Ajufe rebate declaração de Dilma contra reajuste de juízes

O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy, rebateu, na quarta-feira (10/8), a declaração atribuída à presidente Dilma Rousseff de que o Judiciário tem de se adequar à necessidade de contenção de gastos públicos, no momento em que os magistrados estão em campanha para reajustar os seus vencimentos. O presidente da Associação também ressaltou a possibilidade de greve por parte dos magistrados caso o reajuste seja negado. “Não assiste razão à presidente. O Poder Judiciário está há seis anos e meio com uma defasagem nos subsídios dos juízes que supera os 30%. Os magistrados receberam apenas uma reposição inflacionária no ano de 2009, de 8,88%, enquanto o IPCA e INPC superaram os 35%”, afirmou Wedy.

A presidente Dilma Rousseff, na reunião do Conselho Político esta semana, teria pedido aos conselheiros que ajudem o governo a conter os gastos públicos, nem que seja necessário o Congresso recusar a demanda de aumento salarial do Judiciário. Ela teria dito, também, que as crises políticas agravaram a crise financeira, mas que “tudo começa no Judiciário”, em referência ao efeito dominó do aumento do teto do funcionalismo público, que é igual aos subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Ao conhecer da possível declaração de Dilma, o presidente da Ajufe divulgou nota em que lembra que a entidade já ajuizou dois mandados de injunção, no STF, para que o reajuste dos magistrados seja concedido por decisão judicial, “como determina a Magna Carta de 1988”. Ele ressalta que o Executivo e o Legislativo tiveram aumento no percentual de 64%, do qual o Judiciário foi excluído. Wedy ressalta dispositivos da Constituição Federal, nos quais determinam que os subsídios dos juízes sejam atualizados juntamente com o teto constitucional, anualmente (artigo 37, inciso 10).

A nota da Ajufe explica que o projeto de lei orçamentária para o próximo ano — apresentado pelo STF ao governo e ao Congresso — tem um custo de R$ 614 milhões, contemplando nessa conta também a revisão dos subsídios dos juízes. “Não existe argumento plausível, senão o profundo e reiterado desrespeito à toga e a um dos poderes do Estado, a afirmação de que os juízes ficarão mais um ano sem a reposição inflacionária em seus subsídios”, protesta Gabriel Wedy.

A nota da Ajufe menciona que a assembleia marcada pelos juízes federais para a próxima quarta-feira, dia 17, “pode redundar em greve, paralisação ou ato conjunto de protesto com as demais entidades de classe nacionais da magistratura e do Ministério Público, no próximo dia 21 de setembro, no Congresso Nacional, com posterior marcha até o STF e ao Palácio do Planalto, em defesa da ‘Valorização do Poder Judiciário e Ministério Público’, por maior independência e segurança”. Com informações da Assessoria de Imprensa da Associação dos Juízes Federais do Brasil 

Guilherme Pulis disse:
12 de agosto de 2011 às 18:26

A negativa da Presidente é bizarra. Porém, ainda mais abominável do que esta negação é a necessidade de juízes marcharem por reposição que já é ordenada pela Constituição...

Marcos Alves Pintar disse:
12 de agosto de 2011 às 19:44

A AJUFE vai dar um belo tiro no pé com essa "marcha". Há algumas semanas o Conselho Nacional de Justiça autorizou os TRFs a pagar uma gratificação absolutamente indevida aos juízes federais. Fizeram um raciocínio de que 2 + 2 = 8, e uma equiparação com o Ministério Público Federal sem pé nem cabeça, e quando as manifestações ocorrerem isso será jogado na cara de todos os magistrados federais. A massa da população já não gosta de juízes federais, muitas vezes imotivadamente, e quando tomarem conhecimento dos fatos a revolta será geral. Enfim, um tiro no pé.

Radar disse:
12 de agosto de 2011 às 21:29

Os juízes reclamam por reajustes, e com razão. O restante dos servidores do judiciário federal, também está sem qualquer reajuste desde 2006 (5 anos). Seus vencimentos estão se esvaindo por causa da inflação do período. Alguma coisa a presidenta tem de conceder. Afinal, até quando o governo pretende jogar sobre os ombros do funcionalismo a responsabilidade pelo superavit? Reajuste zero, e eternamente? Não só os servidores, mas também a presidenta deve obediência à Constituição, que determina a revisão salarial periódica.

JPLima disse:
12 de agosto de 2011 às 23:32

O Brasil virou uma Zona mesmo. O pior é que não se vislumbra a possibilidade de melhora. Quem sabe talves daqui a uns 20 ou 30 anos.....

Flávio Souza disse:
12 de agosto de 2011 às 23:54

Presidenta Dilma vc é a presidenta do Brasil. Foi eleita pela maioria, portanto, todos tem que obedecê-la. Não recue e tampouco intimide-se com qualquer tipo de manifestação do tipo marcha, greve, paralisação, cpi´s, etc etc. Se o governo atender o que todos pedem, o Brasil vai a falência. É preciso antes de dar aumento ao Judiciário, melhorar as leis e enxugar os inúmeros tipos de recursos ofertados e então não será preciso criar tribunais, varas, criação de novos cargos, etc etc. A máquina judiciária é pesada para o país. É preciso primeiro investir em educação e saúde. Se a presidente autorizar o aumento dos ministros do STF, haverá o efeito cascata em relação aos tribunais federais e estaduais e de quebra, outras categorias que remuneram seus servidores via subsídios requisitarão igual benefício.

