Em frente a câmeras, não há sigilo entre advogado e cliente

O advogado não pode reclamar quebra de sigilo de suas conversas com o cliente se o orienta em frente a câmeras de televisão. O entendimento foi usado pelo desembargador Maia da Cunha, da 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, para confirmar a sentença que negou o pedido de indenização por danos morais contra a TV Globo para os advogados de Suzane Richthofen, condenada por matar os pais. Cabe recurso.

Os irmãos Mário de Oliveira Filho e Mário Sérgio de Oliveira, que cuidaram da defesa de Suzane à época, alegavam que a entrevista dada por ela à emissora e divulgada pelo Fantástico, em julho de 2006, prejudicou a imagem dos dois, que acabaram perdendo clientes por causa disso. Na reportagem, Suzane apareceu infantilizada, com roupas e voz de criança. Na entrevista ela chorou, mas gravação da conversa dela com seus advogados mostrou que havia sido orientada para isso.

Os advogados recorreram à Justiça para que a Globo fosse obrigada a pagar indenização para eles. Alegaram que a reportagem foi editada, desrespeitando acordo feito entre eles e a emissora. O pedido não foi aceito pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 3ª Vara Cível Central de São Paulo. Os irmãos apelaram ao Tribunal de Justiça paulista.

O desembargador Maia da Cunha afirmou que os advogados, quando aconselharam Suzane em frente às câmeras de televisão, abriram mão do sigilo entre advogado e cliente previsto no Estatuto da OAB. Para a 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, os advogados sabiam que sua imagem seria utilizada no programa. Por isso, não se pode falar em direito de imagem ou de intimidade para ter direito a indenização.

“No momento em que o co-autor Mário Sérgio aconselhou — no mesmo recinto em que estavam as câmeras de televisão — sua cliente, que já tinha um microfone acoplado à roupa, abriu mão do sigilo entre advogado e cliente previsto no Estatuto da OAB. A requerida, a quem concediam a entrevista, entendeu que, no contexto da matéria, era de interesse geral dos telespectadores a divulgação da cena em que Suzane era aconselhada por seu advogado e levou-a ao ar. E agiu licitamente, na medida em que protegida pelo direito de informar”, afirmou o desembargador.

De acordo com Cunha, os advogados não podem reclamar que a emissora agiu de má-fé. A entrevista não foi gravada nos estúdios e sim no escritório e casa dos advogados. A TV Globo não implantou câmeras ou sistema de som só para captar a conversa entre Suzane e os advogados. “No momento em que Suzane consultou-se com seus defensores, foi em local em que ambos sabiam que a conversa poderia ser registrada, mormente, insista-se, porque um microfone já fora fixado na roupa da jovem pela equipe de reportagem. Dessa maneira, não se pode, repita-se, argumentar que a gravação foi clandestina, ferindo os retrocitados sigilo profissional, e direitos constitucionais à intimidade e ao sigilo das comunicações. E, ainda que assim não fosse, deve-se relembrar que não existe direito constitucional absoluto. No conflito entre dois direitos constitucionais, há de se aplicar o princípio da razoabilidade e fazer prevalecer aquele que, no contexto, é o mais importante.”

Cunha ainda ressaltou que os advogados sabiam do formato do programa e permitiram que Suzane comparecesse com uma atitude infantilizada. Eles tinham a condição de compreender que a caracterização exagerada poderia causar reação adversa do público, como ocorreu.

A Globo foi defendida pelo advogado Marcelo Habis, do escritório Camargo Aranha Advogados. Já os irmãos Mário foram representados pelo advogado Marcus Vinícius de Abreu Sampaio.

O crime

Suzane, seu namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Christian Cravinhos, confessaram ter matado os pais dela, Marisia e Mandred Von Richthofen, com golpes de barra de ferro, na casa em que a família morava, em outubro de 2002. Em julho do ano passado, Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos e seis meses de prisão e Christian, a 38 anos e seis meses.

