Opinião

Qualquer tentativa de equiparar reações de Israel aos atos do Hamas é uma leviandade

No dia 9 de novembro de 1938 se iniciava na Alemanha o que se denominou a “Noite dos cristais”. Neste trágico dia, lojas, sinagogas e casas de pessoas da comunidade judaica foram pichadas e danificadas.

As autoridades alemãs olharam para o acontecimento sem, no entanto, intervir. O nome Kristallnacht — noite dos Cristais em alemão — deve-se aos milhões de pedaços de vidro partidos que encheram as ruas depois das janelas das lojas, edifícios e sinagogas judaicas terem sido partidas.

Naquela data, internacionalmente, recorda-se e se instituiu a data de combate ao antissemitismo.

9 de novembro de 1938 na Alemanha

Passaram-se 85 anos e novamente vemos situação similar ocorrer pelo mundo. Novamente, há atentados contra estabelecimentos judaicos e pior, agressões contra pessoas, havendo notícias de mortes e, por maior razão ainda, as autoridades não podem e não devem permanecer inertes e ou omissas.

Não se pode tolerar o antissemitismo que é uma forma de racismo, fomentando o ódio, preconceito e intolerância. E grife-se para os desinformados — isso é crime no Brasil — e muitas vezes vem travestido de falaciosas colocações e de até antissionismo.

Nesse sentido, qualquer tentativa de equivocadamente equiparar as reações de Israel aos atos terroristas do Hamas é uma leviandade. É preciso relembrar os fatos do início do mês de outubro: os terroristas do Hamas, os fardados e os travestidos de civis, invadiram Israel e mataram 1.400 israelenses e cidadãos de todo o mundo. Homens, mulheres, crianças, idosos, jovens que se divertiam em uma festa, famílias inteiras dentro de suas casas… Como se a covardia e a brutalidade não pudessem piorar, filmaram e publicaram muitos dos crimes, conforme vimos nos dias subsequentes. E parece-nos que o mundo esqueceu dessa barbárie??!!!

Não satisfeitos, retornaram à Faixa de Gaza levando consigo mais de duas centenas de reféns. Segundo a última atualização da agência de notícias Reuters, ainda são 229 pessoas em poder dos terroristas, inclusive 33 crianças, alguns bebês ainda.

Inacreditável que no Brasil ainda tenha alguém que não diga que isso é terrorismo???!!! Todas as ações seriam classificadas como crime hediondo, organização criminosa e terrorismo???!!!

Utilizando-se do quanto dispõe o artigo 2º da Lei 13260-16 verifica-se que os fatos narrados antes e agora se enquadram perfeitamente à norma citada, verbis: “O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.

Ademais, traçado o retrato do ocorrido, não precisamos do auxílio de casos hipotéticos para analisar a situação. Não há singeleza de palavras ou abstração que suavize o que aconteceu em Israel, e continua acontecendo em Gaza desde o último 7 de outubro. Todos os dias — há exato um mês — Israel é bombardeado de forma incessante e por isso, deve e pode se defender.

Diante da brutalidade da realidade, não se pode tergiversar com exemplos hipotéticos, como de ônibus sequestrado, invasão de comunidades ou outros que não se aplicam àquela realidade. Todos já estariam mortos pela ação do sequestrador que, provavelmente, ainda teria encontrado uma maneira de aumentar seu poder destrutivo utilizando seus reféns. Nessas conjecturas utilizadas como um paralelo do conflito Israel x Hamas, tratar a ação do Hamas como crime de guerra e a retaliação de Israel, como crimes contra a humanidade, é mais que injusto e desproporcional, mas absolutamente falso, e extremamente equivocado.

A reação do Estado de Israel, o único Estado Democrático do Oriente Médio, uma democracia estabelecida há 75 anos, é baseada no direito natural à legítima defesa, individual ou coletiva, contra atos terroristas. 
Em Israel, há direitos, liberdade, igualdade, Justiça e democracia, o que nunca se viu ou se vê em seus vizinhos, ainda mais em Gaza, administrada pelos terroristas que oprimem seu próprio povo, desviam valores, usam o dinheiro recebido para luxo pessoal, compra de armas e que somente semeiam o ódio, e, planejam violência.

