Antes de tudo, sim, eu sei que crotalus terrificus é o nome cientifico de uma serpente específica, a cascavel. O título é para mostrar o problema que poucos viram lá atrás: o ovo desse crotalus.
Escrevo para dizer que é muito bom quando a epistemologia vem para mostrar que uma tese é correta. Uma boa pesquisa ilumina caminhos por vezes traçados intuitivamente.
Todos sabem de minhas críticas à lava jato. Foram mais de cem textos escritos sobre esse específico tema. Sempre apontando para o perigo que a lava jato representaria para o futuro.
Vejo, agora, que o professor Fábio de Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, fez profícuos estudos (veja a entrevista) sobre a lava jato e seus impactos no cenário brasileiro.
O professor trata os acontecimentos do 8 de janeiro como uma linha de continuidade da lava jato e mostra que a atuação principalmente do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol fomentaram o atual contexto sócio-político de terrae brasilis.

STF
Sá e Silva destaca que, depois de protagonizar barbaridades referendadas por um sistema de Justiça que cedeu ao canto das sereias, a lava jato começou a sofrer as primeiras derrotas perante os tribunais, e seus atores começaram a subir o tom contra as Cortes de Justiça, principalmente contra o STF e contra o Congresso.
O produto dessa ofensiva, segundo o professor da Universidade de Oklahoma, foi uma acelerada indisposição de parcela da sociedade contra os poderes, como se as instituições estivessem tomadas pela corrupção e os tribunais fossem coniventes com isso.
Ou seja, quando suas decisões começaram a ser alteradas, Moro e Dallagnol instilaram forte veneno contra o Supremo Tribunal. E buscaram desacreditar a todo custo o sistema de justiça. Dallagnol chegou a chamar garantias constitucionais de “filigranas”. Portanto, a guerra contra o STF também tem na lava jato o seu “ab ovo”.
É fato. Dallagnol e Moro eram o centro dessa retórica contra o STF, principalmente em suas postagens e manifestações públicas. Sá e Silva mostra que a “troca” da carreira jurídica pela política otimizou o discurso de ambos, e a soltura de Lula foi instrumentalizada para alavancar essa tensão, com a criação, por exemplo, do termo “descondenado” (quantas vezes Dallagnol usou essa palavra?), amplamente utilizado por aqueles que pediram (e ainda pedem) o golpe. O STF virou “comunista”. Discursos esses adotados por Bolsonaro e seus apoiadores.
Sá e Silva confirma o que de há muito tenho dito: o ovo da serpente dos maiores males que enfrentamos, institucionalmente, foi e ainda é a lava jato — agora transformada em um imaginário golpista. Uma coisa levou à outra.
O interessante é que o professor Sá e Silva vem sendo atacado principalmente por Dallagnol. No twitter, único lugar em que o agora deputado Dallagnoll consegue se comunicar, os ataques são constantes, buscando desqualificar o professor. Como se o professor fosse como alguns antigos “amiguinhos” jornalistas (e jornaleiros) que lhe fizeram a fama.
O professor Sá e Silva mostra essa linha de continuidade: começa com a lava jato, criminaliza a política e enfraquece as instituições. Ingredientes para uma tempestade perfeita. E no meio ainda teve a tentativa de golpe de Dallagnol e Moro contra o direito brasileiro, ao gestarem o famigerado “Projeto das Dez Medidas”. Ali estava um “ovinho” do golpismo, porque pretendia introduzir o uso de prova ilícita e acabar com o habeas corpus.
É. Choveu muito na serra e poucos viram a enchente que vinha. O que o professor Sá e Silva faz é mostrar também as trovoadas. Bem isso.
O resto todos sabemos. O dia 8 de janeiro foi o coroamento de uma crônica de uma anti institucionalidade anunciada. E a história há de mandar a conta. Com juros de cartão de crédito.
De todo modo, isso não tem preço!


Tomás de Torquemada, no século XV, tinha como mote o combate às heresias e bruxarias e teve o apoio da turba para mandar bruxas e hereges para a fogueira, depois de julgamentos baseados em sua própria lei, o manual do inquisidor de Eymeric. E, em pleno século XXI, eis que aparecem duas figuras semelhantes, cujo mote foi (e ainda é) o "combate à corrupção", para o qual seguiram os seus próprios códigos processuais e difamaram quem contrariou seus códigos. Deslumbrados pela fama, optaram por seguir carreiras no segmento que antes demonizaram. Afinal, como um deles disse subrepticiamente (aquele que conversava com o espelho), "vamos lucrar, ok?". Há ingênuos de todo tipo, inclusive os que ainda creem nas boas intenções dos torquemadinhas modernos.
https://blogdofred.blogfolha.uol.com.br/ 2020/04/08/a-lava-jato-que-pariu-bolsona ro-que-o-embale-diz-procurador-da-republ ica/
Tens razão, no entanto, agora nem precisa mais processo para condenar, basta a vontade de um ministro que prende sem sequer ter um inquérito, crianças e idosos sob o argumento de "golpistas e terroristas".
