Claudio Lamachia é eleito presidente do Conselho Federal da OAB

Na tarde deste domingo (31/1), o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil elegeu Claudio Lamachia como seu presidente. A eleição era esperada, uma vez que apenas a chapa "Advocacia, Ética e Cidadania" concorria ao pleito e, já em outubro de 2014, mais de um ano antes das eleições, representantes de 26 seccionais da OAB assinaram uma carta em apoio a Lamachia.

Eugênio Novaes/OAB

Lamachia é eleito presidente do Conselho Federal da OAB neste domingo.
Reprodução

A seccional paulista da OAB, única que havia ficado de fora da carta, manifestou seu apoio ao novo presidente nas urnas. A eleição deste domingo foi quase unânime: 80 dos 81 votantes (três representantes de cada seccional) escolheram Lamachia; um votou em branco.

Em seu discurso, o gaúcho agradeceu ao antecessor, Marcus Vinicius Furtado Coêlho ("Meu amigo irmão"), e defendeu as prerrogativas da magistratura e do Ministério Público. "Vamos defender uma magistratura que receba subsídios dignos, que receba bem, mas nos termos da Constituição."

Lamachia prometeu ainda debater todos os temas que interessam ao Brasil de forma aberta e disse que é preciso enfrentar a corrupção. "Continuaremos buscando a moralização dos costumes políticos. Vivemos uma crise ética sem precedentes, que está contaminando todos os setores da sociedade. E a OAB tem sido chamada como nunca a participar desse debate. Ela não faltou no passado, não falta no presente nem faltará no futuro", concluiu.

Personalidades e familiares
Lotada, a sessão começou às 18h25 e recebeu personalidades do mundo jurídico e familiares de conselheiros. O Conselho Federal da OAB aplaudiu o novo líder, que é conhecido por manter um diálogo constante com autoridades, e também homenageou o ex-presidente Hermann Baeta, que morreu no dia 22 de janeiro.

O evento teve clima de despedida da atual diretoria e contou com o lançamento de vários livros, entre eles Democracia em Construção — A OAB Nacional em Reportagens, Entrevistas e Artigos (parceria entre a revista eletrônica Consultor Jurídico e a OAB) e Precatórios: Uma Questão de Justiça – A História de Lutas e Conquistas da OAB. Os participantes também assistiram ao filme OAB 85 anos – Uma retrospectiva da entidade desde sua criação.

Ao discursar em sua despedida da presidência da Ordem, Marcus Vinicius lembrou da família e da importância da categoria como "sacerdotes do Estado de Direito". "A OAB deve reunir os 950 mil advogados do Brasil nesta defesa do Estado Democrático de Direito. Nada justifica descumprir os preceitos constitucionais. O único partido da OAB é a constituição, e a nossa ideologia é o Estado Democrático de Direito", afirmou. Ao final, agradeceu aos colegas por lhe darem a honra de representá-los.

Antes da solenidade de posse, agradecendo funcionários e advogados, e acompanhado de Lamachia, ele descerrou duas placas: uma listando as principais da gestão 2013-2016 e outra sobre a Súmula Vinculante 47, do Superior Tribunal de Justiça, que trata dos honorários com natureza alimentar e aprovada em 2015.

A tarde também foi de elogios e parabéns a Marcus Vinicius, que fez aniversário neste domingo. O presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, foi um dos que ressaltaram a atuação do colega, afirmando que essa gestão recuperou "a capacidade de articulação legislativa". "Vou falar de política com P maiúsculo. Vamos olhar para trás e ver que há três anos chegávamos aqui divididos, com dois bons candidatos, mas sem unidade. A partir daí, tivemos o desafio de não deixar a OAB fragmentar. Os últimos três anos foram dos mais turbulentos da política brasileira (…) E o Marcus Vinicius unificou a Ordem, para ela ser protagonista das causas."

Estavam presentes no evento Agesandro Pereira, ex-presidente da OAB-ES; Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União; Carlos José Santos Silva, o Cajé, presidente do Centro de Estudos de Sociedades de Advogados (Cesa); Fabiano Silveira, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça; José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro, presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp); Marco Antonio Innocenti, presidente da Comissão Especial de Precatórios da Ordem; Paulo Bonavides, jurista; Paulo Medina, decano do Conselho Federal; Roberto Antonio Busato, ex-presidente da OAB; e Técio Lins e Silva, presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros.

