Juízes do Rio abrem sigilos bancário e fiscal em apoio a ação do CNJ

Cinco juízes do Rio de Janeiro decidiram abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico em apoio às investigações do Conselho Nacional de Justiça sobre movimentação financeira dos magistrados. "Sou dos que não confundem pedido de informação sobre folha de pagamento com quebra de sigilo. Minha decisão é para fortalecer o poder do CNJ", disse João Batista Damasceno, juiz titular da 7ª Vara Cível da Comarca de Nova Iguaçu (RJ). As informações são do Estadão.com.br.

Além de Damasceno, o juiz Marcos Peixoto e os desembargadores Siro Darlan, Rogério Oliveira e Márcia Perrini também abriram mão do sigilo. O presidente do TJ-RJ, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, que não acompanhará os juízes, disse que respeita as decisões individuais, mas acha suficiente a prestação de contas que faz anualmente à Receita Federal na declaração de Imposto de Renda.

O juiz João Batista Damasceno acredita que há um grande exagero na reação dos magistrados à decisão da corregedora do CNJ de investigar movimentações financeiras dos juízes. "As pessoas estão se manifestando contra a quebra de sigilo como se estivéssemos vivendo um movimento de caça às bruxas. É uma reação desproporcional. O fato é muito simples. O Coaf identificou movimentação atípica. É só justificar e acabou", diz.

Caso paulista
Ao asumir a presidência do Tribunal de Justiça, nesta segunda-feira (2/1), o desembargador Ivan Sartori disse que também abriria mão de seu sigilo fiscal em nome da transparência, mas fez ressalvas à atuação do CNJ. "Abro tudo, não tenho o que temer. Minha vida é um livro aberto. O que não pode é alguém invadir o sigilo fiscal de outro sem ordem judicial", afirmou o desembargador.

Na ocasião, Sartori prometeu investigar o pagamento indevido de benefícios aos magistrados paulistas. "Vou chamar um a um. Esse procedimento (de investigação) vai andar", garantiu. Ele lembrou que os pagamentos de benefícios são verbas devidas aos magistrados, recebidos geralmente de forma parcelada.

Dados sigilosos
Na origem de toda a polêmica sobre o sigilo fiscal dos magistrados está a iniciativa da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, no início de dezembro, de investigar a existência de pagamentos ilegais e a evolução patrimonial anormal de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo. As suspeitas de irregularidades foram levantadas a partir de levantamentos da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividade Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda. 

Uma equipe composta por auditores do Tribunal de Contas da União e do Coaf  está averiguando se um grupo de 17 desembargadores recebeu verbas do tribunal que não foram pagas aos demais magistrados. O CNJ quer saber quem são os responsáveis pelos pagamentos e seus motivos. Além disso, a equipe vai verificar a evolução patrimonial de juízes para saber se há compatibilidade dos bens declarados com os seus rendimentos.

A corregedoria do CNJ intensificou, nos últimos meses, uma apuração sobre os bens dos juízes, por meio de parcerias com os órgãos de fiscalização. O patrimônio de 62 magistrados de todo o país está na mira do CNJ sob acusação de venda de sentenças e enriquecimento ilícito.

A iniciativa do CNJ provocou uma intensa reação de associações de classe da magistratura que recorreram à Justiça pedindo que sejam definidos os limites dos poderes do Conselho e contestando sua competência para quebrar o sigilo financeiro dos juízes.

daniel disse:
02 de janeiro de 2012 às 20:25

Por isto os juízes PAULISTAS estão tremendo de medo do CNJ .....

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
02 de janeiro de 2012 às 21:04

Primeiramente parabenizo os bravos magistrados, que reconhecem, com essa louvável atitude, que os magistrados não são diferentes dos outros pobres mortais que lhes pagam os vossos vencimentos. Sem dúvida nenhuma, a Corregedoria do CNJ está no caminho certo. O cidadão, contribuinte e jurisdicionado clama por absoluta transparência no Poder Judiciário brasileiro, e, portanto, os seus membros não podem - com justificativas ilógicas e inconsistentes - refutar o nobre trabalho da preclara Corregedora Nacional ministra Eliana Calmon.