Leia a decisão

ACÓRDÃO

Danos patrimoniais e morais. Cerceamento de defesa inexistente. Autores que patrocinam a causa de cliente acusada de crime de repercussão nacional e entendem que concessão de entrevista à requerida TV Globo seria salutar para a imagem de sua cliente junto à opinião pública, às vésperas do julgamento. Conhecimento dos moldes do programa em que seria veiculada a entrevista que permitia inferir a impossibilidade de ser apresentada a íntegra da entrevista. Jovem que comparece à entrevista com uma atitude infantilizada. Autores que possuíam condições de compreender que a caracterização exagerada poderia suscitar reação adversa do público, o que acabou ocorrendo. Acompanhamento da cliente à entrevista que significa abdicação ao direito à intimidade e à imagem. Aconselhamento no mesmo recinto em que as câmeras estão ligadas a significar também a abdicação ao direito ao sigilo de comunicação e do sigilo entre advogado e cliente. A requerida TV Globo veiculou as imagens no exercício de seu direito de informar constitucionalmente assegurado. Decisão acertada. Recurso improvido.


Vistos, relatados e discutidos estes autos de APELAÇÃO CÍVEL 537.739.4//8, da Comarca de São Paulo, em que é apelante Mario de Oliveira Filho (e outro), sendo apelada Globo Comunicação Participações S/A.:

ACORDAM, em Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por votação unânime, negar provimento ao recurso.

Trata-se de apelação interposta contra a r. sentença, cujo relatório se adota, que julgou improcedente a ação de indenização por danos patrimoniais e morais, sustentando os autores apelantes, em suma, nulidade da r. sentença por cerceamento de defesa e exame tendencioso dos fatos e que a requerida feriu compromisso que firmara quando dos acordos para a concessão da entrevista consistente em não editar as imagens obtidas, o que culminou na falsa percepção de que os autores e sua constituinte engendravam uma farsa. Afirmam que somente o exame da fita bruta, com a integralidade das imagens gravadas poderia demonstrar o quanto foram prejudicados pela edição, daí que era obrigação da requerida conservá-la. Sustentam ser descabida a proteção ao direito de informar em detrimento ao sigilo profissional, já que a atitude da requerida configurou ferimento aos incisos X e XII do artigo 5º da Constituição Federal. Por fim, alegam que a demonstração dos danos materiais causados ficou prejudicada pelo julgamento antecipado da lide e que os fatos que dependiam de prova encontram-se presumidos pela omissão da parte contrária em exibir a fita bruta gravada.

Este é o relatório.

A r. sentença da lavra do eminente e culto Magistrado Dr. Jomar Juarez Amorim analisou com pertinácia a prova e corretamente decidiu pela ausência de ato ilícito configurador de danos patrimoniais e morais. As bem lançadas ponderações de Sua Excelência, pela sua adequação e pertinência, ficam aqui expressamente adotadas como razão de decidir pelo improvimento do recurso.

Saliente-se que, ao contrário do alegado, não se vislumbrou na r. sentença qualquer parcialidade no julgamento. Em momento algum o digno Magistrado sentenciante olvidou que não estava a julgar Suzane, nem o crime de que era acusada, mas sim o eventual dano causado a seus patronos em razão de entrevista que ela deu à TV Globo em razão do julgamento que se avizinhava.

As menções à cliente dos autores e ao crime do qual foi acusada decorreram da estreita ligação entre a entrevista que originou o presente pedido de indenização e o fato de os autores serem advogados da jovem, já que, nessa qualidade, aconselharam-na a conceder a entrevista na tentativa de melhorar sua imagem junto à opinião pública. E desta entrevista surgiram os fatos que os autores apelantes tiveram como danoso à honra e ensejador dos danos morais pleiteados na inicial.

Não houve cerceamento de defesa.

O ordenamento processual civil admite o julgamento antecipado da lide nas hipóteses em que a questão de mérito for unicamente de direito ou que, sendo de direito e de fato, não haja necessidade de produzir-se prova em audiência (art.330, I, CPC). No caso, a circunstância de a requerida ter editado ou não as imagens e a falta de apresentação da fita com a íntegra das cenas gravadas não são suficientes para configurar o alegado cerceamento de defesa.

Lembre-se que a reportagem foi veiculada no programa dominical denominado “Fantástico”, que tem como formato característico uma miscelânea de reportagens, com os mais variados assuntos, de modo a atingir um público o mais amplo possível.

E, conforme os autores mesmos relataram, a gravação da reportagem deu-se por três dias consecutivos (fls. 157). Daí que não poderiam mesmo pretender que se veiculasse a reportagem na íntegra, já que não se adequaria ao formato do programa.

Além de tudo, é notório que a grande maioria das entrevistas tende a ser demasiadamente repetitiva e requer a sua edição até para que se atenda à finalidade de informar da emissora que a veicula. Ao apresentar uma reportagem em cadeia nacional, uma emissora de TV busca audiência e é lógico que editará o programa para que se apresente atrativo aos telespectadores.