Propostas da nova diretoria
Entre as propostas da nova diretoria estão trabalhar para aprovar o projeto de lei que criminaliza a violação a prerrogativas dos advogados, impedir qualquer adiamento da entrada em vigor do novo Código de Processo Civil e intensificar a campanha nacional contra o caixa dois em eleições.

Em documento enviado a advogados logo antes das eleições, Lamachia afirma que quer também intensificar a mobilização para aprovar a criação de honorários de sucumbência para advogados trabalhistas, desenvolver ações específicas em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente e criar um “portal nacional de prerrogativas”.

A posse administrativa da nova diretoria será nesta segunda-feira (1º/2), e a festa de posse está marcada para o dia 23.

Veja como ficou o Conselho Federal da OAB e sua diretoria:

Nome Cargo
Claudio Lamachia Presidente
Luis Cláudio da Silva Chaves Vice-presidente
Felipe Sarmento Cordeiro Secretário-geral
Ibaneis Rocha Secretário-geral adjunto
Antonio Oneildo Ferreira Diretor-tesoureiro
Conselho Federal
Acre
Luiz Saraiva Correia
Erick Venâncio Lima do Nascimento
João Paulo Setti Aguiar
Alagoas
Everaldo Bezerra Patriota
Felipe Sarmento Cordeiro
Thiago Rodrigues De Pontes Bomfim
Amapá
Charlles Sales Bordalo
Helder José Freitas de Lima Ferreira
Alessandro de Jesus Uchôa de Brito
Amazonas
Caupolican Padilha Junior
Daniel Fábio Jacob Nogueira
Jose Alberto Ribeiro Simonetti Cabral
Bahia
André Luis Guimarães Godinho
Fabrício de Castro Oliveira
Fernando Santana Rocha
Ceará
Valdetário Andrade Monteiro
Ricardo Bacelar Paiva
Caio César Vieir Rocha
Distrito Federal
Severino de Sousa Oliveira
Marcelo Ladvocat Galvão
Ibaneis Rocha Barros Jr.
Espírito Santo
Flávia Brandão Maia Perez
Luciano Rodrigues Machado
Marcus Felipe Botelho Pereira
Goiás
Dalmo Jacob do Amaral Júnior
Fernando de Paula Gomes Ferreira
Leon Deniz Bueno da Cruz
Mato Grosso
Duilio Piato Júnior
Joaquim Felipe Spadoni
Rogério Luiz Gallo
Mato Grosso do Sul
Alexandre Mantovani
Ary Raghiant Neto
Luis Cláudio Alves Pereira
Maranhão
José Agenor Dourado
Roberto Charles de Menezes Dias
Luís Augusto de Miranda Filho
Minas Gerais
Luís Claudio da Silva Chaves
Eliseu Marques de Oliveira
Vinícius Marques Gontijo
Pará
Jarbas Vasconcelos do Carmo
Marcelo Augusto Teixeira de Brito Nobre
Nelson Ribeiro de Magalhães e Souza
Paraíba
Delosmar Domingos Mendonça Júnior
Luiz Bruno Veloso Lucena
Rogério Magnus Varela Gonçalves
Paraná
Jose Lucio Glomb
Cassio Lisandro Telles
Juliano Jose Breda
Pernambuco
Pedro Henrique Braga Reynaldo Alves
Silvio Pessoa de Carvalho Junior
Adriana Rocha de Holanda Coutinho
Piauí
Cláudia Paranaguá de Carvalho Drumond
Celso Barros Coelho Neto
Eduarda Mourão Eduardo Pereira de Miranda
Rio de Janeiro
Carlos Roberto de Siqueira Castro
Luiz Gustavo Antônio Silva Bichara
Sergio Eduardo Fisher
Rio Grande do Sul
Alexandre Lima Wunderlich
Claudio Pacheco Prates Lamachia
Cléa Anna Maria Carpi da Rocha
Rio Grande do Norte
Sérgio Eduardo da Costa Freire
Paulo Eduardo Pinheiro Teixeira
Aurino Bernardo Giacomelli Carlos
Rondônia
Elton José Assis
Elton Sadi Fulber
Breno Dias de Paula
Roraima
Antônio Oneildo Ferreira
Bernardino Dias de Souza Cruz Neto
Alexandre César Dantas Soccorro
Santa Catarina
Tullo Cavallazzi Filho
João Paulo Tavares Bastos Gama
Sandra Krieger Gonçalves
São Paulo
Guilherme Octavio Batochio
Marcia Melaré
Luiz Flávio Borges D'Urso
Sergipe
Arnaldo de Aguiar Machado Júnior
Maurício Gentil Monteiro
Paulo Raimundo Lima Ralin
Tocantins
José Alves Maciel
André Francelino de Moura
Pedro Donizete Biazotto

 

*Texto alterado às 15h21 do dia 1 de fevereiro de 2016 para correção.

