" acabarem com a propriedade privada.
Como você lembrou, são países capitalistas que tem esse modelo mais progressista na tributação, como Alemanha e EUA. O caras ainda estão lendo Adam Smith e desconhecem Rawls e sua brilhante teoria de justiça.
São textos como o teu que traz luz ao debate e creio que o estudo da Filosofia Política e de Estado deveria ser prioridade nas faculdades de Direito. Não há como fazer justiça sem um repertório que possibilite enxergar através do "véu de Maya".
Forte abraços, lisonjeado por ler teu artigo brilhante!
Diz o articulista:
"nos convida à reflexão sobre as causas da histórica e persistente distância entre ricos e pobres no Brasil e da relação com a corrupção."
Mas o problema, todo mundo já conhece: é que o de cima sobe e o de baixo desce!
Parabéns ao Prof. Ricardo Lodi pela excelente análise de modo racional sobre o tema da desigualdade social.
A perspectiva abordada pela legislação e carga tributária, da má distribuição de recursos e renda entre a população, e (quase) sempre esquecida ou ignorada pelo "senso comum" foi fantástica.
Infelizmente, os seguidores do "senso comum" não compreendem um debate racional, por pura falta de argumentos racionais. Assim, preferem discutir pela "paixão", usando termos como "esquerdista", "lulista", "petista", "socialista" e outros tantos "istas".
Creio, seguramente, que nem sabem analisar e defender quais eram os programas de desenvolvimento ou política econômico-desenvolvimentista de cada um e dos últimos governos, desde 1970 a 2015, período pesquisado e citado no texto.
Vamos continuar aplaudindo as operações espetaculares e midiáticas e tampar nossos olhos para a intragável realidade. "Vivamos na ilusão!".
Bem, como se diz racionalmente, "paixões não se discutem; ciência e racionalidade sim".
Atribuir à iniciativa privada a nefasta situação em que o Brasil se encontra beira as raias do humor negro!
O viés comunista apregoado no texto jamais deu certo em nenhum lugar do mundo, mas a tese não morre. Incrível!
A solução para economia - de qualquer sociedade - não está no paternalismo estatal, esta é uma falácia já comprovada e ratificada.
O único socialismo que alavanca uma nação é o socialismo de oportunidades!
Distribuir esmolas sob o pretexto de proteger os mais pobres não passa de um populismo hipócrita para perpetuar governantes no poder, exatamente como foi tentado pelo PT nos últimos treze anos.
Os culpados, em última análise, são os eleitores iludidos por estas propostas inverossímeis e hipócritas de redistribuir o patrimônio dos que tem para os que não têm.
Precisamos sim disponibilizar a todos oportunidades iguais para ascenderem socialmente, e não simplesmente estimular a derrocada dos que têm, proposta eleitoreira e desastrosa para o progresso de qualquer nação.
A agenda positiva da progressividade tributária é importantíssima ao país e o texto defende o tema com propriedade e elegância!
Parabéns!
Um comentário quanto aos dados da corrupção, por mais que o texto reconheça que seja só parte, a estimativa parece muito baixa. No entanto, mesmo para os mais alarmistas, a corrupção criminosa jamais chegaria ao que o senso comum considera a solução para os problemas do país - ponto que o artigo corretamente defende.
Com razão, mesmo que toda corrupção real fosse 10 vezes o que foi possível estimar, ainda assim, isso seria menos do que o déficit fiscal deste ano.
Este é um site frequentado por operadores do direito, e graças ao poderoso lobby que defende o interesse dos advogados (e de outras categorias profissionais ricas), hoje o Simples Nacional tributa os advogados em 4,5% para renda anual até 180 mil reais, 6,54% até 360 mil - 15 mil reais por mês ou 30 mil por mês. É uma vantagem incomparável diante dos 27,5% que os celetistas pagam (e até mesmo dos indecentes 15% que se paga do ganho de capital na bolsa de valores).
Além da regressividade tributária, a injustiça previdenciária é outra fonte inesgotável de drenagem de recursos públicos. Quanto se gasta com pensões para filhas de militares? Quando se paga acima do teto mas "dentro da lei"?
Por mais que receber benesses extraordinárias e "legais" não seja o crime de corrupção, isso também poderia ser colocado como um enfrentamento amplo à corrupção. As aposentadorias do Congresso, cumuladas com outros rendimentos públicos (sempre elevados), são ratificadas pelo TCU como "legais" mas são de moralidade questionável (e de constitucionalidade também).
Renovo os parabéns e desejo mais dados, informações, divulgação e destaque para tão relevante tema.
Deviam assistir "Primeiro mataram meu pai", no Netflix, e refletir sobre o texto e nossa situação como povo e nação.
Chega de hipocrisia!
Chega de sustentar idéias sobre Estado balofo e luta de classes.
Diminuam o Estado.
Estimulem a geração de riquezas. O empreendedorismo.
Depois falem em taxar lucros. Não comecem uma corrida andando para trás.Procurem a vitória antes e vejam como agirão depois de obter sucesso.
EUA e Alemanha, citadas no texto, tem taxas para grandes, enormes fortunas.
Mas desonera a classe média de forma abundante.
E os pequenos e médios empreendedores, nem se fala.
São estimulados a crescer, a gerar abundância de capital para SÓ depois do Everest econômico ser conquistado, se falar em taxar fortunas.
O nosso problema é a corrupção e setores "monárquicos" dentro do funcionalismo.Isso sangra nosso país.
Não existe esta coisa de dinheiro público.
O dinheiro é aquele que pertence aos que geram renda.
O Estado só existe por causa destas pessoas.Sem aqueles que se esforçam, criam e inovam , o Estado inexiste.
Nem a China acredita mais no que está escrito aqui.
Surreal.
EUA e Alemanha citados nos comentários, não no texto.
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