Obviamente que não se pretende aqui adotar a idéia da veiculação de programas ofensivos ou mentirosos com o intuito de se ganhar audiência. O que se pretende é afirmar ser normal e corriqueira a edição de entrevistas para que se torne mais atrativa ao telespectador, desde que, como no caso, não haja mentira ou alteração da verdade pela emissora. A edição insere-se no trabalho da emissora e não encontra vedação legal sempre que não distorcer o conteúdo da entrevista com falsidade ou inverdade.

No caso, aliás, não foi a edição do programa que causou a impressão de que os autores e Suzanne Richthofen ensaiaram a entrevista com o intuito de ganhar a simpatia do público e, por conseguinte, beneficiar-se às vésperas do seu julgamento pelo Tribunal do Júri da Capital sob a acusação de ter, com a ajuda do namorado e do irmão dele, assassinado os próprios pais.


A indignação do público e sua má disposição para com a jovem não era nova, nem surgiu com a entrevista narrada na inicial. A indisposição do público em geral nasceu a partir do momento em que as investigações policiais apontaram-na como a principal suspeita do crime cometido contra os próprios pais. Bem por isso que a entrevista foi agendada com o confessado intuito de providenciar uma melhor defesa a Suzane, que, dada a gravidade do crime de que era acusada e suas circunstâncias (fls. 04), não tinha uma boa imagem perante a opinião pública.

E, no afã de obter essa visão favorável, Suzane apresentou-se perante os entrevistadores com uma imagem de difícil compreensão e aceitação. Não se trata aqui da edição das falas ou da alegada montagem da reportagem. Trata-se da incongruência oriunda da própria apresentação visual de Suzane que deixou no público a impressão de farsa e, ao contrário do pretendido, piorou sua imagem.

Suzane, à época da entrevista, tinha mais de 20 anos. No entanto, apresentou-se vestida e penteada de modo infantil na tentativa de passar ao público uma imagem de completa inocência, pureza e sugestionabilidade. Mas a questão é que, apesar da idade e dos trajes, o público já a vira muitas e muitas vezes em circunstâncias bem diversas. A sua imagem, pela gravidade e singularidade, foi exaustivamente veiculada pela imprensa como a terrível história da jovem bela, rica e inteligente acusada de matar os próprios pais.

Não se discute aqui a legitimidade de Suzane e seus advogados pretenderem a melhora da imagem junto ao público, nem se discute o modo como acharam mais conveniente buscar essa melhora. No entanto, não podem imputar o malogro da tentativa à edição da requerida, uma vez que decorreu, mais do que tudo, insista-se, da própria maneira com que a jovem se apresentou para a reportagem.

Não bastasse a falta de verossimilhança dos trajes, modos e comportamento de Suzane, também contribuiu para a incredibilidade da entrevista, a circunstância de, em certo momento, o co-autor Mário Sérgio de Oliveira ter dito a ela que chorasse e pedisse para encerrar a entrevista.

Alegam os autores que a edição que a ré fez causou a falsa impressão de que Suzane era instruída a encenar um desconforto com os rumos da entrevista quando, na verdade, estava realmente abalada e, não mais suportando a conversa, dirigira-se até o co-autor Mário Sérgio, perguntando como proceder, sendo instruída a dizer realmente o que sentia: que não agüentava mais e queria encerrar a entrevista (fls. 16).

Afirmam, ainda, os apelantes, que a gravação das instruções dadas por um deles à cliente fere o respeito ao sigilo profissional, assegurado pelo Estatuto da OAB e, sobretudo, o direito à intimidade, à honra e à imagem, assim como o direito ao sigilo constitucional das comunicações e que deve prevalecer sobre o direito à informação também assegurado na Carta Magna.

Pois bem.

Não há quebra do sigilo entre advogado e cliente, uma vez que eles mesmos concordaram com a entrevista. Portanto, colocaram-se voluntariamente na situação em que suas palavras e gestos poderiam perfeitamente ser captados pelas câmeras da requerida.

Além disso, os autores divergem sobre a circunstância em que se teria dado a gravação da conversa confidencial entre o co-autor Mário Sérgio e Suzane.