Bonasser disse:
13 de agosto de 2011 às 13:48

"nem que seja necessário o Congresso recusar a demanda de aumento salarial do Judiciário"
No que a dilma menciona o que está acima, vejo que ela desconhece a constituição dos Poderes da Republica, no Brasil.
Vejo como temeraria essa atitude da Dilma que ao que parece ainda não assimilou que ocupa o maiaor cargo publico do País.
Ela não tem que definir comoo Congresso deverá se posicionar, encontra-se perdida, creio.
Um abraço a todos.
Carlos Bonasser.

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
13 de agosto de 2011 às 14:21

A tal da Ajufe, de maneira pueril, se julga acima do bem e do mal. A bem da verdade, a maior cretinice forjada pelo inconsequente legislador de 1988, foi exatamente a maldita IGUALDADE DE PODERES! É sabido e ressabido que o cidadão, contribuinte e jurisdicionado NÃO elege magistrado. Sem levarmos em consideração inúmeras denúncias de fraude em concursos de ingresso na magistratura,contudo, a sissomia já está entronizada, mas, bastaria uma EC para acabar de vez com essa arrogância da tal Ajufe e outras entidades classistas que tanto defendem - apaixonadamente - os nem sempre éticos e responsáveis interesses de seus abnegados sócios magistrados: ELEIÇÕES DIRETAS JÁ PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA! E, longe de falar-se em utopia, basta estabelecer um criterioso currículo e submeter ao crivo do cidaddão, contribuinte e jurisdicionado. ELEIÇÕES DIRETAS E JÁ PARA O INGRESSO NA MAGISTRATURA, por ora, em seguida para o QUARTO PODER: MINISTÉRIO PÚBLICO! Vamos divulgar esta boa e salutar idéia aos quatro cantos deste país!!!

Flávio Souza disse:
13 de agosto de 2011 às 19:46

Concordo com o pronunciamento do Dr. Paulo Jorge Andrade Trinchão (Advogado Autônomo), com uma ressalva, ou seja, que a eleição atinja apenas cargos nas esferas maior do Judiciário, quer seja, TST, TSE, CNJ, STF, STJ e Plenos dos TJ´s. E de quebra, o Legislativo deve abolir o ingresso via quinto constitucional. Feito isso, não devemos esquecer de que é importante estudarmos no sentido de instituir tempo de mandato para quem vier ser eleito. E mais: o eleito não tem direito a aposentadoria integral, salvo se já tiver esse direito garantido pela lei. Imagine uma pessoa que é contribuinte do INSS por longos 25 anos e derepente ocupa um cargo destes por 10 anos e já tem direito a aposentadoria integral, p.ex: um governador de Estado que ocupa o cargo por oito anos e já garante aposentadoria integral. Será que essa mordomia tb não existe noutras esferas?.

Daniel André Köhler Berthold disse:
13 de agosto de 2011 às 19:48

Não entendi o comentário anterior.
Se os juízes fossem eleitos, teriam que conformar-se em ficar, anos e anos, sem seus subsídios atualizados, nem mesmo de acordo com a inflação?
É isso que um advogado realmente deseja: juízes submissos, que não podem lutar por seus direitos? Como ele ajuizaria uma demanda contra a União?

Daniel André Köhler Berthold disse:
13 de agosto de 2011 às 19:49

Quando os subsídios dos magistrados foram reajustados pela última vez, o salário mínimo valia R$300,00. Hoje, vale R$545,00, isto é, acréscimo de 81,67%.

. disse:
15 de agosto de 2011 às 14:47

Se houvesse eleição para juízes no Brasil, correriamos o risco de eleger o Palocci (que fecharia sua consultoria), o Lula (com todo o seu saber jurídico). Também participariam da eleição os antigos terroristas (hoje no poder), os quais manteriam suas sentenças de morte (como eram habituados a fazer no passado, explodindo os corpos dos réus com bombas, como fizeram com o soldado do Exército, Mario Kozel Filho ou, ainda, estourariam a cabeça dos condenados a pauladas, como fizeram com o Tenente Alberto Mendes Júnior, da Polícia Militar de São Paulo. Ironias a parte, precisamos de juízes concursados, MAS NÃO MEROS DECORADORES DE LEIS E CÓDIGOS. Precisamos de juízes com idade suficiente para julgar e fazer justiça, não penas "aplicar a lei". Precisamos, não de rapazes que pretendem, apenas, ter seus carrões importados para as baladas de final de semana e moçoilas interessadas em manter arranjados seus lindos cabelos bem cuidados para receber elogios e fazer inveja às outras mulheres. Estamos cansados de pessoas interessadas apenas nos altos salários, sem a correspondente contraprestação. Não se admite que magistrados(as) continuem empurrando todo o trabalho para os abnegados servidores, que não tem hora para sair, porque não terminaram seu serviço. A velha história de que juízes levam trabalho para casa já não funciona mais, pois mentirosa. É preciso acabar com as mordomias, como férias de 60 dias, carros para conduzir membros de tribunais e, principalmente, colocar-se juízes com idade superior a 35 ou 40 anos, com vocação e maturidade para desempenhar missão que é nobre, mas também aviltada por muitos de seus membros.

Daniel André Köhler Berthold disse:
15 de agosto de 2011 às 18:57

Enquanto continuarem escrevendo que juiz não leva trabalho para casa, continuarei escrevendo que leva, sim. Ao menos, no meu Estado, onde se trabalha muito, muito além das 8h diárias e 44 semanais, de modo que subtrair as férias de 60 dias e instituir horas-extras seria um enorme prejuízo econômico para a sociedade.
O contraponto é necessário para que não aconteça o preconizado por Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler: uma mentira dita cem vezes passa a ser verdade.

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