Perfil ADV

Mais de um terço dos advogados do Brasil ganham menos de R$ 3 mil

Pouco mais de um terço dos advogados brasileiros têm rendimento individual mensal de até dois salários mínimos no exercício da advocacia. Ou seja, 34% deles ganham até R$ 2.824 por mês.

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Perfil ADV coletou dados de mais de 20 mil inscritos na OAB

Na faixa entre dois e cinco salários mínimos (de R$ 2.824 a R$ 7.060) estão 30% dos advogados. Já aqueles que ganham de cinco a 20 salários mínimos (R$ 7.060 a R$ 28.240) representam 15% do total. Os números não levam em conta rendimentos por outras atividades além da advocacia.

Se levada em conta a renda familiar (e não individual) mensal, 14% dos advogados ficam na faixa de até dois salários mínimos e 31%, na faixa de dois a cinco salários mínimos. Isso significa que 45% dos advogados têm renda familiar mensal de até R$ 7.060.

Outros 26% têm renda familiar entre cinco e dez salários mínimos (R$ 7.060 a R$ 14.120). A faixa acima de dez salários mínimos fica reservada a 22% dos advogados, dos quais 13% têm renda familiar entre dez e 20 salários mínimos. 9% ganham mais do que R$ 28.240.

Nessas condições, 52% dos advogados avaliam que as condições gerais para atuação da advocacia vêm piorando, embora 54% deem notas de sete a dez para seu grau de satisfação com a atividade profissional. A média de satisfação é 6,3.

Os dados são do 1º Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira (Perfil ADV), lançado na última sexta-feira (26/4). A pesquisa foi encomendada pelo Conselho Federal da OAB ao Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da Fundação Getulio Vargas (FGV Justiça).

O professor Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), foi convidado para a coordenação técnica do projeto.

Além disso, o planejamento, o questionário e a coleta de dados foram acompanhados diretamente por especialistas da OAB, que responde pela coautoria do estudo.

A FGV aplicou questionários on-line de autorresposta, que puderam ser acessados por todos os inscritos da OAB. A amostra da pesquisa é de 20.885 entrevistados, dentre pouco mais de 1,37 milhão de advogados inscritos na entidade.

Raio-X da advocacia

A pesquisa mostrou que as mulheres são maioria na advocacia brasileira. Hoje, elas compõem 50% desse campo profissional, enquanto homens somam 49%. Outras identidades de gênero (pessoas não binárias, transgêneros, travestis e outras) representam cerca de 1%.

Mais da metade dos advogados (55%) têm entre 24 e 44 anos. Outros 24% têm de 45 a 59, e 21% têm 60 anos ou mais. A média de idade da advocacia é de 44 anos.

64% dos advogados se declaram brancos. 33% são negros, distribuídos entre pardos (25%) e pretos (8%). Cerca de 1% são indígenas ou amarelos. Na população brasileira como um todo, a proporção é de 43% brancos, 45% pardos, 10% pretos e 1% amarelos ou indígenas.

A média de tempo de atuação na advocacia é de 13 anos, enquanto a média de tempo de inscrição na OAB é de 12 anos. Nas faixas de renda familiar mais altas, há uma concentração maior de profissionais com maior tempo de inscrição na OAB.

O estudo mostrou que 72% dos advogados brasileiros atuam como autônomos. Por outro lado, 4% dos inscritos na OAB estão desempregados.

Enquanto 46% dos advogados atuam apenas nas capitais e regiões metropolitanas, 42% atuam somente no interior. 11% atuam em ambos.

O home office é uma realidade para 43% dos advogados. Entre os autônomos, esse número sobe para 51%.

O Direito Civil é a principal área de atuação para 26% dos advogados. Em seguida vêm Família e Sucessões, com 14%; Trabalhista, com 12%; e Previdenciário, com 11%.

Mais de um quarto (29%) dos advogados dizem que já tiveram prerrogativas violadas ou honorários aviltados. Desse total, apenas 24% formalizaram reclamação para a OAB. Dentre os que formalizaram, apenas 23% declaram ter recebido apoio da entidade.

Clique aqui para ler o estudo

Luiz G Marques disse:
30 de abril de 2024 às 23:32

A profissão da Advocacia tem me servido para a defesa dos meus direitos e, mesmo assim, na maioria dos meus processos, encontro juízes e tribunais sobrecarregados de processos, com a constatação de a maioria está decidindo por atacado, sem perceberem as peculiaridades de cada caso. Isso prejudica muito o exercício da advocacia.

WLStorer disse:
01 de maio de 2024 às 01:02

Infelizmente é a realidade. E o pior é que depois de vários anos atuando em um Processo, ao final, o cliente acha que o valor dos honorários são abusivos, mas quando você divide o valor pelos meses de duração do Processo, vê-se, por exemplo, que uma diarista ganha mais por um dia de serviço.

