Reunião para conciliação entre TJ-SP, PGJ-SP e CNJ termina sem acordo

O possível desalojamento dos membros do Ministério Público de São Paulo continua sem definição. Depois de duas horas, reunião de conciliação entre a Procuradoria-Geral de Justiça, a Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo e o Conselho Nacional de Justiça exaltou os ânimos de todos, mas não chegou a nenhum resultado.

O encontro aconteceu na tarde desta segunda-feira (6/5), na sala da Presidência do TJ. As três entidades se reuniram a portas fechadas para discutir despacho do presidente do tribunal, desembargador Ivan Sartori, que determinou a todos os membros do MP que ocupam salas em varas e fóruns que as desocupem. Contrário à decisão de Sartori, o procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa foi ao CNJ contestar a ordem. O relator é o conselheiro Guilherme Vasi Werner, também presente à reunião.

A decisão de Sartori veio pela necessidade de o Judiciário de São Paulo ampliar sua capacidade de atendimento. O plano do presidente é melhorar a estrutura da primeira instância, mas para isso precisa ampliar as varas e fóruns e instalar novos cartórios. Daí a necessidade de “desalojar” 532 promotores e 1.290 servidores de 58 prédios forenses, segundo a conta do MP de São Paulo.

Márcio Rosa reclama que o TJ não deu tempo hábil para que os promotores deixem os espaços que ocupam nos espaços nas varas, fóruns e cartórios. Ele também alega que o TJ invadiu sua competência, como procurador-geral, ao tratar da ocupação de espaços físicos por procuradores. Uma das soluções sugeridas por Ivan Sartori é que o MP passe a ocupar prédios próprios, mas Márcio Rosa afirma que ainda seria necessário avaliar as consequências jurídicas e orçamentárias da proposta.

Portas fechadas
Como não houve acordo, a solução encontrada por Márcio Elias Rosa foi ir ao CNJ. Lá ele alegou que para realojar os promotores em prédios próprios, seria necessário investi R$ 2,9 bilhões. "A situação de risco iminente gerada pela atitude unilateral da Presidência do TJ repercute e repercutirá diretamente na continuidade da prestação de serviços à comunidade, pelo Ministério Público, e por parte do próprio Poder Judiciário", afirmou Rosa, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

O encontro desta segunda foi para uma tentativa de acordo, mas deixou a todos irritados. O conselheiro Guilherme Werner lamentou o resultado. “A ideia era que as partes pudessem chegar a um acordo espontâneo, mas infelizmente isso não foi possível desta vez. Espero que haja outra reunião, porque também espero que o CNJ não tenha que apreciar esses argumentos”, disse o conselheiro, depois da conversa.

A pedido de Werner, a reunião aconteceu a portas fechadas. Jornalistas e membros da Associação Paulista do Ministério Público (APMP) foram proibidos de acompanhar as negociações, apesar de o TJ e a PGJ terem autorizado, e até pedido, que todos estivessem presentes.

Márcio Elias Rosa saiu da reunião visivelmente contrariado e não quis falar com a imprensa. O presidente do TJ, sem sair de sua sala, disse achar melhor que apenas o conselheiro Werner, julgador imparcial, desse declarações por ora.

Pedro Canário

é jornalista.

Pek Cop disse:
07 de maio de 2013 às 08:17

Curiosa a posição do Dr. Ivan...Procurador pode tudo e Promotor é tratado como intruso parecido com lixo...tem Promotor que vale muito mais que certos Desembargadores e que Procuradores!!!

DrCar disse:
07 de maio de 2013 às 08:24

Esse TJSP é mesmo uma instituição dificil de se lidar., Pregam, e muitos advogados babacas vão na deles, concioliando partes pelosimples prazer de pensar qie são juizes. O TJ prega a conciliação aos 4 cantos do mundo, chegou a ditar sentenças ridículas em ações de danos morais, forçando e desestimulando o jurisdicionado a não procurar seus direitos diante das míseras condenações. Querem a conciliação a qualquer custo, quando chega a vez do TJ conciliar, nega, como nas tentativas quando da implantação do PJe, e aquilo que pensavamos, é hoje realidade, o TJ não tem estrutura para esse processo. Por que reuniuão em sala fechadad? Pra não ser divulgado sua posição de anti-conciliador???

DrCar disse:
07 de maio de 2013 às 08:24

Esse TJSP é mesmo uma instituição dificil de se lidar., Pregam, e muitos advogados babacas vão na deles, concioliando partes pelosimples prazer de pensar qie são juizes. O TJ prega a conciliação aos 4 cantos do mundo, chegou a ditar sentenças ridículas em ações de danos morais, forçando e desestimulando o jurisdicionado a não procurar seus direitos diante das míseras condenações. Querem a conciliação a qualquer custo, quando chega a vez do TJ conciliar, nega, como nas tentativas quando da implantação do PJe, e aquilo que pensavamos, é hoje realidade, o TJ não tem estrutura para esse processo. Por que reuniuão em sala fechadad? Pra não ser divulgado sua posição de anti-conciliador???

Bellbird disse:
07 de maio de 2013 às 09:01

O prédio é do TJSP e não do MPSP. Assim quem administra é o TJSP. Não há que se esperar um acordo, pois somente uma parte tem direito. Se o TJ permitir, será uma mera concessão.

Bellbird disse:
07 de maio de 2013 às 09:01

O prédio é do TJSP e não do MPSP. Assim quem administra é o TJSP. Não há que se esperar um acordo, pois somente uma parte tem direito. Se o TJ permitir, será uma mera concessão.

Paulo S. de Carvalho disse:
07 de maio de 2013 às 10:38

Em homenagem ao princípio da paridade de armas, sou favorável a instalação tanto do Ministério Público, quanto da Defensoria Pública, em local próprio, fora dos prédios pertencentes ao Poder Judiciário. Com a ressalva de que deve-se garantir instalação mínima à execução de alguma tarefas, do modo que acontece com a OAB.
Entretanto, a mudança não pode ocorrer como uma "ordem de despejo". Afinal, cortesia nunca é demais!

Marcos Alves Pintar disse:
07 de maio de 2013 às 13:25

A questão merece uma análise sob duas óticas. Em primeiro lugar, a função do Poder Judiciário é administrar a justiça no caso concreto, sendo obrigação deste Poder propiciar condições adequadas de trabalho a todos os envolvidos com sua missão institucional. E isso inclui ceder espaço a advogados, bancos, e membros do Ministério Público, a fim de facilitar o trabalho de todos, sem qualquer discriminação. Por outro lado, é pública e notória a falta de recursos do Judiciário paulista, COM A COMPLETA E ABSOLUTA conivência do Ministério Público, que não quer se indispor com o Governador do Estado ao solicitar mais recursos. O Ministério Público, se quisesse, já teria ingressado com diversas ações civis públicas visando obrigar o Estado a fornecer instalações adequadas ao Poder Judiciário, mas não o fez visando alinhamento político e vantagens pessoais em favor de seus membros. Assim, sob meu ponto de vista considero como acertada a opção do Presidente do TJSP em "expulsar" os membros do Ministério Público dos fóruns. Quem sabe a iniciativa faça com que o Parquet comece a trabalhar, e obrigue o Estado a de fato fazer os investimentos que o Poder Judiciário paulista precise.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.