Cortina de fumaça

Cláudio Castro prende vereador da oposição na véspera de seu julgamento

A menos de duas semanas da sua provável cassação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio de Castro (PL), tentou uma cartada desesperada. Mandou prender um vereador da oposição para tentar comprometer seu principal adversário, o prefeito Eduardo Paes (PSD).

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Proposta enviada pelo governo de Cláudio Castro visa aumentar a alíquota do Fundo Orçamentário Temporário (FOT) e diminuir benefícios de ICMS

Cláudio Castro deve ser cassado em julgamento marcado para o dia 24

Pela cassação de Castro já votaram a ministra Nancy Andrighi e o ministro Antonio Carlos Ferreira. O julgamento deve ser retomado no próximo dia 24. Junto com ele, respondem pelas mesmas acusações o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) e outros 12 réus ligados ao esquema.

O bote do governador foi contra o vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário da Prefeitura do Rio. A acusação é a de que Oliveira teria sido citado em diálogo de terceiros negociando com um traficante autorização para fazer campanha eleitoral em uma comunidade sob domínio do Comando Vermelho.

O PSD reagiu, representando contra o governador e seu secretário da Polícia Civil por manipulação do aparato público com fins eleitorais. O partido pediu à Procuradoria-Geral da República e ao Superior Tribunal de Justiça providências contra os mandantes da prisão do vereador. Em nota, a Polícia Civil defendeu a legalidade da prisão (leia íntegra ao final da notícia).

Dos três indícios, dois estão ligados ao fato de ele ter nascido em uma favela e se dizer representante das comunidades, como observou o jornalista Octávio Guedes, da GloboNews. O terceiro, diz a polícia, é um diálogo entre traficantes que mencionaram Oliveira.

Segundo o site Tempo Real, o presidente do diretório estadual do PSD no Rio, deputado federal Pedro Paulo pediu, em caráter de urgência, uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD). A sigla também vai entrar com um pedido de investigação na Polícia Federal sobre a acusação da Polícia Civil.

Pedro Paulo afirmou que o esquema de Castro “é uma máfia que está instrumentalizando a polícia para prender adversários. Não há qualquer prova contra ele, a não ser o fato de ser morador de comunidade e uma conversa de um terceiro com um quarto citando o nome de Salvino, que não tem sequer resposta”.

O parlamentar disse que a reunião com Moraes vai contar com a presença do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet

O deputado Pedro Paulo comparou o caso da prisão com as manobras do ex-juiz Marcelo Bretas. Como miliciano, Bretas compartilhou informações sigilosas para prejudicar o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). A quadrilha, na campanha para o governo estadual em 2018, garantiu a eleição de outro criminoso, o ex-juiz Wilson Witzel, cassado chefiar um esquema de corrupção envolvendo contratos emergenciais na área da saúde.

Além do vereador, seis policiais militares foram presos. A Câmara de Vereadores do Rio, segundo o G1, afirmou que houve uma tentativa de associar políticas voltadas às comunidades à facilitação de ações criminosas, já que o inquérito cita a Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas, e classificou a iniciativa como inaceitável.

Leia a íntegra da nota da Câmara:

Em função de a Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas ter sido citada no inquérito que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira como meio facilitador para relações criminosas, a Câmara Municipal do Rio esclarece:

É inaceitável qualquer tentativa de associar o debate sobre políticas voltadas às comunidades a indícios de atividade criminosa. Nascer ou morar em favela não pode ser tratado como sinal de irregularidade e, muito menos, crime.

Da mesma forma, participar de uma comissão parlamentar dedicada a discutir os desafios das comunidades é parte legítima do exercício do mandato e da representação de milhões de cariocas que vivem nesses territórios.

Leia a íntegra da nota da Polícia Civil do Rio:

A Polícia Civil esclarece que a investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024 e passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, não sendo assim uma decisão de governo e sim da Justiça. A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026, tendo o Ministério Público analisado e dando parecer favorável no dia 21 de janeiro. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro, com expedição em 3 de março deste ano.

A investigação foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado político. Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais.

A Polícia Civil não escolhe alvo por posição política, por grupo ou por conveniência. Durante uma investigação, caso apareçam provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à justiça e captura.

Por todos esses fatos, a operação que resultou na prisão do vereador foi legal e legítima, baseada em provas técnicas.

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