Rejane disse:
01 de maio de 2024 às 08:54

Nobre colega Luiz G Marques, estou na mesma situação, a advocacia que exerço nos últimos anos está voltada à defesa de meus direitos. Durante muito tempo, atuei na maioria dos casos PRO BONO ou o representado apenas custeava as despesas processuais. O meu perfil se encaixa entre os 34% que ganham até dois salários mínimos, 50% de mulheres no exercício da advocacia, 21% com mais de sessenta anos, 64% brancos, 72% autônomos, 46% que atuam nas capitais e regiões metropolitanas, 51% que atuam em home office. Essa realidade estampada no recente estudo não é novidade, pois há cerca de 20 anos a OABSP fez estudo semelhante e as porcentagens eram praticamente as mesmas. Entendo que reflete : 1) o empobrecimento dos cidadãos; 2) a ineficiência da Justiça; 3) os que exercem são unicamente motivados pela vocação, buscando a complementação de seu sustento em outras atividades paralelas.

Palagano advogado disse:
01 de maio de 2024 às 12:27

A pesquisa realizada nos revela uma advocacia longe das imagens que podemos ver em filmes e seriados. Ou mesmo daquela imagem do imaginário popular de todo advogado bem de vida.

Infelizmente o advogado está longe de ser essa figura e está mais perto de um cidadão comum que enfrenta os problemas do dia a dia.

34% dos advogados ganham até dois salários-mínimos. Esse é o maior percentual de advogados sem levar em conta rendimentos por outras atividades além da advocacia.

52% dos advogados avaliam que as condições gerais para atuação da atividade vêm piorando. A média de satisfação é 6,3.

Os questionários foram feitos de maneira on-line de modo que puderam ser acessados por todos os inscritos da OAB, porém, apenas 20.885 foram entrevistados, ao passo que são 1,37 milhão de advogados brasileiros inscritos na Ordem dos Advogados, sendo que, conforme os dados da International Bar Association (IBA), a OAB apontou que o Brasil é, proporcionalmente, o país com o maior número de advogados, portanto, essa pesquisa, que já apresentou números não muito bons, pode ser ainda mais reveladora se todos os advogados e advogadas fossem realmente entrevistados.

Hoje as mulheres são a maioria na advocacia, porém, vimos uma feminilidade ainda muito tímida nas OABs, vide, p. ex., que depois de quantos anos, só agora a seccional São Paulo está sendo presidida por uma mulher.

Não foi falado um “A” sobre advogados e advogadas portadores de deficiências, e talvez isso justifique o porquê de tais pautas importantes para uns são escanteadas em detrimentos de outros, como é o caso de pautas levantadas por grupos que representam apenas 1% dos advogados, conforme revelado pela pesquisa.

Sabemos que a realidade da maioria dos advogados é distante da instituição que, com o passar dos anos, tem demonstrado se importar menos com os muitos problemas que atinge a atividade da advocacia, vide os arroubos do Poder Judiciário que simplesmente ignora a Constituição e viola prerrogativas previstas em Lei e até em entendimentos consolidados de nossos tribunais.

Não é, com a máxima vênia, gritando e bradando contra a impossibilidade de sustentação oral em Agravos que a OAB vai ganhar a simpatia da grande maioria, e nem muito menos processando e caçando grupos inclinados a determinados espectro político. É preciso, antes de tudo, e agora com os números em mãos, buscar entender o que realmente acontece, se livrando de narrativas e pautas que em nada ajudam a realidade do advogado médio.

Douglas Farias disse:
01 de maio de 2024 às 12:49

E podem ter certeza, em menos de 10 anos a situação vai piorar ainda mais, podem crer.

FAB OLIVER disse:
01 de maio de 2024 às 14:18

E O PRESIDENTE DO SENADO DIZENDO QUE PRECISA PAGAR 100 MIL PRA MAGISTRATURA SE TORNAR ATRATIVA KKKKK

Isley Dutra - Advogado Empresarial e Tributarista disse:
02 de maio de 2024 às 02:09

Vale o quanto pesa! Advogado recebe conforme o peso que agrega ao escritório. Advogados querem o salário do Neymar, mas quando colocamos uma bola em seus pés mal conseguem fazer uma embaixadinha. Conheci estagiários que ganhavam mais de R$ 5 mil/mês e toda hora recebiam propostas de trabalho, na prática esses estagiários davam balé em muitos advogados. Vejo muito advogado pecando no português, imagina na técnica ao peticionar. Advogado bom entra ganhando pouco só pra ter a oportunidade de dar seu show e se destacar na multidão, valorizar seu passe e ganhar mais.

Sandro Xavier disse:
12 de maio de 2024 às 11:41

E embora seja assim, as entidades representativas de juízes e magistrados estariam requerendo alteração na lei, criando gratificações extra-teto para magistrados, para que a carreira de magistrado não seja desinteressante ao comparar com a carreira de advogados.

roberto carlos gomes suarez disse:
05 de janeiro de 2025 às 08:01

A realidade é muito pior do que a demonstrada na pesquisa. Se duvidar 70% dos graduados em Direito e atuantes como Advogado ganham menos de 3 mil reais! Isso é fato, é a realidade! Honorários arbitrados de forma irrisória, processos extremamente lentos, decisões absurdamente erradas, descaso com a justabe devida prestacao jurisdicional, política de se livra de processo, indenizações ridículas, política do descrédito para desestimular as ações, política do arquivamento diberado, juízes já conhecidos que julgam totalmente adverso a norma e legislação, decisoes com cunho de desmerecimento e desestimulo das ações, etc. São uma das causas dessa triste. realidade. O resultado é a falência da sociedade. Hoje mais vale a pena violar o direito alheio do que seguir na licitude. E o estímulo a chamada monetizacao do ilícito!

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