Afirmam, num primeiro momento, que a entrevista ainda não se iniciara, mas que o microfone de Suzane fora mantido ligado (fls. 15, infra). Ora, se Suzane já estava com o microfone era de se presumir que a conversa poderia ser captada. Logo depois, sustentam que Suzane, chorando, pedira que se encerrasse a entrevista, pois não agüentava mais (fls. 16). O abalo que acarreta o choro e falta de ânimo para continuar a entrevista surge em seu decorrer. Portanto, o co-autor Mário Sérgio, no momento em que Suzane dirige-se a ele aos prantos afirmando querer encerrar a entrevista, sabe que a gravação está ocorrendo e tem condições de inferir que sua comunicação com a cliente será registrada. Não se pode falar, portanto, em quebra de sigilo profissional, ferimento ao direito à intimidade ou ao direito ao sigilo das comunicações.

As entrevistas não se deram nos estúdios da requerida e sim no escritório dos autores e na casa de outro advogado de Suzane. Não se pode crer que a emissora tenha implantado uma câmera e um sistema de som em ambientes que não lhe tenham sido franqueados. Desse modo, no momento em que Suzane consultou-se com um de seus advogados, foi em local em que ambos sabiam que a conversa poderia ser registrada, mormente, insista-se, porque um microfone já fora fixado na roupa da jovem pela equipe de reportagem.

Dessa maneira, não se pode, repita-se, argumentar que a gravação foi clandestina, ferindo os retrocitados sigilo profissional, e direitos constitucionais à intimidade e ao sigilo das comunicações. E, ainda que assim não fosse, deve-se relembrar que não existe direito constitucional absoluto. No conflito entre dois direitos constitucionais, há de se aplicar o princípio da razoabilidade e fazer prevalecer aquele que, no contexto, é o mais importante.


Os autores, ao estabeleceram tratativas com a requerida para a realização de entrevista com sua cliente, abriram mão do direito à intimidade. Sabiam, ainda, que poderiam ter sua imagem utilizada no programa. Não se pode falar, portanto, de ferimento ao direito de imagem. E, no momento em que o co-autor Mário Sérgio aconselhou – no mesmo recinto em que estavam as câmeras de televisão – sua cliente, que já tinha um microfone acoplado à roupa, abriu mão do sigilo entre advogado e cliente previsto no Estatuto da OAB.

A requerida, a quem concediam a entrevista, entendeu que, no contexto da matéria, era de interesse geral dos telespectadores a divulgação da cena em que Suzane era aconselhada por seu advogado e levou-a ao ar. E agiu licitamente, na medida em que protegida pelo direito de informar.

Em suma, após terem acompanhado à entrevista concedida à requerida com o fim de tentar a melhora da imagem de sua cliente junto à opinião pública, abrindo mão de seu direito à imagem e à intimidade e após aconselharem a jovem frente às câmeras, abrindo mão do sigilo de comunicações e do sigilo entre advogado e cliente, não podem os autores, apenas porque a entrevista não produziu o resultado que esperavam, pretender indenização por danos patrimoniais e morais.

Enfim, os autores entenderam que a concessão de entrevista à requerida seria salutar para a imagem de sua cliente junto à opinião pública, já que às vésperas de ser julgada por crime de repercussão nacional. Sabiam dos moldes do programa em que seria veiculada a entrevista e tinham condições de inferir que seria impossível apresentar três dias de entrevista sem qualquer edição. Permitiram que a jovem comparecesse à entrevista com uma atitude infantilizada, tendo condições de compreender que a caracterização exagerada poderia suscitar reação adversa do público, como de fato ocorreu. Acompanharam a cliente à entrevista, abrindo, assim, mão de seu direito à intimidade e à imagem. Aconselharam-na no mesmo recinto em que as câmeras estavam ligadas, abdicando, assim, do direito ao sigilo de comunicação e do sigilo entre advogado e cliente. E a requerida, ao veicular as imagens, fê-lo no exercício de seu direito de informar.

Sendo assim, quaisquer danos causados aos autores pela entrevista não podem ser imputados à requerida, na medida em que não se vislumbra, na conduta dessa última, a prática de qualquer ato ilícito. Não há, portanto, que se falar em indenização por dano patrimonial ou moral.

E mais não é necessário aduzir para a confirmação da r. sentença apelada, inclusive pelos seus próprios, acertados e bem deduzidos fundamentos.

Pelo exposto é que se nega provimento ao recurso.

Participaram do julgamento os Desembargadores Teixeira Leite (Presidente e Revisor) e Fábio Quadros (3º Juiz).

São Paulo, 06 de março de 2008.