Sob qualquer prisma que se queira observar, os ataques do Hamas são facilmente classificados como crimes contra a humanidade por sua sistemática difusão contra a população civil. Quem disse isso foi Luis Moreno Ocampo, promotor chefe do Tribunal Penal Internacional entre 2002 e 2012. Ocampo ainda ressaltou que a captura de reféns é considerada crime de guerra e as ações do Hamas podem também ser qualificadas como genocídio porque o grupo tem como seu princípio, a intenção de destruir Israel.

Isso, aliás, não é segredo para ninguém. Segundo o citado Estatuto, considerado uma espécie de constituição que rege os atos do grupo e a vida na Faixa de Gaza, a “luta contra os judeus é muito longa e muito séria e exige todos os esforços sinceros”. Entre os esforços estão a aniquilação de Israel e o ataque ao sionismo (“Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer” e “Deixar o círculo do conflito com o sionismo é um ato de alta traição”, na introdução do texto e artigo 32); a morte dos judeus (“A hora do julgamento não chegará até que os muçulmanos combatam os judeus e terminem por matá-los”, artigo 7º); a estratégia jihadista (“A Jihad para a libertação da Palestina é um dever” e “não há solução para o problema palestino a não ser pela Jihad”, artigos 15 e 13); e o repúdio às tentativas de paz (“As iniciativas, as assim chamadas soluções pacíficas, e conferências internacionais para resolver o problema palestino se acham em contradição com os princípios do Movimento de Resistência Islâmica, pois ceder uma parte da Palestina é negligenciar parte da fé islâmica”, artigo 13).

E seu líder, escondido e vivendo de forma luxuosa com os bilhões que desviou, afirmou que eles não descansarão e repetirão os atos do dia 7 de outubro. Chegando-se a dizer que não se preocupa com a vida dos civis palestinos que devem ser protegidos por Israel e as Nações Unidas, sarcasticamente pouco se importando que os usam como escudos. E muito menos respondendo porque o Hamas coloca arsenais de armas ao lado ou embaixo de hospitais, escolas e mesquitas???!!!

Não restam dúvidas diante dos termos, que essa organização criminosa terrorista não luta pela criação de um Estado Palestino, mas por um projeto criminoso de antissemitismo, querendo reviver, a seu tempo e modo, a “noite dos cristais”. Porém, Israel não permitirá que isso ocorra e muito menos o mundo civilizado, deixará que essa onda racista volte a acontecer.

Aliando-se a isso, inúmeros países se solidarizaram com Israel, bem como o Parlamento Europeu, externando estrito apoio ao direito de autodefesa, ainda mais que todos são sabedores que o crescimento desse terror atingirá seus países e causará abalo aos princípios do mundo democrático.

E afirma-se com veemência — a guerra de Israel não é contra o povo palestino e sim contra os terroristas. Israel persegue a paz há anos e estava para assinar acordo com diversos países árabes, inclusive Arábia Saudita, e esse ataque criminoso quis abalar e evitar que isso ocorresse, obviamente com financiamento, incentivo e interesse direto do Irã. 
Ressalte-se e se afaste qualquer ambiguidade: o Hamas não é representante do povo palestino, apenas uma das suas lideranças. O “apenas” também deve ser encarado com ressalva, visto que o grupo domina desde 2007 a Faixa de Gaza, com mais de 2 milhões de habitantes. 

Mesmo diante do poder local do grupo, ele não é unanimidade nem mesmo neste território e, não podemos esquecer, possui divergências fundamentais com outras lideranças palestinas, em especial as favoráveis às negociações de paz e coexistência entre palestinos e judeus, como o Fatah, líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), cujo primeiro presidente foi Yasser Arafat. Sobre os ataques recentes, o atual presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afirmou que as ações do grupo extremista não representam o povo palestino.

E concordamos: a necessidade de um Estado Palestino. Disso não há dúvidas.

Aliás, todo judeu coerente e sensato admite o direito de autodeterminação do povo palestino, da mesma forma que protege o mesmo direito de autodeterminação do povo judeu, configurado no Estado de Israel. Por essa razão, a conquista de um Estado Palestino não pode ser alicerçada em bases terroristas pois, se assim acontecer, nunca teremos paz.

Daniel Leon Bialski

é advogado criminalista, mestre em Processo Penal pela PUC-SP, sócio do escritório Bialski Advogados e membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

Roberto Podval

é advogado criminalista.