Marcos de Vasconcellos

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

VASCO VASCONCELOS -ANALISTA,ESCRITOR E JURISTA disse:
31 de janeiro de 2016 às 21:33

Por Vasco Vasconcelos, escritor e jurista.Honra-me ocupar este espaço para desejar ao Presidente eleito da OAB sucesso em sua nova misão. Num país onde a onda do desemprego está aumentando seria de bom alvitre OAB num gesto de grandeza em respeito ao direito ao trabalho, declarar 2016 ano da abolição contemporânea da OAB; fim do caça níquei$ exame da OAB.A missão primordial da OAB é defender Constiuição , os direitos humanos a justiça social. Ora a CF diz em seu art. 209 que compete ao poder público avaliar o ensino.. Onde está responsabilidade social da OAB? Se para ser Ministro da maior Corte de Justiça do país, o Egrégio STF, não precisa ser advogado, basta o cidadão ter mais de 35anos e menos de 65 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art.101) da Constituição.Se para ocupar vagas nos Tribunais Superiores OAB se utiliza de listas de apadrinhados da elite? Por quê para ser advogado o bacharel tem que passar por essa cruel humilhação e terrorismo? O fim dessa excrecência significa mais emprego mais renda mais cidadania e acima de tudo maior respeito aos direitos humanos.A privação do emprego é um ataque frontal aos direito humanos.Assisitir os desassistidos e integrar na sociedade os excluídos.Estima-ser que nos últimos vinte anos só OAB abocanhou extorquindo com altas taxas cerca de quase R$ 1,0 Bilhão de reais sem nenhuma transparência , sem nenhum retorno social sem prestar contas ao TCU. OAB para calar nossas autoridades, pasme, isentou dessa excrescência os bacharéis em direito oriundos da Magistratura, do Munistério Público e os bels. oriundos de Portugal.E com essas tenebrosas transações e discriminações essa excrescência é Constitucional?Onde fica o Princípio Constitucional da Igualdade? A lei não é para todos?

toron disse:
31 de janeiro de 2016 às 22:03

A nova diretoria eleita é composta por nomes não apenas da maior respeitabilidade, mas por lideranças experimentadas e comprometidas com as lutas da advocacia.
Sucesso!
Toron, advogado

Marcos Alves Pintar disse:
31 de janeiro de 2016 às 23:00

Mais um dia triste para a advocacia e para o Brasil. Lamachia segue o estilo clássico dos políticos que destruíram esta República. Longe dos advogados, formou alianças a portas fechadas, muito longe da classe e de nossos problemas do dia a dia, objetivando apenas o poder pelo poder. Nós, advogados, não podemos opinar na escolha, e só nos resta agora abaixar a cabeça diante dessa humilhação, que só prejuízos trará a nós e ao Brasil.

Jorge disse:
01 de fevereiro de 2016 às 02:24

"Toda unanimidade é burra" - Nelson Rodrigues.

Zé Machado disse:
01 de fevereiro de 2016 às 08:24

Unanimidade deve ser sinal de desânimo! Sem oposição perde-se o rumo, como ocorreu com o governo federal nos últimos anos antes da última reeleição.

Rivadávia Rosa disse:
01 de fevereiro de 2016 às 08:52

Parabéns ao presidente, com votos que retome a posição histórica da Instituição em defesa da democracia, do Estado de Direito, da Justiça independente e das Instituições Pátria.

Bruno César Cunha disse:
01 de fevereiro de 2016 às 10:05

Pelo jeito segue-se com a dinastia implantada na OAB. Mais um sucessor...aff.
Instituição que deveria dar exemplo de democracia não o faz. Por essas e outras eu defendo a eleição direta para presidente da OAB. Ridículo esse teatro todo, quase não tivemos vitórias da oposição nas Seccionais, agora mais um sucessor de araque.
Ao que consta o novo presidente está preocupado com os salários "indignos" recebidos pelos dos magistrados. Lamentável que enquanto a advocacia está minguando, ainda hajam presidentes da OAB tratando de interesses de juízes. Quero que se foda essa gestão ilegítima, pois duvido que se as eleições fossem diretas estes estariam aonde estão. Nos resta rezar e abaixar a cabeça e então esperar que os barões da advocacia olhem para os pobres e humildes advogados espalhados pelo país.