MAIA DA CUNHA

RELATOR

Priscyla Costa

é repórter da revista Consultor Jurídico

Richard Smith disse:
14 de março de 2008 às 14:10

Magistral!

Não poderia ser de outra forma.

O advogado da Matricida/Parricida quis instrumentalizar um entrevista em favor da sua cliente. Mas se deu mal, pois disse coisas que foram captadas pelo microfone que CONSENTIU (melhor, quis!) que fosse colocado na sua cliente para a entrevista.

Como reclamar depois de "quebra de sigilo", "invasão da confidencialidade advogado/cliente"?

Só no Brasil, terra da jabuticaba e das bizarrices, frutos do mais cruel RELATIVISMO MORAL, com a sua impiedosa INVERSÃO DE VALORES.

Como no caso da despudorada que foi transar em público, numa praia no estrangeiro e depois quis punir um site que reproduziu as imagens!

"Ainda existem juízes em Berlim!"

Richard Smith disse:
14 de março de 2008 às 14:11

Mas, e agora? Não vai sobrar para a autora e o seu patrono pelo acionamento indevido e bizarro da Justiça?

Fica por isso mesmo?

Axel Figueiredo disse:
14 de março de 2008 às 14:24

Acho que aquele brocardo "ninguém pode alegar a própria torpeza em Juízo" foi olvidado pelo advogado.
Aliás, quase ninguém se lembra dele, pelo atual andar da carruagem.

Mauro disse:
14 de março de 2008 às 16:06

Sou um crítico da imprensa brasleira, principalmente da Globo e Veja. Entretanto, desta vez tenho que admitir que concordo com esta sentença, afinal, se advogado e cliente concordaram em colocar o microfone como podem reclamar de sigilo? É uma questão que chega a ser risível. E o advogado ao mover esta ação só fez piorar as coisas para o seu lado. Deveria ter explorado a velha falta de memória do povo e logo todos teriam se esquecido deste erro crasso.
Agora, concordar com o dogmático gringo Richard já é pedir demais, pois para ele quando alguém se sente lesado e por isso aciona a justiça, trata-se de inversão de valores. É um verdadeiro dogmatismo ingênuo. Se o relativismo é tão ruim assim, então os pais de hoje tem de continuar a escolher os maridos para suas filhas como era antigamente. Hoje isso não existe mais por uma questão de mudança de valores morais, pois estes mudam conforme os tempos e épocas.

Bertolão disse:
14 de março de 2008 às 17:18

Pra falar a verdade eu até gostei da atuação dela...foi um papel ridículo mal interpretado em horário nobre, num dos programas campeões de audiência. Agora, dois advogados experientes como estes, dar uma dessas?

MUDABRASIL disse:
14 de março de 2008 às 20:12

Como diriam os antigos, foi o feitiço virando contra o feiticeiro. O advogado quis usar a imprensa para favorecer a cliente e acabou enterrando-a ainda mais!

Richard Smith disse:
14 de março de 2008 às 20:15

Eh, amigo Mauro autóctone, o que é isso?

Querendo me pespegar o rótulo de "anti-direito de ação"?!

Não, caro amigo, INVERSÃO DE VALORES é inversão de valores e, RELATIVISMO é relativismo, simples assim.

Ou seja, quando ao Justiça é instrumentalizada para vergastar a parte contrária e não para buscar um direito, certo ou presumido é ABUSO, capitulado inclusive no CPC. E quando uma canalha, ora no poder - e que também instrumentaliza e aparelha a "democracia burguesa" para tentar destruí-la - apóia tais ações, é INVERSÃO DE VALORES sim.

E o que é que tem a ver os casamentos arranjados de outrora com isso? Ou o amigo acha que a legião de "ficantes" com as gravidinhas, solteiras e sozinhas de amanhã, representam um "grande avanço social"?

Então não existem valores ABSOLUTOS para o amigo? Que pena.

Ah, amigo, menos, menos...

Um abraço.

helsue disse:
14 de março de 2008 às 21:38

Quando será que advogados começaram a ser punidos por mau uso de suas atribuições? Ora parece até que estou vendo a cena que foi divulgado uma vez pela Globo, quando um advogado disse a seu cliente e não sabia que as cameras estavam ligadas. Disse ao cliente: Muda a assinatura, bota qualquer uma. Um absurdo! Isto é apenas um grão em relação ao amontoado de abusos cometidos e nada se faz que melhore. O advogado é imprecindível, mas tem que ser ético!

lu disse:
14 de março de 2008 às 22:20

Acertadíssima decisão do desembargador Maia da Cunha!!!
Foi uma tropeçada feia dos advogados!
Que sirva de lição! Depois não adianta ficar criticando a imprensa...

