TSE edita nova resolução para estrangular explosão de desinformação

O Tribunal Superior Eleitoral aprovou, na manhã desta quinta-feira (20/10), uma nova resolução com o objetivo de conter a explosão do uso de desinformação para desequilibrar o debate no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Abdias Pinheiro/TSE

Pelo texto aprovado por unanimidade, toda decisão de exclusão de conteúdo falso ou injurioso poderá ser estendida de ofício para "outra situações com equivalência de conteúdo", sem a necessidade de uma nova representação judicial.

Ou seja: se já houve decisão para remoção de um determinado vídeo ou montagem, não será mais preciso aguardar que o Ministério Público ou a parte prejudicada entre com outro processo para pedir a exclusão do mesmo post que tenha sido feito por outra pessoa — o próprio TSE poderá mandar remover conteúdo idêntico.

Também foi aprovada a redução do prazo máximo para remoção dos conteúdos pelas redes e provedores para duas horas. Até agora, as redes tinham até 24h para cumprir as determinações. Nos dois dias anteriores à eleição, o prazo pode cair para até uma hora.

Além disso, o texto acrescentou um veto inexistente na lei eleitoral: proibiu, nas 48 horas anteriores ao segundo turno e nas 24 horas posteriores, a veiculação de propaganda eleitoral paga pela internet, inclusive por monetização direta ou indireta.

A propaganda eleitoral já é proibida nessa janela de tempo, mas não havia previsão para as práticas como o impulsionamento de conteúdo na internet. Com a exponencial monetização de blogs e canais com conteúdo eleitoral, a corte achou por bem estender a proibição.

As medidas foram discutidas com representantes das principais redes sociais, em reunião feita com o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, na quarta-feira (19/10). Nesta quinta, ele vai se reunir com os advogados das campanhas de Jair Bolsonaro e Lula para abordar as mudanças e aparar as arestas.

Segundo Moraes, o segundo turno registrou aumento de 1.600% no volume de denúncias de desinformação encaminhadas às plataformas de redes sociais, em comparação com as eleições de 2020. Até o momento, mais de 130 conteúdos precisaram ser republicados com desmentidos e esclarecimentos.

Ele destacou que o combate à desinformação no primeiro turno foi satisfatório, mas mostrou preocupação na reta final das eleições. "Houve proliferação não só de noticias fraudulentas, mas da agressividade dessas notícias e de discurso de ódio que, sabemos todos, não leva a nada. Simplesmente leva á corrosão da democracia", disse.

Clique aqui para ler a resolução

Danilo Vital

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Professor Edson disse:
20 de outubro de 2022 às 12:02

Ou seja tudo de ofício, já para o Janones eles pediram uma explicação sobre as fake news propagandas pelo lulista.

Leandro J. Silva disse:
20 de outubro de 2022 às 13:23

Arrogar pra si o papel de polícia, MP, e juiz é DITADURA! Não adianta colocar uma capinha preta nas costas e falar em democracia, se o comportamento é de ditador! Até censura prévia estão fazendo! Então, pra supostamente defender a democracia, vale até rasgar a constituição e censurar todos que discordam de vocês e apontam FATOS?!

Façam o contorcionismo que lhes cabe. Continuarão sendo DITADORES. Ontem, hoje, e para todo o sempre!

Servidor estadual disse:
20 de outubro de 2022 às 14:01

Não se nega a necessidade de se combater a fake news, mas aqui cabem as mesmas criticas que se fez contra a lava a ajto, a título de combater a corrupção se esqueceram dos direitos fundamentais, agora, o TSE e STF incorrem no mesmo erro. Alguém tem que avisar o ministro da teoria dos jogos. A CF veda censura prévia e fala em justa reparação pelo dano provocado. Fica a impressão de proteção a um dos lados. O Judiciário, leia-se, Cortes superiores estão perdendo a mão e levando o país para o buraco. Censura a Joven Pan foi absurda, e não vejo a OAB e organismos de direitos humanos questionando isso. Daqui 08 anos o Lula (se ganhar) sai e outro entra e vai querer usar todas essas ferramentas que estão na jurisprudência do STF, salvo, se for de encomenda. O Legislativo tem que voltar ao seu "cargo" o Judiciário ao dele. Criaram-se leis, criaram polícia, são investigadores, promotores, juízes e instância revisora, tudo em uma só pessoa. Cada dia uma jurisprudência muda um ponto da lei sob a égide interpretação. Agora mesmo, os atos iniciais do roubo, invasão e domínio na posse de arma não são mais roubos na modalidade tentada. Rumo ao caos.