Bruno César Cunha disse:
01 de fevereiro de 2016 às 10:05

Pelo jeito segue-se com a dinastia implantada na OAB. Mais um sucessor...aff.
Instituição que deveria dar exemplo de democracia não o faz. Por essas e outras eu defendo a eleição direta para presidente da OAB. Ridículo esse teatro todo, quase não tivemos vitórias da oposição nas Seccionais, agora mais um sucessor de araque.
Ao que consta o novo presidente está preocupado com os salários "indignos" recebidos pelos dos magistrados. Lamentável que enquanto a advocacia está minguando, ainda hajam presidentes da OAB tratando de interesses de juízes. Quero que se foda essa gestão ilegítima, pois duvido que se as eleições fossem diretas estes estariam aonde estão. Nos resta rezar e abaixar a cabeça e então esperar que os barões da advocacia olhem para os pobres e humildes advogados espalhados pelo país.

sytote disse:
01 de fevereiro de 2016 às 10:34

É uma diretoria totalmente de petistas corruptos e safados Vejam os representantes de São Paulo, são advogados dos chefes da quadrilha. A defesa do governo continuará sendo feita por esse Conselho totalmente envolvido em falcatruas.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
01 de fevereiro de 2016 às 10:55

Discurso de posse é sempre bonito, mostrando, sempre, o que não acontecerá !

J. Cordeiro disse:
01 de fevereiro de 2016 às 10:56

À parte a unanimidade do caso, parabéns, Dr. Claudio Lamachia, pela sua escolha para dirigir nossos rumos advocatícios até 2019. Diz o articulista que o Sr. é bom de “diálogo”. Assim espero, porque a classe precisa de quem a ouça e acompanhe suas necessidades básicas. Advocacia do granel e não do atacadão. Uma direção para a classe e, COMO CONSEQUÊNCIA, para a sociedade. Nada de ficar empunhando bandeiras contra isto e aquilo, fora da realidade da própria classe. Nada de se preocupar com esse ou aquele escritório, quando a grande maioria faz carreira solo. Nada de maravilhar-se com a copa, quando as folhas de baixo estão à mingua. Espero que as propostas da nova Diretoria, de encontro com o recente Código de Ética e Disciplina, possa, realmente, ajudar uma classe muito necessitada, que somos. Estarei torcendo para o sucesso da sua administração, em tempos sombrios por toda Nação. Que ela dê norte e sorte aos rumos da advocacia brasileira.

Antonio Carlos Kersting Roque disse:
01 de fevereiro de 2016 às 11:37

Se o Toron e outros do mesmo naipe estão a favor e porque as coisas continuarão da mesma maneira,
OAB instrumento de interesses políticos partidários e submissa ao governo petista.
A unanimidade sempre foi burra, não foi agora que isso mudou.
Mais um Coelho a não me representar.
Os grandes escritórios estão em festa.
Mais três anos de mediocridade.
Aplausos.
Colegas estamos órfãos.

abreu disse:
01 de fevereiro de 2016 às 14:40

Ao ler o que disse o nobre presidente, em seu discurso, pensei que foi eleito para presidência da Magistratura e do MP, já que vem defender interesses desses órgãos. Nós advogados uma classe tão altaneira, somos obrigados a conviver com esse tipo de "pseudos" representantes. Que pena da nossa classe!

Rui Telmo Fontoura Ferreira disse:
01 de fevereiro de 2016 às 20:56

Prezados Senhores,
Paz e Bem!
01 - Dr. Claudio Lamachia, parabéns, continuado sucesso, muitas felicidades, na nova missão, principalmente, num trabalho democrático à serviço do homem e da natureza;
02 - As turbulências estão sintonizadas na fraqueza dos fatos e nas tomadas de decisões, precisamos mais do que nunca de, homens fortes e sem medo, em busca de grandes
soluções, em prol da Nação Brasileira!
03 - Avante! A OAB necessita do Brasil e o Brasil necessita da Ordem, pela "Paz e Bem!"
Cordialmente,
Rui Telmo Fontoura Ferreira

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