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
02 de janeiro de 2012 às 21:09

O cidadão brasileiro clama e exige transparência no Poder Judiciário. Qumem deve não tem o que temer! O CNJ tem que ser preservado com os poderes que lhes são inerentes, nada de fragilizá-lo, permitindo, destarte, sobrevida perigosa aos julgadores malfeitores!

Luciano Godoi disse:
02 de janeiro de 2012 às 23:03

Realmente foram bem transparentes os magistrados em referência!
Deixaram claro a não confusão entre pedido de informações e quebra de sigilo!

José Henrique disse:
02 de janeiro de 2012 às 23:26

Eu acho que autoridades públicas e gestores de dinheiro público não deveriam ter direito ao sigilo bancário, telefônico etc.

Marcos Alves Pintar disse:
02 de janeiro de 2012 às 23:31

Parabens aos Magistrados. Ações como essa nos faz lembrar que ainda há homens honestos nesta República.

ziminguimba disse:
03 de janeiro de 2012 às 05:24

O que está faltando é o povo ir as ruas protestar contra esses corruptos, que só fazem macular a imagem do judiciário que custa tão caro ao cidadão que paga altos impostos para a sua manutenção, incluindo os autos salários e todas as mordomias dos juizes de todas as intâncias, vamos as ruas protestar com toda austeridade necessária, vamos cobrar respeito e uma nova lei da magistratura dentro da realidade atual.
Brasil país dos corruptos.

Fernando Casado disse:
03 de janeiro de 2012 às 08:06

Parabéns aos Nobres Magistrados!
.
Fica absolutamente claro que quem não deve não teme. Todo e qualquer servidor público tem a obrigação de transparência quanto aos valores movimentados em conta, pois o munus público assim o exige.
.
Belo exemplo vindo do Rio de Janeiro.

Resec disse:
03 de janeiro de 2012 às 09:26

NÃO TEME !

NARDO ALCEU FERNANDES MARQUES disse:
03 de janeiro de 2012 às 09:38

Louvavel a atitude dos magistrados cariocas, "quem não deve não treme".
Agora faz confusão induzida o novo presidente do TJRJ, a quebra do sigilo, emitida pelas irregulares moviemtnações dos magistrados segundo informe do COAF, já é suficiente para suspeitas, de outro lado, a quebra foi efetuado por Ministra do STJ e Corregedora do CNJ, isto é, Judicial.
Portanto, não é adquada a manifestação.
Evidente que o CNJ é por corregedora que é magistrada, assim é judicial a quebra.

Rui Telmo Fontoura Ferreira disse:
03 de janeiro de 2012 às 10:18

Prezados Senhores,
Paz e Bem!
Precisamos, urgentemente, moralizar os nossos atos, atitudes e cultivo de valores. E, essa, iniciativa, vem contribuir de uma maneira eficaz, ao sentimento democrático, que tanto desejamos, como compromisso pessoal de vida plena, transformação e mudança na estrutura social, politica e econômica deste País.
Cordialmente,
RT

Paulo Magalhães Araujo disse:
03 de janeiro de 2012 às 11:11

Meus efusivos parabéns a esses honrados magistrados. Quisera que os demais juízes acompanhassem essa decisão. O sigilo bancário e fiscal deveria ser proibido aos servidores públicos - TODOS.

Daniel André Köhler Berthold disse:
08 de janeiro de 2012 às 10:48

Se não devem existir sigilos para os servidores públicos, por que eles deveriam continuar a existir para outras pessoas, advogados, por exemplo, que recebem quantias de clientes e, às vezes, do Poder Público? Por que deveriam continuar existindo sigilos das empreiteiras e de seus sócios-controladores?
Advogados abririam mão da inviolabilidade de seus escritórios? Se não, por quÊ? Afinal, como se cansou de eswcrever nos comentários: quem não deve não teme.
É só para refletirmos sobre que, se tiro as garantias de meu vizinho, as minhas poderão ser tiradas em seguida.

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