Emilio A Paschoal disse:
09 de novembro de 2023 às 20:20

Daniel e Roberto, criminalistas com notórias atuações humanistas, com este artigo, lembram-nos da importância de repudiarmos todo tipo de discriminação, mas além, refletirmos sobre a necessidade de uma sociedade justa e tolerante nas suas divergências políticas, sociais, econômicas, religiosas...

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
10 de novembro de 2023 às 07:05

Israel tem o direito de se defender. O antissemitismo é inaceitável. Assisti no jornal H1 - Hora 1 as 4 da manhã de ontem, o secretário geral da ONU- Gutierrez, dizer que tem alguma coisa de errada nas operações militares de Israel. Como explicar a morte de 10.500 civis ? Eram todos terroristas ? É inadmissível o bombardeio de um campo de refugiados, ainda que se admita existir ali uma célula terrorista. Muito fácil jogar uma bomba e matar 10 terroristas e ainda 80 civis inocentes. Em vez de jogar a bomba e fazer todo esse estrago, que desça do aviao, vá pessoalmente brigar com os terroristas. Muitos países deram apoio, mas ninguém quer associar seu apoio a um genocídio. Ainda mais quando pretendem se reeleger em seus países. Quantos mais palestinos irão morrer até o fim da guerra ? 30 mil, 50 mil ? Mas a verdade que toda essa matança ocorre, porque em todos os escalões do governo e do exército de Israel, tem gente com raiva é quer vingança. Até ventilaram a idéia de transferir os 2 milhões de palestinos para o Senai no Egito.

Carlos disse:
10 de novembro de 2023 às 10:03

Deus defenda-me dos humanistas que pregam o direito natural à "legítima" defesa para o invasor.

Rodrigo disse:
10 de novembro de 2023 às 11:33

Texto falso e patético. Abrir com uma justa solidariedade ao povo judeu para justificar o massacre do povo palestino. "Esquecem" de mencionar que a clara motivação de Israel, comandado pela extrema direita, é a opressão e posse de um território que não lhes pertence. Isso hoje, após os trágicos e condenáveis atos perpetrados por terroristas do Hamas, e mesmo antes - quando, há época, o próprio Netanyahu supria e fortalecia o Hamas na região. Nada justifica o massacre a população civil, o bombardeio indiscriminado a hospitais, o assassinato de jornalistas (não esquecemos de Shireen Abu Akleh) e a tomada forçada de terras e casas de um povo. Em Gaza e na Cisjordânia, onde, inclusive, não há Hamas. E igualmente falsa e patética a afirmação de que "Israel é a única democracia do oriente-médio", enquanto somos informados de diversas ações de repressão ao próprio povo que não concorda com os atos praticados por um Estado sanguinário.

Vocês deveriam se envergonhar de publicar tal peça de propaganda, os autores e esse veículo.

Samuel disse:
10 de novembro de 2023 às 14:19

Parabéns aos autores. É preciso que as vozes se levantem contra o absurdo que está em curso. Onde já se viu um país sofrer um ataque tão brutal e covarde e ser em seguida atacado por se defender?! Certamente não há paralelo na História.

E é preciso lembrar que o Hamas não atacou Israel somente em 07/10/2023. Os ataques com foguetes são praticamente diários! Não fosse a moderna e poderosa tecnologia desenvolvida pelos israelenses com o chamado "Domo de Ferro" seriam milhares de vítimas todos os anos!

A verdade é que os palestinos são vítimas do Hamas e de outras lideranças árabes desumanas, que não aceitam sequer a existência de Israel. Houvessem aceitado a partilha de território estabelecida pela ONU em 1947 e muitos milhares de vidas humanas teriam sido poupadas.

E aos que odeiam Israel, é preciso dizer: se Hitler surgisse hoje, vocês seriam seus apoiadores. Não adianta chamar os outros de fascistas. Olhem-se no espelho.

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
10 de novembro de 2023 às 17:09

Só passando aqui pra lembrar aos evangélicos que costumam apoiar Israel de forma incondicional, que JESUS não gosta de guerras, armas, injustiça e nem morte de inocentes, muito menos criancinhas seja de que lado for.

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
10 de novembro de 2023 às 20:24

Conforme Jornal Nacional, agora são 12.400. Alguém explica isso ?

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