Luiz Adriano Machado Metello Junior disse:
20 de outubro de 2022 às 15:26

Excelente comentário. Venho dizendo o mesmo já há algum tempo por aqui mas tenho sido solenemente ignorado. É uma satisfação ver que finalmente outros colegas do mundo jurídico estão abrindo os olhos para a atuação abusiva das cortes superiores, inclusive no que tange a cometer exatamente os mesmos erros da Lava-Jato.

Determinado ministro, cuja notória alopecia torna sua figura bastante distinta na suprema corte, já tornou-se personagem cuja presença em famosa obra do escritor George Orwell não seria estranha.

Espero que eventualmente possamos retornar a normalidade sem que haja uma quebra das instituições.

Por fim, torno a criticar a atuação, ou melhor, a FALTA de atuação da OAB diante de tamanhos absurdos que estamos vivenciando, entidade esta cujo silêncio tem sido ensurdecedor.

Professor Edson disse:
20 de outubro de 2022 às 15:50

O silêncio dos juristas e da OAB diante desses abusos do TSE, só deixa claro como a politicalha é mais importante do que a constituição para essa turma, agora o pior silêncio vem do senado federal, o único poder que pode e tem competência para acabar com essa ditadura da toga instalada no STF e TSE.

Professor Edson disse:
20 de outubro de 2022 às 15:50

O silêncio dos juristas e da OAB diante desses abusos do TSE, só deixa claro como a politicalha é mais importante do que a constituição para essa turma, agora o pior silêncio vem do senado federal, o único poder que pode e tem competência para acabar com essa ditadura da toga instalada no STF e TSE.

R Schneider disse:
20 de outubro de 2022 às 16:47

conviver com liberdades democráticas é complicado. Assegurar que cada um tem direito de opinião discordante da nossa, interpretações absurdas de sociedade, leitura enviesada dos fatos, é muito difícil de conviver. Botar temas em votações, aguentar o berreiro de opiniões contrárias, que nem sempre se portam adequadamente. Isso é a democracia. Quão bom seria que com um passe de mágica se calassem as vozes discordantes. Isso é ditadura.

Infelizmente nosso STE/STF escolheu o caminho mais curto, de cercear liberdades individuais por conta de um bem "dito maior". Ou seja, nem ele aguentou percorrer os escaninhos legais para fazer o que se entende por justiça.

é na hora da onça beber água que se vê a verdadeira natureza.... que infelicidade de trilhar os caminhos mais curtos..... e a ditadura do judiciário, eleito o ministro da verdade, é complicado de combater...

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
20 de outubro de 2022 às 17:04

Muito do que está se espalhando como fake News é puro lixo. Ou é gente brincando, ou gente querendo enganar. O problema é que tem gente que acredita. Tá certo o TSE e o ministro Alexandre. Alguma coisa precisa ser feita e rápido, antes que os incautos e crédulos sejam enganados. Fake News não é jornalismo.

Harlen Magno disse:
21 de outubro de 2022 às 02:58

Se os comentaristas de sempre, extremistas e radicais fanáticos na defesa da organização de "fake news", estão contrariados, é sinal de que nossa Justiça está no caminho certo!

José Calil Deghaide disse:
21 de outubro de 2022 às 08:20

Estou presenciando aqui uma militância petista fanática, inclusive de juristas renomados se omitindo em relação aos abusos cometidos pelo TSE e STF.
Infelizmente!

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