Estou esperando Lenio falar sobre isso, mas, insiste em Bolsonaro e lava jato.
E agora, pior ainda, culpa a segunda de ter gerado o primeiro.
Mas, é bom lembrar que quem vetou a criminalização contra o que hoje chamam foi a senhora Dilma, de triste passagem na presidência deste país.
O atual governo está apenas iniciando e já desrespeita a lei, fura teto e quarentena dos dirigentes de partidos, essa é prática nefasta.
Mas, pra que falar.
Lula é nóis, chifia!!!
Lênio, o ovo foi chocado e nasceu dele um rebento: Bolsonaro.
A culpa é da Lava-Jato ou do tremendo - e quase indestrutível - esquema de corrupção que esta tentou enfrentar?
Se combater corrupção nesse país fosse fácil, a Lava-Jato não precisaria ter existido. Basta ver que todos os condenados estão lá de volta a Brasília.
Ninguém precisa de Sérgio Moro ou Deltran pra explicar pra população que alguma coisa não está certa.
Houve desvirtuamento da operação LJ e também omissão e/ou conivência de parte de setores do sistema judicial. Isso é fato inconteste!
Uma brutal prova dessa conivência, muito além do partidarismo dos integrantes da LJ, foi a absurda, inédita e muito "mal contada", como se diz na gíria popular, tentativa de "sequestro" de 2,5 bilhões de reais pelos integrantes da LJ, para criar uma tal Fundação, a ser abastecida financeiramente, com dinheiro da vítima, ou seja, da Petrobrás.
Até hoje essa insanidade está sob um estrondoso silêncio das autoridades competentes.
Dá preguiça explicar, é como ficar enxugando gelo.
Embora, censurado nos comentários, devo dizer que a laranjato é apenas um filigrana da serpente que pousou no Brasil.
O ataque panoptico com uso de psicologia de massa, psyops, engenharia social, big data, algoritmos foi sem precedentes, parece que as vítima principais eram velhinhos frustrados e ex modelos, ex viciados, ex famosos e homens castrados e castrenses.
A laranjato é apenas um pen-drive que parou nas mãos de playboys que, sem inteligência, viram a chance de salvar o planeta( da cabeça deles), fazer fama e dinheiro.
A estratégia de lawfare foi evidente, sempre chamei de um romance mal escrito e com um final previsível.
A verticalização do capital, a rede Glrobo, UOL...se alinharam para garantir a que a verdade fosse contada.
O ataque foi tão severo, no que se refere que as sessões de comentários de qualquer portal no Brasil era somente de apoio a Laranjato, não importava se havia fol contra ou à favor.
Eu soube da farsa que passaria o Brasil graças a duas pistas, uma bilionário só é preso se for considerado pobre para alguém e dois o Assange liberou documentos não classificados do encontro do Moro com diplomatas americanos.
Quando Snowden liberou a espionagem a Dilma e a Petrobrás, eu já era considerado louco à tempos.
Claro que a Laranjato é uma farsa, até enquadrou Ribeiro Dantas, Toffoli e Falcão para lembrar aos demais velhos ministros o quanto eram corruptos.
Enfim, passou os americanos levaram mais uma vez a bolada e agora temos que discutir a fome novamente neste país.
Lamentável.
Não sou advogado nem jurista, mas, quem precisa disso para saber que o ovo da serpente eclodiu, e você doutor que fez a narrativa da autópsia, provavelmente saberá o perigo que foi a autópsia mau feita e não ter sido feita uma dissecação completa e profissional da maldita serpente que agora nos asfixia.
Por mais que Moro e Dallagnol tenham feito um conluio criminoso, não se pode esquecer que foram devolvidos 4,5 bilhões de propinas.
A maioria dos brasileiros são parciais, incoerentes e desonestos.
Ou estão se fingindo de pseudolouco?
É só um desses implicados na tentativa de golpe contratar o autor do artigo como advogado de defesa e lógico pagando muito bem, em poucas semanas teses surgirão tentando derrubar a acusaçao, aparecendo o acusado como o sujeito mais inocente do mundo. E que esta história de golpismo, tudo isso é uma ilusão.
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