Juiz de São Paulo invalida autuações da ANTT contra Buser

Por descumprimento de ordem judicial, a 17ª Vara Cível Federal de São Paulo invalidou autuações feitas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) contra veículos da Buser. No início de abril, o juiz federal Ricardo de Castro Nascimento proibiu a apreensão e autuação por parte do órgão governamental de veículos fretados pela empresa com a alegação de transporte clandestino.

Divulgação/Buser

Divulgação/BuserEmpresa teve veículos apreendidos
oito vezes desde a proibição

Na decisão, o magistrado afirmou que não existe ilegalidade no modelo de fretamento colaborativo, já que a empresa não vende passagens e conta com autorização para transporte rodoviário. Ocorre que, entre maio e junho, a ANTT autuou e apreendeu oito ônibus da Natal Turismo (que presta serviço para a Buser) no Rio de Janeiro. 

Para o juiz, a legislação brasileira não impede o agenciamento de passageiros por plataformas digitais. Assim, a proibição seria o mesmo que impedir o uso das novas tecnologias. O magistrado entende que as atuações da ANTT, nesse caso, "revestem-se de ilegalidade" ao impedir a circulação de ônibus da referida empresa.

O juiz afirmou que as normas da agência reguladora são contraditórias e subjetivas, posto que a ANTT chama de transporte clandestino o "serviço semelhante a serviço regular", sem citar especificações. 

Na nova decisão, do último dia 20, o juiz destacou que a ANTT foi devidamente notificada da proibição, "tendo, inclusive, ofertado agravo de instrumento, cuja tutela recursal foi indeferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região".

O magistrado também determinou que a diretoria da agência informe aos órgãos responsáveis pela fiscalização nos demais estados sobre a proibição de autuação e apreensão dos ônibus da empresa de fretamento.

Clique aqui para ler a decisão
Processo 5032777-92.2022.4.03.6100

Renan Xavier

é repórter da revista Consultor Jurídico.

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