Comentarista disse:
15 de março de 2008 às 08:58

Pois é...

Quando a inveja norteia o homem (ou a mulher, é claro), o tropeço alheio satisfaz as suas próprias frustrações humanas.

Parabéns aos Drs. Mário de Oliveira Filho e Mário Sérgio de Oliveira.

Richard Smith disse:
15 de março de 2008 às 11:07

Caro amigo Sunda:

Fiquei um tanto perplexo com as suas afirmações.

É claro que um advogado é um advogado, em quaisquer condições, mesmo e principalmente nas mais severas ou insólitas, que são inclusive as mais necessárias à sua atuação em favor de um cliente.

Agora, no caso sob análise, o advogado procurou uma emissora de TV para que fizessem uma reportagem que pudesse melhorar a imagem de sua cliente, ré confessa num crime de parricídio e matricídio que muito chocou a opinião pública por todas as características do caso.

Até aí, tudo bem. Ocorre porém, que esquecendo-se do microfone colocado COM A SUA AUTORIZAÇÃO (até porque senão, não haveria condições técnicas para a entrevista) passou a dar instruções de SIMULAÇÃO à cliente. A emissora, dentro do seu direito e, diria, do seu DEVER jornalístico, mostrou no ar a simulação toda. E o dito causídico não gostou!

Esperava ele, certamente, que com o "furo" que estava propiciando à emissora esta fosse acumpliciar-se na pantomima e agir como se nada fosse. Neste caso, lucro total!!!

Mas como houve o desacobertamento da falcatrua, prejuízo total!

E foi assim, com clareza, que entendeu o Tribunal.

Mas aí o amigo pergunta: "Desde quando a existência de um microfone é prova de anuência de gravação?"!

O que eu posso dizer diante disso?

Mas posso dizer qu, como o amigo mesmo reconhece, a existência de meios lícitos (o automóvel, por exemplo) não gera, necessariamente, a presunção da ilicitude (o atropelamento). Mas no caso em pauta, o microfone presumia, necessariamente, a escuta (e gravação) da conversa. Houve falta de cautela por parte do advogado. Em seguimento à ausência de coisas bem mais necessárias antes!

Um grande abraço.

p.s. Ainda estou na busca àquele livro.

Richard Smith disse:
15 de março de 2008 às 12:40

Ah, amigo Sunda, por favor...

Os FATOS transmitidos pela emissora se deram ao FINAL da dita entrevista, quando houve a intervenção emergencial do advogado "sugerindo" que a Matricida/Parricida confessa, sua cliente, em chinelinhos de bichinho começasse a chorar (faltou uma pastilhinha de cânfora ou um pedaço de cebola para facilitar um pouquinho, porque a "patricinha" parece ser um pouquinho "dura" de lágrima, como se viu no funeral dos pais!).

Meteu o microfone e se viu vítima dele! Justiça poética, não acha?

Um abraço.

Comentarista disse:
15 de março de 2008 às 13:58

É "peculiar" a comparação do Brasil com "país sério"...

Vejamos:

- Em "país sério", membro do MP não anda armado com arma de uso exclusivo das forças armadas, emprestada pelo irmão colecionador e, ao primeiro anúnico de um assalto de trânsito, dispara mais de 10 tiros contra um motoboy desarmado, atravessa a cidade para "registrar a ocorrência" onde bem lhe aprouver e, finalmente, responde em liberdade e no exercício de sua nobre função;

- Em "país sério", membro do MP não é vitaliciado no curso de um processo em que responde pelo homicídio de um jovem estudante desarmada, por uma desavença banal na saída de uma boate numa cidade litorânea;

- Em "país sério", uma "instituição" toda (às vezes auto-intitulada "quarto poder") não dorme em "berço esplêndido", em estado de letargia total, durante vinte anos de um regime golpista e criminoso, em que foram assassinados e torturados milhares de cidadãos de seu país;

- Em "país sério", respeita-se a figura do(a) advogado(a).

Ok?

E uma abraço a quem sonha com "país sério"...

Mauro disse:
15 de março de 2008 às 14:24

Prezado gringo dogmático Richard.

Seu conceito de relativismo está escandalosamente atolado no senso comum. Você diz a mesma coisa que "teólogos de bairro" que abrem mais igrejas do que se abre butecos e precisam persuadir fiéis a qualquer preço, pois têm a preocupação de não ter dinheiro para pagar o aluguel do salão no final do mês. Aí vale qualquer lorota, inclusive isso que você pensa que é relativismo.
Richard, relativismo e subjetivismo são coisas bem diferentes. Você que é um jurista sabe que as normas morais são o fundamento das normas jurídicas que são as leis. E as leis se defasam e por isso mudam na medida em que ocorre a transformação constante a que está submetida a sociedade. Sendo assim não precisamos mais de leis que disciplinem a escravidão e o rapaz apaixonado não precisa mais pagar o dote para ter a donzela em seus braços. Discute-se então novas configurações de relações trabalhistas e novos conceitos sobre casamento, união estável etc. Isso é relativismo. Não é apenas a tecnologia que evolui, mas os valores morais também, meu caro, e por isso se transformam.

Richard Smith disse:
15 de março de 2008 às 16:35

Caro amigo Sunda:

Em primeiro lugar, agradeço à sua bondade, porém não sou jurista. Sou apenas um modesto consultor de empresas e de escritórios de advocacia.

Depois, não sou subjetivista não. Ao contrário, sou um renitente cultor do "império da realidade". Neste sentido, considero que existem realidades que nada tem de subjetivas, mas antes, de um caráter abolutamente "absoluto".

Quem pode dizer, por exemplo, diante de uma cadáver, ainda que rosado e quentinho: "Nossa, ele está QUASE vivo!" ou ainda, diante de um zeloso trabalhador e pai-de-família, que, uma vez por ano, põe uma meia na cabeça e sai para assaltar: "Ah, ele é QUASE honesto!"?

Tudo na Natureza criada por Deus demonstra equilíbrio, razão de ser e, principalmente, FINALIDADE.

Podem destoar apenas, dessa criação, os atos dos homens, justamente porque desfrutam estes duma coisa chamada LIVRE ARBÍTRIO. Ou seja, podem os homens não fazerem coisas atinentes ao seu fim último e sim, ao contrário.

Neste diapasão, o autóctone amigo pode mesmo dizer que estamos evoluindo inexoravelmente, em direção a um porvir maravilhoso?

Você viu, nos jornais de ontem acerca do "sexódromo" num bairro aqui de São Paulo, aonde a diretoria de uma escola deixa os portões abertos no fim de semana para que jovens, de 11 a 16 anos possa participar de um baile "funk" promovido por traficantes? E depois de bem "bebidos" e "fumados" fazerem sexo no pátio da escola?

Dessa "evolução social" (e de muitas outras também), caro amigo, inclua-me fora dela.

Um abração.

Richard Smith disse:
15 de março de 2008 às 16:37

Credo! "podem os homens não FAZER coisas" e não "FAZEREM". Sorry.

rodolpho disse:
15 de março de 2008 às 16:51

Para quem quiser ler
Fala o Rodolpho
(continuação)

Suzane, por si mesma, teria logo se cansado desse namorado, cujas limitações intelectuais e culturais, bem como atrativos físicos, jamais poderiam manter qualquer tipo de ligação duradoura, com ela. Mas a fortíssima oposição dos pais transformou esse amor numa alucinação trágica.
Todos sabem, e sabem muito bem, que a natureza mesma do adolescente é contraditar os pais. Se uma moça estiver apaixonada pelo namorado, e os pais imediatamente apoiarem esse namoro, imediatamente a moça começa a ver defeitos nesse namorado, e logo se desfaz dele. O contrário é gritantemente sabido.
Para todos, o que é raro e difícil é sempre valorizado, e, para o adolescente, ficar na contra corrente da vontade dos pais é sempre uma glória. Acabou em tragédia.
Suzane não matou os pais e, com certeza, não queria a morte deles, pois nenhuma vantagem material ou emocional lhe adviria disso.
Todos nós já tivemos vontade de matar muita gente, e se tivéssemos certeza da impunidade, muito provavelmente colocaríamos em prática essa vontade.
Não entrarei aqui na discussão sobre o acerto ou erro do Tribunal de Justiça Paulista, no julgamento da ação indenizatória; nem entrarei na polêmica sobre a conduta dos advogados que pleitearam essa indenização.
Da minha parte, eu defenderia a menina Suzane em todas as instâncias, pois, para mim, ela não causa nenhuma revolta e nenhum repúdio. Ela me causa apenas uma profunda e inabalável compaixão.

rodolpho disse:
15 de março de 2008 às 16:52

Para quem quiser ler
Fala o Rodolpho

Já me manifestei pela imprensa sobre o doloroso caso Richthofen, e volto aqui a manifestar a minha piedade por essa infeliz menina.
No Brasil, impera o direito penal do autor. Assim, no caso do Promotor Igor Ferreira da Silva, que matou a mulher, grávida, nenhuma comoção pública ocorreu, pois o autor é promotor público, e a vítima foi a esposa que, hipoteticamente, praticou adultério.
Milhões de Romeus e de Julietas foram incinerados no holocausto do amor impossível.
Suzane é uma menina linda, loira, olhos azuis, culta, fala diversas línguas, viajou por diversos países, vem do seio de uma das mais importantes famílias. E se envolveu com um jovem pobre, sem cultura, feio, sem profissão e de comportamento duvidoso.
Esse amor jamais teria prosperado, se não fosse tornado impossível pelos próprios pais de Suzane, pois o amor só é possível quando é impossível.
O amor de Romeu e Julieta só aconteceu porque nunca aconteceu, pois eles morreram. Se tivessem sobrevivido e se casado, ela teria tido muitos filhos, teria ficado gorda e feia. E ele, Romeu, se cansaria dela e, já barrigudo e envelhecido, procuraria se ligar a amantes jovens.

Sandra Paulino disse:
15 de março de 2008 às 17:45

“O direito é uma proporção real e pessoal, de homem para homem, que, conservada, conserva a sociedade, corrompida, corrompe-a” (Dante Alighieri). Como o moleiro de Sans-soussi (uns dizem que é lenda, outros asseguram que é verídico o caso), eu digo que AINDA HÁ JUÍZES NO BRASIL.

Mauro disse:
16 de março de 2008 às 14:09

Eu jamais comenteria a ingenuidade de dizer que "estamos caminhando inexoravelmente a um porvir maravilhoso". Isso foi você quem disse.
Como pode um homem confiar plenamente na sua capacidade intelectual e sensitiva a ponto de ser um "cultor das realidades absolutas"? Não somos capazes de apreender a realidade tal qual ela é!! Apreendemos apenas o que é capturado pelos nossos sentidos e elaborado pela nossa mente de acordo com suas categorias de tempo e espaço. Já pensaste nisso, dogmático Richard, que o tempo e o espaço não existem? Que são apenas categorias da nossa mente, sem as quais não conseguimos elaborar racionalmente as nossas impressões da realidade?
Qualquer um pode olhar para um corpo e achar que está morto, mas pode não estar. Até mesmo um médico pode cometer tal erro.
Richard, será que nunca desconfiou de algo que consideras absoluto quando na realidade este algo foi forjado pelo homem no processo histórico? Ou seja, em outras épocas não era absoluto, mas com o passar dos tempos foi convencionado como tal?
Onde há equilíbrio, razão de ser e finalidade, não há o absoluto, pois este é a própria razão de ser, equilíbrio e finalidade de si mesmo. O absoluto, como o próprio nome já diz, não muda e por isso tem finalidade. Como pode o que não se transforma alcançar uma finalidade?
O processo histórico não para e tenho certeza que você, dogmático Richard, como qualquer um, já acreditou em coisas que não acredita mais e hoje acredita em coisas que nunca acreditou. A questão é; você considera que o que você acredita é absoluto, é a realidade, no entanto, cometes um ingênuo erro. Assim como você acaba de me confundir com o amigo Sunda.

Mauro disse:
16 de março de 2008 às 14:12

ERRO:

O absoluto, como o próprio nome já diz, não muda e por isso NÃO tem finalidade.

Richard Smith disse:
16 de março de 2008 às 14:30

É a velhice amigo Sunda. Queira me desculpar por "bolar as trocas".

Quanto ao livro, estou na captura ainda.

Um abraço.

richardsmith@ig.com.br

Renério disse:
27 de abril de 2008 às 14:27

O sigilo do Advogado não é mais absoluto? Captar a conversa por acaso pode até ser culpa, mas a divulgação é dolosa e ilegal. Meus Deus. Somada essa decisão ao da divulgação de dados de processo em segredo de Justiça me faz pensar em obter um diploma de Jornalista para melhorar minhas prerrogativas.

De luto.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.